O tratamento de Gordon Clark ao assunto é uma joia rara. Enquanto outros recuam e são transigentes, cedendo ponto após ponto, ele enfrenta o desafio com conhecimento e precisão. Ele mantém a natureza de Deus constante e explica todas as outras coisas por meio dela. Esta é a única abordagem correta, e resulta numa resposta que não pode ser questionada. No processo, ele interage com vários teólogos filósofos, chega a definições apropriadas para termos cruciais, e responde as objeções. A exposição de forma geral tão excelente que torna quase todas as outras tentativas supérfluas.
Gordon Haddon Clark was an American philosopher and Calvinist theologian. He was a primary advocate for the idea of presuppositional apologetics and was chairman of the Philosophy Department at Butler University for 28 years. He was an expert in pre-Socratic and ancient philosophy and was noted for his rigor in defending propositional revelation against all forms of empiricism and rationalism, in arguing that all truth is propositional and in applying the laws of logic. His system of philosophy is sometimes called Scripturalism.
Em primeiro lugar, não é um livro que seja muito acessível ao público geral, já demanda uma certa maturidade geral, caso contrário, tem gente que vai surtar ao ler isso, pois vai ser apresentada à doutrina da soberania de Deus e da falta de sentido de se acreditar em livre-arbítrio como é senso comum na sociedade atual.
Somos influenciados demais pela ideia de "você é livre, você constrói o seu destino". Isso está nos filmes, livros, seriados, etc. Sempre está sendo apresentado que temos "escolhas que vão definir nosso destino".
Dito isso, Clark não está necessariamente errado em sua exposição, mas ele acaba sendo um tanto agressivo. Parece ser claro que ele tem uma revolta com a mentalidade de sua época - não que não haja o mesmo problema ainda hoje -, mas isso não é desculpa para chegar "com o pé na porta".
Vou dar minha visão de como penso no mal e, depois, vou tentar resumir a visão de Clark.
Eu acredito, de forma simplista, que o mal é a forma degenerada do bem. Se Deus é perfeitamente bom e moralmente reto, o que chamamos de mal é a rebeldia a Deus. O pecado é errar o alvo, é quando as vontades das criaturas são opostas à de Deus.
No caso, o verdadeiro "livre-arbítrio" seria algo pertencente a Adão e Eva, os primeiros pais. Eles escolheram o pecado, após a tentação, escolheram se rebelar contra o Justo, o Santo e o Bom. Após essa ação, maldições vieram sobre a Terra e sobre a humanidade.
Com isso, sabemos depois que todo ser humano passa a nascer pecador, vemos isso em Paulo, que mostra que o ser humano é escravo do pecado, a menos que seja liberto dele, o que é obra de Deus somente, ou seja, deixa de ser escravo do pecado e vira escravo de Deus.
Não há pressuposto de liberdade humana acima da vontade de Deus, em escala maior, diríamos que até mesmo em Adão, o livre-arbítrio não quer dizer uma atitude desconectada da soberania de Deus (porque Deus sabia que Adão e Eva pecariam).
Nesse ponto, Clark não está necessariamente errado em falar sobre determinismo e sobre a soberania de Deus. O problema é que a forma apresentada choca muita gente.
O exemplo chocante do pai de família que se embebeda e mata a esposa e filhos está dentro da soberania de Deus. Ao dizer que é vontade de Deus, Clark choca, mas depois explica a ideia de vontade. Pode nos soar que vontade seria algo como "Deus achou isso bom e quis assim". Não, não é isso, de forma alguma um ato imoral desses seria bem visto por Deus!
O que o autor está apresentando, é que isso está diante da soberania de Deus, que ocorreu e que Deus não foi impedido de evitar isso por causa da vontade do assassino, como se Deus fosse incapaz de ajudar aquela família.
Eis aí o cerne da questão! Para isso, prefiro ficar com os exemplos de Sayão e Heber Campos Jr., valendo-se do livro de Habacuque - embora até mesmo Clark tenha pincelado em cima de trechos assim -, que é entender que tudo possui um propósito, mesmo o sofrimento.
Se estamos dispostos a nos maravilhar com o Deus que, sem motivo algum, escolhe e salva muitos pecadores, tendo pagado altíssimo preço para isso, por que passamos a julgar esse Deus, como se fôssemos mais justos que Ele, quando lidamos com a maldade no mundo e com todo o sofrimento. Em que momento, o Deus que não precisaria salvar uma alma sequer, se torna obrigado a aniquilar o mal do cosmos?
Costumo "brincar" que eliminar o mal seria fácil: só pegar os demônios e os seres humanos todos e lançar na condenação eterna logo! Nós somos a causa do sofrimento e do mal e temos de parar de achar que Deus tem alguma obrigação em nos livrar da nossa perversidade.
Na verdade, quando aprendemos os conceitos de Graça Comum e Graça Salvadora, vemos que, ainda assim, Deus é tão generoso, que faz o "sol levantar sobre justos e injustos". A Graça Comum dEle faz com que ímpios não deem a vazão total ao pecado deles que seria a natural da maldade e carnalidade humanas.
Portanto, o estuprador, o assassino, o enganador, etc., todos são responsáveis por suas ações, não são ações que Deus levou eles a praticarem, são resultado da rebeldia contra Deus, todavia, cada ação está dentro da soberania de Deus e, Deus pode, até mesmo, valer-se dessas ações para glorificar a si mesmo, ainda que depois castigue os pecadores.
Isso fica claro com Faraó e em Habacuque. Em Êxodo, vemos claramente que Deus ordena, por Moisés, a libertação do povo, mas já dizia que não haveria essa libertação, até que Deus fosse completamente glorificado sobre Faraó e sobre o Egito e seus deuses falsos. Em Habacuque, o povo de Israel não recebe mais advertência, mas castigo é trazido, a Babilônia iria invadir, ainda assim, no século VI a.C., Deus julgou a Babilônia pela sua violência, ainda que tenha sido usada para castigar Israel, por vontade de Deus.
Os pecados de Faraó e da Babilônia são responsabilidades deles, bem como de todo ser humano, Deus é perfeitamente justo.
Eis sim um tipo de mistério entre soberania e justiça de Deus, mas ambas existem nas Escrituras, como o próprio Clark categoricamente ensina.
Por fim, para quem for maduro no geral, vai ser uma leitura que vai edificar, mas quem for de outra vertente teológica (ex.: arminiano, romano, etc.), vai sofrer e se escandalizar, a menos que seja honesto e acredite no Sola Scriptura (mais difícil para os irmãos romanos), pois aí vai entender o ponto principal do autor, ainda que ele seja meio bruto, hehe.
Não dou 5 estrelas, porque não curti essa forma bruta do autor, poderia ter tornado, pelo menos o livreto, que parece resumo de uma obra maior dele, em um livro mais acessível para o público geral; também não curti essa ousadia de bater o martelo no problema do mal, porque não se resolve assim tão facilmente algo que teólogos de várias épocas se debruçaram (e vão continuar) para estudar e responder; finalmente, não gostei de seu ataque ao uso do "mistério", como se fosse uma artimanha de teólogos frouxos e fracos!
Enquanto lia o livro, vi um artigo do John Piper no site "Voltemos ao Evangelho", exatamente sobre o problema do mal, como dúvida de um leitor. Ele respondeu dentro da linha do que vi também em Sayão, Campos Jr. e no próprio Clark, mas com muito mais cuidado pastoral e fazendo uso do "mistério" quando necessário, afinal, como poderia a mente humana, de fato, compreender totalmente essa complexidade de responsabilidade humana, sofrimento, mal e justiça de Deus? É complexo, não adianta querer bater o martelo.
Para os céticos, como Campos Jr. bem disse, a saber, ele aponta que se os céticos nos acusam de termos o "Problema do Mal", eles têm um problema maior que o nosso: o "Problema do Bem". Justamente o problema que fez C. S. Lewis acordar de seu juízo contra Deus. Se o universo é tão perverso, tendo um Deus tão bom, o "x" da questão não é a perversidade que julgo, mas como sou capaz de julgá-la? Se a moral cética é relativa (mera preferência pessoal ou acordo social), isto é, se materialisticamente não há Deus ou qualquer coisa espiritual, logo, por que temos a moral? Por que dizemos que há absolutamente coisas boas e coisas más? Se Deus não existe, se Ele não é perfeitamente bom e o padrão moral externo, então, não haveria motivos para eu ficar chocado com pedofilia, estupro, chacinas, etc. Porque nenhuma dessas coisas seriam absolutamente perversas, mas meras ações em um mundo de pura química, aleatoriedade, física, etc.
Sabemos que os céticos abraçam abertamente visões imorais: marxismo, darwinismo, etc. Em todas essas visões, não há nada absolutamente perverso, não em vão, em nome dessas visões, tivemos as maiores tragédias humanas (o darwinismo abriu portas para ideias eugenistas e muito do pensamento nazista e suas visões de raça e experiências científicas beberam dela; o marxismo foi responsável por teorias político-econômica-sociais terríveis, que desaguaram em regimes totalitários, como a URSS, a China de Mao, a Coreia do Norte, etc.). Em todos os resultados dessas visões ateístas e imorais, vimos o que há de pior no ser humano pecador.
Mas se eu julgo que existem ações absolutamente perversas e exijo justiça, então, devo pressupor que há um Juiz de toda humanidade, e que deveremos prestar contas a Alguém capaz de punir toda essa injustiça, em um tempo específico.
“Senhor, Senhor, Deus compassivo e misericordioso, paciente, cheio de amor e de fidelidade, que mantém o seu amor a milhares e perdoa a maldade, a rebelião e o pecado. Contudo, não deixa de punir o culpado; castiga os filhos e os netos pelo pecado de seus pais, até a terceira e a quarta gerações”. (Êxodo 34:6b-7, NVI)
This is one of the top three most influential books in my life. Clark presents a clear, logical, and Scriptural explanation of the so-called problem of evil. God's sovereignty and justice are upheld, while man's philosophy is defeated.
The problem of evil and God is an age old discussion. It seems that among a whole of issues, two in particular need to be addressed as they are foundational for the debate: what is evil, and it's nature; and the type of God which is espoused that makes evil compatible/incompatible with it. Clark's work, though it is short, is in my estimation one of the best discussion on this problem. If you are tired of the same old hashing of libertarian free will defense, I suggest this as a read. Clark is consciously tackling this issue from a Reformed perspective, and for that I commend him. The book provides some historical survey (as Clark often does in his work) and ultimately argues for a Ex Lex ("Outside the Law") position. His discussion on the nature of responsibility should be read with care, for he argues that responsibility is often assume to be based upon libertarian free will for it to be meaningful. This has problems. Instead, he argues that responsibility rests on God's sanction that it is so and not on free will. Before I spill the bean of his solution to the problem of evil, I recommend you read this...and now it's on audio books through the Trinity Foundation for those who are short on time and on the road alot!
A FAMED CALVINIST PHILOSOPHER/APOLOGIST ANSWERS "THE PROBLEM OF EVIL"
Gordon Haddon Clark (1902-1985) was an American philosopher and Calvinist theologian, who was chairman of the Philosophy Department at Butler University for 28 years. He wrote many books, such as 'A Christian View of Men and Things,' 'Thales to Dewey, An Introduction to Christian Philosophy,' 'Religion, Reason and Revelation,' 'God's Hammer: The Bible and Its Critics,' etc. [This booklet is actually chapter 5 of Clark's 'Religion, Reason and Revelation' book.]
Clark argues that "Free will was put forward to relieve God of responsibility for sin. But this it does not do... if God merely permits men to be engulfed in sin of their own free wills, the original objections ... are not thereby met. This is what the Arminian fails to notice." (Pg. 17-18) He adds, "free will is not only futile but false. Certainly, if the Bible is the Word of God, free will is false; for the Bible consistently denies free will." (Pg. 19)
He admits later, however, that "Some still hold that when the typhoid victim dies from lack of proper sanitation, it happened because it was 'to be.' There is a good deal of illogical comfort in such a view. But not many, even of the most rigorous of Calvinists, would now say that if a man gets drunk and shoots his family, it is the will of God that he should do so." (Pg. 34-35) He asserts that "Choice and necessity are therefore not incompatible... Choice then may be defined ... as a mental act that consciously initiates and determines a further action... A choice is still a deliberate volition even if it could not have been different." (Pg. 41)
He adds, "God is sovereign. Whatever he does is just, for this very reason: Because he does it. If he punishes a man, the man is justly punished; and hence the man is responsible." (Pg. 46) He states that God "cannot be responsible for the plain reason that there is no power superior to him; no greater being can hold him accountable... The sinner, therefore, and not God, is responsible; the sinner alone is the author of sin." (Pg. 54-55)
While many Christians will disagree with Clark's opinions and reasoning, this book is a very clear statement of his views.
A short treatise concerning Sovereignty, evil, the error of "free will," and yet the reality of individual will, not unaffected by external circumstances, but always willing and never coerced.
This was written over a century ago by a scholar; considering that, it is not too hard to read, but there are a few sentences I had to stumble over a couple of times to grasp. Overall the most important points are clear and well put, recommended.
Not a comprehensive theodicy because it doesn’t have to be. The logic from scripture combined with the logic from church history and philosophy aren’t complicated and lead to only one option which Clark espouses.
His solution is simple but I wish he would have discussed how it seems to undermine knowledge of God in some sense. Anyway, solid book.
Excelente obra, consegue comprovar o determinismo cristão (e reformado) de uma forma bíblica, histórica e até lógica. Clark sempre destruindo qualquer ideia que tente fugir das Escrituras e do estudo lógico, ele é um Olavo de Carvalho reformado e protestante
I had read the many positive reviews of this book and was delighted when I had the opportunity to finally read it. Perhaps it is due to the fact that I have not studied Free Will thoroughly, but I was left more confused and desiring more answers. It is not that this book does not answer the age old question, but that I was searching for a more detailed answer. This book will be difficult for those, who like myself, had an misinformed idea of this aspect of Gods' character. It is our nature to try and "fit" God into what how we personally view Him, rather than accepting His characteristics as presented in scripture. This book challenged my ideas, but unfortunately left me searching for more answers.
"We can consistently believe in creation, omnipotence, omniscience, and the divine decree. But we cannot retain sanity and combine any one of these with free will." - pg.26
Presents the key understanding that responsibility is based on knowledge, not ability, reconciling God's sovereignty in punishing the unregenerate who cannot believe.