" O primeiro livro que Mia Couto publicou - Raiz de Orvalho , 1986 - era (é) um livro de poesia. Depois disso publicou 21 livrosem prosa em vários géneros - romance, conto, crónica, ensaio - sem nunca sair da poesia , que é onde se sente bem . Em 2007 voltou à poesia propriamente dita com Idades, Cidades, Divindades, e agora volta lá de novo com este Tradutor de Chuvas . Livro que temmuito de autobiográfico, permite aos leitores mais atentos de Mia Couto descobrir as pontes da sua extraordinária obra literária . "
Journalist and a biologist, his works in Portuguese have been published in more than 22 countries and have been widely translated. Couto was born António Emílio Leite Couto. He won the 2014 Neustadt International Prize for Literature and the 2013 Camões Prize for Literature, one of the most prestigious international awards honoring the work of Portuguese language writers (created in 1989 by Portugal and Brazil).
An international jury at the Zimbabwe International Book Fair called his first novel, Terra Sonâmbula (Sleepwalking Land), "one of the best 12 African books of the 20th century."
In April 2007, he became the first African author to win the prestigious Latin Union Award of Romanic Languages, which has been awarded annually in Italy since 1990.
Stylistically, his writing is heavily influenced by magical realism, a style popular in modern Latin American literature, and his use of language is inventive and reminiscent of Guimarães Rosa.
Português) Filho de portugueses que emigraram para Moçambique nos meados do século XX, Mia nasceu e foi escolarizado na Beira. Com catorze anos de idade, teve alguns poemas publicados no jornal Notícias da Beira e três anos depois, em 1971, mudou-se para a cidade capital de Lourenço Marques (agora Maputo). Iniciou os estudos universitários em medicina, mas abandonou esta área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Trabalhou na Tribuna até à destruição das suas instalações em Setembro de 1975, por colonos que se opunham à independência. Foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e formou ligações de correspondentes entre as províncias moçambicanas durante o tempo da guerra de libertação. A seguir trabalhou como diretor da revista Tempo até 1981 e continuou a carreira no jornal Notícias até 1985. Em 1983 publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho, que inclui poemas contra a propaganda marxista militante. Dois anos depois demitiu-se da posição de diretor para continuar os estudos universitários na área de biologia.
Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué.
Na sua carreira, foi também acumulando distinções, como os prémios Vergílio Ferreira (1999, pelo conjunto da obra), Mário António/Fundação Gulbenkian (2001), União Latina de Literaturas Românicas (2007) ou Eduardo Lourenço (2012). Ganhou em 2013 o Prémio Camões, o mais importante prémio para autores de língua portuguesa.
"abres-me, saudade e o tempo se descalça para atravessar incandescentes brasas. e quando, de novo, me encerras, volto a dormir como dormem os rios em véspera de serem água. a saudade é o que ficou do que nunca fomos."
Livros bonitos que se lêem num ápice. Mia Couto tem um dom fora de série com as palavras. Brinca com elas com muita mestria e traz ao de cima a sua beleza. Esta coletânea de poemas não é só um tradutor de chuvas, mas também um dicionário da pulcritude da vida ❤️
Tradutor de Chuvas foi o meu primeiro encontro com Mia Couto, como também o primeiro livro de poemas que li do início ao fim. Sempre excluí a poesia das minhas leituras por ser um género literário com o qual nunca me consegui identificar totalmente, talvez exactamente por nunca a ter explorado como devia. Embora esteja certa de que a prosa será sempre o estilo que me é mais querido, sinto que preciso de alargar um pouco os meus horizontes, pelo que decidi dar uma oportunidade à poesia com este pequeno livro de Mia Couto, que me despertou logo a curiosidade pelo título e beleza da capa.
Só posso dizer que gostei mais do que estava à espera. Tradutor de Chuvas trata-se de um conjunto de pequenos poemas autobiográficos, a sua maioria numa linguagem e formato fácil de acompanhar, e que marcam pela simplicidade dos temas que abordam. A infância e a família, o amor e a mágoa, a perda e a ausência, a devoção à palavra criam o clima nostálgico que percorre todas as páginas deste livro. Senti sobretudo uma grande genuinidade, intimidade e de alguma forma uma sensação de quotidiano na poesia de Mia Couto, e foi isso que me conquistou acima de tudo. Não consegui compreender ou identificar-me com todos os poemas, por outro lado encontrei aqui excertos que me partiram o coração. Destaco o Testamento da Mulher Suspensa, Os que Esperam e O Brinde.
“Apenas no silêncio o amor se diz e escuta.”
No geral, Tradutor de Chuvas foi uma boa experiência para me iniciar no universo da poesia e espero em breve encontrar um outro livro que me deixe versos a ressoar no peito durante tanto tempo como este o fez e continuará a fazer. 4 estrelas deste coração aquecido por Mia.
"A trisreza mais triste é a dos que nem sabem que choram."
Há tempos tenho a cópia desse livro no meu tablet aguardando para ser lido, e confesso que achei encantador, e ao mesmo tempo muito confuso, pois os poemas de Mia Couto não são nada literais, mas é possível ver resquícios da Biologia nas entrelinhas de suas poesias, transformando a ciência em chuva, e traduzindo o seu interior em chuvas de versos encantadores, complexos e reflexivos.
Para celebrar o Dia Mundial da Poesia deste ano - a 22 de março - eu, a Juliana e a Mafalda fomos visitar a o evento do CCB, que contava com um plano recheado para amantes de Poesia e, claro, bancadas de livros à venda. Justificando-me numa tradição não existente, não pude deixar de trazer um para mim – O Tradutor de Chuvas, de Mia Couto – tanto pela curiosidade no autor, como pela curiosidade que a metáfora do título deixou.
(De referir que este livro foi – se não na totalidade, na sua maioria – lido em dois aviões de ida e volta de Barcelona; fica a foto como associação.)
Não fiquei a maior fã desta obra de Mia Couto. Comparativamente ao género de escrita que mais me chama na Poesia, é um autor que – para mim – acaba por escolher uma abordagem mais direta, menos metafórica, temas mais redundantes ao longo da leitura. Sempre foi difícil para mim caracterizar Poesia, exatamente por ser mega apologista da subjetividade do autor/leitor. Neste caso, termino o meu apontamento com as citações que vos deixo na publicação (e que mereceram lugar de destaque nas páginas).
e num mar de possibilidades que o mundo me apresenta, eis que cai no meu colo esse livro belíssimo para iniciar um ano que ainda não sei o que vai ser. obrigado universo!
Um vive de morte emboscada, outro se amarra em cais de partida.
O homem faz amor para se sentir bem.
A mulher faz amor quando se sente bem.
Uns falam. Outros apenas fogem do silêncio.
Uns amam. Outros de si mesmos escapam."
Tradutor de Chuvas foi o meu primeiro encontro com Mia Couto, e só posso dizer que gostei mais do que estava esperando. Tradutor de Chuvas trata-se de um conjunto de pequenos poemas auto biográficos, a sua maioria numa linguagem e formato fácil de acompanhar, e que marcam pela simplicidade dos temas que abordam. A infância e a família, o amor e a mágoa, a perda e a ausência, a devoção à palavra criam o clima nostálgico que percorre todas as páginas deste livro. Senti sobretudo uma grande genialidade, intimidade e alguma forma uma sensação de quotidiano na poesia de Mia Couto, e foi isso que me conquistou acima de tudo. Não consegui compreender ou identificar-me com todos os poemas, MAS por outro lado encontrei aqui excertos que me partiram o coração. ⭐⭐⭐⭐ 4.5
Não sabia que era um livro de poesia antes de o começar a ler, mas foi uma surpresa positiva. No entanto, a qualidade dos poemas deixa um pouco a desejar, na minha opinião - pelo menos na sua grande maioria, embora aqui e ali apareçam laivos de genialidade. Não há muito mais a dizer, sendo um livro curto. Eu sofro do síndrome de comparar todos os poetas portugueses (e não só) a Fernando Pessoa, mas ainda assim não me parece que estes poemas me habitem a memória durante muito tempo.
Quotes:
"A tristeza mais triste / é dos que nem sabem que choram." "A minha tristeza / não é a do lavrador sem terra. / A minha tristeza / é a do astrónomo cego." "Eu tive um país pequeno, / tão pequeno / que não cabia no mundo."
O poeta Mia Couto se supera em cada palavra que cantam e encantam nos dizendo de uma vida para além desta que vivemos. Passear por esses versos boa-nova a um mundo onde a vida está além do que nós, simples mortais, podemos ter acesso.
Eu já conhecia a prosa de Mia Couto, já poesia. E a sua poesia não decepciona - pelo contrário, nos leva a viagens para dentro de nós mesmos e para mundos fantásticos.
Es poesía y yo no soy mucho de libros de poesías, pero de la forma como juega Couto con las palabras, como contrapone sentidos y sentimientos, hace vibrar el alma y el corazón.