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Bonsoir, Madame

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262 pages

First published December 1, 2013

41 people want to read

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Manuel de Castro

23 books3 followers

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Community Reviews

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for la poesie a fleur de peau.
508 reviews63 followers
April 8, 2021
"Um poema. No sentido da luz,
na direcção do vento. Como os nomes
que são o culto ritual do coração.
Como um signo — que se deseja eterno
e não é mais que tempo."

Um Poema

***

"esqueço-te com a terna complacência do silêncio
habitual das horas no seu movimento
e no entanto restou um perfume quase imperceptível
do olhar por uma vez aceite
em mim, um olhar que julguei
fosse o meu amor, a ilusão
de um gesto que olhamos como
se nos pertencesse e no entanto
nos é alheio.
Eu havia contribuído integralmente.
A terra foi por um instante pura
através do teu corpo elástico e pausado."

Carta

***

Sabia que a tarefa de seleccionar um ou dois poemas deste livro seria trabalhosa, ingrata... e, para escrever sobre ele, teria de batalhar um pouco e de encontrar um bom ponto de partida: fui, então, para Espanha, por saber que lá encontro memórias que me permitem falar da relação que criei com este livro.

Há uns anos passei por Madrid e, dispondo apenas de algumas horas para explorar a cidade, decidi investir todo o meu tempo no Prado. Quando comecei a minha visita descobri que era estritamente proibido fotografar, o que causou um desconforto inicial — estamos (estou) habituados a registar alguns fragmentos da realidade, isto na expectativa (real ou imaginária) de poder regressar a essas imagens: partilhar, revisitar, avaliar; imagens que consolidam as informações que nem sempre a presença permite reter. Nada feito: o choque inicial deu lugar à aceitação e a experiência acabou por ser positiva — guardo hoje memórias bastante vivas desse dia; sei que me demorei diante dos quadros que mais me interessavam (e que fiz escolhas difíceis... de certo modo, foi quase como fotografar com uma câmara analógica, tive de tomar decisões, de saber onde investir e do que abdicar) e a noção de presença (da minha presença diante das obras, das obras em si — daqueles objectos físicos, materiais) saiu reforçada. E hoje tentei pensar se podia transportar algo dessa experiência para a leitura de um livro que não é meu, que em breve deixará de estar ao meu alcance, e descobri que talvez se passe precisamente o contrário: quando tenho comigo um livro emprestado (seja ele de um amigo/conhecido ou de uma biblioteca), se for um livro de que gosto realmente e que sei que não posso ter (ou por saber que está esgotado, ou por não ter liquidez que me permita adquiri-lo), sinto sempre um nervoso miudinho, uma espécie de ansiedade a agitar-me o corpo. Sinto que nunca o apreendo realmente, que estarei distante de o conhecer e de fazer com que ele faça parte de mim. Contrariamente à experiência do Prado, não vivo intensamente o momento, nem tão pouco me sinto presente — sinto que o objecto que tenho em mãos se está a esvair lentamente, que é já memória sensorial e que num piscar de olhos se extinguirá. Creio que essa sensação resume a minha relação com os meus livros favoritos (e não só): gosto de os ter na mesa de cabeceira durante meses, de os ver nas estantes; há algo de tranquilizador em saber que aqueles livros estão ali quando a noite se prolonga até às 5h da manhã, saber que basta erguer os braços e reencontrar um poema que me reconforte. As leituras que faço em silêncio, em solidão, na intimidade que só a noite pode propiciar, criam esta sensação de que consigo conhecer melhor os meus livros, e é um conhecimento que se faz ao longo de meses, anos, sem datas nem prazos... um conhecimento que dura enquanto eu durar.

Dentro de umas semanas sei que não vou poder acalentar as insónias com o "Paralelo W" e com o "Estrela Rutilante" e isso, não o escondo, provoca-me dor. Mas, a propósito de tudo isto, é nestes momentos que recordo a generosidade humana e a noção de partilha — este livro já terá passado por várias mãos e foi sempre devolvido, e também eu o devolverei quando a isso for obrigada... e sei que o faria sempre porque o mais importante é que ele seja lido.
Profile Image for Joana.
45 reviews18 followers
December 15, 2016
"A vida é. O Tempo - agora.
Tudo o que somos tem
apenas esta hora
este momento.

Seu corpo sombreado sobre o leito
seu incerto leve pensamento
seu estranho olhar acobreado
seu corpo apenumbrado Misterioso
Enigma Relevado
Fantástico e Real
Perfeito e Glorioso"
Profile Image for Ana.
65 reviews6 followers
November 11, 2016
Julieta

A uma opiada fonte, a um veneno
fui procurar a ilusão do teu sorriso.
A um inverno com neve para repouso
e ao cristal correcto um coração;

Porém, (quem o disse?) a vida não consente.
Apenas sigo a tua mão, inerte,
sabendo tudo. E tudo é o mais grave.
Contigo vou. Nada me quero em ti.

Nada que perque ou ganhe. Nada.
Nada é um vazio cheio de coisas.
Essa mão assim suave e quente

até ao fim da vida. Até ao fim.
Nada se perde ou ganha. Inerte.
Nada é um vazio cheio de coisas.
Profile Image for Lee.
171 reviews
May 20, 2017
Refiro-me às coisas, ao silêncio das coisas,
ao sagrado silêncio expressivo
dos objectos. É sempre
a minha morte em jogo, é sempre
a palavra oculta na cor, na forma,
no silêncio
dos objectos.
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