E se as tragédias gregas ocorressem no interior do Brasil? Em Ozymandias, forças ancestrais, cruéis e implacáveis selam a sorte dos habitantes da pequena e esquecida Ateninhas. À medida que a intrincada trama do romance vai se descortinando, somos apresentados a dezenas de personagens – uma jovem mulher que tenta fugir de sua realidade miserável e acaba, sem saber, indo ao encontro de uma verdade trágica; uma imigrante italiana dividida ente o marido e o amante; uma parteira, refém de um segredo, que vive para se vingar; uma família poderosa que há gerações manda e desmanda na população.
Em sua estreia na ficção, o advogado e professor José Roberto de Castro Neves, autor e organizador de diversas obras sobre direito, história e literatura, apresenta um caleidoscópio fascinante, entrelaçando referências literárias, mitologias grega e iorubá, mitos brasileiros e momentos centrais da construção do país, como a colonização, a escravidão e a imigração. Em todas as tramas, o leitor é sempre confrontado pela mesma questã afinal, quem está no comando? Nós ou o destino?
Primeiro livro de ficção do José Roberto de Castro Neves, que foi recém-eleito para a Academia Brasileira de Letras, Ozymandias é uma delícia de leitura. Este título inusitado, que é o nome da personagem principal que amarra as histórias de vários outros personagens, vem de um poema inglês sobre a passagem do tempo e a transitoriedade do poder. Estes são temas marcantes nesta leitura, mas ela é acima de tudo original, instigante e divertida – e, como diz o autor, também uma história política, uma máquina do tempo e uma forma do leitor conversar consigo mesmo. Daqueles livros que a gente pega e não quer largar, que a cada página fica com mais vontade de saber como aquela narrativa vai terminar. Os personagens são ótimos, com destaque para o Metinques, que logo no começo se diz o corifeu, ou seja, aquele que conduz o coro nas tragédias gregas. E este é o maior encanto deste livro: uma tragédia grega que também é brasileira, que também tem origem africana, que também bebe nas fontes de grandes escritores. Eu pesquei algumas referências e imagino que seja muito divertido para grandes leitores de clássicos enxergarem elementos de seus livros preferidos. Outra coisa interessante é tentar situar o local e o tempo das narrativas, por referências à geografia brasileira e a acontecimentos da História, já que o livro não menciona nomes de lugares e nem faz referência a anos. O livro propositadamente também não tem páginas - é uma narrativa contínua, ora mais rápida, ora mais lenta. Uma canção escrita, muito rica e brasileira. Adorei e recomendo muito!
Que José Roberto de Castro Neves é um excelente jurista e advogado todos nós já sabíamos. Mas que ele também é um romancista de mão cheia, dono de uma prosa fluida e uma narrativa envolvente, apenas descobrimos quando lemos “Ozymandias” (Editora Intrínseca, 2025), seu primeiro livro de ficção. A história gira em torno da cidade de Ateninhas, palco de uma sucessão de acontecimentos assombrosos e não menos familiares, onde uma mulher nua é encontrada desacordada após estrangular uma onça. Ao longo dos capítulos somos levados a conhecer a história de um povoado e da família que manda no local, num relato que mistura tragédias gregas, realismo fantástico e o melhor da literatura nacional. A obra inicia perguntando “quem está aqui?”, como em Hamlet. Não é por acaso. José Roberto de Castro Neves é um dos maiores especialistas de Shakespeare do Brasil. Bem por isso, o livro é todo recheado de referências a outras obras, o que torna a leitura divertida e interessante quando nos deparamos com uma citação, uma paráfrase ou alguém referência escondida, seja ao Bardo inglês, seja a outros autores. Uma leitura é mais do que recomendada.
A premissa de uma tragédia grega ambientada no interior do Brasil, por si só, já é interessantíssima. Combinada a prosa surpreendentemente fluida do autor e elementos familiares que lembram autores brasileiros como Érico Veríssimo e Graciliano Ramos tornam a experiência ainda mais agradável. O sarcasmo de alguns personagens torna o peso dos fatos relatados um poucos mais leve. O conjunto da obra no geral é muito positivo, quase como se Gabriel Garcia Marques e Sófocles tivessem tido um filho brasileiro. Como dito na própria sinopse o livro pinta quadros da vida dos personagens e por fim apresenta uma história completa, o fio condutor é evidente, porém senti falta de maior aprofundamento em um pano de fundo tão bem construído como Ateninhas. Claro que as desventuras são esperadas e já nas primeiras paginas fica evidente que não tem como essa história ser feliz, mas me incomoda o quanto o autor é direto em certos assuntos, talvez adentrando um pouco mais nas historias e tornando o texto mais denso a experiência seria mais interessante ainda. Contudo o livro ainda é muito interessante, fiquei tão presa a ele que terminei em dois dias, recomendo muito.
descobri esse livro casualmente numa ida a livraria da travessa em maio, me interessei na sinopse, soube que tinha acabado de ser lançado, mas acabei não levando de primeira. só quase um mês depois comprei e, depois de mais outro mês, peguei pra ler e praticamente engoli o livro em 2 dias. achei uma leitura muito fluida e que te prende demais pra saber o que vem em seguida. acho que me faltaram algumas das referências de mitologia grega e iorubá, além de outras obras literárias pra talvez fazer algumas das conexões que o autor fez com essas histórias (e que pelas outras reviews aqui, estavam presentes no livro), mas o que eu não pude deixar de notar é que, sem dúvidas, josé roberto bebeu da fonte de cem anos de solidão como inspiração pra escrita e até mesmo pra estrutura dos capítulos. isso pra mim trouxe o livro pra um lugar ainda mais próximo e deixou tudo ainda mais interessante. gostei muito e tô pronta pra recomendar pra todo mundo!!!
Não era nada do que eu imaginava e me surpreendeu demais!
A história é um grande drama geracional repleto de fofoca e ironias do destino, acasos e descasos da vida, tragédias, tristezas e poucas alegrias!
Eu tinha uma ideia completamente diferente de como seria esse livro, e confesso que de início quando vi que não seria o que eu tinha imaginado fiquei frustrada, mas logo nas primeiras páginas ele já foi me prendendo absurdamente!
Como os capítulos são curtos, quando eu pegava pra ler eu engolia 40, 50 páginas por vez, fiquei 100% investida na história
Admito que achava que, mesmo não sendo como eu o inventei na minha mente, a escrita ia me impactar mais! As frases que pareciam ser o destaques não mexeram tanto comigo
Agora sigo em busca da história que de fato eu esperava, torcendo para que alguém tenha escrito o que visualizei na minha mente! E mesmo assim, super indico esse para amantes de histórias envolventes e cheias de reviravolta
Achei divertido e gostoso de ler, um entretenimento maneiro e bem contada. Mas não é nada muito profundo ou muito elaborado (apesar de bem amarradinho), mas acho que não é nem a proposta do livro.. Confesso que falta repertório da minha parte por não conhecer muito das histórias gregas mas no geral gostei bastante!
Como boa fã de Percy Jackson comecei esse livro achando que veria a Medusa no meio do sertão pernambucano mas me deparei com uma história meio o Auto da Compadecia no melhor dos jeitos
O poder e a glória, que hoje parecem eternos, são, na verdade, transitórios. O tempo, implacável, apaga impérios, nomes e conquistas. Resta à memória o desafio de sustentar o peso do tempo — até que tudo se torne apenas uma vaga lembrança.