Washington, costa noroeste dos Estados Unidos da América, final dos anos 80. Peter Melvin não tem pressa em tornar-se adulto. Porém, depois de completar 18 anos, a vida empurra-o para uma viagem interna que torna irremediável esse crescimento, essa busca de si mesmo. A música sempre lhe deu o aconchego não manifestado pela família. O ingresso na universidade, as novas amizades e a figura incontornável do tio sustentam o sonho musical, mas é o contacto inesperado com seres extradimensionais que enleva a necessidade de se ver representado no mundo dicotómico que observa. A resiliência, o desapego e o luto levam-no à descoberta da sua verdade, desafiando o leitor a refletir sobre si mesmo através dos olhos do protagonista.
Nascido em Unhais da Serra em 1989, vila na vertente sul da Serra da Estrela. Desde cedo, descobriu na escrita a sua mais autêntica forma de expressão. Formou-se em sociologia e, recentemente, em revisão de texto. Frequentou cursos de escrita criativa, toca guitarra, é amante de rock alternativo e adora estar em comunhão com os animais e a natureza. Não renega a importância da cidade, mas foge-lhe para se encontrar no silêncio consubstanciado de si mesmo. Eternamente aprendiz da arte de se manter em paz no meio do caos.
Esta é a história de Peter Melvin. Um miúdo de 18 anos a estudar em Tacoma no estado de Washington no final dos anos 80 e a sua "gritante necessidade de se cumprir a si mesmo."
Numa altura de revelações e perdas familiares, Peter sente que lhe falta um propósito. É entre os amigos que fez na universidade que se sente mais acolhido e é através da música, personagem de proa nesta história, que canaliza as suas dúvidas e inquietações.
Apesar da sua timidez e fragilidade, Peter não descansa, não se conforma e vive como se se tal fosse um acto de fé e assume a viagem pelo desconhecido. Nesse empreendimento, em sonhos e em períodos de perda de consciência, depara-se com algumas criaturas extra-dimensionais que se vão revelando metafóricas na procura de uma vida espiritualmente significativa. Por um lado, representam a criança interior sedenta de mundo e carregada de emoções, por outro a razão, os medos e angústias. Coração e cérebro.
Vamos com Peter ao mais longínquo do seu ser à procura de uma vida o mais sincera e inteira possível, que me fez vê-lo como um espelho e olhar para mim também, e lembrar-me o quão insignificante e ao mesmo tempo único é cada um de nós.
É um romance pouco linear que me obrigou a pôr-me nos sapatos das personagens e tentar compreender as suas escolhas e desconstruir conceitos como os de família e sucesso. Uma família disfuncional continua a ser uma família e o sucesso pode passar por sermos livres para o que efectivamente nos realiza fora da prisão materialista e da validação profissional como definidora do indivíduo.
É sobre ouvir as batidas no peito e usar o silêncio para lá chegar. "You showed me that silence / Can speak louder than words" (The Sound) são versos definidores desta busca. As referências musicais são perfeitas. A época em que se situa a história foi pródiga em bandas que não se encaixavam em nenhuma definição existente, eram desalinhadas, mas autênticas. Mais um paralelismo nesta história em que tudo encaixa.
Pus todo o meu cinismo de lado e bebi todas as palavras deste romance com o coração.
Através da sua escrita sublime e poética, o autor leva-nos numa viagem pela costa noroeste dos EUA, ao som do rock alternativo do final dos anos 80.
Seguimos o caminho de Peter Melvin, enquanto este mergulha numa longa viagem de introspecção e busca de significado, pautada pelos acordes da sua guitarra. A descoberta do mundo adulto mostra-se desafiante, para um jovem que sempre se sentiu desenquadrado e que procura o seu lugar, através do auto-conhecimento. Guiado pela sabedoria estóica e desapegada do seu tio Shannon, assim como por uma série de visões e contactos com seres fantásticos, é na música que Peter encontra o seu refúgio.
Um livro aprazível para qualquer fã de rock alternativo, numa autêntica busca pelo Nirvana, ao som dos Nirvana.