Como determinar o que é bonito? De quem são os ideais que estamos tentando alcançar ao gastar nosso suado dinheiro em produtos para cuidados com o cabelo, com a pele ou com maquiagem? De onde eles vêm e como podemos repensá-los?
Aos 40 anos, a premiada jornalista Afua Hirsch embarcou em uma jornada para reapropriar o próprio corpo das ideias coloniais de pureza, de adereços e de envelhecimento que ela e muitos de nós absorveram enquanto cresciam. Através de uma pesquisa realizada ao redor do mundo, Hirsch examina como são construídas ou destruídas as noções de beleza, individuais e coletivas. Por meio de anedotas pessoais, entrevistas com especialistas e profissionais de beleza, ela explora a história global sobre rituais de modificação de pele, cabelo e corpo e como isso tem afetado a maneira como vemos a nós mesmos. Essas percepções e descobertas irão empoderar o leitor a se reconectar com suas culturas de origem, a conhecer e entender a ligação entre beleza e política e a se libertar dos padrões de beleza tradicionais que não nos servem de nada.
"Excepcionalmente rico, inspirador, desafiador, sábio e tocante. Esta é uma obra arrebatadora que fala com todas as mulheres." — Bernardine Evaristo, autora de Garota, mulher, outras
"A cada página que passa, descobre-se algo que antes não se sabia ou somos forçados a olhar para as coisas de uma nova maneira. Uma publicação importante." — Sathnam Sanghera, autor de Empireland
Afua Hirsch is a British writer and broadcaster. She has worked as a journalist for The Guardian newspaper, and was the Social Affairs and Education Editor for Sky News from 2014 until 2017. She is the author of the 2018 book Brit(ish): On Race, Identity and Belonging, receiving a Jerwood Award while writing it.
Iniciei esse livro por conta de uma influenciadora chamada @barbieunder no insta, ela postou que o leria e convidou seus seguidores pra discutir com ela, resolvi ler também. Já sabia mais ou menos do que se tratava, mas me vi cada vez mais puxada por esse livro.
O prólogo já começa com o cansaço de falar o óbvio. Coisas como "racismo é errado" ainda hoje precisam ser ditas, esse é o básico de tudo, mas ainda sim arrumam desculpas pra todo tipo de violência e segregação.
Além dele, o livro é dividido em 4 capítulos, e foi aí que a experiência que já estava boa, ficou surreal. Os capítulos são intitulados de: Sangue, Beleza, Sexualidade, Pele, e o epílogo chama-se Morte. Cada um puxando referências históricas de culturas africanas, como diz o subtítulo, ela explora os rituais e a beleza.
Fala sobre a ligação da menstruação com espiritualidade e ritos africanos feitos com as meninas quando chegam na puberdade, sobre as quebras que ela teve com o padrão de beleza europeu (onde ela nasceu e mora) e o resgate de adornos e padrões africanos, e acima de tudo a busca por conexão com quem veio antes dela.
Ela mistura memórias, acontecimentos triviais da vida, experiências novas e envolve tudo isso como, realmente, um ritual. Amei a experiência de ler, me fez questionar muito e aprender muito tanto sobre a África e suas culturas, quanto sobre a perspectiva de uma mulher sobre tudo isso.
"[...] antes da colonização, o gênero não era o princípio organizador da sociedade africana. Na realidade, o tempo de vida era o mais importante. Assim, em muitos casos, o ritual menstrual de uma menina representava um passo significativo na hierarquia, moldando uma feminilidade da qual ela participava, permitindo que alcançasse um status social mais elevado e maior poder de decisão."