Nas páginas de 'Matias na cidade', o diplomata brasileiro Alexandre Vidal Porto constrói a trajetória urbana de seu personagem-título, com todas as suas angústias e aflições, levando-o a um final surpreendente. Matias experimenta sensações intensamente humanas e cria uma identificação imediata com o leitor, que é conduzido numa jornada ora obscura, ora familiar. Em sua trajetória pela cidade de São Paulo, Matias alterna as impressões mais comezinhas com sensações de absoluto arrebatamento. Ao longo de quatro dias, sua jornada se transforma na busca de uma possibilidade concreta para fugir de seu quotidiano medíocre, o que se transforma na procura de uma redenção para sua vida.
Quatro dias vagando por São Paulo em perseguição a fim de compreender uma noite, onde nada se lembra, é o mote da obra. O protagonista bem sucedido ora tenta escapar do modelo de vida que tem, ora tenta mante-lo, apregoando ao futuro o que poderia fazer no presente, em uma espécie de círculo vicioso, onde constantemente foge e retorna. Com enfoque, portanto, em uma espécie de crise de meia idade, a obra parece inacabada, ou melhor: é uma grande ideia de fuga, apenas idealizada, onde nada ocorre, que poderia ser mais, mas não o é.
Apesar disso, ainda assim, eu gostei da leitura, pois consegui ser enganada do início até a página final, uma vez que acreditei até o fim que haveria explicações, que Matias se lembraria da noite passada, que tomaria alguma atitude com um final inesperado, de modo que a leitura fluiu (para o nada), mas eu ainda não sabia disso.
Sinto que é difícil falar sobre esse romance (ainda não posso dizer se gostei ou não), mas de certa forma ele fala sobre algo vivenciado por todos nós: a sensação de que poderíamos ser mais felizes do que somos, que outra vida seria possível, mas que em geral esse vislumbre nos aproxima mais da morte do que de uma nova vida. O que fica ao final é o estranhamento, o incômodo.
Escrita fácil e fluida. A história de Matias - de um Matias como tantos outros na cidade de São Paulo. a história de vida, de amor, de família, das fraquezas humanas.
Encontrei o livro numa livraria de São Paulo. A coincidência do nome ser o do meu primogénito. uma feliz coincidência.
Às vezes a vida tem destas coincidências. Como o livro nos conta.
As angústias de Matias são bem narradas a partir das relações com outras personagens do livro, mas falta um pouco de profundidade na escrita para melhor compreensão do protagonista. Às vezes, o clichê de uma crise existencial fica muito evidente.