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A Ilha das Trevas

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SINOPSE Paulino da Conceição é um timorense com um terrível segredo. Assistiu, juntamente com a família, à saída dos portugueses de Timor-Leste e a todos os acontecimentos que se seguiram, tornando-se um mero peão nas circunstâncias que mediaram a invasão indonésia de 1975 e o referendo de 1999 que deu a independência ao país. Só há uma pessoa a quem Paulino pode confessar o seu segredo - mas terá coragem para o fazer? A vida e tragédia de uma família timorense serve de ponto de partida para aquele que é o romance de estreia de José Rodrigues dos Santos, precursor de grandes êxitos como A Filha do Capitão, O Codex 632 e A Fórmula de Deus. Um romance pungente onde a ficção se mistura com o real para expor, num ritmo dramático, poderoso e intenso, a trágica verdade que só a criação literária, quando aliada à narrativa histórica, consegue revelar.

354 pages, Paperback

First published January 1, 2002

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715 people want to read

About the author

José Rodrigues dos Santos

61 books2,262 followers
José Rodrigues dos Santos is the bestselling novelist in Portugal. He is the author of five essays and eight novels, including Portuguese blockbusters Codex 632, which sold 192 000 copies, The Einstein Enigma, 178 000 copies, The Seventh Seal, 190 000 copies, and The Wrath of God, 176 000 copies. His overall sales are above one million books, astonishing figures considering Portugal’s tiny market.

José’s fiction is published or is about to be published in 17 languages. His novel The Wrath of God won the 2009 Porto Literary Club Award and his other novel Codex 632 was longlisted for the 2010 IMPAC Dublin Literary Award.

His first novel, The Island of Darkness, is in the process of being adapted for cinema by one of Portugal’s leading film directors, Leonel Vieira.

José is also a journalist and a university lecturer. He works for Portuguese public television, where he presents RTP’s Evening News. As a reporter he has covered wars around the globe, including Angola, East Timor, South Africa, the Israeli-Palestinian conflict, Iraq, Bosnia, Serbia, Lebanon and Georgia. He has been awarded three times by CNN for his reporting and twice by the Portuguese Press Club.

José teaches journalism at Lisbon’s New University and has a Ph. D. on war reporting.

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Community Reviews

5 stars
422 (32%)
4 stars
490 (37%)
3 stars
276 (21%)
2 stars
74 (5%)
1 star
29 (2%)
Displaying 1 - 30 of 66 reviews
Profile Image for Rosie.
465 reviews56 followers
June 14, 2024
Um relato muito intenso da história de Timor, desde a invasão pela Indonésia à sua independência. Apesar de ficcionado, é muito realista, cruel, sofrido.

Como excelente jornalista que é, José Rodrigues dos Santos, explana o assunto por forma a compreendermos melhor todas as posições e vontades dos envolvidos.

Conseguimos criar um elo de ligação mais fidedigno das imagens e dos relatos que nos chegaram pelas notícias, com o que é descrito ao longo das páginas.

Um livro tem de nos dar sempre algo em troca pelo tempo que lhe dedicamos, aprendizagem, uma experiência de vida, deleite, boa disposição, enfim tantos podem ser os itens a enumerar. Neste foi seguramente mais conhecimento e a amargura de constatar através deste relato histórico de como um povo resistiu a um genocídio perpetrado durante anos perante a indiferença da comunidade internacional.

Recomendo.
Profile Image for Makuka.
11 reviews3 followers
March 16, 2009
Depois do Codex 632, voltei a ler José Rodrigues dos Santos, mas, desta vez, naquele que considero o seu melhor genéro - o romance histórico. O espaço da acção de A Ilha das Trevas, Timor, não podia estar mais perto e mais longe de mim, enquanto portuguesa. Os acontecimentos vividos nesta ilha marcaram o meu crescimento, mas eram só imagens. Dramáticas, marcantes, mas só imagens. Jose Rodrigues dos Santos teve o condão de me fazer aprender e perceber tudo aquilo que aconteceu ao longo de 33 anos de luta pela independência. Curiosamente, enquanto lia a obra, comemorou-se, a 12 de Novembro, o 17º aniversário do massacre no cemitério de Santa Cruz, em Dili.

O melhor desta obra é, sem dúvida, a investigação que a sustenta. Simplesmente fascinante. José Rodrigues dos Santos, como bom jornalista que se preze, não deixou nada ao acaso e apresenta-nos várias versões do mesmo facto. Quando se falava de Timor, percebia o que estava em causa, mas de forma muito superficial. N' A Ilha das Trevas cada situação foi bastante bem explorada, permitindo-nos finalmente compreender todas as posições e vontades dos envolvidos. Até me consegui surpreender com a vontade e força dos nossos políticos diante dos líderes das grandes potências.

A personagem principal da obra, Paulino, é extraordinária e, ao longo da leitura, a descrição dos seus medos e das suas vivências cativam-nos. A emoção toma conta de nós e, pessoalmente, parece que agora consigo mesmo perceber/sentir o que os timorenses sentiam. Arrepiei-me na descrição dos massacres, senti medo nos momentos de tensão, desejei ajudar, critiquei por não se ter agido mais cedo. Paulino da Conceição é o espelho dos desejos e tormentos de uma nação.

Gostei bastante do estilo da obra. Apesar da importância dramática que encerra, A Ilha das Trevas proporciona uma leitura fluída e agradável que nos faz ir virando as páginas. Nos momentos finais, é impossível não sentir um misto de tristeza por quem pereceu e de alegria pela independência ter vencido.
Profile Image for César Lasso.
356 reviews107 followers
March 19, 2015
Não sou muito entusiasta de best-sellers e ainda menos se acabam numa série comercial. Do Rodrigues dos Santos li o Códex 632 e, embora fosse entretido, decidi não continuar com as sequelas do Tomás Noronha.

No entanto, este autor, muito traduzido, sabe escrever boa literatura. Como dizemos em Espanha, da una de cal y otra de arena, ou seja, que tenho a intuição que escreve um livro para ganhar bons dinheiros com o que o público reclama, e a seguir um outro para mostrar que sabe –e muito– do ofício de escritor. Adorei, nesse sentido, o seu romance A Filha do Capitão, traduzida em Espanha como La amante francesa.

Este A Ilha das Trevas é um romance baseado na história recente de Timor Leste; nomeadamente, na opressão do regime indonésio sobre essa antiga colónia portuguesa, antes de finalmente obter a sua independência. É um romance duro e está bem escrito. Um relato de ditadura, marginação dos nativos e atrocidades.

Como antídoto para não odiar os indonésios (todos os povos têm as suas luzes e sombras) proponho a leitura de Not a Hazardous Sport, sobre as aventuras do simpático antropólogo Nigel Barley entre os Toraja, na ilha de Sulawesi. Tem tradução espanhola.
Profile Image for Ana.
602 reviews68 followers
April 3, 2020
Um livro, que apesar de apelidado de romance, relata de forma muito fiel acontecimentos reais.
É uma peça de jornalismo brilhante que retrata a História da criação de um país, Timor Leste, e da luta do seu povo pela independência e pela liberdade.
Profile Image for Wicahpis.
152 reviews
October 27, 2020
Em "A Ilha das Trevas" o autor relata, de forma bastante real - e temos de ver que a sua publicação foi originalmente feita numa colecção denominada "Ficção/Verdade" que tinha (ou tem) como objectivo primordial o de mostrar a realidade através da ficção - o tempo que decorreu entre a invasão de Timor Lorosae pela Indonésia até à sua independência.

Quem como eu seguiu com horror o "Massacre de Santa Cruz" consegue perceber o que antecedeu a este massacre e o quão os portugueses, através do seu, na altura inicial do processo, Ministro dos Negócios Estrangeiros, João de Deus Pinheiro, passando pelo Primeiro-Ministro António Guterres, e também o Comité dos prémios Nobel foram importantes para que a paz regressasse a Timor Leste.

Este livro merece ser lido. Digo mesmo que passagens deste livro, senão mesmo a totalidade, deveria ser lido pelos estudantes, em leitura acompanhada.

5 estrelas.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Conta-me Histórias.
92 reviews67 followers
November 6, 2009
Quando comecei a ler este livro esperava algo muito diferente do que encontrei. Esperava uma história, baseada nos acontecimentos vividos em Timor-Leste, mas uma história. O que encontrei foi um relato histórico de um povo que resistiu a um genocídio perpetrado durante anos sob a indiferença da comunidade internacional.

Adorei este livro! É sem dúvida um livro brilhante, que apesar de apelidado de romance, relata de forma muito fiel acontecimentos reais.

Conheço relativamente bem a história de Timor-Leste, pois paralelamente à causa tibetana, foi uma causa em que me envolvi. Participei em manifestações, organizei exposições, convivi de muito perto com o povo timorense, conheci algumas das suas tradições e pude sentir a força, a resistência e a verdade desse povo.

Conheci sobreviventes do massacre de Santa Cruz, membros da Falintil, guerrilheiros, mulheres e crianças. Falei com Taur Matan Ruak, saudei Xanana Gusmão e festejei o resultado do referendo que deu a independência tão merecida a Timor Lorosae.

Por tudo isto, reconheço na narrativa de José Rodrigues dos Santos os timorenses reais e as suas vidas, reconheço tantos massacres relatados, relembrei tantas histórias reais narradas pelos próprios... Momentos houve em que ao ler algumas passagens ouvi as vozes de alguns timorenses com quem convivi, me arrepiei e os olhos ficaram turvos...

Não vou aqui falar da história dos livro, pois é a história de um povo, que deve ser lida. Recomendo vivamente este livro, para que não se esqueça nunca a história; para que a mesma não se volte a repetir.

Um abraço a todos os timorenses! Resistir é vencer!
Profile Image for Pedro.
25 reviews2 followers
July 24, 2018
Este é o segundo livro de José Rodrigues do Santos que leio, após O Sétimo Selo.

Por não ter gostado desse primeiro livro que li, iniciei A Ilha das Trevas com muito poucas expectativas.


JRS não é um escritor convencional. E porquê? Porque ele não tem interesse em escrever ficção. É o próprio que o diz. Ele usa uma história ficcionada para transmitir informação factual (ou que ele alega ser factual, pelo menos) sobre determinado tema. Neste caso, é sobre o período da ocupação indonésia de Timor-Leste.


O autor investiga muito os temas que aborda, com o objetivo facultar informação rigorosa e detalhada sobre o mesmo. O problema está no facto de esses acontecimentos verídicos serem expostos através de uma história de ficção que é muito pouco desenvolvida. O enredo é básico, as personagens não são minimamente desenvolvidas e os diálogos existentes apenas visam a explicação ao leitor dos factos que o autor quer transmitir, o que torna esses diálogos, na maioria das vezes, muito forçados. Damos por nós a pensar, durante a leitura “este personagem nunca teria este tipo de linguagem”. As personagens não tem personalidade própria. São todas iguais e falam todas da mesma forma. Limitam-se a debitar os factos para que o leitor os conheça.


Apesar de tudo, penso que o livro é mais fluído que o Sétimo Selo, menos rebuscado. O que tem de positivo? Informa, é muito fácil (demasiado) e rápido de ler. Não me aborreceu; penso que estará aí a causa do sucesso de JRS. Vejam isto como uma peça informativa. O que não podem, é ver este livro como um romance nem, tão-pouco, JRS como um romancista.
Profile Image for Marta.
18 reviews4 followers
August 3, 2015
Um livro em que se aprendem várias coisas. História. Até que ponto a crueldade humana e a hipocrisia podem chegar (qualquer estimativa que façam peca por defeito). O medo e a tirania da guerra e da opressão.

Na altura em que a questão Timorense emergiu eu não existia ainda, e no seu culminar era uma criança apenas. Daí este livro ser um imenso abre-olhos. As notícias que nos chegam pela internet e na televisão, as notícias que os nossos olhos filtram e são rotuladas todas invariavelmente da mesma forma, todas essas notícias são compostas por milhares de rostos. Rostos que sofrem torturas inimagináveis. Mas como tentativa de manter a nossa sanidade mental, ou como forma de auto-preservação se quiserem, preferimos sempre fechar os olhos. É tão mais fácil, não é?

Na minha opinião, "A Ilha das Trevas" é um livro directo, crú e ao mesmo tempo informativo. Agarra o leitor desde o início. Apesar de parecer demasiado simplista bastantes vezes, é um livro que conta a história que precisava de ser contada (e de ser lida).

Não é um livro que eu habitualmente me imaginaria a ler, mas acedi à sugestão da pessoa cuja opinião mais valorizo e só tenho de lhe agradecer tremendamente.
Profile Image for Gi.
15 reviews
April 15, 2011
Nunca chorei tanto ao ler um livro. Os verdadeiros horrores de Timor. Recomendo é BRUTAL
Profile Image for ACaffeinatedReader.
61 reviews4 followers
April 29, 2014
This was the second book I read from this author and as expected is completely different from the one i read before since the other one "A Filha do Capitão". It's more of a biographic kinda of book.

I have to say I was surprised by this book. People kept telling that the writing was similar to Dan Brown one and I don't think it's exactly the same but I still enjoyed it a lot.

Also this is more like a history based book and I have to admit I love those kinds of books. This one in particular tell us the story of the Timor fight for independence and it gives us several points of view. Although you know part of it is fictional you can still see the truth in there and you can actually imagine the fictional parts happening in real life.

The end surprised me I must say I wasn't actually thinking about it, when it's said that Paulino (the main character) did something wrong during all those years i thought he might have caused the death of some journalist or something I never knew how wrong I was.

I still have a few more books of this author to read and if it keeps surprising me like this they might because some of my most liked books fast.
Profile Image for Pedro Silveira.
119 reviews3 followers
May 4, 2017
Fantástica a capacidade de Rodrigues dos Santos em levar o leitor através de fatos históricos de uma forma tão fluída e entusiasmante!
Neste livro o leitor é transportado através da triste história que antecedeu a declaração de independência de Timor em 2002, a partir da saída dos portugueses em 1974. É uma história feita de guerras, vinganças, atrocidades, horrores, mas acima de tudo da determinação e esperança dum povo. Os timorenses travaram uma batalha davídica contra um Golias atroz e poderoso, vencendo no final, beneficiando da ajuda de muitas entidades exteriores, que embora muitas vezes tenham sido vergonhosamente indiferentes, no final foram capazes de mostrar o seu lado mais humano.
Vale a pena ler pela ficção, mas acima de tudo para conhecermos a história magnífica da República Democrática de Timor-Leste.
Profile Image for Rita.
916 reviews190 followers
August 28, 2011
Um verdadeiro murro no estômago! Uma obra bastante diferente de todas as outras. É impossível lê-lo e ficar indiferente.
Profile Image for Maria Carmo.
2,067 reviews51 followers
November 9, 2017
I have read some of this Author's books in the past, but now I decided to read them in the order they were published, to have a grip at the evolution of his writing and characters. I LOVED this book fro two different reasons: it is written almost as a reporters investigation, fluid and thrilling and fast passed. On the other hand, it is vivid, emotional and profoundly touching, also heart wrenching at the moments of terrible violence that affected the people of Timor.
As the story develops, the reader gets a hint at all the complex factors behind those pulling for Timor's independence or against it, including the political and economic factors. The book is inspiring at the end, with the description of the Ceremony of Independence as I SAW it on tv as it was happening, all those years ago (May 2002).
I can remember the intense emotion of all the Portuguese, both those leaving in Portugal and those abroad, dressing all in white as a forma of solidarity towards the people of Timor during their hardest hours and celebrating their right to life and happiness.

Maria Carmo,

Lisbon, 9 November 2017.
Profile Image for Fernando Delfim.
402 reviews12 followers
July 22, 2020
“[…] a resistência não parou com o desaparecimento de Xanana. As Falintil escolheram um novo líder, Mau Huno. Os indonésios capturaram-no também, as Falintil arranjaram outro chefe, Konis Santana, este morreu e as Falintil foram buscar mais um líder, Taur Matan Ruak. Em Jacarta, era o desespero. As Falintil pareciam uma hidra, em cada cabeça cortada nascia uma nova.”

“Foi contando o número de fiéis até ao confessionário […] verificou que demoravam uma média de cinco minutos cada. Pelos vistos, pecavam pouco.”

“Quem vota contra? […] João de Deus Pinheiro levantou a mão. Eu”

“Ao fim de tantos anos de desespero, chegara finalmente o momento de os timorenses votarem no seu futuro. Compareceram todos. Os que tremiam de medo, os que viviam na esperança, os que já a tinham perdido.”

“E, quando me perguntam o que me fez enfrentar todos estes horrores, o que me fez combater, o que me fez resistir, o que me fez sobreviver, respondo sempre que não foi a coragem […] Foi o medo”
Profile Image for Iria Mariño.
37 reviews
June 4, 2021
Nunca pensé que necesitaría tanto saber lo que había pasado en Timor Oriental. Este libro es una cruel, dura y al mismo tiempo excelente y tremenda explicación de lo que fueron aquellos 27 años de invasión y genocidio indonesio sobre los timorenses. Duele saber lo que hicieron allí (sobre todo si apenas sabes nada como es mi caso), pero José Rodríguez dos Santos lo explica de forma concisa y sin entrar en más dramas que los que hubo. Sinceramente, después de leer este libro, ya hay otro país de Asia que he eliminado de la lista de países que no tengo intención de visitar, y evidentemente no hablo de Timor-Leste, sino de Indonesia. El poema final, como recuerdo de todos los que desaparecieron durante esos años es precioso.

Calai
montes
vales e fontes
regatos e ribeiros
pedras dos caminhos
e ervas do chão,
calai.

Calai
pássaros do ar
e ondas do mar
ventos que sopram
nas praias que sobram
de terras de ninguém,
calai.

Calai
canas e bambus
árvores e "ai-rús"
palmeiras e capim
na verdura sem fim
do pequeno Timor,
calai.

Calai
calai-vos e calemo-nos
POR UM MINUTO

é tempo de silêncio
no silêncio do tempo
ao tempo de vida
dos que perderam a vida

PELA PÁTRIA
PELA NAÇÃO
PELO POVO
PELA NOSSA
LIBERTAÇÃO

CALAI
“UM MINUTO DE SILÊNCIO”
Francisco Borja da Costa
Profile Image for Luis Faria.
14 reviews
July 18, 2019
Uma obra que tão cedo não irei esquecer. É inacreditável como tão próximo da actualidade em que vivemos, se tenham testemunhado situações tão graves como as de Timor. Perante a impassividade da comunidade internacional, o autor conta-nos uma história (embora com alguma ficção) de famílias que foram dizimadas, sobre valores que se perderam, e sobre humilhações e violência que acabaram com a história de muita gente. Devem ter existido imensos Paulinos na história de Timor, e é através desta personagem que ficamos com uma ínfima noção da brutalidade que esta gente pode ter sofrido e da maldade de um povo como a Indonésia. Foi um privilégio ler e aprender o que aprendi com esta obra. JRS deixa-nos mais um testemunho da sua obra fantástica, primando pela investigação e pelo estudo de assuntos que todas as pessoas deveriam conhecer.
Profile Image for Lightwhisper.
1,263 reviews3 followers
October 7, 2022
Um relato histórico com pouca ficção, numa linguagem acessível a todas as pessoas e onde se aprende sobre a guerra em Timor. Gostei da sua simplicidade e, simultaneamente, larga representação da população timorense.
Profile Image for Célia | Estante de Livros.
1,190 reviews278 followers
January 25, 2016
De todos os livros de José Rodrigues dos Santos, só ainda não tinha lido este A Ilha das Trevas e o último, Fúria Divina. Apesar de gostar da vertente informativa que os seus livros contêm e ser esse o principal motivo que me leva a lê-los, como escritor ainda não me convenceu. A Ilha das Trevas foi o seu primeiro trabalho dentro da ficção, publicado em 2002, e como me tinha sido bem referenciado parti para esta leitura com boas expectativas.

Este é um livro que aborda um conflito que os portugueses acompanharam e viveram de perto a partir de determinada altura – a luta contra a violação dos direitos humanos em Timor-Leste. José Rodrigues dos Santos descreve aqui, com detalhe suficiente mas não exagerado, as vicissitudes que levaram à invasão de Timor-Leste pela Indonésia em 1975, numa época complicada em Portugal a nível político e social, marcada pela descolonização dos vários territórios até então debaixo da sua soberania. Aproveitando a saída intempestiva de Portugal do local e as diferenças políticas dos residentes, a Indonésia deu início ao seu domínio sobre o território, através da violência, e passou a considerá-lo a sua 27.ª província.

Durante muitos anos, a comunidade internacional foi mais ou menos indiferente aos constantes massacres de que os timorenses foram vítimas e que dizimaram centenas de milhares de pessoas. O lento progresso rumo à denúncia destes crimes horríveis e à independência do país conheceu um desenvolvimento crucial com as imagens obtidas pelo jornalista inglês Max Stahl do massacre no Cemitério de Santa Cruz, em Díli, imagens essas que correram mundo e finalmente alertaram para o que se passava em Timor. Era uma criança, mas lembro-me perfeitamente de ter visto aquelas imagens horríveis e permanece na memória o barulho da sirene. Anos mais tarde, lembro-me também muito bem dos cordões humanos, do dia de sair à rua com camisolas brancas pela causa de Timor, dos minutos de silêncio que se fizeram em Portugal, da recepção entusiasta que o povo português ofereceu a Xanana Gusmão quando este visitou o nosso país pela primeira vez. Pena que os portugueses não se mobilizem também assim para lutar pela melhoria das suas próprias condições de vida…

O livro apresenta vários factos que marcaram a história de Timor, desde a invasão indonésia até à obtenção da independência em 2002. Mas, e ao contrário do que a sinopse deixa supor, é pouco mais do que isso. José Rodrigues dos Santos insere no relato dos factos alguns momentos da vida da sua personagem fictícia, que raramente se entrelaçam satisfatoriamente com a narrativa “jornalística”. Ir para esta leitura à espera de um enredo lateral intrincado resultará, provavelmente, em desilusão. De facto, o problema que tenho com os livros deste autor, a menos conseguida conjugação entre ficção e realidade, é aqui mais notória do que em qualquer outro livro que tenha lido dele. Apesar disso, foi uma leitura que me agradou pelo interesse que tinha em aprofundar conhecimentos sobre a história recente de Timor.
Profile Image for Estefânia Botelho.
119 reviews12 followers
October 19, 2012
Razões da escolha do livro: Desafio do mês de Julho.
Proveniência: A minha biblioteca.
A minha Opinião:
Este é o primeiro romance do escritor e talvez, por isso, é diferente dos que já li até agora (“A Filha do Capitão”; “A vida num Sopro” e “O Anjo Branco”).
Este livro é muito mais descritivo dos que esses romances, baseia-se, sobretudo, no relato do Processo de Independência de Timor e não tem, praticamente, nenhuma história ficcional.
Foi interessante a leitura deste livro por duas razões: através desta leitura fiquei a conhecer melhor a História de Timor e os anos conturbados que antecederam à sua independência e, por outro lado, também “conheci” muitas personalidades da vida política portuguesa e timorense que foram fulcrais nesse processo e que José Rodrigues dos Santos fez questão de inserir no livro.
Este livro provoca emoções fortes e não nos deixa indiferentes!
É um livro interessante mas os que li anteriormente são melhores!
O melhor: O que se aprende sobre a História de Timor.
O pior: Pouca acção e muita descrição.
O Autor:
José Rodrigues dos Santos nasceu em 1964 Moçambique. É sobretudo conhecido pelo seu trabalho como jornalista, carreira que abraçou em 1981, na Rádio Macau. Trabalhou na BBC, em Londres, de 1987 a 1990, e seguiu para a RTP, onde começou a apresentar o 24 horas. Em 1991 passou para a apresentação do Telejornal e tornou-se colaborador permanente da CNN entre 1993 e 2002.
Doutorado em Ciências da Comunicação, é professor da Universidade Nova de LIsboa e jornalista da RTP, tendo ocupado por duas vezes o cargo de Director de Informação. da televisão pública. É um dos mais premiados jornalistas portugueses, galardoado com dois prémios do Clube Português de Imprensa e três da CNN, entre outros.
A minha classificação: 4 – Interessante.
Período de Leitura: De 6 a 10 de Julho de 2012.
Profile Image for Patrícia.
204 reviews1 follower
July 3, 2011
Timor, a ilha das trevas. Um livro que me deixou meio "banza". Uma mistura de realidade/história e de ficção, daquela ficção que ajuda a contar a história e que transforma um livro chato e realista num livro extremamente interessante e realista na mesma. Assim de repente é já, na minha opinião, o melhor dos livros de José Rodrigues dos Santos.
Tendo sido o seu primeiro livro (há uns ensaios antes, mas livro, livro é o primeiro, acho) é tratado injustamente e só tem o "sucesso" merecido depois de JRS ter escrito os seus outros livros. Adiante.
É um livro que conta a história recente de Timor Leste, deste a descolonização/abandono após o 25 de Abril até que nasce o primeiro país do sec.XXI.
Sou Portuguesa, e como tal tive vergonha e orgulho ao ler este livro. Vergonha, por tudo o que se passou o pós 25 de Abril. Apesar de conseguir compreender os porquês, as razões da incapacidade de Portugal de Manter Timor Leste como parte de Portugal, de proteger aqueles portugueses ou de conseguir fazer uma descolonização decente, sendo a ponte que permitiria que Timor se tranformasse num país livre, não deixo de sentir vergonha por tudo o que se passou.
Orgulho por tudo o resto. Porque Portugal nunca desistiu, porque soube ser um espinho na garganta da Comunidade Europeia até conseguir que a Indonésia saísse de Timor, até conseguir denunciar as atrocidades que se passavam naquela ilha.
Aprendi imenso ao ler este livro. Recordei imenso. O massacre de Dili. as manisfestações, a união, o prémio Nobel... enfim. Um livro muito, muito bom.
Profile Image for Paulo Teixeira.
932 reviews14 followers
January 20, 2020
(PT) A história da ocupação indonésia de Timor-Leste, contada pelos olhos de um dos seus habitantes, Paulino da Conceição. Durante 24 anos, assistiu à invasão e às atrocidades do exercito e das forças especiais indonésias que poderão ter matado cerca de duzentas mil pessoas, cerca de um terço da população.

"A Ilha das Trevas" pode ter um final feliz, mas o preço foi enorme. Os indonésios queriam levar o seu objetivo até ao fim, e não interessavam o "como". Os relatos são arrepiantes, e como primeira obra, está tudo bem escrito. Mas isto não é umas obra de ficção: é real.

E para quem leu os livros de José Rodrigues dos Santos, e as descrições do terreno e dos gabinetes nesta obra fazem, paradoxalmente, que esta seja a sua melhor obra, porque vêm do real. E é nisso que ele é bom, contar a realidade. E é também o seu defeito, pois quem lê os livros dele vê-se que apoia na muleta da realidade para contar histórias de ficção. E nisso, ele não é bom.
Profile Image for Abilio.
103 reviews
November 28, 2009
Paulino da Conceição é um timorense com um terrível segredo. Assistiu, juntamente com a família, à saída dos portugueses de Timor-Leste e a todos os acontecimentos que se seguiram, tornando-se um mero peão nas circunstâncias que mediaram a invasão indonésia de 1975 e o referendo de 1999 que deu a independência ao país.
Só há uma pessoa a quem Paulino pode confessar o seu segredo - mas terá coragem para o fazer?
A vida e tragédia de uma família timorense serve de ponto de partida para aquele que é o romance de estreia de José Rodrigues dos Santos, precursor de grandes êxitos como A Filha do Capitão, O Codex 632 e A Fórmula de Deus.
Um romance pungente onde a ficção se mistura com o real para expor, num ritmo dramático, poderoso e intenso, a trágica verdade que só a criação literária, quando aliada à narrativa histórica, consegue revelar.
Profile Image for Tita.
2,216 reviews234 followers
October 3, 2016
Apesar de estar catalogado como ficção, é tudo demasiado real.
Relata-nos vários episódios, ao longo dos anos, desde a invasão por parte da Indonésia, até à independência de Timor.
Invasão. Genocídio. Massacre. E a comunidade internacional sempre indiferente ao que acontecia em Timor.
Como sempre o autor transmite-nos todas as informações que julga relevantes para percebemos a história e o seu contexto e, desta vez, não me senti assoberbada.
Um aspecto que me fez "comichão" foi em parte o tipo de escrita. Senti que o autor optava por escrever, usando uma linguagem como se estivéssemos a ter directamente uma conversa ao vivo. Mas talvez seja por este ter sido o primeiro livro de ficção que José Rodrigues dos Santos escreveu.
Um livro que me impressionou, com descrições que me deixaram completamente arrepiada com tanta crueldade.
Profile Image for Tatiana.
142 reviews21 followers
July 23, 2016
39. A book that takes place on an island (2016 reading challenge)
21. Read a book about politics, in your country or another (2016 read harder challenge)
41. A book about a major world event (Around the year in 52 books: 2016)
4. Read a book by one of your favourite authors (2016 BookTube-A-Thon)


4.5 stars
O livro foi ficando cada vez melhor à medida que a leitura progredia.
Cheguei a pensar em atribuir duas estrelas inicialmente, depois passou para três e para quatro.
Só não chegou às cinco porque achei o início bastante lento e confundia bastante algumas personagens.
Fora isso, o final foi avassalador e toda a descrição brutal.
Profile Image for Joana Silva.
157 reviews6 followers
May 2, 2025
Não sabia bem o que esperar deste livro, mas o facto de não ser um romance “normal” e ser muito centrado no relato dos acontecimentos terríveis deste período em Timor-Leste deixou-me um pouco desiludida, não era isso que queria ler. Considero que não consegue atingir o objetivo de ser um romance em pleno, não há propriamente uma narrativa que ligue todo o livro. Acho que não o consegue fazer com a personagem Paulino, por muito que seja impressionante a história contada pelo próprio no final. Mas… o facto de detalhar com tanto pormenor o que se passou neste período em Timor-Leste foi para mim uma oportunidade de aprendizagem valiosa, que não esperava e agradeço, reconhecendo nisso o maior valor deste livro.
Profile Image for Inês Varela.
11 reviews
August 26, 2019
Lembro-me perfeitamente de ser criança e ver as reportagens sobre a guerra de Timor-Leste na TV e da sensação de pânico que as imagens me causavam.
Este livro deu-me um enorme aperto no peito à medida que o fui lendo, porque sei que tudo isto foi realidade. Mais pormenor, menos pormenor, tudo isto ocorreu. É quase irrisório pensar que a UE deixou as coisas chegarem ao ponto a que chegaram. É surreal deixarem que se dizimasse 1/3 da população de Timor sem nada se fazer. O capítulo da descrição do Massacre de Santa Cruz é simplemente revoltante. Após terminar esta leitura fiquei com a sensação ambígua de "Adorei este livro. Quem me dera não ter lido". É esse o poder José Rodrigues dos Santos
Profile Image for António Massena.
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December 14, 2023
Uma obra de ficção recheada pela história de Timor-Leste, o autor foi capaz de apresentar os factos de modo visceral e sincero, baseando-se na experiência de vários timorenses sobre os horrores pelos quais a Indonésia os fez passar.

É necessário ter estômago para suportar algumas passagens da obra, mas se resistir, caro leitor, encontrará um diamante em bruto, digno de ser o livro que estreou o autor (se não considerar alguns ensaios do mesmo). Recomendo para fãs de geopolítica e pessoas que pretendem saber mais sobre essa era das trevas por que passou Timor-Leste. Uma era pela qual o país ainda sofre as repercussões das ações diabólicas da Indonésia até hoje.
14 reviews1 follower
January 30, 2018
Primeiro livro que leio de José Rodrigues dos Santos. Serviu-me essencialmente, para perceber e entender melhor o que realmente se passou em Timor durante muitos anos.
Acho que a escrita ficcional não é nada de extraordinário, no entanto irei tentar ler mais obras do autor.
Profile Image for Bárbara.
49 reviews
June 9, 2018
This is a captivating reading from the beginning to the end. By describing outrageous situations and moments of hope, the story tells us about a relatively recent and astonishing chapter of our History.
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