O volume dedicado a Machado de Assis na coleção Obras-Primas traz as duas últimas histórias daquele que ainda é considerado o maior literato brasileiro.
Esaú e Jacó como o próprio nome diz traz a tragédia de dois irmãos separados pela rivalidade. Pedro e Paulo são as duas linhas que o autor usa para contrapor a agitação política da época com a abolição da Escravatura, o estouro econômico e a formação da República.
O que mais se destaca, contudo, é a forma como Machado de Assis narra os acontecimentos. Sua escrita adquire um ar de tristeza, e Aires se revela como alguém cuja visão dos conflitos permanece na quieta aceitação da tragédia inevitável e, ainda assim, banal.
Memorial de Aires é seu último livro publicado, e apesar de ser um diário - trazendo assim à memória seu outro clássico, Memórias Póstumas de Brás Cubas - não possue seu mesmo sarcasmo irônico.
A história é retratada em pequenos episódios anedóticos, e é o estilo machadiano que faz a leitura valer a pena. Apesar de muitos o considerarem uma sequência de Esaú e Jacó, é plenamente possível ler um sem o outro já que Aires tem um caráter biográfico enquanto o outro é mais como uma crônica política-social.
Recomendo.