Estranho que "Nada a dizer" não seja citado na quarta capa desse livro.
Ok, "O que deu para fazer em matéria de história de amor" era o mais recente da autora e o jeito que o livro pede para que o leitor não abandoná-lo a fim de descobrir do que se trata a história é bem parecido em ambos os livros. Mas "Por escrito" é praticamente um "Nada a dizer" -- com sua história cativante e "inlargável" -- visto pelo outro lado, o da amante. Em suma, eu acho que "Por escrito" pegou o melhor desses dois livros: a atenção dada ao interior da personagem (cuja atenção volta-se, em especial, ao que costuma ser ignorado, às ausências, às relações de poder que fazem a máquina se mover) e uma história legal (acho que está mais para "várias histórias legais"), sobre a qual queremos saber mais detalhes (e que envolve algumas traições).
Só que, ao contrário de OQDPFEMDHDA (cuja história eu já esqueci quase totalmente), as divagações da narradora de PE foram quase todas grifadas por mim e pedem para ser relidas. Eu marquei as páginas do livro com um lápis, pra não perder a chance de anotar. É de uma clareza e de um poder descritivo e de uma atenção ao detalhe que explica bem a razão de eu gostar tanto de ler autores contemporâneos.
(Não sei se deu pra entender, mas isso aqui faz parte do meu conjunto de resenhas de cabeça quente pro Goodreads. Tá longe de ser algo acadêmico etc. e tal.)