«São as histórias que nos matam, quando não conseguimos abandoná-las, nem mudar quem somos nelas.»
Miguel Godói viveu um casamento feliz, que deveria ter durado para sempre. Mas os acidentes acontecem, e até os casamentos felizes chegam ao fim.
Agora, sozinho numa vida que não escolheu para si, aprende a conviver com as limitações de uma epilepsia peculiar que o tornou num doente crónico. A custo, tenta fazer sentido do mundo a partir das suas memórias imperfeitas.
Numa manhã de inverno, Miguel chega a uma casa desconhecida na Madragoa, onde acredita poder encontrar respostas sobre um livro enigmático que lhe chegara às mãos. O que lá encontra, porém, são ainda mais perguntas, e a possibilidade inesperada de um novo amor.
Perdido há demasiado tempo no lugar-comum do sofrimento, onde só a dor e a nostalgia o acompanham, Miguel Godói enfrentará a maior das vertigens: a da esperança.
Maria Isaac é natural das Terras de Antuã, no norte de Portugal. Autora de “Onde Cantam os Grilos” (2017), finalista do Prémio Fundação Eça de Queiroz, que inicia a série Odisseia das Pequenas Coisas, seguindo-se “O Que Dizer das Flores” (2021), e “Quantos Ventos na Terra” (2023). Nos seus livros procura reinventar a temática do Portugal rural e espelhar as peculiaridades da alma lusa. Desde 2020 é a voz do podcast PALAVRA .
Uma belíssima história, sobre a vida e suas trocas, crenças e segredos, parêntesis e reticências. Consolida Maria Isaac e confirma o seu talento. Recomendo
"Os pingos da infiltração antiga que existia no teto da cozinha tocaram o chão, ecoaram pela casa e fizeram-no sentir-se novamente encharcado. Um homem encharcado é sempre objecto de pena, especialmente sozinho, numa casa vazia. E Miguel Godói estava sozinho, encharcado, como um cisco no olho de um monstro. Mais uma noite à espera do dia."
Miguel Godói era um homem que tinha tudo, um casamento feliz, era um produtor discográfico de sucesso e tinha fugido a uma infância infeliz. Um dia tudo muda, devido a um acidente Miguel fica debilitado e com uma epilepsia crónica que o torna dependente de outras pessoas para conduzir, tratar da casa ou até para uma reunião com a equipa médica que o acompanha. Miguel Godói a partir do dia da sua alta tem que aprender a viver outra vez, a entender o que se terá passado pois tem lapsos de memória que o atraiçoam e tenta reconstruir o seu passado. Esta é a história de um homem destruído pela dor e pela solidão, pois mesmo estando rodeado por pessoas que o amam ele sente-se o homem mais só do mundo. Este foi o meu primeiro contacto com a escrita da Maria Isaac e fiquei agarrada a cada página, a esta personagem sui generis e a esta história muito peculiar. Para mim, um livro para ser 5 estrelas tem que ter uma boa escrita e uma boa história e este As Histórias que Nos Matam tem tudo isso. A Maria Isaac escreve maravilhosamente bem e esta história tem tudo: um enredo viciante, excelentes personagens como o taxista Damião, a detestável Ilda (irmã do Miguel) e a Júlia, a melhor amiga do Miguel e a minha personagem preferida a par do Miguel. Não posso falar muito mais da história do Miguel Godói, este livro é para nos embrenharmos nele e descobrir todas as suas camadas para culminarmos num final que nos tira completamente o chão.
«Gostei muito da forma como este livro está escrito, mesmo que por vezes possa parecer confuso. Acredito que seja de certa forma propositado, para nos levar a empatizar ao máximo com o estado mental de Miguel Godói.»
Este livro foi inesperado… terminei-o com a sensação que não tinha captado toda a sua essência, o que me obrigou a reler a parte final.
E ainda assim, tenho mais dúvidas que certezas, o que, atendendo ao que se passa com a personagem principal, Miguel Godói, não deixa de fazer sentido. Passo a explicar, Miguel tinha uma vida equilibrada até ao momento em que sofre um grave acidente. As sequelas foram grandes e passam, maioritariamente por perda de memória e episódios de epilepsia, entre outras coisas que não posso revelar.
A adaptação a esta nova realidade é muito dura e Miguel tem alguma renitência em admitir que as suas capacidades não são as mesmas, sucedendo-se situações de extrema confusão dentro da sua cabeça. E é precisamente neste ponto que fico, porque a sensação com que fiquei ao ler o livro foi precisamente essa, de desnorteio, sem perceber o que é realidade (ficcionada) de alucinação. Terá sido intencional?
Existem algumas pontas soltas que me fazem duvidar de várias teorias e mesmo depois de conversar com alguns outros leitores (este livro é perfeito para uma discussão amigável!), continuo com dúvidas.
Ainda assim, a escrita de Maria Isaac, que eu adoro, cuidada e bonita, com atenção a cada frase, que sem ser rebuscada é deliciosa de se ler, continua aqui. E gostei muito do pormenor do narrador, por vezes, falar directamente com o leitor. Num registo completamente diferente dos seus livros anteriores, “As Histórias Que nos Matam” deixou-me baralhada, confesso, ainda que tenha gostado muito de o ler!
Foi o livro que mais gostei da Maria Isaac, este romance mais introspetivo e comovente que nos leva até Lisboa dos anos 90, onde conhecemos Miguel Godói. Após um acidente devastador que lhe roubou não só o casamento feliz como também a saúde, Miguel vive agora preso entre memórias imperfeitas e um presente confuso, lutando contra uma doença que o faz esquecer-se de várias coisas.
Sobre um livro enigmático, sobre perguntas e respostas, sobre mistérios. Sobre a solidão, não só física como emocional. Sobre o delírio e a realidade. Sobre ser protagonista da sua própria história Sobre o sofrimento.
Um livro onde confrontamos a dor, sem artifícios ou sentimentalismos baratos. Sobre esperança, sobre possíveis recomeços. Sobre a memória, sobre o luto.
Muito cru este livro e com temáticas duras muito pouco romantizadas. Embora a escrita da Maria seja muito envolvente e cheia de sensibilidade.
O que mais gostei do livro foi sentir que era muito real, sem saídas fáceis ou finais perfeitos. Deixando-nos a pensar em tudo o que acontece e muito para além do final.
Embora seja curto e de rápida leitura, é um livro que pode e deve ser saboreado e absorvido, sobretudo muito sentido.
Obrigada querida @maria_isaac_pt por este livro que ficou o meu preferido.
A escrita da autora é melodiosa, adorei a forma como a história está contada, como estamos quase em pé de igualdade com o protagonista que, tendo falhas de memória, está como que a (re)conhecer as personagens enquanto nos são apresentadas. Ler este livro, dada a condição de Miguel Godói, é quase como andar com uma venda nos olhos o tempo todo, às apalpadelas para descobrir o que esta história nos quer contar. É um livro que me falou ao coração - o tipo de romance que eu aprecio, com dor, amargura e um toque de esperança quando tudo parece perdido.
Só fiquei reticente com o final, com aquela sensação de "não sei se entendi, mas penso que sim", o que por um lado é ótimo - fiquei o dia inteiro a tentar processar e a pensar no livro -, mas, por outro, me faz questionar se perdi alguma informação fulcral para o entender.
3.5⭐ gostei da história, mas houve alguns pormenores que não me convenceram e muita frase "bonita" que na verdade, não tem sentido ou não quer dizer nada e isso incomodou-me ao longo do livro. Posto isto, a história é interessante e está bem contada.
Com este livro descobri uma escritora cuja obra vou continuar a acompanhar. Adorei a sua escrita. Este é um livro inquietante do princípio ao fim, que nos mantém a nós, leitores, sempre fora de pé, sem saber bem onde está a verdade... Tal como o Miguel caminhamos lentamente, procurando seguir as pistas que nos são dadas, não deixando de desconfiar de algumas delas. E o final não sai deste registo. Este é um livro que nos acompanha muito tempo depois de o termos terminado, sempre à procura de novas respostas. Recomendo.
Se eu apenas pudesse ler o mais singelo e sublime agradecimento que Maria Isaac faz neste livro, a epígrafe e a dedicatória, dá-lo-ia como vencedor sem reservas.
Não me enganava. Todo o espaço que os separa é um mar de talento, uma escrita mais que cuidada, cuidadosa nas reflexões, nas reticências que acompanham toda a história. Na forma como preenche a vital presença da figura do 'cuidador', da amizade, da família, da presença e da pertença, enfim da aldeia que cuida do indivíduo, qualquer que seja o espaço físico em que se integra.
Em desespero, em sonho, em crise profunda, sozinho e prisioneiro do mais profundo sofrimento, Miguel convocou Júlia, e assim se salvou (para a vida ou da vida) e só isso já diz muito sobre o valor deste livro. Esta é a história de um sonho mau, tão difícil de esquecer como de lembrar. O caminho, aquele que requer amparo.
'Não há nada de belo no sofrimento. Muito menos no dos corajosos.'
'São as histórias que nos matam, quando não conseguimos abandoná-las, nem mudar quem somos nelas.'
Gostei muito de decobrir personagens do universo de Monte-o-Ver. Ainda assim, este livro é mais maduro, mais exímio, com um tema, contexto e narrativa muito diferente dos anteriores da autora.
A cada novo livro de Maria Isaac, mais a admiro. A sua escrita prende-me completamente, as suas histórias fascinam-me e os finais que dá a cada livro não são "e viveram felizes para sempre".
Um acidente quase fatal deixa Miguel Godoi com bastantes limitações e com crises de epilepsia, que conduzem a lapsos de memória. Durante uma boa parte do livro eu não suspeitei de nada. Mas a determinada altura, principalmente quando conhecemos melhor uma mãe e os seus 2 filhos, percebemos que nem tudo é exatamente como Miguel conta. Há a sua versão, e a versão dos factos. Como acreditar neste personagem quando tudo é uma tremenda confusão?
Detestei a Ilda, uma mulherzinha interesseira e cruel. Gostei da Júlia e do taxista Damião, que me fez lembrar Mont-o-Ver, da "Odisseia das Pequenas Coisas". Os temas aqui trazidos são mais profundos, fazem refletir nas coisas de todos os dias e na coragem de enfrentar as adversidades. É um livro para ser lido novamente, porque o final fiquei meio perdida, mas não sei se foi porque estava distraída ou era para ser mesmo assim.
«São as histórias que nos matam, quando não conseguimos abandoná-las, nem mudar quem somos nelas.»
Tem sido um prazer acompanhar o percurso literário de Maria Isaac. Todos os seus livros tem um encanto especial. Não são livros com finais felizes. Mas nem todos os livros precisam de ter um final feliz para serem grandes livros. E a Maria tem essa capacidade de nos encantar com as suas personagens melancólicas, sempre repletas de diferentes camadas.
"As histórias que nos matam" é uma narrativa diferente do registo que a escritora nos habituou. Passado num ambiente citadino e com uma personagem que atravessa por vários problemas de saúde. Miguel Godoi não é uma personagem fácil, devido a um grave acidente que sofreu e o levou a ter problemas de memória assim como ataques epiléticos. Tal leva ao o leitor a não confiar totalmente no seu relato. O que é de facto real e ficção na vida dele?
É uma obra que demonstra o desespero do ser humano, o vazio que sentimos quando perdemos todo o que nos é precioso. A impotência de perdemos a certezas, e de nem nós mesmos podermos confiar.
"Pelo menos restara-lhe a literatura, e com ela era-lhe possível caminhar nos sapatos usados e confortáveis da história de outros, com o sofrimento de desconhecidos que tornavam a dor que ele sentia numa coisa nova e mais interessante, algo com potencial, talvez até com um próposito"
Se há livros que nos agarram pela alma e nos fazem sentir cada palavra, As Histórias Que Nos Matam é, sem dúvida, um deles. Maria Isaac entrega-nos um romance intenso, humano até à medula, onde a dor, a perda e a esperança se misturam numa narrativa impossível de largar. A história de Miguel Godói, um homem cuja vida muda num instante por causa de um acidente, é daquelas que nos fazem pensar – sobre a fragilidade da existência, sobre como as memórias nos moldam e, acima de tudo, sobre o que acontece quando a vida que construímos desaba sem aviso.
Miguel nunca teve um caminho fácil. Cresceu rodeado pela negligência e pelo abandono, mas conseguiu encontrar um rumo, casar com a mulher que amava e construir algo que parecia sólido. Até que, a 3 de maio de 1988, tudo se desmorona. O acidente deixa-lhe marcas profundas: para além das sequelas físicas e da epilepsia refratária que passa a atormentá-lo, vem a perda mais dura de todas – o fim do casamento, o vazio da solidão. De repente, Miguel torna-se um homem partido, preso numa mente que lhe escapa, entre apagões e memórias que se confundem com a realidade.
Maria Isaac conduz-nos por esta história com uma escrita envolvente e, muitas vezes, quase poética. Mas o que me prendeu mesmo foi a incerteza constante: será que aquilo que estamos a ler aconteceu mesmo? Ou será apenas um reflexo distorcido da mente de Miguel? Eu adoro um narrador pouco fiável, e este livro fez-me sentir constantemente em terreno instável – no melhor sentido possível.
Foi a minha primeira experiência com a escrita de Maria Isaac, mas de certeza que não será a última. Fiquei com imensa curiosidade para descobrir os livros anteriores da autora, porque poucas pessoas conseguem criar personagens tão complexas e reais, sem cair na tentação de romantizar o sofrimento. Miguel é humano, com todas as suas falhas, dores e pequenos momentos de esperança.
E, no fim, o que me ficou desta leitura foi exatamente isso: a forma como sentimos tudo ao lado dele. Cada perda, cada silêncio pesado, cada raio de luz, por mais ténue que seja. Quando fechei o livro, só pensei numa coisa: quero mais Maria Isaac na minha estante. E não há elogio maior do que esse.
Um livro onde as emoções estão à flor da pele. A escrita deste livro é simples, mas muito intensa. A forma como a autora nos transporta para o mundo caótico de Miguel Godói, nos envolve num turbilhão de sentimentos, utilizando uma narrativa onde cada palavra importa.
Este livro, a meu ver, também nos permite uma reflexão sobre a saúde mental. Como um episódio traumático pode mudar a vida de um ser humano. É necessário ter consciência que há tratamentos que podem ajudar a superar as dificuldades, fazendo um tratamento acompanhado de uma terapia, e essencialmente de fazer o que é recomendado / aconselhado.
O meu ritmo de leitura foi muito lento, mas nunca deixei de sentir que perdia o fio à meada.
A autora cativa o leitor, fazendo-o sentir parte da sua história. A sua sensibilidade em abordar os sentimentos é eximia.
- O que o faz pensar que não vale todo o oiro do mundo?"
Gostava de ter percebido melhor este livro, mas calculo que não seja um livro feito para mim. Muito intrincado e a pender para o filosófico, deixou-me confuso.
Esta é a história de Miguel Godói. Miguel está destruído pelo infortúnio que sofreu ao ter um acidente que o deixou com sequelas físicas e neurológicas, ficando com uma memória que o torna frágil, que faz com que fique preso no passado. Perdido entre memórias, as suas limitações físicas e a solidão, Miguel entra num processo de reencontro inesperado com a vida que lhe dá mais perguntas do que respostas, mas também oferece a possibilidade de um novo amor.
A vida tende a trazer coisas inexplicáveis, que faz arrancar sentimentos que se tornam tão improváveis que conseguem trazer uma mudança inesperada em alguém. Os desafios que a vida impõe e a forma como destranca coisas que estão bem guardadas, é algo que transforma completamente uma pessoa, tornando assim num processo de cura doloroso, tanto físico como emocional. Mas nem tudo é sofrimento, porque no fundo existem coisas pelas quais vale a pena viver.
O amor… Um sentimento com grande protagonismo nesta história, que é capaz de criar um grande impacto e surpreender quando não resta nada além da sobrevivência ao encontrar um lugar num mundo que pode ser tão cruel. Um sentimento que surge no meio do vazio, quando se pensa que a vida se resume a existir, sem rumo, entre memórias fragmentadas e o medo do que há-de vir. Mas de que serve existir, se não houver a coragem de arriscar? A verdade é que o amor tem muitas formas e consegue ter mais poder do que tudo.
Esta foi a minha estreia na escrita de Maria Isaac e devo confessar que não sabia ao que ia, mas que me surpreendeu muito! Fui completamente arrebatado pela forma como a autora fala do amor e da dor através de uma escrita que nos envolve, pela história sofrida e também pela personagem de Miguel Godói que se tornou bastante cativante, sendo alguém que sofre ao entrar num caminho de autodescoberta com a suas dúvidas e incertezas ao questionar a sua existência num mundo que o desafia constantemente.
Um livro leitura imersiva que nos desafia a mergulhar nas profundezas da dor e explorando o quão caótico o ser humano pode ser.
Update na cotação passado 1 mês because I can’t stop stop thinking about this book! — Acabo este livro completamente arrepiado. Com uma sensação de estranheza por não saber bem o que li, e ao mesmo tempo sentir um certo grau de familiaridade com toda esta história.
Começo por dizer que li este livro numa altura completamente errada. Numa altura em que a vida se meteu pelo meio, e me fez precisar de fugir da realidade, tive que deixar esta leitura de lado. Esta quebra acabou por tirar um pouco o sentido de continuidade que esta história tenta passar, e talvez por isso não a tenha apreciado tanto quanto gostaria.
Mas a realidade é que, mesmo assim, foi uma história que teve um grande impacto em mim. Disse no início que não sei bem o que li, e digo-o porque o livro não nos dá as respostas a que estamos habituados. Dá-nos uma oportunidade de interpretarmos a história como quisermos, talvez da forma que mais faça sentido para nós. Acho que por isto é que acabei com a sensação de ter lido algo bizarro, porque construí uma interpretação que me é assustadoramente familiar.
A verdade é que cada um de nós lida com os sentimentos de formas diferentes. Seja felicidade, amor, luto ou dor. E a forma como lidamos com a falta de um amor, que sempre nos foi familiar, pode nem sempre ser a mais racional. Procuramos alternativas que ajudem a tornar a dor mais tolerável, mas muitas vezes voltamos ao ponto inicial. Vezes e vezes sem conta.
Acredito mesmo que, de facto, há histórias de amor que nos matam. Não no sentido literal da palavra, mas no sentido em que nos moldam e deformam de tal maneira que nunca mais voltamos a ser os mesmos. Uma dor que cega e que muitas vezes pode parecer uma prisão. E, tal como Miguel Godói, muitos de nós ainda estão a aprender a viver com isso.
Quero destacar a escrita brilhante da Maria Isaac, que carrega com emoção cada uma das suas palavras. Vou sem dúvida querer ler todos os livros dela.
As Histórias Que Nos Matam 🎶 Num fim‑de‑semana de muito sol, terminei este livro maravilhoso que nos traz de volta a escrita da Querida Maria Isaac, uma escrita completamente diferente da que estávamos habituadas. Uma escrita que nos deixa várias vezes a pensar em como isto muda tudo muito rapidamente. Num fim‑de‑semana de muito sol encerro a história de Miguel Godói que infelizmente tem na sua vida muito nevoeiro e nuvens cinzentas. 😕
Ler este livro é como uma montanha russa de emoções, nunca sabemos como vamos encontrar Miguel no próximo capítulo, como se estará a sentir, do que se lembra ou do que se esqueceu, que parte do corpo lhe dói mais, que normalmente é o seu coração! 💔 A cabeça de Miguel é um verdadeiro labirinto emocional, e vivemos nela durante 245 páginas. Que viagem!
Miguel Godói, era um homem incrível, seguro de si, herói da sua própria história, com tudo para ser feliz mas de repente a vida puxa lhe o tapete e não morreu porque assim não tinha de ser. Mas só não morreu fisicamente porque, todo o seu mundo se transformou depois de um grave acidente em que Miguel é atropelado, e perde o grande amor da sua vida.
Mas a vida dá-nos sempre segundas ou até terceiras oportunidades, traz-nos pessoas que nos estendem a mão e querem caminhar connosco, querem tirar-nos do fundo do poço… O problema é quando não queremos, ou não temos forças para sair de lá, aí não há nada a fazer… Só viver, um dia de cada vez!
“Já repararam como caminha um homem com esperança? Ele nunca olha para trás.” “São as histórias que nos matam, quando não conseguimos abandoná-las, nem mudar quem somos nelas.”
Leiam, está maravilhoso. Adorei! Cláudia ☀️ “Oh, sempre a merda do Amor!”
Permitam-me um pequeno “spoiler”: talvez possam encontrar algum habitante de Mont-o-Ver. 😉
“- Ninguém é feliz, somos todos tristes por natureza, ou chorar não seria a primeira coisa que fazemos ao chegar a este mundo. (…) - Dizem que para alguns depois melhora.”
Miguel Godói, após um acidente, enfrenta as consequências de uma epilepsia peculiar que apaga suas memórias recentes, prendendo-o a um passado doloroso. A estória é passada em Lisboa nos anos 90 e Miguel procura respostas sobre um livro enigmático que chega às suas mãos, levando-o a uma casa na Madragoa, onde encontra não só mais perguntas como também a possibilidade de um novo amor.
Um romance contemporâneo que mergulha nas profundezas da dor, da memória e da tentativa de recomeço. O livro aborda temas como a luta contra a dor crónica, a dificuldade de continuar a vida após uma tragédia e a imprevisibilidade da mesma, numa escrita sensível e introspectiva, que explora as emoções e dilemas internos da personagem principal. Como alguém que tinha uma vida realizada e feliz se vê dependente de outros e sem poder acreditar nos seus próprios pensamentos.
As personagens são complexas e realistas, cujas experiências e sentimentos nos fazem pensar e até com os quais nos podemos identificar.
Rico em detalhes permite uma imersão completa no mundo interior do protagonista e as questões são abordadas de forma delicada e com sensibilidade e respeito, proporcionando uma leitura que é tanto envolvente quanto educativa.
Esta é muito mais que do que uma simples história de amor, é uma reflexão sobre a importância da comunicação e da conexão humana. Uma estória que nos toca o coração e faz refletir. Imperdível para todos os que apreciam estórias que exploram a complexidade das emoções humanas.
Há livros que não se leem, enfrentam-se. Como quem abre uma porta para dentro de si mesmo e encontra, não a paz, mas uma verdade suspensa: a de que o amor, por vezes, dói mais do que a própria morte. Maria Isaac, com a lucidez de quem já viveu e sentiu na pele, oferece-nos em As histórias que nos matam um compêndio de feridas, sussurros, memórias e resistência.
Este não é um livro que conforta, é um livro que nos obriga a encarar. Cada página é um espelho estilhaçado, onde os fragmentos da vida se refletem com uma beleza dolorosa. Escrito numa prosa que oscila entre a poesia e o abismo, Isaac lembra-nos que aquilo que nos enamora também nos pode destruir, e que há histórias que, mesmo inacabadas, já nos deixaram vazios. Maria Isaac não escreve para agradar, escreve para sangrar com dignidade. Cada palavra sua é uma tentativa de compreender o que sobra quando o amor falha, quando o outro parte, quando tudo aquilo que fomos já não nos serve mais.
As histórias que nos matam é, no fundo, um grito contido. Um livro que dói como doem as verdades ditas ao espelho. Mas também é um abraço para quem já amou demais e ficou sem chão. Uma obra que nos devolve, sem promessas, a coragem de continuar.
Uma escrita maravilhosa da Maria Isaac como nos tem habituado! Gostei muito do conceito e da história. Mas aquilo que mais gostei acho que não se pode dizer para não estragar a surpresa 🤭
Há histórias que precisam de ser contadas, e a de Miguel Godói é uma delas: um protagonista que vê a sua vida virada do avesso depois de um acidente que lhe retira a vida que até então conhecera.
Ao longo da história, a autora presenteia-nos com uma realidade dura: a vida após um acidente que desconfigura a vida por completo. Desde o reaprender a andar a confiar nos outros, Miguel Godói passa por várias provações que têm o potencial de recuperar – ou retirar – a sua sanidade.
Numa escrita poética que sempre nos delicia, Maria Isaac faz-nos navegar numa narrativa tensa, mas que também se saboreia. Dei por mim a procurar significados nas entrelinhas – e há tantos – para melhor compreender Miguel Godói e a sua vida peculiar.
Das coisas que mais adoro nos livros da autora é reencontrar personagens de outras histórias, e esta foi uma delas. Num registo mais literário, «As Histórias que Nos Matam» difere da «Odisseia das Pequenas Coisas», ainda assim traz-nos os belíssimos diálogos e expressões a que nos vem habituando na sua obra.
Pessoalmente, senti que este livro não me marcou tanto pela história, nem pelo protagonista, que podemos considerar um narrador não confiável, mas pela escrita, essa sim, que me fez sublinhar estas páginas tantas vezes.
Aguardo com expectativa mais livros da autora, que detém o meu coração literário. Adoro os seus livros e quero ler todos os que se seguirem.
3.5 estrelas.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Este livro narra a história da vida de um produtor musical de grande sucesso que, na sequência de um acidente, se torna um doente neurológico e mental crónico, alternando entre momentos de lucidez, outros de confusão, outros de efabulação / alucinação e outros que até se apagam totalmente da sua memória, o que faz com que, mesmo quando se encontra lúcido, desconfie sempre da fiabilidade dos seus pensamentos. A narrativa está de tal forma bem conseguida e bem escrita que ao leitor parece que está "dentro" daquela cabeça doente e tem, ele próprio, dificuldade em distinguir a realidade da ilusão.
Esta história mata-nos mesmo. Começa por apresentar-nos um protagonista destruído física e mentalmente. E à medida que o acompanhamos isso também nos destrói. Este livro fala sobre a importância da memória na nossa identidade. E de como estamos perdidos e não somos ninguém se não tivermos essa dádiva. Sem memória resta ao homem vaguear perdido na sua confusão e na sua loucura. Fala também da força do amor. Uma força que pode ser destruidora ou construtora. Mas é sempre absolutamente transformadora. Pelas páginas há momentos de caos em que estamos, também nos, perdidos na cabeça e nas percepções da personagem. No final resta a certeza da importância dos outros na nossa vida. mas também mais dúvidas do que certezas. Um livro que nos deixa cheios de perguntas. O que é verdade e o que é ilusão? Tal como o protagonista acabamos perdidos e sem saber o que realmente aconteceu.