Este primeiro volume, de um total de dois, recompila os três primeiros tomos da série: O Quiosque da Utopia, Museu Nacional do Acessório e do Irrelevante e As Ruínas de Babel. A obra mais premiada da BD portuguesa, oferece uma visão de conjunto de uma cidade sem nome, uma mistura da Praga de Kafka, a Nova Iorque de Ben Katchor e a Buenos Aires de Borges.
Uma desastrada e inepta banda de músicos, de intenções vagamente jazzísticas e resultados puramente caóticos, ensaia regularmente na cave de uma alfaiataria. Os seus membros são Sebastian Zorn (saxofone tenor), Idálio Alzheimer (piano), Ignacio Kagel (contrabaixo) e Anatole Kopek (bateria). Apesar de ensaiarem há três décadas, nunca conseguiram actuar ao vivo.
As aventuras destes músicos desprovidos de talento servem ao autor de pretexto para nos introduzir num mundo repleto de personagens entregues a ocupações improváveis e preocupações inverosímeis, formando um puzzle repleto de humor e melancolia que põe em evidência a notável capacidade de José Carlos Fernandes para retratar o quotidiano.
José Carlos Fernandes was born in 1964 at Loulé, Southern Portugal. He has no artistic training (he has a degree in environmental engineering, which is not of great help in this area) and started drawing when he was already 25. Before that his memories are kind of fuzzy, the fragments of his pre-comics life including things as weird as teaching botanics at the university and being a researcher in estuarine heavy metal contamination. The heavy metal studies weren't a complete waste of time, since he later applied some of the knowledge in his 6 or 7 years as a drummer in obscure garage bands. Except for some rip-offs from Ray Bradbury and Gabriel García Márquez, in the beginning of his career, and two collaborations with the scriptwriters João Miguel Lameiras and João Ramalho Santos, the stories of his comics come out of his twisted mind (prolonged exposure to toxic metals may be responsible for this). The series A Pior Banda do Mundo (The Worst Band in the World), with six volumes issued until now, is his best known work and is translated in French, Spanish, Polish and Basque. Some Portuguese would like to have it translated in Portuguese, because they complain that the author resorts systematically to antediluvian vocabulary, intricate syntax, and a Gongoresque tone. The series Black Box Stories and Terra Incognita and O que está escrito nas estrelas (What is written in the stars) combine the texts of JCF with the artwork of Luís Henriques, Roberto Gomes and Manuel García Iglesias. JCF wrote more than one hundred stories for Black Box Stories and Terra Incognita, therefore the artists will be busy during the next decades.
A pior banda do mundo é um conjunto de pequenas estória de 2 páginas cada. São fragmentos de um quotidiano de vida urbana muitas vezes bizarro que o autor teve a genialidade de passar para texto e desenho. Sempre muito acutilante vamos acompanhado as várias personagens sendo que muitas delas pertencem a uma banda de música que ensaia há 30 anos e nunca deu um concerto. As situações são várias desde cómicas, sensíveis e muito bizarras mas sempre deixando espaço à reflexão sobre os comportamentos do próprio leitor. Recomendo.
Demorei tanto a pensar como escrever este comentário. O livro é tão esquisito que não é fácil dar um resumo apropriado. A minha expectativa era uma narrativa simples com começo, meio e fim, e um elenco de personagens que fazem parte duma banda. E até certo ponto, é isso mesmo: há uma banda, um gajo que toca bateria, um outro que toca guitarra, pois claro... mas os membros vivem num mundo muito esquisito. Andam nos seus próprios percursos num cidade insólito cheia de pessoas estranhas e cenas surreais. Longe de ser uma narrativa linear, cada página tem o seu próprio retrato duma situação ou uma pessoa, muitas das quais pode dar conteúdo por um livro inteiro. Às vezes é mesmo engraçado, às vezes filosófico, mas nunca torna-se previsível.
Para resumir, amei, mas posso imaginar que não é do gosto de toda a gente!
Excelente esta novela gráfica da autoria de José Carlos Fernandes: na qualidade do desenho e do texto, mas principalmente na coerência, na densidade e na sofisticação do universo criado. Tudo faz sentido, do nome das personagens ou das ruas e das instituições, aos temas e às situações de cada uma das pequenas histórias em que cada livro (e são os primeiros três da série, neste volume 1). Uma mistura única e muito eficaz de erudição cultural, de cultura do absurdo e de comentário às nossas doenças civilizacionais. Fiquei com ideia, pelo menos a contar aqui com o goodreads, que JCF e A Pior Banda do Mundo é mais conhecida e lida no estrangeiro do que em Portugal. Se assim for, é de facto uma pena imensa, isto é absolutamente fabuloso.
Personatges de Kafka i Borges plantegen situacions filosòfiques. Què és la realitat? És possible comprendre alguna cosa? El mercat i la banalització de la cultura. M´ha agradat molt Kaspar Grotz, 3l profeta que predica en el desert, tot encorbatat. - "En el imperio de la velocidad y el fresnesí, cualquier parada no es señal de reflexión o vida interior, sino de avería. Muchas gracias - ¿Pero de qué habla?"
Melancolía y saudade a raudales en este retrato de una banda de jazz extremadamente ineficaz (cuando tocan juntos, cada miembro toca una canción diferente al resto), pero que va más allá y en realidad es la disección de una ciudad en la que todos sus habitantes están entregados a profesiones extintas, absurdas e inútiles. La burocracia sin límites, los excesos de la tendencia humana a la clasificación, los giros irónicos del destino, las vidas privadas de significado por prestar demasiada atención a sus miedos o a sus ocupaciones... Hay muchos tesoros escondidos en estas páginas de José Carlos Fernandes.
This work is definitely, one of the masterpieces of "Banda-Desenhada" (i.e. Portuguese Graphic Novels). José Carlos Fernandos creates here one of the most interesting fictitious towns and characters I've ever come across in literature. Go read it!
I'm in awe that such a book exists, I really am. I loved every aspect of it: the visual style, the multiple references, the song book, the cultured word play and Easter eggs. But most of all I loved the extremely ingenious and thought provoking little vignettes. It's such a melancholy and wise reflexion on life and its absurdity. It's like if Italo Calvino, Milorad Pavic and Jorge Luis Borges had decided to come together and write a graphic novel-but at the same time it feels completely unique and original. By far the revelation of 2021!
Cuando crees que las cosas no pueden ir más lejos el autor se saca de la manga otro concepto que es capaz de arrancarte una risa y volarte la cabeza, a la vez. Imprescindible.