O que faz uma obra literária ser bela? O leitor tem em mãos a obra fundamental da crítica literária – que embasou e embasa todas as reflexões sobre o fazer ficcional. Escrita, provavelmente, entre 335 e 323 a.C., a Poética consiste em notas de aula utilizadas pelo filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.). Na época de Aristóteles, era a tragédia a principal forma literária, aquela considerada mais elevada e distinta (seguida pela epopeia e pela comédia). É, portanto, sobre essa primeira que foca o filósofo para desenvolver conceitos como catarse, mimese, ação, unidade e elocução, com os quais se debruça ora sobre a Ilíada, de Homero, ora sobre Édipo rei, de Sófocles. Suas reflexões geraram uma fortuna crítica incalculável que as desdobra, expande e reformula até os dias de hoje. Esta nova tradução direta do texto grego é acompanhada de apresentação, notas e comentários que problematizam, explicam e contextualizam de forma acessível este que é um dos textos mais revolucionários e importantes da Antiguidade – cujos ensinamentos podem ser aplicados tanto aos clássicos da literatura quanto às obras contemporâneas de ficção.
Adicionei esse livro na minha meta de leitura no ano passado, por considerá-lo essencial para a minha formação profissional. Demorei um pouco para iniciar a leitura, pois confesso que estava um pouco apreensiva. Tenho o hábito de ler literatura clássica, mas não li muitas obras gregas e muito menos obras gregas que pussuissem conteúdo didático. Achei que a linguagem fosse ser bastante complexa, e que seria necessário um tempo de dedicação para que eu pudesse compreender com totalidade, mesmo sendo um livro curto. Logo quando iniciei a leitura, já me apaixonei por essa edição da L&PM. A apresentação é indispensável ao tornar a leitura mais dinâmica. As notas do tradutor ao decorrer da obra são igualmente ótimas. Quanto ao conteúdo escrito por Aristóteles, considero imprescindivel a qualquer pessoa envolvida ou interessada na narração de histórias, sejam elas materializadas por meio da escrita, cinema, teatro, ou qualquer outro meio. Independente das lacunas, por conta das passagens que se perderam com o tempo, a obra não perde sua grandeza e seu conteúdo não deixa de ser relevante.
Acho incrível como, apesar de escrito há tanto tempo, ele ainda se mantém relevante nos dias de hoje.
Amei a edição, não tenho muito hábito de ler obras clássica, mas confesso que passei a ter mais vontade de lê-las após esse livro! A apresentação feita pelo tradutor foi muito informativa
Durante o texto Aristóteles argumenta o porquê da tragédia ser o melhor gênero de sua época, mas ele também tenta entender os demais gêneros e o que faz uma boa tragédia, muitas das características que fazem boa tragédia para Aristóteles também são válidas para textos modernos (filmes, séries, livros)