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Caminhos cruzados - Coleção Mar de histórias v.6

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A Coleção Mar de Histórias: antologia do conto mundial é composta por 10 volumes independentes que contém, nada menos, que 239 contos, de 192 autores escolhidos entre os melhores de 41 países. A expressão Mar de Histórias foi tirada do título, em sânscrito, Kathâsaritsâgara, de uma antiga coletânea da Índia, do século XI. A sua tradução significa isso mesmo: “mar formado pelos rios de histórias”. A obra foi organizada há mais de quarenta anos por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira e Paulo Rónai, dois dos maiores tradutores e estudiosos da Literatura Mundial em todos os tempos e gêneros.

Esta viagem pelo mar imenso das histórias mostra a transição entre romantismo e realismo. Ela abre com um leque das variantes românticas mais diversas. Na famosa história de “Mimi Pinson”, eterniza Musset a graciosa figura da grisete parisiense.

Em “Solfieri”, do nosso Álvares de Azevedo, contempla-se um reflexo de byronismo patológico. O romantismo à suíça de Gottfried Keller, em “Espelho, o gatinho”, é, ao mesmo tempo, brincalhão e amaneirado. “Uma cama terrivelmente esquisita”, do inglês Wilkie Collins, dá início, na Europa, à novela policial de tão largo desenvolvimento futuro. “O ninho das águias”, do norueguês Bjørnstjerne Bjørnson, é exemplo de simbolismo moralizador. Contemporâneo deste, o holandês Multatuli verte, em breves alegorias, seu pessimismo e sua revolta contra o destino.

A “Morte heroica”, de Baudelaire, é espécime de “poema em prosa”, gênero de que foi ele um dos criadores. A ficção histórica, tão grata ao romantismo, é exemplificada pela “Última corrida de touros em Salvaterra”, de Rebelo da Silva. Com Bret Harte, apresenta-se o iniciador da literatura do Velho Oeste norte-americano, de que “A sorte do Acampamento Uivante” pode considerar-se o modelo. O espanhol Bécquer oferece amostra, no fantástico “O miserere”, da utilização de um tema popular.

O realismo aponta em “Gitje”, do holandês Busken-Huet, que lembra um quadro do gênero à flamenga; assume aspecto anedótico-familiar em duas narrativas de Daudet; está a serviço de um erotismo algo escandaloso para a época em “O mais belo amor de d. João”, de Barbey d’Aurevilly. “Um tiro no nevoeiro”, obra-prima inesquecível do dinamarquês Jacobsen, analisa com fria objetividade um extremado amor transfeito em ódio. Noutra obra-prima, “Uma alma simples”, de Flaubert, a observação mais minudente alia-se ao estilo artístico mais elaborado.

O tcheco Jan Neruda, em dois contos totalmente diversos, revela-se atraído ora pelo romantismo mais lúgubre, ora pelo realismo mais terra a terra. Uma graciosa anedota, “Os três corvos”, do equatoriano José Antonio Campos, marca o aparecimento da América do Sul neste panorama geral do conto. E, para terminar, um dos grandes moldadores do conto moderno, que lhe deu forma definitiva, Maupassant — de quem figuram aqui três narrativas das mais vigorosas: um episódio da guerra franco-prussiana, um caso de amor de efeito fatal e a história de uma dessas brincadeiras cruéis em que o destino se compraz em envolver e destruir uma vida.

217 pages, Kindle Edition

First published December 1, 2013

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About the author

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira foi um lexicógrafo, professor, tradutor, ensaísta e crítico literário brasileiro. Foi o autor do Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa e membro da Academia Brasileira de Letras

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Profile Image for Henrique.
1,031 reviews28 followers
January 12, 2024
É interessante como todos os demais da coleção, mas não há um conto que se sobressaia sobre os demais. O destaque fica por conta do Conan Doyle e seu Sherlock. Sempre gostei do Sherlock, mas lendo agora, em meio a um ano em que eu estou lendo apenas contos, eu pude ver como ele realmente é bom. Talvez não tenha a profundidade de altos nomes da literatura, mas é um texto que se lê com avidez de se chegar ao desfecho.

Outro ponto alto do livro é o Thomas Hardy com “O hussardo melancólico da Legião Alemão”. Ah sim, esse livro contempla também o Gorki, que tem dois contos, sendo um deles “Vinte e seis e uma”, que talvez seja o melhor conto do livro, mas que eu não li neste momento porque já o fiz no começo do ano.

Quem se saiu bem também foi o Arthur Azevedo, com “Plebiscito”. Como esse é o segundo conto do Arthur Azevedo que leio e gosto, pretendo ler um livro só de contos nele no ano que vem. Há ainda a Selma Lägerlof, que tem dois bonitos contos. Eu devo ler um livro de contos só dela muito em breve.

Também há um conto do Henry James, “Brooksmith”, meu primeiro contato com o homem. Achei que seria difícil de lê-lo, mas até que não foi tanto assim. Há um conto do Kipling, que está conseguindo a proeza de me desagradar com todos os contos que já li dele.

No mais, há umas figuras um tanto obscuras, mas é legal conhecê-las, apesar de nenhuma ter me chamado muito a atenção.

Nesse livro se torna mais evidente que a proposta de divisão dos volumes, feita pelo Aurélio Buarque de Holanda e o Paulo Rónai, não é a mais indicada. Se nos primeiros livros podíamos acompanhar a evolução das escolas literárias, agora, neste volume, o período abrangido se chama “Caminhos cruzados”, ou seja, um critério complemente subjetivo.

Por mais que as fronteiras se modificassem bastante, e por mais que as literaturas tenham muito em comum entre si, considero muito mais satisfatória a divisão por países que foi feita, por exemplo, pela maravilhosa coleção “Maravilhas do Conto”.

Parece-me também que os dois organizadores são bastante desiguais nos comentários acerca dos autores, pois alguns merecem bem mais páginas do que os outros. O ideal seria que houvesse algum equilíbrio nesses comentários. Como no "Maravilhas do Conto".
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