De uma escritora premiada e reconhecida internacionalmente, um romance sobre família e amor, o envelhecimento, e a ocupação da memória pelas ausências de quem nos falta.
Esta é a história de Natalia, uma mulher muito velha, que passa os dias em casa, aguardando pacientemente os telefonemas da filha, que vive noutro país. Através de Natalia, conhecemos Vicente, o seu companheiro, que era professor e foi perseguido pela ditadura; Sarah, a sua melhor amiga, dona de um temperamento irascível e de uma loja de biscoitos; Jorge, um sem-abrigo que morava na mesma rua, lia cartas que adivinhavam o futuro e recebia em troca doses de Campari. Viúva e última sobrevivente de um círculo de amigos, Natalia traz em si todos os seus humanos, como se fossem um álbum de desaparecidos. São estas companhias invisíveis que, agora, lhe povoam a casa e o espírito. A partir do amor, dos laços familiares e da amizade, dos equívocos e enganos, das saudades e ausências, Juliana Leite desenha um mapa antropomórfico que nos leva pelos símbolos da memória, pilar inabalável da nossa consciência e poderoso antídoto para o silêncio e a solidão. Um romance de rara sensibilidade, sobre as coisas que acabam e tudo o que, apesar disso, permanece.
Os elogios da crí «A poucas linhas do início, já este romance se firmou num território onde a crueza da linguagem e a franqueza na exposição da vida emocional das personagens são marcas que nunca se dissipam. Natalia é 'a Velha', termo que aqui se utiliza sem qualquer sentido pejorativo, assumindo que talvez devêssemos perder o pudor de usar as palavras. O livro dedica-se também a esse exercício, o de encontrar as palavras certas, fugindo de moralismos que acabam por deturpar sentidos. [...] Uma escrita límpida, cruzando recuos e avanços temporais com a consciência de que a memória é coisa sempre construída, e avança para o território do fim, o tempo em que ainda não acabámos, mas estamos lá perto. É aí que se constrói o mecanismo e a temeridade assinalável deste texto.» Sara Figueiredo Costa, Expresso «Um livro sobre a morte, a solidão e a lembrança. É também sobre a correlação entre a história de um país e as histórias familiares, sobre a amizade e como o tempo deixa suas marcas, seja no corpo, seja nas relações humanas. Uma espécie de inventário dos restos dispersos que formam uma vida.» Quatro cinco um «Um romance de fluxo de consciência que segue com precisão os ritmos da memória e do devaneio e retrata com fidelidade uma mulher de passado tão rico e presente tão diminuto. O rigor formal da construção do romance chama a atenção, junto da prosa rara e impecável […]: ao mesmo tempo simples e precisa, feita de palavras ordinárias e sintaxe direta, mas poética em suas imagens e profundamente lírica na leveza com que comunica seus personagens.» O Globo «Juliana Leite escreve sobre velhice e morte com a alegria de uma menina descobrindo a vida.
Se há um livro que narra bem e de maneira divertida e cuidadosa a solidão, a velhice e a morte, ele certamente é esse aqui.
Não há absolutamente nada que eu não tenha gostado; com uma temática aparentemente comum, envolto em memórias e cotidiano de uma idosa que vive enclausurada em um apartamento no Rio de Janeiro, com uma filha que mora em outro lado do oceano, Natália é a pequena parte ainda existente dos tempos perigosos que varreram o país na década de 60 e é ela que, como sobrevivente, conta a nós seu presente recheado de passado.
Com um enredo voltado à vida familiar e profissional, Juliana Leite conta a nós a vida da idosa e ex-professora, Natália, que a cada página rememora e discorre acerca do passado vivenciado, das perdas e dos amigos que com o passar dos anos deixaram de ligar, uns porque foram embora sem avisar, outros porque os esconderijos não foram suficientes para aplacar a terrível repressão e violência advinda da ditadura; em meio a viagens à praia, a descobertas sexuais, ao enfrentamento da doença, a escritora compõe um balanço do que é a vida, daqueles que fecham os olhos e não vigiando, "não se incomodam com a linha reta eterna e dormem como se o avião não corresse o risco de ir parar lá do outro lado de fora da Terra, toda vida no embalo" até àqueles que mesmo acordados deixaram de tomar precauções e a vida os pegou de surpresa, sem aviso.
É, por isso mesmo, uma obra sensível, bonita, gostosa e sobretudo cômica acerca da amizade e do tempo, ao passo que é também triste, quieta e silenciosa, ao meio a tanto rumor e tanto a se dizer. Se eu pudesse, gostaria de nunca tê-la lido, só para descobri-la de novo. No mais, literatura brasileira é boa demais.
Natalia é uma velha de cem anos, professora aposentada e viúva, que perdeu todos os amigos para a morte. A sua única filha vive em um oceano superior, — que é como quem diz, num outro país — e com ela mantém apenas um telefonema diário. Natalia tem mais passado do que futuro, e é esse passado que vamos conhecendo através das suas memórias. É um livro triste, doloroso e difícil, sobre o envelhecimento e a nossa finitude — o processo, o caminho, a solidão, a morte: quatro estações de uma mesma travessia. Mas é também um livro sobre a vida, os afectos e as lembranças. No fim, fica cheio de sublinhados, de frases que se instalam na memória e continuam a martelar-nos a mente muito depois de o termos fechado.
A quantidade de ossos que uma velha possui é um espanto, um assombro, porque afinal alguns humanos como ela sumiram, muitos já sumiram e até agora por algum motivo ela permaneceu, ela se sente assim, como alguém que permaneceu, por enquanto. * É na mesa da cozinha, no jornal que ainda não foi aberto, que novas pessoas se apagam nas notícias. Todos os dias os apagamentos se acumulam e se empilham por toda parte formando um número impossível. Só de olhar para a lista de apagados uma velha de apartamento pode imaginar que a sorte morreu, que os vivos talvez sejam fruto do acaso e que, mesmo que ainda respirem, bem, eles também desaparecem pouco a pouco, de todo jeito, e em algum momento acabam se unindo aos demais. * Nos últimos anos quem olha de fora só vê a mulher sozinha em todos os cômodos, mas não foi sempre assim. Houve um tempo em que quem olhasse pela janela perceberia ali com a mulher pelo menos duas pessoas: Vicente, o marido, e a filha deles, que naquele tempo poderia ser ruiva ou loira perolada, a depender do resultado da tintura. As luzes do apartamento ficavam acesas e o cheiro de comida atravessava a sala. Faz tempo que eles não fazem mais companhia à velha, mas não é por mal. Em algum momento a filha se tornou uma filha que mora longe e Vicente desapareceu porque, bem, ele morreu e por isso ficou ocupado com outras coisas. * Descobriam que afinal não era apenas a passagem dos anos que envelhecia as pessoas, não, as dores envelheciam muito mais. * Alguém inexperiente e desavisado poderia imaginar que nesses encontros os companheiros quisessem falar sobre o que tinham vivido nos subsolos, comparando o frio e os ferimentos de cada um, expondo testemunhos. Mas isso jamais aconteceu. Sobrevividos, eles temiam abrir demais a boca e assim acabar cuspindo a serpente guardada no estômago, por isso trincavam os dentes e se asseguravam de manter tudo velado. Se num rompante de descontrole e coragem um deles explodisse lançando frases reveladoras sobre seu subsolo, bem, isso aconteceria sempre de maneira raivosa e tormentosa e acusativa, afinal era um absurdo alguém ter passado por tudo aquilo e a família, os amigos já não saberem de cada detalhe por intuição ou por telepatia, por amor. Era uma falha da espécie, uma falha grande e importante que tudo ainda precisasse por fim ser dito. * (…) a solidão é cheia de acontecimentos, se você reparar, ela é recheada de cadernos, lápis, pano de chão, lustra-móveis, Tom Jobim, dicionários, porta-retratos. * Daqui a alguns anos a filha será tão velha quanto a mãe e então descobrirá que nesse ponto da existência o passado é o único futuro, o único lugar onde alguns encontros ainda acontecem. * É curioso ter idade bastante para falar sobre todas as coisas retrospectivamente, uma velha pensa. Ao fim da linha da vida, de repente alguém recebe o direito de subir em uma cadeira e ficar cinquenta centímetros mais no alto para transmitir aos demais humanos as notícias que vêm do passado. Com esse horizonte de ontens à disposição, o alguém trepado na cadeira já pode dar a cada um dos acontecimentos de uma vida um lugar específico no tempo, usando binóculos e apontando o dedo: Foi mais ou menos aqui que tudo começou, e foi aqui, nesse ponto, que chegou ao fim.
O que é a vida? Para uns, um aborrecimento, prefeririam nem ter nascido. Alguns outros chegam a pagar caro para se manterem agarrados a ela. A maioria vive cada dia do jeito que é possível e talvez seja essa a sabedoria da vida e de Natália.
A velha, como a própria Natália se autointitula, é uma senhora já com cerca de 100 anos. A vida nunca lhe foi fácil, mas nem por isso deixa de fazer o possível para vivê-la como possível. No decorrer de Humanos exemplares, a velha vai recordando diversos momentos de sua vida, nunca em ordem cronológica, e não o faz assim em razão da idade, que poderia sugerir início de um processo de demência, mas porque se utiliza de memórias afetivas que vão lançando fios entre uma história e outra, trançando um bordado aparentemente comum, mas de pontos fortes que dão estrutura ao todo.
Morando só em um apartamento em algum bairro do Rio de Janeiro, a velha tem quase absoluta certeza que há um espião no prédio em frente que sempre observa os seus dias e não faz muito para esconder o que lhe acontece ali dentro. Sua rotina é sempre a mesma, acordar, tomar o café da manhã, aguardar a chamada de telefone da sua semi-velha filha que vive no oceano do norte com sua menina (companheira de toda uma vida), almoçar, assistir a novela, dormir.
E durante todo esse tempo, deixa que suas recordações a revivam novamente. Desde quando conheceu Vicente, o seu marido, já falecido, passando pelos anos de chumbo dos anos 1960, do desaparecimentos dos queridos, das suas aulas de redação, do nascimento de sua filha, do amante que teve já quando estava aposentada. São apenas algumas de suas memórias. O que as diferencia do senso comum é que Natália as recorda sem pessimismo, mas com uma certa saudade das pessoas que se foram. Tudo é motivo de aprendizado, cada dia algo novo. Nem os prazeres devem ser deixados de lado. A vida é surpresa. Aguardar que ela se desenrole exatamente como a queremos é criar ilusões, que se desfazem como castelos de areia e deixa um gosto amargo. Na vida.
Juliana Leite aqui tece também uma bela obra que parece nos alertar que a velhice não é o fim, que há vida a ser vivida, que a pessoa idosa não é um ser difícil de se lidar, mas um ser que tem vontades, desejos e necessita ser respeitado, valorizado. Esse é o nosso caminho. Mas também parece ser como um alerta de que a vida atual nos leva a vidas solitárias ao seu final, muitas vezes não por nossa própria vontade, mas pelo próprio abandono da família, que tem "planos" mais hedônicos para se preocurarem e alcançarem. Que aos poucos as pessoas são deixadas de lado, como coladas numa gaveta e ali deixadas, esquecidas.
E não, não pensem que se trata de um livro triste. Natália não o permite, sua vida não é triste, nem chata. É vida! Havia tempos que não dava gargalhadas tão fortes com uma cena já próximo ao final do livro, em que a cuidadora da velha se horroriza com o que possa estar a se passar naquele apartamento. E como é poético e terno o seu fim!
A escrita de Juliana Leite também lembrou-me ligeiramente do melhor que há nas obras dos escritores Joca Reiners Terron e Aline Bei!
Um livro protagonizado por uma idosa centenária, a Natália. Que rememora sua vida com um humor muito peculiar: o casamento com Vicente, a vida como professora durante a ditadura brasileira, as amizades, o envelhecer.
Achei a escrita super poética, gostosa de ler.
“Ela pretende lembrar à menina de que o problema de viver demais, de habitar o planeta por mais tempo do que o aconselhável, é que você vira testemunha de um mundo que se apaga, bem diante de você ele se apaga pessoa a pessoa, amor a amor, amigo a amigo e gato a gato, por sorte restando a companhia das árvores.”
belíssimo! algumas passagens que, particularmente, me deixaram comovida.
"Eu sei o que é o amor: se você estiverem caindo eu vou lá e ajudo".
"Quem sabe se seria esse um huamano exemplar, já livre, já apto a não ver ali, no osso original, somente um homem ou uma mulher, e sim o broto de uma terceira humanidade cujo nome ainda não surgiu".
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A leitura não fluiu muito bem para mim, o estilo narrativo é repetitivo (repetição de palavras para ênfase), robótico e lento. Por um lado, cria a monotonia de uma personagem idosa em seu fim de vida. Mas mesmo nas memórias do passado, com mais ação, o ritmo seguia muito lento. Algumas passagens um pouco piegas e meio clichês sobre ditadura. O que gostei foi a parte final, bonito como Juliana Leite constroi o emaranhado de vidas (e mortes) entre mãe-filha-irmã.
Em "Humanos Exemplares", Juliana Leite constrói um romance introspectivo, ambientado em uma atmosfera de solidão devastadora: a idosa Natalia vive sozinha em seu apartamento no Rio de Janeiro, acompanhando passivamente a passagem das horas enquanto aguarda diariamente a ligação de sua filha, que mora no exterior. E só...
De forma até curiosa, a parte onde a narrativa revisita o passado de Natalia junto a seu marido, perseguido pela ditadura militar, tiveram pra mim menos força do que a descrição de seu presente: ficou claro que é justamente a rotina solitária da personagem que sustenta o interesse do leitor! A autora transforma a monotonia em matéria literária, e essa escolha não apenas funciona, como se revela essencial para a proposta do livro.
A narrativa nos leva a pensar sobre a finitude da vida de modo silencioso, sem grandes discursos ou epifanias. A morte, o tempo, o envelhecimento e o fim das relações humanas estão ali, diluídos nos gestos mínimos de Natalia — e é justamente essa abordagem sutil que torna o livro interessante. A ausência de um enredo movimentado não representa falta de profundidade; ao contrário, é nessa economia de ação que Juliana Leite encontra espaço para elaborar uma literatura de camadas emocionais mais densas.
Dada essa particularidade — a monotonia da vida da protagonista como elemento intencional e bem explorado —, o livro acerta também na forma: suas quase 250 páginas são bem dimensionadas, sem excessos nem lacunas. "Humanos Exemplares" é um romance que convida à observação do que passa despercebido e nos confronta com a passagem do tempo e o esvaziamento do sentido nas relações contemporâneas.
Avaliação Final: 6,5/10 Leitura Concluída: 21º livro de 2025 Próxima Leitura: "Catedrais" (Claudia Piñeiro)
Um livro arrebatador e, ao mesmo tempo, difícil de ler, marcado por uma escrita lírica e muito bonita. (Primeira avaliação, postada em 4 de abril de 2025)
O Goodreads é tão ruim que não encontrei uma forma de escrever uma nova avaliação, mas apenas de editar a que já tinha postado.
Mas, enfim...
Reli o livro, depois de pouco mais de um ano, após ter passado por uma perda muito significativa, a da minha mãe. Posso dizer com tranquilidade que ele entra na minha lista de livros favoritos da vida. O domínio que a Juliana Leite demonstra sobre a linguagem e sobre a história que quer contar é muito impressionante. Todas as palavras parecem ter sido escolhidas a dedo para fazer o leitor sentir a emoção das cenas e proporcionar uma imersão completa. Um trabalho impecável, que certamente voltarei a visitar.
"A filha faz planos de longo prazo envolvendo a mãe e a mãe deixa que as coisas fiquem desse jeito, deixa que a filha desligue o telefone com o sentimento garantido de que haverá uma mãe no futuro. É natural que ela aja dessa forma, afinal ainda lhe é possível olhar para o futuro de frente, como um animal amigo. Daqui a alguns anos a filha será tão velha quanto a mãe e então descobrirá que nesse ponto da existência o passado é o único futuro, o único lugar onde alguns encontros ainda acontecem."
O enredo é original e criativo. Sob a perspectiva da “velha” centenária Natalia, o presente se torna cada vez mais irrelevante, devido à solidão causada pelo “desaparecimento” de pessoas queridas e uma “ameaça externa”. Por outro lado, o passado ganha mais importância no decorrer dos dias, porque guarda os encontros, enquanto o tempo atual é marcado por separações. Mas a prosa não tem fluidez.
A leitura entedia devido ao estilo narrativo da autora: excesso de metáforas, eufemismos, metonímias e pieguice. Clichês, repetições e floreios desnecessários. Tenho a impressão de que ela se esforçou tanto para escrever de modo incomum e original que pesou a mão no uso de figuras de linguagem, sem objetividade. Além disso, há um abuso na utilização de adjetivos para descrever personagens, o que, para mim, indica permanência na zona de conforto, falta de ousadia e de criatividade. A ausência de discurso direto deixou a leitura mais maçante.
Há passagens bem-humoradas cheias de ironia, típicas das melhores crônicas brasileiras, um olhar para aquilo que ninguém parece enxergar, além do cronista. Mas, raras, elas só salpicam uma leveza sobre o texto.
uma forma simplificada de vida, composta por um par de sentimentos, apenas, e um par de calças, disposta inclusive a abrir mão da humanidade enquanto nome, se preciso fosse, ainda mais quando a condição fosse andar cheio de metais nos bolsos.
longe de ser um livro de memórias, é um livro sobre o presente - e como é difícil encontrar livros sobre o presente, ainda mais narrados por figuras que estão entre o passado e o futuro, ou melhor, entre a vida que viveram e a morte que parece arrombar a porta dos seus. personagens bem construídos, momentos interessantes, mas o que mais me acalentou como leitora foi a forma como as relações se desenvolvem, os sentimentos, as dores e os amores. é possível imaginar tudo o que é narrado - é possível entrar no velho apartamento, sentir os cheiros, sentir a vida pulsando, apesar da morte se fazer tão presente.
“De início achávamos que o tempo não morreria jamais, que ele nos recompensaria logo adiante, elástico e caudaloso, porque afinal a briga havia sido nobre e necessária, inevitável e legítima. Éramos jovens e como jovens costumávamos pensar que estavam garantidas as parcerias com o tempo. Mas por fim o próprio tempo desconhecia o que todas essas coisas significavam, a necessidade, a nobreza, a legitimidade, a juventude, essas palavras não lhe diziam respeito.”
Um livro profundo, que requer pausas e atenção, em certa medida abstrato e filosófico, ainda que tão quotidiano. A voz singular de uma velha, de 100 anos, e as suas perspectivas do passado e do futuro. Excelente final.
Received as a free ARC. This novel pulls out the somber emotions of aging without losing sight of the joy that comes with a life fully lived. Flowing between both past and present and third and first person, sometimes within the span of one sentence, it brings about the feeling of listening to old family stories. More than that, it feels like the moment it truly hits that these stories are real memories, and you realize that the past isn’t as distant as you had once thought.
Tive muita dificuldade em manter uma cadência de leitura com esse livro. Muitas vezes, cheguei a descrever o ritmo dele como se fosse o som de uma impressora matricial. De fato, ele tem algo de burocrático que mantém o leitor a uma certa distância. À medida que o ia desbravando, vendo aqui e ali imagens, metáforas, alegorias que, de tão encantadoras, destoavam dessa rítmica narrativa, fui me afeiçoando ao universo que ele apresentava, mesmo que seguisse complicado enxergar aos personagens como algo palpável, catártico, reconhecível. Foi quando tive um insight que penso talvez ter sido o objetivo da autora: ela quer que os vejamos humanos, não como moldes humanos onde projetamos aquilo que nos falta ou sobra, que desejamos ou refutamos. Não poderia jamais ver minha mãe ou a falta dela em Natália, porque Natália é uma velha e precisa ser vista como velha, senão nada mais faria sentido nessa rotineira insistência de sobreviver a si mesmo uma e outra vez, década após década, que a narrativa nos apresenta. No fim, achei o livro bom, talvez lido num momento pessoal não adequado para recebê-lo.
Mais um livro “from” Brasil, lido logo a seguir a “Ainda estou aqui”. Uma boa surpresa! Muito agradável, muito bem escrito! Trata da solidão, das perdas, da velhice e de como o tempo deixa marcas! Memórias da família e história do país (não sendo explícito depreende-se a abordagem aos tempos difíceis da ditadura militar de 1964, curiosamente, tema central do livro “Ainda estou aqui”). Escrita embrulhada com algum humor, o que torna a leitura, apesar de tudo, muito leve e, com trocadilhos de palavras pouco usando o nome das personagens! A “velha”, a “filha”, a “mãe”, a “menina” os “queridos”! Tocou-me essencialmente por ser muito sensível e muito bonito! Até a capa!
“A velha cuidava de não ficar quieta demais e por fim percebia que, estranhamente, a solidão é cheia de acontecimentos”.
“Ela se abraçava como uma humana qualquer poderia se abraçar ao corpo do seu país, com braços de abraçar país, compreendendo que dentro desse amor tão grande estavam contidas tanto a esperança quanto a ruptura, quando a luta quanto a rendição, sendo todas essas coisas um único fluxo de ambiguidade e ternura”.
Talvez um dos livros mais lindos que eu vá ler nessa vida. Fala sobre a velhice, a morte, o tempo, a maternidade, a solidão, o amor, a amizade, a ditadura no Brasil e a pandemia. Tudo de uma forma muito poética. O capítulo final me arrepiou inteira e me levou aos prantos.
Difícil encontrar palavras para um escrita tão delicada, tão maravilhosamente tecida, como a de Juliana Leite nesse livro. Viva a nova geração de autoras brasileiras!
O que posso contar sobre este livro, para o qual tive um forte apelo (e logo o comprei) é que tem uma capa linda (como se vê) e uma narrativa na terceira pessoa que, se autodenomina “velha” (também é centenária) com um peculiar humor (que, julgo sarcasmo) para contar a sua história e nos colocar na sua (pele) vida. Uma outra perspectiva da terceira idade. As várias camadas de que, um ser humano se vai construindo numa análise de fora para dentro e por isso, se apresenta como uma perspectiva externa, na terceira pessoa. Uma outra perspectiva da vida, numa escrita melodiosa, corrida e impactante.
Professores exemplares. A repressão militar. E escrito numa forma que, li alto para degustar as palavras e apreender o sentido das frases. Que maravilha!
esse livro é uma joia. não há outra forma de descrever o jeito inteligente e poético que a autora brinca com as palavras, que nos leva pra um dia a dia que já é nosso e nos aguarda, pra velhice desdenhada e incompreendida com uma leveza de copo meio cheio que me deixou sorrindo em quase todas as páginas. fala de amor, de maternidade, de família e solidão, de ditadura e pandemia, de muitas vidas vividas em uma só. lindo, lindo, lindo.
Really beautiful portrait of a life! The book follows a 100-year old woman who lived through Brazil’s 21-year dictatorship as she reflects on her life. It’s told through memories and is definitely a slower pace but tbh I think the slowness gave me a mini dopamine cleanse so there’s that
amei !!! toca em temas delicados com muita leveza e com um toque de bom humor, nos faz chorar, mas principalmente nos faz rir e ver tudo com mais naturalidade!
I adore this book. Perry’s translation of Leite’s prose is beautiful. It’s hard to capture simple moments without being corny, but Exemplary Humans really pulls us off. I can’t recall another book that made me smile so much. The characters and the prose are so charming that I was fully immersed in this 100-year-old woman’s uneventful life (and more eventful past). There are also some really interesting stylistic choices—such as the shifting perspective of the narrator—which add to the charm. It feels like an optimistic book, but not naively so. The characters live through the military dictatorship in Brazil, but it’s never hopeless. Maybe that’s because our narrator has already lived through it and knows it will end. Leite captures the way things change and what you thought could never be normal suddenly is. It’s nothing groundbreaking, but it’s a beautiful story that makes me feel alive. What more could anyone ask for?
muito feliz que decidi voltar a leitura depois da desistência! uma leitura ao mesmo tempo gostosa, bem-humorada, reflexiva e que dá uns apertos no coração. marquei muita coisa enquanto lia, várias passagens conversaram comigo para além da história...
e a sarah é uma das personagens mais cativantes que li ultimamente
Trata do envelhecimento sem condescendência ou piedade, despido de rótulos. Personagem principal encantadora, revisa sua vida e memórias íntimas que se misturam a um tempo histórico nacional de dor. A solidão, prazeres e lutos de uma vida. Indico sem titubear!
“She intends to remind the girl that the problem with living too much, with inhabiting the planet for longer than advisable, is that you witness a world that is being erased right in front of you, person by person, lover by lover, friend by friend, cat by cat. Luckily it leaves us with the company of trees.”
An unnamed virus leaves a woman confined to her apartment and reflecting on her full life. The writing is lyrical, poignant, and humorous. I really enjoyed this.