A Princesa Carlota Joaquina não era uma mulher bela nem sequer delicada, mas o que lhe faltava em graciosidade tinha de sobra em ambição, inteligência e firmeza. Entre o abandono de um marido fraco e beato e o desprezo por uma sogra louca, Carlota Joaquina procurou sempre satisfazer, sem olhar a meios, os seus anseios pessoais, as suas aspirações políticas e os seus apetites sexuais…
Com uma escrita elegante e o inconfundível estilo satírico a que já nos habituou com os seus bestsellers Rosa Brava e Aos Olhos de Deus, José Manuel Saraiva relata-nos agora, de forma notável, como terá decorrido essa extraordinária aventura que foi a viagem marítima da Corte Real para o Brasil, naquele ano de 1808…
José Manuel Saraiva nasceu na aldeia de Santo António d'Alva, em 1946. Foi jornalista, tendo pertencido aos quadros de O Diário, Diário de Lisboa, Grande Reportagem e Expresso. É autor de dois comentários sobre a Guerra Colonial, produzidos pela SIC, um dos quais foi transmitido pelo canal Arte em França e na Alemanha. É sua igualmente a história que deu origem ao telefilme A Noiva, de Luis Galvão Teles. Em 2001, publica a sua primeira obra, As Lágrimas de Aquiles. Seguiram-se os romances Rosa Brava (2005) e Aos Olhos de Deus (2008), que o consagraram como um dos mais populares autores portugueses.
O processo de transferência da Corte Real para o Brasil, em 1808, foi um dos acontecimentos mais extraordinários da História de Portugal. São sobejamente conhecidas as razões dessa mudança; contudo, no tocante à viagem propriamente dita os pormenores são escassos e contraditórios.
Aproveitando essas lacunas José Manuel Saraiva ficciona uma longa carta de D. Carlota Joaquina, o pecado espanhol,como alguém lhe chamou, para a sua Mãe sobre os pormenores dramáticos, dolorosos, brutais e caricatos daquela travessia.
É sabido que o autor gosta de personagens femininas; e haverá alguém melhor que D. Carlota Joaquina com as suas características de personalidade -inteligente, ambiciosa, ninfomaníaca, mentirosa, perversa, polémica - para escrever?
A sátira e o humor num livro que me interessou e divertiu.
Excertos:
«Os passageiros não paravam de gemer. Ninguém estava quieto e todos se coçavam. Eu mesma cheguei a esconder-me atrás do reposteiro que me tapava a cama para esfregar o cabelo com a força das unhas afiadas.»
«Cheguei mesmo a pensar no que seria pior: se a minha nau perdida no alto mar, se um conjunto de ilustres nobres sumidos entre uma chusma de gente rude.»
«Et voilà! Estoy llegando al final desta larga carta.»
«Com todo o amor do meu pobre coração, minha adorada mãe, Vos saúdo e beijo, terna e demoradamente D.Carlota Joaquina Teresa Caetana de Bourbon e Bourbon Princesa do Brasil e futura Rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves»
E os dotes linguísticos de D. Carlota:
«Enquanto eles diziam – só entre eles – "está um frio fodido", ela proclamava: "O tempo está many cold"; ou, quando eles berravam "o mar está bravo como a puta que o pariu", ela proferia "The sea is strong como a voz do Diabo."
Nesta obra acompanhamos uma carta ficcionada na qual a (na altura) Princesa Carlota Joaquina escreve à sua mãe, narrando os acontecimentos da viagem da Corte para o Brasil por ocasião das Invasões Francesas a Portugal. Uma visão dos acontecimentos por uma mulher que os manipulava para dar a imagem de princesa pia e honrada. Na carta são várias as vezes em que mente ou "deturpa os factos" naquilo que conta à mãe, sendo contrariada pelas palavras do próprio autor no texto seguinte. Interessante, mas faltou qualquer coisa para cativar.
A ultima carta de Carloto Joaquina de José Manuel Saraiva
É um livro pequenino (120 páginas) com um relato fictício sobre a deslocação da corte portuguesas para o Brasil aquando das invasões francesas.
É contado a dois narradores distintos, um Carlota que é a típica princesa ambiciosas e que pensa que consegue tudo o que quer e ainda por cima se acha a epíteto da pureza na terra. O outro é um narrador desconhecido que vai desmontando a pureza que Carlota diz que possui.
📌Muito rápido de ler dentro do género é uma leitura interessante 📌
Este livro contradiz um pouco aquilo que se pensa de Carlota Joaquina. Não era a pessoa maléfica que se julga, mas sim uma solitária, desprezada pelo marido e pela sogra e que exercia o seu poder sobre os mais fracos numa tentativa de atenuar a humilhação.
Este é um livro monótono e um pouco desgastante, valeu o facto de ter poucas paginas.
Conforme já nos foi habituando o autor faz um retrato da época e um exercício criativo da forma de pensar de Carlota Joaquina. Uma perspectiva interessante mas na minha opinião um pouco aquém na profundidade se compararmos com o seu outro romance histórico de referência "Rosa Brava" sobre Dona Leonor Teles.
Um romance histórico que vale muito a pena ler. Se gostam de histórias que fogem do convencional e que trazem personagens reais, com defeitos e virtudes, este livro é uma ótima escolha. A Carlota Joaquina pode não ter sido amada pelo povo, mas, depois de ler isto, passei a admirar a sua garra e a sua luta. Recomendo!