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Homo Sacer e os Ciganos

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Este livro destaca o real significado do anticiganismo, como variante específica do racismo no seio do capitalismo.

103 pages, Paperback

First published April 1, 2014

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Roswitha Scholz

22 books6 followers

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Displaying 1 - 9 of 9 reviews
Profile Image for José.
239 reviews
September 5, 2021
Bom livro/ensaio, consegue incluir uma perspectiva histórica (carregada de discriminação do ponto de vista legal na Europa - em Portugal havia legislação que descriminação contra roma até o início do século XXI) e social sobre o anti-ciganismo ao enquadrar o "cigano" (aqui significando o estereótipo dos sinti e roma na Alemanha) como o homo sacer (como definido classicamente e trabalhado por Agamben quanto ao seu papel na definição da "vida boa" dentro do estado) por excelência. Assim, Scholz atinge a concepção moderna do "cigano" como uma entidade que é, em simultâneo, demonizada por simbolizar aquele que ninguém quer ser (tornando-o essencial no modelo capitalista pois permite a definição do normal através da definição do tabu, o estatuto que deve ser evitado a todo o custo), e romanticizada (por certos círculos dentro da esquerda) como uma entidade cuja resistência ao modelo capitalista é inata. Ambas prendem a população sinti e roma (ou simplesmente "cigana" em Portugal) aos estereótipos que prejudicam a sua existência, levando a que o anti-ciganismo seja o racismo non grato (o racismo sacer, por assim dizer) dentro do combate ao racismo (uma tendência que se reverte aos poucos mas que é ainda evidente), levando a que Scholz consiga também articular a diferença entre anti-ciganismo e outros tipos de racismo.

Scholz também discute a relação do "cigano" como homo sacer e a sua importância para a definição de dissociação-valor (como a sociedade capitalista não valoriza trabalho que não resulte numa produção capital e em como isto cria papéis de género distintos - inicialmente o conceito foi postulado pela própria Roswitha Scholz) sendo ele próprio alguém que ilude a produção capitalista e que, por isso, é visto pela sociedade como algo a evitar ou até mesmo abater. Há algumas partes (poucas) que usam conceitos de Heidegger, em particular o de transcendência, mas isso escapa-me por completo; de resto achei este um bom livro. Ajudou ler sobre a dissociação-valor para poder entender parte da análise que Scholz aqui oferece.
Profile Image for Diogo Moreira.
26 reviews142 followers
March 9, 2026
Homo Sacer e os Ciganos é um ensaio denso onde Roswitha Scholz desenvolve uma análise crítica do racismo e do patriarcado não como efeitos colaterais do capitalismo, mas como partes estruturais do seu funcionamento. A partir da sua teoria da dissociação-valor, Scholz sugere que a sociedade moderna, moldada pelo Iluminismo e pela lógica produtivista, se organiza por oposição: o sujeito racional, masculino e branco é colocado no centro, enquanto tudo o que escapa à racionalidade instrumental - o feminino, o racializado, o “cigano” - é empurrado para a margem, construído como o “outro” necessário (ao sistema
capitalista e patriarcal).

Inspirando-se em Agamben, Scholz identifica o “cigano” como o homo sacer por excelência, aquele cuja exclusão define os limites da comunidade civilizada e produtiva. Essa figura é, ao mesmo tempo, demonizada como o símbolo do improdutivo e romantizada como quem resiste naturalmente ao capitalismo. Ambas as leituras, no entanto, acabam por manter o “cigano” preso a uma posição de exterioridade, como se estivesse fora da história e da sociedade.

Uma das grandes virtudes do ensaio é mostrar que o anticiganismo não é apenas um preconceito individual ou um “atraso” cultural, mas parte da própria forma como o capitalismo e o legado do Iluminismo produzem um “outro” necessário para se pensarem como racionais, civilizados e trabalhadores.

O livro é claramente mais teórico do que etnográfico e bastante focado no contexto alemão. A verdade é que parti para a leitura sem estar à espera disso e, por essa razão, por vezes achei o texto mais denso do que antecipava (o que diz mais sobre as minhas expectativas do que sobre o livro em si e daí a minha review de 3,5 ⭐️). Fiquei com vontade de ler algo que cruzasse este enquadramento com estudos mais empíricos, sobretudo em contexto português, de forma a ligar esta reflexão teórica aos dias de hoje e ao anticiganismo na contemporaneidade.
Profile Image for Raquel Pedro.
43 reviews3 followers
September 6, 2021
É, na realidade, um 3,5.
Em termos históricos é um bom livro que contextualiza a discriminação sofrida pela população cigana no Ocidente e aborda a "história da ciganofobia". Desenvolve algumas ideias interessantes à volta da ideia da resistência cigana e suas dimensões. Ainda assim, comete algumas imprecisões significativas a nível das generalizações ou argumentos pouco aprofundados. Exemplo disso é o início da página 67, onde se escreve " a esquerda classificava tradicionalemente os ciganos como pertecendo ao lumpemproletariado, o que significa que sendo ciganos já lhe pertenciam desde sempre". Ora, o lumpemproletariado é, com precisão, um conceito desenvolvido por Marx no Capital e, portanto, "assimilado" pela marxismo ortodoxo. Associar este conceito à "esquerda" e à "esquerda tradicional" é, na minha opinião, problemático uma vez que cria uma série de sub-ideias no leitor como sejam as associações diretas da esquerda tradicional ao marxismo ortodoxo. Assim, clarificar isto teria valorizado este trabalho.
Profile Image for Baki.
14 reviews
July 12, 2023
"No fundamental, o capitalismo baseia-se no medo de ser «declarado banido», de ser apenas «vida nua» - o que se sucedeu desde o início da sua existência. As instituições e os agentes do capitalismo, bem como os próprios indivíduos, fazem tudo sob a forma de «trabalho de disciplinamento» para evitar esse perigo. Em nenhuma circunstância alguém desejaria ser como o cigano, o fantasma, o pesadelo puro e simples da subjetividade burguesa. É necessário distanciar-se do cigano no fundamental, pois nele conjugam-se a mais profunda indecência, a delinquência, a associalidade e o ser uma raça estrangeria ociosa e hedonista, características que uma pessoa tem de renegar se não quiser pôr em perigo o seu modo de vida e a sua integração na sociedade. O estereótipo do cigano parece ser o mais apropriado de todos os estereótipos racistas para nos esclarecer a respeito da subjectividade capitalista burguesa. O sujeito burguês vê nele a um tempo, como o reflexo num espelho, os seus medos primordiais e os próprios anseios hedonistas. É precisamente esta combinação que mais o horroriza."
Profile Image for Ana Mendes.
89 reviews3 followers
April 22, 2024
“Nunca será suficiente realçar o seguinte: “A natureza dupla do estereótipo do cigano tornou-se manifesta com a etnicização iniciada pelo Iluminismo e reforçada durante o século XIX. Ele demonstra a dialéctica da discriminação racista. Legitima a opressão e o paternalismo perante raças supostamente subdesenvolvidas, por parte de povos que atestam a si próprios uma origem nobre. Além disso, permite aos estratos sociais inferiores desses povos, eles próprios socialmente discriminados, o desenvolvimento ou reforço de ideias de superioridade e de pertença (…)” (Hund, 1996, p.32).” - p.62
Profile Image for Cátia Almeida.
1 review
November 27, 2024
Com tanto potencial e só desilude.
Escrita pesada, com alusão a inúmeros teóricos e termos citados sem nenhum contexto prévio.
Talvez não tenha ajudado ter as expectativas iniciais tão altas, mas nunca pensei que fosse ansiar (sempre que lia) que o livro acabasse o mais rápido possível. E é super pequeno, agora pensem…
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Profile Image for Beatriz Salafranca.
23 reviews
January 28, 2021
Fui um pouco ao engano com este livro. Não e de todo o que pensava que ia ler. Um livro bem técnico. Porém não respondeu ao que eu queria.
Profile Image for Straw.
13 reviews
September 14, 2025
O livro abusa de citações demais, o que faz com que a leitura pareça dum artigo universitário e não dum livro realmente. Apesar disso, traz uma leitura muito interessante sobre o anticiganismo como algo essencial ao processo modernizador
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