No goodreads:
“Ainda não sei que cotação dar. Dois factores pesam nesta indecisão: 1) ainda sou novata nas leituras e não me recordo de alguma vez ter lido um thriller. Eu e os géneros, os géneros e eu... Se li, não foi suficiente para ficar marcado e 2) não sou apreciadora de contos, raramente os leio e quando leio é raro gostar verdadeiramente. Talvez não perceba a dinâmica que os envolve.”
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Opinião (os itálicos, negritos, etc, foram todos pra galheta, que maravilha!)
Não vou fazer uma análise exaustiva, porque - pelo meu nível básico de conhecimentos, a minha cabeça triturada pela Psicologia Diferencial e pelas minhas dores musculares - não me apetece escrever (já disse que tenho dores?!). Continuando… Dividi este texto de opinião em duas fases: em relação à primeira edição da Editorial Divergência e em relação aos textos.
À Editora
1ª crítica: Já tive oportunidade de falar com dois elementos que compõem a equipa e repito aqui: que capa é aquela? Não gostei do design e não percebi o que tinha a ver com o conteúdo. Não gostei das letras todas estrambólicas e dos nomes dos autores em… ‘pedaços de papel’ (?) que mais pareciam mastigados e colados na capa. Desculpem a rudeza, mas foi o que me pareceu.
2ª crítica: Os textos são-nos apresentados em duas colunas, o que me dificultou a concentração – que, como já disse, não estava nos seus dias. Pelo tamanho da antologia (34 páginas, A5), esta decisão não se justifica.
3ª crítica: Ainda sobre o tamanho, não se justifica a integração de publicidade à própria editora no fim de cada conto. Quebra a concentração e é supérfluo, palha, palheca. Alojar os anúncios no fim teria sido uma escolha mais acertada, o leitor não ficaria tão incomodado e não daria o ar de ‘anúncio publicitário’ – e, sim, de divulgação do concurso para uma nova antologia a ser publicada em Setembro (tema: fantasia urbana).
Como não pode ser tudo mau, gostei do facto de ser uma editora ecológica que optou pela impressão em papel reciclado!
Passando aos autores...
O primeiro é de Fábio Ventura, autor de Orbias, intitulado O Livreiro. Foi um conto difícil de entrar e só percebi a ideia mesmo no fim. A escrita não me cativou, ainda para mais devido ao espaço temporal no qual o conto se desenrolou. Devido às limitações de tamanho, não podia ultrapassar as 2,000 palavras e/ou as duas páginas word – creio eu – o que de certa forma limita a estória em si. No entanto, gostei do final e da ideia geral. 3*
O segundo conto é da autoria de João Ventura, A Lista de Deus. Achei que o autor se perdeu em pormenores que não interessavam. Por exemplo, uma parte do conto é a descrever a aterragem de avião no aeroporto da Portela – o que raio me interessa a mim se ele aterra em Lisboa ou no Cú de Judas? Ignorando o carácter pejorativo da expressão, não é que existe mesmo? Valha-se-me a ignorância que me levou a ir ver à net. Continuando, não me interessou, não me conquistou e nem sequer interessa para o objectivo do conto. Estarei errada? É que foram cerca de 200/300 palavras que o autor perdeu ali… palavras que o autor poderia ter investido a tentar atrair o leitor, a tentar desenvolver o conto. Achei o final abrupto, ainda que não consiga imaginar outro, e acho que o conto todo está demasiado rápido… 2*
O terceiro conto, de David Camarinha, chama-se O Panóptico. Raios parta que tive de ir ver ao dicionário… suponho que estamos sempre a aprender. Este conto foi suportável – por favor, não me batam – devido aos diálogos. Perdi o fio à meada N vezes. De notar que li esta antologia à hora de jantar, enquanto bebia o café e a cabeça não dava uma pra caixa. Admito que foi culpa minha e precisava de o ler novamente (eu disse que precisava de tempo para cotar e reflectir, mas a verdade é que tenho medo de me esquecer do que senti ao ler). Por enquanto, fica nas 2*.
Labirinto de Papel é o quarto, da autoria de Ângelo Teodoro. Um que gostei verdadeiramente e que, independentemente da minha atenção, consegui perceber do princípio ao fim. Vislumbrei um niquinho de fantástico que, infelizmente, não ficou mais marcado e desenvolvido. Gostei do final, dado que dá o poder ao leitor de imaginar - uhhh! – não que tenha de ser um génio. É um conto que joga com o psicológico – e é interessante porque o autor tirou psicologia – e que nos troca um pouco as voltas. 3,5*
Por fim, Tábula Rasa encerra esta antologia e é da autoria de Mário Seabra. Um conto cujas peças se encaixam quando chegamos ao fim. Foi bastante interessante a sua leitura. De todos, foi o que me pareceu mais à frentex, i.e. mais avançado, numa época mais adiantada… Talvez esteja errada, mas como o objectivo do conto não era explicar o mundo em que a estória se insere e como fala de criação de novas memórias, etc, etc, esta foi a visão com que fiquei. Se disser mais, corro o risco de spoilar. Foi o conto que gostei mais. 4*
Fazendo as contas: 3 estrelas.
No geral e para primeira publicação, não foi uma má antologia. Ressalvo que não sou apreciadora de contos nem leitora assídua de thrillers. Posto isto, desejo muito sucesso aos autores – os que publicaram pela primeira vez e os que já são rodados nisto. À editora, resta-me desejar sucesso para as futuras publicações. Mais e melhor.