Escuro é um poema em que Ana Luísa Amaral revisita a poesia a partir dos poetas que poeticamente escreveram a história de si próprios, como San Juan de La Cruz, ou a história da história, como William Blake, ou a história da poesia-feita-história, como Fernando Pessoa. A lucidez de Escuro canta a história nossa, que sempre na escola nos deixaram por contar. MARIA IRENE RAMALHO As reinvenções de Ana Luísa inserem-se criticamente na atualidade de maneira profunda, incitando reflexões sobre a questão do gênero, a tradição lírica e o sentido político da poesia enquanto móbil da imaginação. MARIANA IANELLI
ANA LUÍSA AMARAL nasceu em Lisboa, a 5 de Abril de 1956. Doutorada em Literatura Norte-Americana com uma tese sobre Emily Dickinson, ensinou Literatura Inglesa no Departamento de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras do Porto. Autora de oito livros de poesia e dois livros infantis, está representada em diversas antologias portuguesas e estrangeiras e foi traduzida para várias línguas, como castelhano, inglês, francês, alemão, holandês, russo, búlgaro e croata. Faleceu a 6 de Agosto de 2022.
Li este livro de poesia num ápice. Sinceramente, não sei se existe algum "método" ou algumas "regras" para se ler poesia por isso comecei com vontade e terminei-o muito rapidamente. Foi a minha estreia num livro de poesia.
Adoro o Fernando Pessoa desde que me lembro e li um poema ou outro de Florbela Espanca de forma que não tenho grande base de experiência neste género literário. Procurei limpar a mente de tudo e concentrar-me apenas nas palavras da autora, reli várias vezes a mesma linha e muitas das vezes encontrava um significado para as suas palavras que julgo ser só meu. Penso que esse será um dos encantos da poesia, pelo facto de ser tão "codificada", cada leitor terá o seu entendimento (o que por vezes também acontece com outros géneros) mas aqui penso que essa subjectividade está mais presente e, no entanto, as palavras são directas e certeiras.
Gostei bastante de alguns dos poemas enquanto que outros me disseram pouco. Foi uma boa experiência e por isso corri logo a comprar um outro livro de poesia. Sinto que agora estou preparada para este vale de emoções tão complexo e, por vezes, tão obscuro que podemos encontrar neste género.
Os meus dois poemas preferidos são: Adamastor e Europa (poema 1).
Minha pontuação no Goodreads: 3,5 (na plataforma terei que dar 3)
Neste livro, Ana Luísa Amaral dialoga com textos e temas da nossa literatura portuguesa. Em poemas repletos de alusões subtis encontramos ecos - e novas perspetivas - de D. Dinis, Fernão Lopes, Pedro e Inês, Camões, Pessoa... "Escuro", ainda que remeta para a noite dos tempos, não é uma obra escura. Ilumina, com luz suave e intimista, os ecos de um passado cultural que faz parte de nós, e se abre ao futuro e à claridade.
A leitura de Ana Luísa Amaral de textos do passado, como os de D. Dinis, Fernando Pessoa, Fernão Lopes; ou sobre pessoas quase míticas do passado, com a rainha Santa Isabel, Dona Constança, Dona Inês, Mariana Alcoforado, Dom Sebastião. E estas foram aquelas que consegui identificar, mas decerto haverá mais.
«Fingiram todos, todos me fingiram e em tradição me deram fingimento» (...)
Dos livros de poesia de Ana Luísa Amaral que menos gostei... Um ar épico que não faz o meu gosto, mas claro que é uma opinião pessoal. Outros gostarão, por certo.
Amaral toma una ruta que siempre he disfrutado mucho en la poesía: la simpleza mezclada con un alto conocimiento de cómo debieran sonar las palabras de manera armoniosa. Los primeros poemas parecen ser simples pincelazos de la vida, pero tanto en la traducción como en el original, el sonido, la cadencia, la forma en que lo simple se compone dentro de la hoja para hablar con mi voz, mi ojo y mi cerebro, es bello. Luego va incorporando más elementos, parece sentirse libre, plena, como si la poesía pudiese no solo ser eterna, sino realmente comerse al mundo y sus ideas. No llega nunca a una apoteosis, sino que parece pavonearse en varias letras.
Acabado de comprar e lido num ápice. ALM era uma fantástica poeta. Não sabia o tema deste livro (gosto de ir à descoberta), mas tornou-se óbvio rapidamente. Fala de história, mas não de uma que se enaltece. Fala de vozes que ouvimos, porque elas fazem parte da nossa memória coletiva. E não são só as vozes dos vencedores que permanecem, as dos outros também cá estão. Fala da escuridão, da inquietação que vivemos. Fala de literatura e do papel que esta teve, tem e terá.