SOBRE O LIVRO Da vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura 2021, este thriller de tirar o fôlego brinca com os limites entre a verdade e a ficção. Com uma narrativa impressionante, Morgana Kretzmann retrata elementos da história recente do Brasil e denuncia a ambição de homens poderosos diante de um dos nossos maiores tesouros: o meio ambiente.
Parque Estadual do Turvo, Rio Grande do Sul, fronteira com a Argentina. A guarda-florestal Chaya é a responsável por combater a caça exploratória de animais silvestres no parque. Preta, sua prima, separada da família ainda na infância, é a líder de um temido grupo de caçadores e contrabandistas que vive no lado argentino da fronteira, os Pies Rubros. Olga, assessora parlamentar de um ganancioso deputado, é forçada a voltar à cidade onde cresceu para ser porta-voz da tragédia ambiental que se anuncia -- até perceber que está nas mãos dela a chance de mudar o curso da história. De inimigas a aliadas, as três acabam obrigadas a vencer um passado turbulento para enfim construir uma possibilidade de futuro para todos. Mas elas não estão sozinhas: Sarampião, a figura mítica de um guarda-florestal e protetor da mata, parece acompanhá-las e ajudá-las na batalha.
Morgana Kretzmann nasceu na cidade de Tenente Portela, interior do Rio Grande do Sul, vive em São Paulo, é atriz, roteirista e produtora cultural, com prêmios nacionais e regionais. Também é formada em Gestão Ambiental pelo Instituto Federal de Santa Catarina. Ao pó é seu romance de estreia.
O frescor de ler um livro como "Água turva" não tem preço! Esse é um thriller bem brasileiro, que tem como ponto central a disputa pela construção de uma hidroelétrica na divisa entre Brasil e Argentina — ameaçando a Mata Atlântica, as comunidades locais, uma grande área de conservação e diversas espécies animais.
Na trama, acompanhamos três mulheres: uma guarda florestal, uma contrabandista de animais e uma jornalista que trabalha para um deputado influente. Não há pessoas totalmente ingênuas e intocáveis aqui, mas com certeza há vilões e manipuladores que agem conforme seus interesses. Enquanto entendemos como as histórias delas se conectam, também lemos sobre o mar de corrupção e disputa política em que a hidroelétrica está mergulhada.
Para mim, foi quase impossível de largar. Capítulos curtos, diversos pontos de vista, flashbacks, segredos e a sensação de que tudo pode explodir a qualquer momento ajudaram bastante. Parei só pelos afazeres da rotina, porque a escrita voa. Precisei fazer um mapa de personagens para não me perder com tantos nomes e tantas ligações (há uma lista no começo do livro que ajuda bastante), e depois disso só fiquei mais engajado.
Uma obra que denuncia os horrores a que nossa fauna e flora são submetidos, e que honra aqueles que dão à vida (literalmente) pela protegê-las. E mesmo sendo fictícia, não é preciso ir longe na memória para encontrar histórias reais e muito parecidas no Brasil: Belo Monte, em Altamira, é um grande exemplo. Uma hidroelétrica que se abastece de um rio que passa metade do ano seco, que expulsou milhares de pessoas do seu lar e que ganhou vida em um governo de esquerda, mesmo sendo um plano da época da ditadura militar.
Pensar em conservação ambiental é pensar em política, é olhar para a ambição sem limites daqueles que sugam a terra como se ela fosse ilimitada. Protegê-la é também desalinhar o emaranhado da corrupção, das rachadinhas, das milícias, da troca de favores, das licitações fraudadas... e colocar a vida em jogo.
Precisamos de mais livros assim. Morgana fez um trabalho espetacular. Espero ver "Água turva" indicado a muitos prêmios literários!
Um ponto que merece reflexão é a dificuldade em identificar um protagonista claro. A narrativa parece vagar entre múltiplos protagonistas, deixando os leitores em busca de um fio condutor emocional. Seria Olga ou Chaya? Seria a Preta? Há motivações para cada uma se destacar e essas são deixadas pelo caminho. Essa falta de clareza resulta numa conexão frágil com a história, sem um ponto de referência sólido em meio ao emaranhado de tramas e subtramas.
Os diálogos de alguns personagens, que parecem não diferir, dão a impressão de que têm a mesma voz. Isso pode diminuir a autenticidade das interações e prejudicar a caracterização individual dos personagens, tornando-os menos distintos uns dos outros.
Além disso, as descrições de ações dentro do livro em certos capítulos parecem um roteiro para televisão (ao descrever direto e literalmente personagens e espaços). Certas ações parecem estar incompletas e afetam o ritmo da narrativa, como se dependessem de um guia visual (storyboard).
“Água Turva” tem momentos inspirados quando sai do cenário folclórico e adentra na trama política. Esses são breves e tem como inspiração os anos de governo bolsolini, ali encontraremos diversas “coincidências” com a realidade.
Sem decidir se corre para o lado fantástico, para o político ou para o familiar, “Água Turva” é um romance de fragmentos em que personagens de histórias distintas se cruzam e nunca chegam a ter seu próprio destaque.
Um thriller ecológico em uma unidade de conservação real, o Parque Estadual do Turvo no município de Derrubadas-RS, que tece uma narrativa intensa entre realidade e uma ficção com personagens cativantes.
Recomendo d+ a leitura enredo com ritmo alucinante, encantados e várias aparições de exemplares típicos da fauna e da flora. Uma leitura rápida e gostosa, além de trazer a tona temas importantíssimos para o Brasil atual, como a conservação de ambientes naturais e a pressão política pelo desmatamento.
Finalmente!!! Já estamos em maio e até então eu não tinha feito nenhuma leitura capaz de me tocar de verdade neste ano. Que bom que Água Turva conseguiu. Amei o recurso dos flashbacks e todo entrelaçamento das histórias do livro. Gostei muito de ter lido uma história que se passa aqui no RS, ainda mais pelo turvo ser um parque tão importante pro estado mas que infelizmente é pouco conhecido e valorizado por nós. As questões culturais da região fronteiriça também me interessaram muito. É muito bacana ler um livro sobre personagens gaúchos sem ser uma história que ou se passa em Porto Alegre ou é um conto regionalista.
A história pode ser ficcional, mas que já tentaram construir hidrelétrica em ambientes importantes pra nossa biodiversidade, isso já tentaram. Acho que estar dentro da biologia e saber um pouco mais sobre essa temática também fez com que eu me sentisse mais envolvida na história. Espero que esse livro ajude mais pessoas a pelo menos começarem a se interessar um pouco mais essa temática ambiental.
Outra coisa que eu percebi: a pandemia é mencionada no livro. Eu acho que é a primeira vez que a pandemia é citada em algum livro que eu leio. E olha que já li vários contemporâneos…
Gostei também de toda mítica envolvendo o Sarampiao. Acho que deu um tom muito bonito pro livro. A visão de quem vive na cidade sempre vai ser diferente da de quem vive em áreas naturais e gostei dos contrastes que foram apresentados aqui também.
Ansiosa pra discutir esse amanha no clube do livro!!
Um trilher muito bom! De fato, a cada pagima que passa você fica mais curioso para saber o que vai acontecer. A escrita é muito envolvente e fluída. Tudo isso enroscado no contexto da política brasileira é muito melhor. No entanto, achei qud a história por trás do Sarampião ficou muito mal explicada e sem sentido, mesmo sendo um fator de extrema importancia para o livro. Além disso, os personagens soam superficiais, o livro poderia ser um pouco maior para adentrar na história dos principais
O livro traz um tema necessário. Por isso dei algumas estrelas. Mas fora o tema, tudo é muito ruim e superficial. O texto é fraco, não imersivo, e as personagens são apresentadas de modo superficial. Se a autora voltasse ao livro para trabalhar a forma de caracterizar o ambiente, as ações, as personagens, a magia do Parque, seria um grande livro. Mas parece que a autora queria colocar um ritmo urgente e o leitor mais experiente fica assim com essa sensação que queria ver mais para se sentir lá no Parque, lutando por ele, pela onça pintada e contra os corruptos.
Fiquei com bode por conta de alguns problemas básicos de continuidade (em um momento o narrador comenta que o Tales não perdoará a Olga por ser a responsável por colocar o Enrico na prisão, depois o Enrico morre sem que isso aconteça?). Achei os flashbacks confusos e pouco ilustrativos. Personagens flertam com uma profundidade que inexiste e acabam em um arco ou de condenação ou de redenção. Parecia promissor mas no final foi bobo. Perda de tempo.
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Os segredos que prometem revirar a história inteira são anti-climáticos. A história inteira é contada em torno desses segredos que prometem mudar tudo na vida das personagens quando forem revelados e aí, no fim das contas, acaba que não têm nada que seja de fato chocante. Pelo menos para quem lê. Uma história com um enredo muito interessante, mas, como diversas outras avaliações aqui disseram, talvez funcionasse melhor enquanto peça audiovisual.
Provavelmente a primeira coisa a ser dita sobre Água Turva de Morgana Kretzmann é que não é um livro mal escrito ou descuidado. Alguns detalhes técnicos e informações dão conta de uma boa pesquisa e conhecimento dos temas em que o romance se debruça. A leitura é relativamente fluída, apesar de algumas escolhas da autora tornarem a narrativa um tanto truncada e confusa. Um das integrantes do clube de leitura para o qual li esse livro tinha comentado do caráter meio que roteirizado da obra e sou obrigado a concordar. A impressão é que a narrativa foi pensada como algo para ser filmado, o que não seria em si um problema se fosse acrescida dos elementos acessórios para lhe dar sentido. Agua Turva com a escalação de elenco adequada provavelmente daria um filme muito bom. Como romance porém, pode não funcionar muito bem para leitores mais implicantes. Personagens podem ter atitudes e reações absurdas desde de que sua construção justifique e prepare o leitor para aceitar o absurdo de suas ações. Kretzmann está tão preocupada com o óbvio viés político de sua narrativa e da denúncia que deseja fazer que se esquece de que mais importante do que as atitudes dos personagens é o porquê são executadas. Na real só temos um personagem cujas ações são totalmente legítimas e compreensíveis, mesmo que erradas. Os capítulos em flashback não dão conta de preencher as lacunas para compreendermos a personalidade das protagonistas. Muito menos para que sintamos simpatia e nos importemos com elas. Além disso a autora pretende construir uma mística em torno do lugar, mas novamente não nos fornece elementos suficientes para compreender tal mística. São elementos incômodos, mas que podem ser relevados e a depender do leitor talvez até passem desapercebidos. Porém, existe pelo menos uma escolha narrativa infeliz e desnecessária, quando a autora resolve comentar sobre a orientação sexual de uma personagem, mas o faz de forma desastrosa e estereotipada. Aliás a construção dessa personagem é permeada de escolhas infelizes, atitudes e falas despropositadas, que sob a luz da revelação de sua sexualidade só pioram. A autora quis ser inclusiva e meteu os pés pelas mãos. Como comentei a obra possuí um viés político muito claro e a meu ver ingênuo. Que a autora tenha suas preferências políticas, ok, mas que pretenda que somente um dos lados do espectro seja corruptível no que respeita a questão ambiental é de uma ingenuidade ou de uma cegueira irritante. Belo Monte mandou lembranças. Temos um maniqueísmo político e até mesmo por gênero na obra que é bastante questionável. Em suma Água Turva de Morgana Kretzmann é um livro bem intencionado, tem uma mensagem relevante, mas peca por estar mais preocupado em militar do que em contar sua história e deixar o leitor captar a denúncia implícita. Novamente, devidamente roteirizado e com um bom elenco seria um filme muito bom.
"Água Turva" é um daqueles thrillers de tirar o fôlego, com uma trama intensa que exala o espírito do Brasil. Morgana Kretzmann cria uma narrativa original ao abordar o conflito ambiental em torno da construção de uma hidrelétrica na fronteira entre Brasil e Argentina. A obra destaca os interesses políticos corruptos que impulsionam o projeto, colocando em risco o Parque Estadual do Rio Turvo, no Rio Grande do Sul—um dos últimos refúgios da onça-pintada e lar da espetacular cachoeira Yucumã, uma das maiores quedas d'água do mundo.
Nesta história, três mulheres têm seus destinos entrelaçados: Chaya, uma guarda florestal que vê sua profissão como uma missão herdada dos ancestrais; Olga, uma jornalista que busca redenção para seu passado; e Preta, líder de uma comunidade de nativos estigmatizados, que atua nas "margens" da sociedade. A narrativa politiza o debate ambiental ao trazê-lo pela perspectiva dessas personagens femininas, onde força e afeto se entrelaçam em cada conflito, unindo rivais em uma aliança inesperada pelo bem comum.
Gostei do livro, é uma leitura fluida e simples. Contudo, senti que faltou desenvolvimento dos personagens e que só aqueles estritamente necessários foram bem desenvolvidos, como as três protagonistas da história. Isso acaba influenciando no final, quando o Leon atira na Chaya. Ela teve um arco bem construído desde a infância o que nos leva a ver ela como uma mulher forte e destemida. Enquanto ele aparece em momentos pontuais, só sabemos que o pai dele foi morto e ele tem esse desejo por vingança. Fora isso, não chegamos nem a ver ele matar alguém antes do embate com Chaya, o que dificultou que eu acreditasse que ela teria “perdido” para esse adolescente. No fim, achei que a autora forçou essa situação para ter a comparação do legado da Chaya com o do bisavô Sarampião. As alterações na linha do tempo são confusas e, por vezes, eu me perdia na época em que estava acontecendo a história, mas nada que dificultasse muito a leitura.
• 3,5 :D
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Dieses Buch war mein erster Fund auf meiner Global Book Crawl Tour – und gleich ein Volltreffer. Südamerika ist zugegebenermassen bisher ein blinder Fleck in meinem Leseverhalten, aber dieses Buch hat mich sofort wegen der starken, komplexen Frauenfiguren angesprochen.
Genretechnisch ist der Roman kaum einzuordnen – und genau das macht seinen Reiz aus. Er vereint mystische Elemente mit Polit-Thriller-Spannung und erzählt gleichzeitig eine sehr geerdete Geschichte über Familienkonflikte, Versöhnung und die Kraft weiblicher Solidarität. Die Natur spielt dabei nicht nur Kulisse, sondern eine zentrale Rolle.
Besonders beeindruckt hat mich, wie viel die Autorin thematisiert, ohne dass es überfrachtet wirkt: koloniale Grenzziehungen, Korruption, Umweltzerstörung, Sexismus, familiäre Loyalität und Marginalisierung.
Ein kraftvoller, ungewöhnlicher Roman, der viel will – und davon auch einiges erreicht.
Começou bem e me vi lendo super rápido o livro. A escrita da autora te pega. Mas chegando ao final fui percebendo muitas incoerências nas personagens e uma pressa para resolver a historia que enfraqueceu demais o livro. Fiquei super irritada por não entender uma das resoluções de mistério, o que afinal aconteceu com o Sarampião? Li umas 10 vezes a passagem em que contam o que aconteceu e não entendi, afinal. Me senti burra e isso não é legal.
O livro parece ter sido escrito pra virar filme/série. Agora torço pra que o façam pra eu entender direito a história.
O enredo é interessante e só. Saio com sentimento de frustração.
Narrativa muito interessante, pra contar a relação de personagens a partir do espaço, que é fixo (cenário parque do rio turvo), mas se movendo pelo tempo. História sobre mulheres fortes e suas tragédias, que inspira, me sendo interessante o drama mais realista da personagem Olga. Ponto negativo, alguns muitos momentos novelescos.
Incroyable ! Un peu compliqué pour suivre qui est qui mais avec l’index du début de livre c’est facile de se retrouver. Pleins de rebondissements, entre secrets de famille et enjeux environnementaux au Brésil ce livre m’a captivée !
Água Turva traz uma história sobre disputa de território, questões ambientais, políticas e econômicas. No início os nomes e a genealogia exigem atenção, mas depois de uns 25% do livro a leitura flui muito melhor. Bem escrito, rápido, passa uma mensagem certeira. Uma boa leitura.
li em 3 segundinhos, leitura mto boa, agnt ama uma história acontecendo numa região do brasil que agnt nn conhece teve umas paradas na história que eu achei q eu nn fazia mto sentido (a praça e a olga nn peguei a visão até hj) mas além disso super recomendo pruma leitura de praia!
Uma narrativa bem atual, e muito pertinente diante de toda a discussão que se faz hoje sobre a questão ambiental e as mudanças climáticas. Gostei da forma com se dão os flashbacks, e do toque de realismo mágico que fazem este livro ainda mais interessante. Amei as protagonistas, em especial Olga, que consegue sair do abismo no que se colocara, dando a volta por cima. Muito bom.
O livro tinha tudo para ser incrível mas infelizmente não é. Primeiro, bem complicado lembrar quem é quem, a pesar da lista de personagens no começo. Segundo, alguns personagens são meio problematicos, como a Preta - mulher violenta com todo mundo, sanguinária, incendia o Parque, mata uma onça (?😭) por pura vinganca pessoal… não entendi muito bem essa mulher. A Chaya, guarda do parque, super engajada pela preservação mas falta de profundidade. A Olga, jornalista que vai denunciar a corrupção,,, a gente não sabe quase nada dela. Parece difícil livrar-se do destino nessa cidade, de uma maldição passada que a gente não entende muito bem. Então li o livro porque o tema me interessa, acho que a história vai ficar na minha cabeça por tudo que poderia ter sido escrito 😉 Nota: 3,5
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Gostei muito desse livro, acabei lendo em uma manhã, porque ele é viciante. Gostei muito do protagonismo feminino, do não determinismo da maioria das personagens, da construção do texto quase pronta pra virar roteiro de cinema. Um livro delicioso.