Em Porto Negro, capital da ilha de São Cristóvão, toda a gente conhece Santiago Cardamomo, o bom malandro que trabalha na estiva, tem meio mundo de amigos e adora mulheres, de preferência feias, raramente passando uma noite sozinho. O seu sucesso junto do sexo oposto enche, aliás, de inveja aqueles a quem a sorte nunca bateu à porta, sobretudo o enfezado Rolindo Face, que há muito alimenta esperanças no amor de Ducélia Trajero – a filha que o patrão açougueiro guarda como um tesouro. Mas eis que, no dia em que ensaiava pedir a sua mão, assiste sem querer a um pecado impossível de perdoar que acabará por alterar a vida de um sem-número de porto-negrinos, entre os quais a da própria mãe; a de um foragido da justiça que vive um amor escondido para se esquecer do passado; a de Cuménia Salles, a dona do Chalé l’Amour, a mais afamada casa de meninas da cidade; ou a de Chalila Boé, um mulato adamado que, nas desertas horas da madrugada, se perde pelo porto à procura do amor. O Pecado De Porto Negro, obra finalista do Prémio LeYa, é um mosaico de histórias que se vão encadeando para construir um romance admirável sobre o carácter circular do destino e a capacidade que o passado tem de nos vir bater à porta quando menos esperamos.
Norberto Morais é conterrâneo de Hermann Hesse, tendo nascido numa pequena cidade da Floresta Negra, Calw, em 1975. Aos seis anos, foi viver para Marinhais, em Portugal, onde traçou as primeiras linhas sem jamais considerar a palavra «escritor» e donde saiu em 1996 para ir estudar Psicologia em Lisboa. Licenciou-se no ISPA, foi voluntário na Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, frequentou o Hot Club e teve uma banda, na qual era vocalista, letrista e compositor. Em 2002, quando tudo estava preparado para que fosse músico ou psicólogo, sentou-se um dia à secretária e a vida trocou-lhe as voltas. Uns meses mais tarde compreendia que, mal ou bem, estava condenado a escrever para o resto da vida. Publicou o seu primeiro romance, Vícios de Amor, em 2008, na Oficina do Livro. Actualmente vive em Paris.
Que novelão!! Uma belíssima história que nos agarra do início ao fim e tão bem escrita! Pergunto-me como é possível só agora ler um livro deste escritor. Estou completamente rendida.
“O Pecado de Porto Negro” segundo livro do escritor Norberto Morais (n. 1975), finalista do Prémio Leya em 2013 é um romance de excelente qualidade, brilhante na escrita, com ritmo e primoroso suspense; associado a um enredo imaginativo e uma descrição excepcional de um local “imaginário”, a pequena cidade de Porto Negro; das suas paisagens, das suas ruas, dos seus “odores” e das suas “cores”, e, sobretudo, das suas gentes, com inúmeras personagens, que apesar de serem estereotipadas, são bem caracterizadas, genuinamente “verdadeiras”, nos seus comportamentos e atitudes, algumas delas possuidoras de segredos inimagináveis, e que se vão interligando, por vezes de forma inesperada e dramática, como num puzzle que vai sendo construído peça a peça, palavra a palavra. Nas últimas 70 páginas, com o aparecimento do francês Michel Sagan, o livro perdeu um pouco do seu “fôlego” e um pouco da sua “originalidade”… "O Pecado de Porto Negro" é um livro de leitura imprescindível.
NOTA: as imagens foram retiradas do Facebook do livro "O Pecado de Porto Negro".["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>
Que livro bem escrito este! Que bom foi perder-me nas suas páginas e conhecer Porto Negro, Ducélia e Santiago! O tom de todo o livro é totalmente adequado ao que o autor nos pretendeu contar, e a forma como brinca com o leitor, deixando-o acreditar numa coisa para logo a seguir revelar outra é engenhosa!
Conheci este autor por sorte e comecei a leitura completamente às cegas! Foi uma surpresa deliciosa! A escrita poética agarrou-me e não me "deixou" ler mais nada enquanto não terminasse o livro. Juntamente com as personagens de Porto Negro, percorri as suas ruas, senti as suas emoções, vivi os seus anseios, descobertas, dores, tristezas, alegrias e aventuras. Tudo neste livro foi maravilhoso. É sem dúvida um autor a conhecer!!
Opinião O Pecado de Porto Negro, de Norberto Morais
Como já sabeis, as minhas opiniões são fruto, puramente, da minha experiência com o livro, da relação, daquilo que ele me deu e eu lhe dei, do que construímos juntos. E se há coisa que aprecio num livro, é fazer-me ter reacções, não apenas emocionais, mas físicas.
“E porque o coração (…) não é uma pedra, e um homem não contém senão o quanto o coração lhe permite, (…) caiu de joelhos e desfez-se em lágrimas agarrado àquele pano vazio de gente.”
“Mas, porque não é a lei que liberta um homem, (…) continuava preso, por dentro.”
Este foi o meu primeiro contacto com a escrita do Norberto, e este livro, em particular, fez-me sentir e reagir de imensas formas, físicas e emocionais. Emocionei-me algumas vezes, ri, ri desmesuradamente, tive muito calor com este livro, e pude cheirar as ruas e pessoas de Porto Negro (reparem como escrevi pessoas e não personagens). E o que eu ri. Ora constatem:
“Apertaram as mão e em voz baixa começaram a debulhar os terços, que o ser puta não afasta uma mulher da fé - ateste-se no Livro quem de tal duvida.”
“ - A menina (…) está disponível? - perguntou sem rodeios, mais por nervosismo do que por segurança. (…) - Está acamada! - como se acamada não fosse uma condição natural do material da casa.”
Com personagens e paisagens vívidas, um cenário tropical e efervescente, uma linguagem que dá todo um cunho especial à narrativa (diria, até, que a narrativa não seria grande coisa sem esta linguagem perfeita e que tanto enriquece), este é um livro que nos faz viver ali, naquele tempo e espaço. Que nos faz sofrer e desdenhar, rir e transpirar. Um livro dos sentidos, portanto.
“(…)há sempre quem não se constranja, quem alimente o vazio próprio com a desgraça alheia.”
“(…) valia bem um pontapé ou dois, que para quem tem fome a porrada é o que menos magoa.”
A forma como o Noberto consegue equilibrar o humor e as reflexões sérias…
“É cruel a forma como a morte ridiculariza tudo quanto se foi. Talvez por isso se começaram a enterrar os mortos, que é outra forma de os esconder dos sentidos; outra forma de encobrir a morte; outra forma de ocultar o medo.”
Não tenho dúvidas de que me hei-de cruzar com a escrita do Norberto novamente, e não tenho dúvidas de que passaremos um bom bocado juntas, eu e a sua escrita. Já agora, quando o lerem, leiam-no no Verão. Foi tão adequado ter lido este livro com o tempo quente.
Deixo-vos a playlist habitual no Spotify, com o título do livro.
Gostei muito da escrita do autor que nos leva até Porto Negro e nos envolve naquela atmosfera quente e tropical. Gostei da história de amor mas tive pena que o momento alto não tivesse acontecido mais perto do final. Depois desse momento houve páginas que não entusiasmaram muito e confesso que estava desejosa de chegar ao fim. Mas gostei da forma como termina a história 😊
Nestes dias chuvosos, ventosos, cinzentões saboreia-se de forma ainda mais apetitosa qualquer desculpa que se nos apresente para ausentarmo-nos da realidade que vemos do outro lado da janela. É certo que terminei de ler a obra finalista do prémio LEYA há dez dias, mas o calor das paragens que percorre e acima de tudo a ebulição de sentimentos que dominam as suas personagens são memoráveis e perfeitas para aquecer e agasalhar-me no dia de hoje. Não me lembro como tropecei com referências a este romance. Tenho quase a certeza absoluta de que foi no Goodreads, mas não faço a mínima ideia de quem o recomendou. Deve, porém, ter sido uma recomendação muito convincente, porque rapidamente incluí o título da obra na minha wishlist. E ainda bem que o fiz, pois proporcionou-me, passado quase um ano após a sua chegada à minha estante, momentos quentinhos, cheios de sentimentos à flor da pele, de personagens que regem a sua vida planeando uma vingança, procurando o calor de um corpo recetivo à linguagem do amor ou antecipando a primeira vez que se vai trocar um olhar prolongado com aquele que se ama desde que se conhece como gente. Na capital duma ilha qualquer do Oceano Pacífico vive uma pequena comunidade de gente simples. Toda a gente se conhece e todos conhecem muito bem Santiago Cardamomo, um jovem bem-apessoado e que faz as delícias da população feminina. Ele domina como ninguém a arte do amor e raramente passa uma noite sozinho. Entre os seus amigos reina a convicção de que nenhuma mulher lhe resiste, excetuando a filha do açougueiro. Ducélia Trajero é guardada como um tesouro pelo seu pai, vive enclausurada em casa, apenas sai para aprender as artes femininas no convento da cidade e nunca deu mostras de saber o que é o amor. Contudo, desde os seus doze anos, quando atendeu Santiago no açougue e este se despediu dela acariciando-lhe o rosto, Ducélia caiu de amores pelo bom malandro e, pouquinho a pouquinho, vai dando passos para que ele detenha o olhar nela. Estas duas personagens são, como se depreende, os protagonistas desta narrativa e toda a trama que os envolve é motivo mais do que suficiente para que eu recomende a sua leitura. Contudo, a eles se juntam outras que não nos deixam indiferentes e que dão um toque mais apetitoso, mais doce e mais amargo à história. Se ainda a isto tudo adicionarmos o estilo do autor que se coaduna de forma perfeitinha com a contextualização espacial de latitudes quentes, com o fervilhar de sentimentos antagónicos – amor, ódio, alegria, dor, vingança, justiça – e com evidências de que a morte anda sempre de mão dada com a vida, temos o bolo completo para uma leitura suculenta. Não quero, como não quero nunca, desvendar muito sobre a narrativa, mas tenho que dizer que o clímax da mesma dá-se, na minha opinião, cedo demais, o que fez com que todo o meu entusiasmo esmorecesse um pouco e me apetecesse estrangular quem o provocou e, em última análise, o próprio autor. No entanto, o desenlace da obra é de tal forma bom e reconfortante que tive que me render, fazer as pazes com o escritor, cerrar os dentes e erguer o punho fechado, pois a justiça tarda, mas sempre aparece!
Assim sendo, se quiserem partir para pontos mais quentinhos do nosso planeta, esquecer o quão invernosa está a nossa realidade, deem uma oportunidade a esta obra, porque não tenho dúvidas que vos aquecerá e vos oferecerá uma saborosa leitura, recheada de personagens cativantes, paragens exóticas e sentimentos fervilhantes! Termino perguntando se alguém mais já leu Norberto Morais e se me aconselha outra ou outras das suas obras. Agradeço, desde já, porque quero ler mais dele!
'O Pecado de Porto Negro' é uma história de amor que acaba de forma trágica, mas quanto menos souberem deste livro, melhor. Este tipo de história já foi contada milhares de vezes, é verdade. Mas a forma como é contada, isso sim, é raro de se ver.
A escrita de Norberto Morais é simplesmente maravilhosa, espantosa, fenomenal e amei tudo neste livro! Já há algum tempo que um livro não me entusiasmava desta forma e é tão bom quando lemos livros que alteram o nosso estado de alma.
Porto Negro é um lugar totalmente imaginado por Norberto Morais, um lugar que, através da escrita magistral do autor, se torna real na nossa cabeça e adorei passar uns dias algures nos Trópicos (e quem me dera ter conseguido ficar mais tempo). As latitudes quentes, já se sabe, dão aso a muitos amores, a corpos que se tocam, a paixões desenfreadas, vinganças que nunca se esquecem e a muitas aventuras e desventuras.
Criei uma ligação tão, tão grande com as personagens, todas bastante diversas entre si, mas que nos impactam de alguma forma. Senti todo o tipo de sentimentos durante esta leitura, empatia, raiva, pena, desconfiança. Inclusive até o vilão desta história me despoletou uma panóplia de sentimentos.
Nas últimas páginas, apesar de querer muito saber como é que a história ia acabar, andei a adiar e a adiar porque não me queria separar destas personagens maravilhosas. E é aqui que eu sei que um livro é bom: quando quero chegar ao final para saber como é que a história vai terminar, mas ao mesmo tempo vou adiando esse final que é inevitável. Ainda tentei controlar-me e ler poucas páginas por dia, mas quando dei por mim, já estava praticamente no fim. E que final
Ainda nem a meio do ano vamos, e eu já sei que este livro vai estar na lista de favoritos de 2021. A literatura portuguesa está em boas mãos e recomenda-se!
Tinha pensado fazer uma review original ao Pecado de Porto Negro, mas depois de ler no JL (Jornal de Letras) as palavras do escritor e crítico literário Miguel Real achei que melhor não poderia transmitir a minha opinião. Aqui fica a crítica: "Se Norberto Morais (n. 1975) impressionou o leitor em 2008 com a geografia imaginária e o conflito sangrento entre as famílias Rinchoa e Valmonte em Vícios de Amor, mais o perturba hoje, 2014, com a recente publicação de O Pecado de Porto Negro, indubitavelmente um grande (400 pp.) e fabuloso romance histórico de estilo barroco, no qual tudo o que é previsível não acontecer, acontece, até a ressurreição de mortos aparentes (Ducélia). O Pecado de Porto Negro é um romance excessivo, excessivo em tudo: no título, marcando-lhe uma fatalidade (“O Pecado de…”); no léxico: luxurioso, exuberante, desmesurado; na sintaxe, criando frases do tamanho de uma página; na construção textual: prodigioso, fabuloso, levando ao máximo limite a imaginação estética, criadora de situações inventivas que cruzam a ficção e a realidade, superando ambas; no conflito diegético: mais do que dramático, trágico de uma tragédia de amor, ciúme e sangue; na tensão dramática: no contínuo anúncio suspensivo de uma iminente catástrofe, a que se segue outra, e outra; finalmente, na construção de personagens, sobretudo de três, Ducélia Trajero, Santiago Cardamomo e Rolindo Face, a tripla figura do amor, ciúme e vingança. Face a uma história excessivamente prodigiosa, a um léxico desmedido, a uma geografia mítica (ilha de São Cristóvão) na América Central e a personagens maravilhosas, é fácil classificar este romance como expressão do realismo mágico sul-americano. Porém, se este corresponde a um conjunto de mitos e lendas populares daquela região tornados motor de forma literária nas décadas de 1960 e 70, O Pecado de Porto Negro corresponde a uma opção estética actual que recusa e contesta o realismo historiográfico de que são tecidos a maioria dos romances históricos portugueses actuais. O Pecado de Porto Negro constitui uma explícita opção por uma escrita e um estilo barrocos, isto é, a opção pela construção de uma história que sintetize e envolva todos os estilos possíveis: o lírico (uma história de amor), o trágico (dois desenlaces sangrentos e atrozes), o dramático (a tensão entre os costumes socialmente permitidos e os clandestinos, inclusive com a descrição entre a vida das freiras num convento e a vida de prostitutas num bordel), o pícaro (a vida de Santiago e dos seus dois amigos no bairro do porto), o naturalista (a descrição da vida e da personalidade de Rolindo Face), o realista (a fidelidade ao enquadramento histórico), o maneirista (repetição de palavras e frases que geram o efeito artificioso de reiteração), atravessados continuamente pela figura da ironia pelo qual tudo o que é sério se torna humorístico e tudo o que é humorístico se torna sério. Um dos melhores romances históricos publicados este século em Portugal." ( Real, Miguel Maio 2014 Jornal de Letras)
Este livro é anunciado como finalista do prémio Leya. A meu ver, tendo já lido alguns vencedores deste prémio, "O Pecado de Porto Negro" é, sem qualquer dúvida, um livro superior: uma boa história bem contada; a escrita elegante, mas sem cair no pretensioso; as personagens bem construídas, credíveis.
É uma história passada num arquipélago do Pacífico, em tempos já idos, mas que facilmente pode ser transposta para outros locais ou outras épocas... a confirmar que o que é intemporal tende a ser bom.
Que livro maravilhoso! Com uma escrita rica, elaborada, com um toque de humor e na minha opinião sedutora tal a maneira com que nos envolve na sua leitura. A historia prende-se no amor entre Santiago e Ducélia, "menina feia" de Porto Negro.Santiago esse com perdição para meninas feias uma vez que dizia que o que não tinham de beleza sobrava-lhes em amor para dar. Acontecimento trágico estes os 2 intervenientes provoca um efeito dominó sobre restantes personagens tornando o livro viciante e a querer ler mais e mais. Leitura...obrigatória!!
Antes de começar a minha opinião, quero agradecer imensamente à Anatomia do Livro e ao seu podcast maravilhoso por me ter incentivado a ler este livro do autor Norberto Morais! Eu bem que queria participar na leitura conjunta, que a Ana organizou, e ir discutindo o livro mas tal não foi possível... mas eu já explico o porquê.
Em primeiro lugar, mal li o primeiro capítulo apercebi-me perfeitamente do porquê da evangelização fervorosa da Ana. Já tenho falado dela por aqui no Reino (eu até tive direito a todo um episódio no podcast dela) e tornou-se ao longo dos tempos não só numa pessoa amiga mesmo não a conhecendo pessoalmente (ainda), como também uma pessoa a quem as suas recomendações têm peso de chumbo. Porquê? Porque além do sentido crítico da Ana ser exímio, até agora tudo o que ela me recomendou, não desiludiu, como se tornaram em livros favoritos! Portando, quando comecei a ler e vi que a escrita do autor que, para mim, é única. Percebi logo de imediato o porquê do fervor.
Tenho que confessar que já há algum tempo que não lia autores portugueses, isto porque por alguma razão a oferta que eu via (quando ainda estava em Portugal) era tudo uma literatura que não ao encontro ao meu gosto. Além de que sentia que os autores portugueses estavam a engolir o dicionário e depois o cuspiam para os livros em modo shuffle... mas isso são outras conversas. O autor Norberto Morais não é de todo assim! A escrita é tão acessível. Que, na verdade, era outro receio meu pois, como disse, já não leio em português há algum tempo. Então ler nessa língua está assim como que enferrujado, LoL.
No início do livro fiz uma associação, isto é, estava a associar o Norberto Morais a certos autores americanos muito conceituados (que não vou mencionar para não ferir susceptibilidades aos cultos dos mesmos) que ao ler parece que a sua escrita transmite uma certa musicalidade. É a minha melhor descrição à sua cadência de escrita, à sua construção pensada de cada frase, tornando cada parágrafo numa verdadeira aventura.
Assim sendo, eu não li este livro... eu devorei a bom devorar!
Eu bem que queria participar numa leitura mais pausada, para ir discutindo os capítulos na leitura conjunta mas, como eu admiti à Ana, o livro parece que tem super-cola 3 na capa e não conseguimos pousar! Dormir? Que é isso quando os olhos simplesmente não conseguem parar naquele parágrafo e saltam para o seguinte sem os mandarmos?
O enredo deste livro desenrola-se em Porto Negro, uma cidade imaginária situada numa ilha tropical. E nesse estilo o autor apresenta-nos um role de personagens simplesmente deliciosas, com tardes de muito calor, as festas, os amores escondidos, desejos apaixonados, amizades até à morte, a calmaria da vida de outros tempos... A história em si é simples mas lá está, da maneira como o Norberto Morais escreve, eu lia a lista de compras dele e era feliz. Além de que, na minha opinião, são mesmo as personagens que quase fazem a história, o que é simplesmente delicioso de ler.
Portanto, não vou contar muito mais do enredo, até porque sendo modesto acho que perde toda a sua piada. Além de que vocês já perceberam que com a sua escrita e descrições, eu senti mesmo que estava em Porto Negro, no meio daquela gente!
Mal fechei o livro, senti logo saudades daquelas personagens e lugares, então porque uma pessoa não gosta de sofrer sozinha, tratei logo de o enviar para a minha mãe, LoL. Agora, deixo-vos aqui a minha enormíssima recomendação para lerem este livro e mal posso esperar para conseguir os outros do autor!
Mais uma vez, muito obrigada Ana pela recomendação e pelo projecto simplesmente fantástico que criaste que incluiu toda uma conversa maravilhosa com o autor!
Já tinha saudades de ler um livro assim. O autor escreve em prosa como de poesia se tratasse. Em Porto Negro vamos ser transportados para uma pequena cidade costeira habitada por marinheiros, estivadores e mulheres de reputação duvidosa. É neste contexto que vamos conhecer o amor proibido de Ducélia e Santiago.
Ingredientes: - 1 estivador sedutor (terá de ser um dos homens mais sedutores da literatura portuguesa, caso contrário a receita não funciona) - 1 donzela inocente e sonhadora (cheire antes de usar; terá de apresentar um cheiro inexplicável, inebriante e irresístivel) - 1 empregado de balcão ciumento (de preferência tímido e pequeno, para a receita não ficar muito azeda) - 1 açougueiro infeliz e misterioso (pai viúvo, que ame exageradamente a filha única) - 1 mulato adamado (com sotaque brasileiro serve) - paixão, humor, ciúme, sexo (tudo em doses generosas) - umas pitadas de realismo mágico
Para preparar a receita, precisará de ter à mão, para utilizar no momento certo, um palacete assombrado, um bordel, uma praia deserta, um bar com bilhar e portas para duas ruas, e um convento de freiras.
Deite os ingredientes um por um, pela ordem indicada, num livro grande.
Leve a lume forte, tropical, numa cidadezinha portuária de uma ilha imaginária da América Latina (baía, farol, porto e armazéns, catedral, ruas, praças e becos, bordel, não esqueça o bordel, e praia isolada, de areia branca, com coqueiros e um barco naufragado).
Vá temperando a pouco e pouco, primeiro com humor, depois com paixão e sexo, finalmente com muito ciúme. Mexa com uma linguagem poderosa, um vocabulário rico e uma escrita surpreendente, mas muito lentamente, sem deixar cair na monotonia para não queimar.
Estará pronto quando: "o Sol dourava a baía de Porto Negro. (...) Deu uma volta pela sala, corda à caixa de música, e, quando a geringonça soltou as primeiras notas antigas, sentiu uma presença atrás de si. - À minha espera, franguinha? - sussurrou uma voz, tomando-a pela cintura. Ducélia fechou os olhos e, apertando contra o ventre os braços que a enlaçavam, inspirou o mundo e sorriu."
O autor, Norberto Morais, confecionou esta sua receita com Santiago Cardamomo, Ducélia Trajero, Rolindo Pio Face, Tulentino Trajero e Chalila Boé, e foi uma enorme surpresa! Provámos: o enredo tem um sabor ténue, com algumas notas de engano e surpresa, talvez desnecessárias, mas os personagens ficaram excelentes, ao nível do melhor que se faz na cozinha portuguesa contemporânea, e a escrita está verdadeiramente fabulosa, isto é, imensamente saborosa!
É em letras maiúsculas que este nome deve figurar na review porque por trás dele se esconde um grande escritor português! A maior parte das pessoas não deve conhecê-lo... leiam uma obra dele! JÁ!
Escrita mágica... brilhante! Personagens detalhadas ao pormenor, enredo envolvente... amor, traição, tragédia, comédia, ironia... Esta história localizada num cenário fictício é tão boa, que me deixa um sabor amargo apenas por saber que Norberto Morais apenas tem mais um livro editado... até agora!
Romance muito bem escrito e sem nada a apontar a nível de estrutura narrativa, de um autor que desconhecia. A premissa não traz nada de novo ao mundo literário, mas não deixa de ser uma boa leitura.
Que história fabulosa, tão bem contada, numa linguagem quase lírica, mágica, que nos leva a conhecer Porto Negro ao pormenor. As ruas, os bairros, os cheiros e as pessoas que lhe dão vida.
Um romance trágico que tem lugar em tempos idos, sem sabermos bem quando, numa sociedade patriarcal em que o papel da mulher é de pouco ou nenhum valor.
Custou-me um pouco ao início a habituar-me à escrita. Mas apesar do ritmo lento, é uma narrativa que nos cativa, que nos provoca e que nos faz querer seguir em frente.
Fiquei com muita vontade de conhecer mais obras do autor.
Descobri este livro através do Bookstagram e foi com muitas expetativas que parti para os trópicos, onde as elevadas temperaturas e a sensualidade de Porto Negro nos convidam a conhecer a história do mulherengo Santiago e da tímida e ingénua Ducélia, a filha do açougueiro. ⠀ Infelizmente, a história não é só deles... Também a inveja, o ciúme, a honra e o orgulho ferido reclamam protagonismo e um conjunto de outras personagens vai condenar o desenrolar desta história... ⠀ Senti muitas vibes dos autores da América do Sul (tipo Gabriel García Márquez) e a trama revelou-se uma autêntica surpresa, cheia de reviravoltas que me desnortearam completamente!! Logo a meio, dei por mim sem pistas sobre o rumo que o livro iria seguir, mas totalmente rendida e ansiosa para descobrir todos os segredos que escondia. ⠀ Apesar disso, o ritmo de leitura é um pouco lento, as palavras exigem ser saboreadas sem pressa e o vasto leque vocabular do narrador é muito marcante: transforma palavras vulgares em sinónimos rocambolescos, conferindo à narrativa um tom tudo menos vulgar. Também as personagens são invulgares e de uma profundidade que as torna difíceis de avaliar e julgar à primeira vista... ⠀ Outro traço distintivo deste narrador, e que tanto caracteriza o livro, é o facto de brincar com os leitores e fazer de nós o que quer... É incrível como nos manipula e guia pela história a seu bel prazer, omitindo factos que nos levam a crer que vai acontecer uma coisa para nos revelar que outra totalmente diferente já aconteceu... Um toque genial que me apanhou desprevenida inúmeras vezes!👌🏼 ⠀ Gostei do livro e recomendo a viagem, sobretudo pela escrita e pelo narrador, que me encantaram. ⠀ Já está em marcha uma adaptação da Globo e estou muito entusiasmada! Sem dúvida que vou ler mais livros de Norberto Morais! 🙌🏼
Norberto Morais é um jovem escritor português, de quem confesso nunca tinha ouvido falar, apesar de já ter publicado um primeiro livro com algum sucesso. Mas foi este seu romance “O Pecado de Porto Novo”, que vem etiquetado como finalista do Prémio Leya de 2014, que o catapultou para uma fama que é de todo merecida, ao ponto de eu estar interessado em ler o livro vencedor do referido prémio, pois deve ser uma obra prima, para suplantar o livro de NM. É um livro extenso (mais de 400 páginas), mas que vai “escorrendo” com uma incrível rapidez pelos olhos do leitor, por variadíssimas razões: um enredo pleno de situações que ao se irem entre chocando, nos vão definindo, com cada vez maior nitidez, personagens fabulosas (um pormenor que achei interessante foi os nomes atribuídos a cada uma delas), e que como num puzzle, se vão cruzando e definindo com maior profundidade, no decorrer da acção. Mas também uma descrição das acções com palavras que parecem torrentes a explicar todos os momentos, dando-nos imagens perfeitas, muito concisas e muito abrangentes por outro lado de um enredo que mais parece um carrossel vertiginoso com crimes, paixões e toda uma envolvência local muito bem colorida de uma cidade portuária de um país imaginário da América Latina. São pinceladas de cores garridas as frases extensas com que o autor nos dá toda uma vivência de um local único, em que tudo pode acontecer. Por vezes, e embora sem o mistério habitual desse tipo de livros, parece que estamos a ler um policial barroco, em que os crimes acontecem quase de uma forma “natural”, de tal forma eles nos são pré anunciados. Uma imensa e maravilhosa surpresa que eu, sem reservas, recomendo vivamente.
Este livro está extremamente bem escrito e é provavelmente o melhor livro que alguma vez li.
Rico, intenso, empolgante, criativo, misterioso, com cenários deliciosamente criados através de uma escrita soberba.
Todos os pormenores são minuciosamente pincelados na nossa mente e são magnanimamente descritos nunca sendo maçadores.
Os personagens, criados profundamente até aos mais ínfimos detalhes do ser.
Acabado o livro, tudo nos fica de Porto Negro: Os cheiros, as paisagens, o calor intenso, a saudade... e o vazio! Que ler a seguir depois disto?
Uma verdadeira chapada de luva branca ao pretenciosismo de muito autorzinho de caca famoso! Uma outra no panorama literário português! Pois nunca 429 páginas escorregaram tão rápidas debaixo dos meus olhos!
Um trabalho esculpido a escopro, ponteiro e cinsel que tem apenas comparação com as melhores grandes obras literárias.
Digno de um Nobel...
e obviamente digno de ser vencedor do prémio Leya (que absurdo não ser!).
(para quem não sabe, o prémio Leya é um concurso que contempla os trabalhos dos melhores escritores de 14 Países de língua portuguesa)
Demorei vários dias a digerir este livro. Não sei ainda muito bem o que dizer sobre ele. Ocorre-me apenas isto: Senhoras e senhores, estamos perante uma BRUTALIDADE! Bem escrito, bem narrado, sensível, sério, irónico, erótico, escatológico, vernáculo, sublime, eloquente, poderoso, profundo, poético, dramático, cómico, trágico, desconcertante, imprevisível... INCOMPARÁVEL! Uma chapada de classe na cara enfadonha da literatura portuguesa. Sem dúvida, 10 ESTRELAS!!!
Sem duvida alguma, o melhor , o mais interessante livro que li ate hoje de um autor portugues... que me desculpem os "Saramagos", mas é disto que gosto, escrita poética, luxúria em romance, uma pitada de thriller e alguma tensão envolvente!!
Sem palavras, o melhor ou dos melhores livros que li em 2021 e um livro da vida, sem dúvida! 5⭐ máximas. Parabéns Norberto Morais por esta obra prima! Só posso aconselhar a toda a gente.
Não sabia o que esperar deste livro. Tinha lido uma boa crítica, já não sei onde, e o nome ficou na lista de livros a comprar.
Norberto Morais traz-nos uma história surpreendente com personagens inesperadas e foi, por isso, uma boa surpresa e um autor a manter debaixo de olho.
Numa cidade costeira de um país da América do Sul, pelo menos assim parece, o calor torna os homens atrevidos e as mulheres disinibidas. Santiago Cardamomo é o solteiro mais cobiçado de Porto Negro. Não por ser rico, mas por ser especialmente habilidoso com as mulheres e o mais bonito de toda a cidade e arredores. :) É um D. Juan e nenhuma mulher, nova ou velha, lhe consegue dizer que não.
Ducélia Trajero é a única filha do dono do açougue de Porto Negro. É a menina dos olhos do pai, que a protege de todos o olhares para afastar os menos bem intencionados. Não muito bonita nem muito feia, Ducélia não chama a atenção, paira por Porto Negro sem virar muitas cabeças. É uma miúda tímida, dedicada ao pai, sem nada que a destaque da multidão.
Vive perto de Santiago, que nunca olhou para ela duas vezes. Ela,no entanto, vive apaixonada por ele, desde que o viu pela primeira vez. Sabe que não é correspondida, e na sua inocência acha que o seu sentimento lhe basta para ser feliz.
Todos os dias ao fim do dia, quando os trabalhadores do Porto regressam a casa, Ducélia vai varrer para a frente do açougue, de onde consegue ver Santiago chegar todos os dias. Todos os dias Santiago chega e nunca repara nela, até que, um dia, olha e repara. Um dia Santiago repara em Ducélia. E ao reparar nela, não pode deixá-la escapar. Nesse primeiro olhar não existe amor por parte de Santiago. E quando Santiago consegue o que quer, não tem qualquer intenção de continuar a ver Ducélia. Nunca se apaixonou por ninguém e não tem qualquer desejo disso. Ducélia, desiludida, sem perceber o que se passou, não volta a sair para varrer a frente do açougue e não procura mais Santiago. O silêncio de Ducélia começa a perturbar Santiago e quando dá por ela é ele que a procura, é ele que vai atrás dela. E quando dá por ela, está completamente apaixonado por Ducélia, pela ternura, pela paciência, pela compreensão, pelo seu silêncio e pelo amor que ela lhe dedica.
Um amor assim, improvável, mas sincero e eterno, nunca pode correr bem nos livros. Este não é excepção. Ninguém sabe dos dois, o pai de Ducélia não pode sequer sonhar com o que se passa, é certo que matará Santiago, ou mesmo os dois.
Tudo poderia correr bem, não fosse a existência do ciúme. Rolindo Face é o empregado do açougue e é, desde que se lembra apaixonado pela filha do patrão. Prepara-se para pedi-la em casamento quanso se apercebe de que se passa alguma coisa com a doce Ducélia e decide segui-la. O que vê deixa-o completamente louco. E louco de ciúme, por despeito, decide vingar-se dos dois. E é por causa de Rolindo que uma bonita história de amor, se torna num banho de sangue e vingança.
Gostei muito da escrita de Norberto Morais e da forma como nos vai contando a história. Só não me agradou a forma como refere alguma coisa sobre alguma personagem e diz que se houver oportunidade nos conta. É claro que acaba por não contar nada e às tantas torna-se irritante. Tirando a utilização exagerada desta espécie de "bengala", gostei muito da escrita e as personagens estão bem construídas. É fácil criarmos empatia com elas. Senti verdadeiro asco por Rolindo, nada do que foi contado sobre a vida miserável que levava me leva a sentir alguma pena dele, só mesmo asco.
Norberto Morais é para repetir e recomendo sem qualquer hesitação. Leiam que vale bem a pena.