A censura, ao proteger uma minoria, protege também a maioria. Vou tentar explicar-me melhor: mesmo que os brócolos sejam apenas um legume entre todos os legumes, é do nosso interesse geral proteger os brócolos, porque, se deixarmos que eles sejam atacados, isso quer dizer que depois as saladas, as beringelas e todos os outros legumes poderão, por sua vez, ser ameaçados. Numa democracia, quando protegemos os outros, estamos a proteger-nos a nós mesmos.
Quando uma escola especial sofre uma inundação e fica interdita, a turma de crianças vai ocupar uma sala na escola normal, no edifício em frente. Os miúdos especiais tentam descobrir quem causou a inundação, pois o chefe dos bombeiros disse-lhes que não foi acidental. Enquanto investigam, vão vivendo momentos caricatos e situações esdrúxulas. Desde a inundação até à catastrófica visita ao zoo. Pelo meio, ainda dão uma lição de democracia, um pouco forte, mas eficaz, aos pais (que conseguem ser piores do que a canalha), deles e dos outros alunos da escola normal.
Narrada por uma menina muito esperta e perspicaz, a Joséphine, foi uma leitura divertida e que agradará tanto a miúdos como a graúdos. Também gostei deste registo do autor, diferente dos livros vira-páginas anteriores, mas muito agradável.