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Ilha de Metarica: Memórias da Guerra Colonial

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As memórias francas, por vezes imensamente divertidas, por vezes brutalmente chocantes, do percurso militar de um capitão miliciano do Exército Português, enviado para a Guerra Colonial na Guiné e em Moçambique, onde se cruzou com Spínola, Kaúlza de Arriaga e outros homens e mulheres que o marcaram para o resto da sua vida.

João Carlos Roque foi o primeiro militar português que teve a coragem de quebrar o tabu da homossexualidade na guerra colonial portuguesa, contando neste livro, na primeira pessoa, as suas memórias e as suas experiências desse período marcante.

"Tive tempo, muito tempo mesmo, enquanto estive em África, principalmente na Ilha de Metarica, durante as horas mortas no aquartelamento, ou nas operações de dias e dias pela mata, para pensar na minha vida e nos meus problemas, e cheguei à conclusão que era necessário relativizá-los, por muito grandes que eles me parecessem, perante a gravidade de certas situações com que me deparei na guerra. Não quis definir metas para a minha vida para quando regressasse a Portugal, mas tinha a certeza de que voltaria um “homem” novo e em variados aspetos – humano, social, político e principalmente sexual - foi ali, em África, que cheguei finalmente à conclusão de que, apesar da minha orientação sexual não ser a mais comum, eu era um homem normal. "

72 pages, Kindle Edition

First published July 13, 2014

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About the author

João Carlos Roque

2 books4 followers
João Carlos Roque nasceu na Covilhã, em 1946. Fez o curso dos liceus na Covilhã e em Castelo Branco, e estudou Economia no ISCEF, em Lisboa. Foi incorporado no Exército em 1971, tendo feito comissão de serviço na Guiné e em Moçambique durante a Guerra do Ultramar. Passou à disponibilidade em 1975. Foi docente em Serpa, Covilhã e Mafra, diretor comercial e gerente de uma empresa têxtil, e colaborador do jornal Semanário e do Círculo de Leitores. Escreve regularmente no seu blogue whynotnow, sendo Ilha de Metarica: Memórias da Guerra Colonial o primeiro livro que publica.

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Profile Image for Gregorio Maligno.
68 reviews1 follower
February 22, 2020
Livro autobiográfico de um lisboeta que é enviado à guerra do ultramar, mais precisamente a Moçambique. É bastante interessante, e mesmo sendo sobre a guerra é bastante leve e fácil de ler. Tenho pena de não ser uma obra mais literária e uma pouca mais extensa, pois há determinados momentos que podiam estar mais detalhados.
Claramente recomendável.
Profile Image for Miguel.
Author 8 books40 followers
December 22, 2015
Um livro extraordinário (muito maior do que a brevidade das suas páginas) que é simultaneamente uma memória muito pessoal do que foi, como para milhares de jovens, fazer o serviço militar no tempo da guerra colonial, com passagem por dois dos seus teatros de operações (Guiné e Norte de Moçambique); e uma riquíssima lição da História de Portugal, e de como ela passou por um aquartelamento no norte do Niassa, junto ao rio Lugenda.

Bem escrito e bem editado (a Index EBooks, et pour cause, está a ficar exímia na edição de livros em formato electrónico, tirando partido de todas as funcionalidades do suporte), o livro tem o mérito de nos divertir e comover enquanto nos devolve um testemunho da guerra por quem a viveu: o Autor foi capitão miliciano do exército português, e chefiou a última companhia que guardou, em nome de um império distante e moribundo, um aquartelamento frágil e precário tão perdido no meio do mato que lhe chamavam ilha.
Profile Image for Lidia Craveiro.
Author 38 books11 followers
July 25, 2018
Li este livro no âmbito de uma pesquisa sofre a guerra das ex colónias portuguesas, que tive que fazer para um romance que estou a escrever. Li o rapidamente e com interesse. Apesar de ser uma descrição, está muito claro e mostra bem o que eram as diversas facções da guerra. Parabéns ao autor-nem ele sabe como me ajudou -, por este testemunho pessoal, no qual se atreve até, a falar de assuntos tabu como a homossexualidade.

Muito Bom. Um livro pequeno mas muito rico de conteúdos. O autor expôs a hipocrisia de uma guerra perdida desde o início, e das vivências dos militares que foram obrigados a combate lá.
Profile Image for João Roque.
349 reviews17 followers
Read
July 31, 2014
Naturalmente que não vou fazer qualquer critica a um livro da minha autoria. Apenas quero aproveitar este espaço para algumas considerações, que acho pertinentes, à forma como o meu livro foi divulgado em certos "media", usando para isso a postagem hoje inserta no meu blog "Whynotnow":

"Depois de uma normal reacção de satisfação pela publicação de um livro da minha autoria, e da qual aqui dei testemunho, eis que me atinge uma certa desilusão e tristeza pela forma como o mesmo livro tem sido publicamente apresentado.
Devo agradecer, primeiramente, todas as manifestações de agrado que recebi, quer em forma de crítica no Goodreads, quer nalguns blogs; permito-me aqui distinguir o texto do Miguel no Innersmile.
Ainda ontem, o Ribatejano publicou no seu blog a foto que aqui deixo no início da postagem.
Então, o que me desapontou e entristeceu?
Apareceram publicamente duas notícias sobre o lançamento do livro.
A primeira ontem, no site do “Dezanove”, site gay como a maioria das pessoas deve saber e que apresentava o título da seguinte forma
“O livro do capitão homossexual do exército português no Ultramar”
E tudo isto porquê?
Porque entre muitas crónicas de que falo no livro, há uma e que eu assumo como importante, não o nego, sobre a homossexualidade durante a guerra colonial.
E há também na conclusão uma alusão à importância que os meus tempos em África tiveram na minha vida futura no campo da vida sexual.
Será que isto transforma o meu livro num livro gay?
Penso que não, e por isso ao ver o abusivo título pus no site o seguinte comentário:

“Olá. Gosto de ver aqui uma notícia sobre o meu livro, é um facto, e fico agradecido. Mas parece-me um pouco deslocado o vosso título. Eu não sou "o capitão homossexual do exército português no Ultramar", mas apenas um capitão miliciano que fez a guerra colonial e falou dela abertamente, sem medo, mas em que a abordagem homossexual é apenas um capítulo, e parece-me abusivo tomar o todo pela parte. Não tenho qualquer problema em assumir a minha orientação sexual, mas sempre defendi em toda a minha vida que esse facto não me impede de ser uma pessoa normal. E assim ao ser apontado como "o" capitão homossexual, não me identifico como tal, pois não foi nessa qualidade que lá estive. É pena que se tenda sempre a fazer um gueto destas questões; sempre lutei contra esses guetos...”

Claro que o comentário foi publicado e foi mudado o título para “ O livro do capitão do exército português no Ultramar”.

Hoje foi a vez de o livro aparecer na secção gay da revista “TIME OUT” – Lisboa, mais uma vez com um título enganador
“HOMOSSEXUAIS NA GUERRA”
E assim o meu livro deixou de ser um livro de crónicas para ser encarado como um livro que faz a reportagem da vida gay na guerra colonial e nada mais.
Até parece que eu andava por lá a promover a homossexualidade (salvo o devido exagero, claro)…
Sempre primei a minha vida, desde que me aceitei como homossexual e o fui assumindo normalmente às pessoas importantes da minha vida – família e amigos, na base de que ser homossexual nada muda na maneira de ser das pessoas – elas são gente normal, com defeitos e virtudes, vivem, trabalham, pagam os seus impostos, têm bons e maus momentos, como toda a gente.
E tenho-o conseguido com o exemplo da minha vida.
E é agora com o aparecimento de um livro que me deu gosto escrever e que escrevi, como sempre faço, com sinceridade e de “coração nas mãos”, que sou apontado publicamente como gay, sem haver sequer uma referência às outras partes do livro que são a quase totalidade do livro.
Tenho que concluir que, na generalidade, os gays constituem um grupo de pessoas que parece terem prazer em se autonomizar como tal, formando um gueto, quando eu luto exactamente pelo contrário."
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