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QUIMERA

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“Verdejar o mundo/ nem que seja na linguagem” — logo no poema de abertura está a senha para atravessar Quimera , novo livro de Prisca Agustoni, vencedora do prêmio Oceanos 2023. Aqui, a poeta suíço-brasileira escreve consciente de que estamos em meio a um colapso ambiental cada vez mais evidente e assustador, e nos convoca à luta. Em cada uma de suas cinco seções, Quimera despe diferentes dimensões desse ser (nós!) que se coloca fora da natureza, por vezes acima dela e, sobretudo, contra ela. A poesia de Agustoni nos lembra do ó somos natureza. E, aos poucos, um mundo mais vivo vai se ter árvores crescendo dentro do corpo, usar a escrita como uma maneira de cultivar a terra, ser fera, ver uma paisagem viva dentro de um animal dissecado. A cada camada que o olhar da poeta arranca, fica mais evidente que somos, a um só tempo, nossa maior ameaça e a única aposta possível. Os animais em volta e tudo que há de animal em nós, o verde que ainda resta e toda a natureza são as marcas do “antigo” que negamos enquanto “progredimos”, mas é justamente a persistência deles, mesmo soterrados pelos nossos erros, que serve de alerta e augúrio. Daí vem o esforço da poeta para escavar, na linguagem, a vida “cada fóssil exumado/ é a letra submersa de uma língua/ remota, que volta”. Para os gregos, “quimera” indicava metamorfose, transformação necessária para resistir aos conflitos, mas os dicionários vão associá-la aos sentidos mais frágeis de sonho, ilusão e fantasia. Nos poemas de Agustoni, somos colocados diante de outros sentidos, entre eles um sentido forte de aprender com “o despertar dos extintos”, aprender a implodir “as previsões,/ os cálculos exatos sobre nosso término”.

Paperback

Published February 10, 2025

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About the author

Prisca Agustoni

24 books1 follower
Prisca Agustoni, born in Lugano in 1975, has been living between Switzerland and Brazil since 2003. In Brazil she teaches Comparative Literature and Italian at a university. She writes poetry and prose and translates from the Italian and Portuguese.

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for Adriana Scarpin.
1,738 reviews
April 16, 2025
Quimera de Prisca Agustoni é um livro de poemas de temáticas díspares, dividido em sessões que bem poderiam ser consideradas uma reunião de plaquetes. Acho que o que mais salta aos olhos na poesia dela é o fato de ser grande poesia numa língua que não é a materna, mostrando que Agustoni tem tanto domínio do brasileiro que pode fazer corar alguns nascidos aqui.
Profile Image for Esforçonulo.
144 reviews4 followers
July 4, 2025
gostava muito de ser o editor da prisca agustini, para lhe dizer "corta isto", "aqui não pode ser assim", "muda isto", entre outra coisas, sem qualquer tipo de altivez ou maldade. isto porque gosto imenso da sua escrita e, de facto, há aqui poemas brilhantes. que são sufocados por vários momentos menos bons. jogos previsíveis de palavras, aliterações gratuitas, assim como várias ideias recicladas de um poema para outro.

vasta inconsistência entre as partes. tempo verde e céu extinto são óptimas. eu também sou a fera é bom. quimeras e seres rupestres são substancialmente mais fracas (sobretudo quando se abre com uma epígrafe explosiva como a de Daniel Faria "peço um coração/nuclear").

vou estando sempre atento ao que a Prisca faz, acho que ela vale a pena. e 3* é, apesar da inflacção natural duma cultura onde tudo tem de ser bom, indicativo dum livro recomendado. vale a pena.
Profile Image for Juliana Lumi Narimatsu.
73 reviews1 follower
January 17, 2025
Apesar de não ser uma leitora assídua de poemas (algo que estou tentando reverter), achei uma ótima oportunidade de iniciar pelo fato dos temas serem bem particionados e explorados em cada texto. Há algo de fantástico, mas ao mesmo tempo singelo na escrita, o que fascina a cada avanço que damos ao longo da leitura. Achei bem harmonioso e muito gostoso de navegar.
Profile Image for Margarida.
88 reviews28 followers
Read
December 14, 2025
“não é façanha humana:

encontraram
restos mortais
de hominídeos
de 200 mil anos
antes de Cristo

seus cérebros como bergamotas
já sabiam
a vida cíclica
o choro trêmulo
o rito fúnebre
o fedor cítrico

a distância entre a estrela
e a aranha:

criar símbolos
deixar rastros
enterrar seus mortos

não é privilégio do homo sapiens
e sim daquilo que pulsa
nômade
e imprevisto”
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