O estudo das instituições, consideradas como instâncias de poder, é uma das consequências mais notáveis do renovado interesse historiográfico pela história política. No entanto, a evolução político-institucional e o governo do Santo Ofício Português têm sido, até agora, questões pouco trata das, em comparação com a atenção prestada à actividade repressiva do tribunal. Duas linhas de análise percorrem, de maneira transversal, o presente livro. Por um lado, estuda-se o Tribunal da Fé como instituição, isto é, a sua evolução interna, o seu sistema de governo, a comunicação que estabeleceu com a coroa, os vínculos de colaboração e de conflito que manteve com as outras instituições e poderes e os projectos de reforma do tribunal planeados pela monarquia. Por outro lado, frente ao tradicional interesse pelas vítimas, devolve-se o protagonismo aos inquisidores gerais e deputados do Conselho Geral do período filipino, com o objectivo de conhecer as suas origens sociais e carreiras político-eclesiásticas, as suas relações familiares e clientelares e os seus vínculos com a monarquia. Por meio do estudo do Tribunal da Fé e dos homens que o governaram, desvelam-se, neste livro, os objectivos e as estratégias políticas do primeiro e dos segundos, os conflitos que tiveram de afrontar e a colaboração que estabeleceram com outras instituições e poderes da Monarquia Hispânica.
ANA ISABEL LÓPEZ-SALAZAR CODES nasceu em Ciudad Real, em 1981. É doutorada em História Moderna pela Universidade de Castilla-La Mancha (Espanha). Está actualmente vinculada ao CIDEHUS da Universidade de Évora como bolseira de pós-doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Em 2010 publicou o livro Inquisición portuguesa y Monarquía Hispánica en tiempos del perdón general de 1605. Seus trabalhos centram-se na estrutura institucional do Santo Ofício, na relação entre o Tribunal da Fé e a Coroa no tempo dos Áustrias e da Guerra da Restauração e nos inquisidores gerais e ministros do Santo Ofício nos séculos XVI e XVII. Actualmente desenvolve o projecto Cónegos do Santo Ofício. Os cabidos das sés e o tribunal da Inquisição no Portugal da época moderna (1536-1820).