Após utilizar a escrita como eixo central da trama no romance Areia nos dentes e a própria literatura como premissa para os contos de A página assombrada por fantasmas, ambos publicados pela Rocco, Antônio Xerxenesky se debruça sobre o cinema em F, seu novo romance.
O livro conta a história de Ana, que aos 25 anos de idade já havia visto e protagonizado diversas cenas dignas das telas de cinema: decapitações, mortes por queda, cabeças estouradas por tiros de rifle ou espingarda. Talvez por isso não tenha achado graça ao assistir pela primeira vez a Cidadão Kane, de Orson Welles, considerado por muitos críticos o melhor filme de todos os tempos. De qualquer forma, aquilo fazia parte de seu trabalho – ao menos desde que fora contratada para matar o diretor norte-americano.
F, segundo romance do escritor gaúcho Antônio Xerxenesky, acompanha a trajetória da jovem matadora de aluguel, que viaja para Paris com o objetivo de conhecer melhor o cinema e a vida de Welles, e assim elaborar o melhor plano para assassiná-lo. Tendo como pano de fundo os anos 1980, o romance passeia pelas ruas da capital francesa, indo de mostras em cineclubes dedicadas ao diretor até discotecas abafadas onde milhares de jovens dançam ao som de sintetizadores sob luzes estroboscópicas.
Enquanto Ana constrói um perfil psicológico de Welles para facilitar o seu trabalho, o leitor começa a juntar as peças e a entender melhor o que levou uma garota de classe média a se tornar uma assassina profissional. E o quebra-cabeça é bastante complexo, incluindo uma infância transcorrida durante o início da ditadura militar no Brasil, as tensões políticas e psicológicas soterradas sob o dia a dia da vida familiar e a mudança para os Estados Unidos ainda durante a juventude.
Em meio à ação, testemunhamos uma crescente compreensão da obra de Welles por parte de Ana. A princípio, ela se limita a comentários tímidos, mas logo os desenvolve e dá origem a pequenos ensaios recheados de insights. Assistindo a um filme após o outro, a personagem começa a entender o mosaico composto pelo conjunto da obra deste que é um dos mais importantes diretores da história do cinema.
Neste terceiro livro, Xerxenesky evidencia elementos que já estavam presentes em suas obras anteriores, como a mescla entre “alta” e “baixa” cultura, as referências ao universo pop e certo interesse nos possíveis usos da metalinguagem. No entanto, em F o autor parece dar um passo adiante, trazendo essas discussões para o âmbito temático – sobretudo ao tratar das implicações de F for Fake, filme de Welles que ressoa no título do romance. É um livro repleto de ação, mas ao mesmo tempo reflexivo e multifacetado, que levará o leitor a se questionar a respeito de cada página lida.
Antônio Xerxenesky nasceu em 1984, em Porto Alegre, e radicou-se em São Paulo. Escritor e tradutor, é autor, dentre outros, dos romances "Uma tristeza infinita" (2021), "As perguntas" (2017) e "F" (2014, finalista do Prêmio São Paulo e primeira seleção do Prix Médicis Étranger). Sua obra foi traduzida para francês, italiano e espanhol. Xerxenesky foi escritor residente do International Writing Program, na Universidade de Iowa (Estados Unidos), em 2015, e da Fondation Jan Michalski, em Montricher (Suíça), em 2017.
Cheguei até 50% e desisti. A narrativa é um tanto inverossímil e, quando o autor não faz resenhas de filmes clássicos de Hollywood, o que nos resta é apenas um fluxo de consciência desinteressante. Só consegui chegar até metade do livro porque o autor subverte algumas noções do fazer ficção, como o uso de uma figura real de Hollywood na história de uma assassina de aluguel. A ideia tinha potencial, mas a execução desapontou.
tiro, cinema, ditadura militar e, depois desse livro, preciso rever F for Fake e ver todos os filmes do Orson Welles. sá literatura nova brasileira tá demás.
This is truly a page-turner in Portuguese. The plot runs smoothly (while somewhat absurd, but that is okay) and the sections about art and the purpose of art are nice. Some of the ideas are not new at all (such as the molested sister, the distant father figure, the French friend who helps the heroin, the decay of the heroin, etc etc) but it is really entertaining and I can see the research work that the author did for this book that runs through the 1970s and 1980s. Granted, no masterpiece here, but nicely done as a good Hollywood movie.
Bem escrito, mas o autor parece ansioso demais em mostrar conhecimento de cinema e cultura pop. A história flui bem, com alguns exageros e passagens inverossímeis, mas o enredo pouco usual no final torna o livro uma leitura fácil e divertida. Acabei o livro com vontade de assistir uns filmes do Orson Welles, mas passou rápido e assisti alguma série fútil do Netflix mesmo
Ainda que seja uma leitura leve e algo cativante, é um texto muito convencido de si mesmo e suas referências, denunciando um certo desejo de mostrar-se capaz de algo original, mas que esbarra na mesmice do remolgo da presunção. Em palavras mais diretas: um livro que pensa ser mais do que é, assim como aquele seu amigo ou amiga que, para parecer inteligente diante de um grupo, afirma que “Laranja Mecânica”, do Kubrick, é seu filme favorito. Em algum momento ainda, dou de encontro durante a narrativa com a impressionante frase: “surpreender um amigo de surpresa”. Para lá da incredulidade de uma redundância tão feia haver passado incólume por escritor e editores, eu me ressinto mesmo é do final, cujo objetivo até fica claro, mas o desempenho…
Das narrativas brasileiras contemporâneas que li recentemente é a primeira em que a pesquisa do autor parece de fato bem usada a serviço da história. Leitura rápida, não tem exatamente uma prosa eletrizante, mas é um livro que entrega um plot e temas (arte, cinema, Welles, ditadura, Cuba comunista) interessantes. A "revelação" final é quase previsível (no bom sentido), porém não gostei muito da execução, fato que tirou um pouco do meu apreço por F. Um livro divertido de todo modo.
não sei se não entendi direito o propósito ou se realmente não é pra mim. é um livro gostoso de ler, mas o desenvolvimento da protagonista não me pegou, apesar da clara (e bibliografada) pesquisa acerca de orson welles. a segunda metade do livro me agradou bem mais que a primeira, mas o final me deixou perdido kkkkkk
Gostei bastante da escrita de Antônio. Livro de leitura rápida e interessante. Autor faz várias referências à obras cinematográficas. Gostei da ditadura como background da obra. Ana foi muito bem construída em minha opinião.
Achei um bom livro pra ler, nunca tinha ouvido falar desse diretor. Queria saber mais sobre a Ana, a irmã, o francês... outra coisa legal que achei foram as vezes que a Ana cita músicas, o "is it art?" E outras avaliações dela sobre o mundo.