Da Cor à Cor Inexistente é um livro esplêndido de Israel Pedrosa, pintor senhor de sua arte e que alcança dizer o máximo, e bem, com a maior clareza, sobre as teorias da cor, endereçando-a à prática profissional, à experiência e à paixão de artista. Um livro para artistas, professores e estudantes de arte, para críticos e curiosos das coisas da pintura... Israel Pedrosa, com paixão pelo assunto e responsabilidade profissional, com capacidade excepcional de pesquisador, fez um estudo completo sobre a importância da cor e seus fenômenos interferentes na visão. A pintura em seu amplo setor de expressão (de comunicação), do quadro tradicionalmente concebido, até os mais surpreendentes recursos de técnicas pára aguçar os sentimentos estéticos pela só presença da cor. Da cor que é luz. A luz que traz em seus raios a cor.
Vou deixar o review da leitura da amostra, pois o livro é caro, na faixa de 90 reais, e acredito que dificilmente lerei depois do que vi até o momento. Esse livro é até popular demais para as incoerências que apresenta. Pedrosa parece tentar fazer uma enciclopédia, mas acaba trazendo informações por cima de outras e criando incoerências que podem atrapalhar o entendimento popular sobre a ciência da cor. Alguns exemplos: - Ele inicia definindo matiz/hue como característica da cor (já que ele é um dos atributos da tridimensionalidade da cor proposta por Munsell e usada até hoje), mas dá a entender que é um termo intercambiável ao estímulo e, consequentemente, que os raios eletromagnéticos possuem coloração, mesmo afirmando não existir cor fisicamente na matéria e que ela é uma percepção visual. Os estímulos, seguindo a perspectiva da visão tricromatica e da CIE, são ondas eletromagnéticas que incidem nos olhos e o cérebro decodifica como colorido (o espectro visível seria a faixa que a colorimetria, tipo de fotometria, mede) - Ele parece confundir estímulo (onda eletromagnética) com formas de produção de cor: aditivo e subtrativo, especificamente, já que existem outras formas de produzir cor. - Ele faz afirmações de ser possível criar todas as cores do espectro a partir de três cores primárias. A abordagem desse assunto através de definições como cor primária é um equívoco (o projeto colourliteracy.org discorre sobre isso), sem contar que não daria para determinar a quantidade de cores do espectro (considerando a base sendo as cores arco-íris) e a quantidade de matizes são limitadas à capacidade da mídia. Se formos levar ao pé da letra, criar uma cor do espectro deveria estar em concordância com a percepção de brilho e luminancia, o que não condiz. Ele não deixa claro o que quer dizer com espectro, mas considerando ser espectro visível de maneira geral, sua afirmação ainda se torna equivocada pelos mesmos motivos citados. - ele se contradiz bastante, traz abordagem que faz parecer que misturamos cores, sendo que misturamos mídias coloridas, mas indica que o resultado da mistura depende de diversos fatores, sendo um deles a interação do material com a luz, indicando ainda que o arranjo molecular tem um ponto crucial no fenômeno percebido. - além disso, também é trazido que o material reflete apenas as ondas que associamos a determinadas cores. Munsell já citava descobertas do século 19 em 1905 que os materiais apresentavam uma curva de reflexão, ou seja, são capazes de refletir um range de frequências, mesmo as frequências que são mais propensas a absorverem. - Ele parece trazer muito as abordagens subjetivas que Goethe coloca em doutrina das cores, o que não seria problema se o livro não fosse de 1970 e se sinalizasse esse fator subjetivo.
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