Esta é a história de Maria Teresa, uma mulher que cresceu numa pequena vila piscatória entre a austeridade familiar e a liberdade que encontrava nos livros e numa paixão clandestina. Condenada a viver à sombra do que o pai e o marido haviam sonhado para ela, resolveu pôr em causa as ordens e as tradições, tomar as rédeas do seu destino, deixar para trás uma vida de conforto e atravessar o rio em busca de emancipação. Hoje encontramo-la a tecer tapetes numa casa escura que ninguém sabe o que esconde e é considerada uma espécie de bruxa que assusta as crianças; porém, é numa amizade improvável com Joana, uma menina que aprende com ela a amar os livros, que Maria Teresa encontrará a redenção. Com um ritmo poético e introspetivo, a narrativa desenrola-se em pequenos fragmentos belíssimos que refletem as superstições de uma comunidade marcada por um episódio com consequências dramáticas. Mas onde todos veem horror Maria Teresa vê beleza e possibilidade. Terão, ela e Joana, medo dos santos da casa? Romance inspirado na história dos santos do escultor Altino Maia, que foram retirados da Igreja de São Pedro da Afurada, é na ficção que esta obra desafia algumas verdades.
Nasceu no Porto em 1997. Licenciada (2019) em Design de Comunicação pela FBAUP e Mestra (2022) em Estudos Literários, Culturais e Interartes pela FLUP. Venceu o Prémio Literário NORTEAR (2018) e em 2019 cocriou o projeto Knit&Wine. Em 2020 cofundou a Truz Truz Editora. Em 2022 frequentou o Curso de facilitadores em criação artística comunitária da PELE e cocriou o projeto musical Abondai. Integra projetos que cruzam várias áreas artísticas como o teatro, as artes plásticas e a literatura.
A capa, o título e o facto de ser da chancela D. Quixote chamaram-me a atenção, mas confesso que não sabia bem ao que ia, nem tinha grandes expetativas. Comecei por folhear o livro, os capítulos curtos foram-se dissolvendo e, quando dei por mim, estava já completamente envolvida, a meio do livro!
Em "Quem Tem Medo dos Santos da Casa", ficamos a conhecer a Maria Teresa, que cresceu numa pequena localidade piscatória, dividida entre o que a família e a sociedade esperavam de uma rapariga como ela (boa postura e boas maneiras, que levariam a um bom casamento e um bom futuro) e os sonhos e liberdade que encontrava na poesia e nas histórias.
Atualmente, vive do outro lado do rio junto ao qual cresceu, numa casa escura, com a companhia das suas tapeçarias e de grandes estátuas de santos esculpidos em madeira. Como raramente sai, é tida como uma bruxa, evitada pelos vizinhos no mercado, e de quem as crianças fogem com medo. Mas nem todas. Joana deixa-se vencer pela curiosidade e aproxima-se de Maria Teresa, que lhe começa a emprestar livros. Unidas pela magia da leitura, cria-se entre as duas uma relação especial, que servirá, também, de redenção a Maria Teresa, como forma de se reconciliar com o seu passado.
Gostei da história, mas ainda mais da forma como está escrita. Há passagens muito bonitas e poéticas, de uma sabedoria delicada, que deixam instrospetivo, a refletir. Gostei bastante desse tom e desse ritmo e li o livro de uma assentada, num fim de semana soalheiro.
Gosto muito quando faço uma pequena incursão num novo livro e fico presa na história e nas personagens e a leitura se faz voraz. Maria Teresa é uma personagem luminosa que muitos desprezam. Os Santos da sua casa são os seus companheiros e apoio em todos os momentos. Mulher sensível e inteligente, estranha por isso, encontra na pequena Joana uma alma compreensiva que percebe o valor dos livros e este romance de capítulos curtos usa poucas palavras para tanto dizer. Relembramos a moral de época com critica e vigilância mas pouco afeto que tolhia a imaginação e combinava o futuro. Um narrativa simples e rápida para uma história comum com um desenrolar diferente que, vai alternando sem equívocos o passado e o presente desta personagem. Não se nota nada que adorei este livro, pois não? Personagens grandiosas numa história terna.
Aqui encontra-se a história de uma mulher chamada Maria Teresa. Um mulher que cresceu numa pequena aldeia no norte do país. Uma menina que se fez mulher debaixo de um regime austero, em que lhe foi traçado o destino à nascença pelo seu próprio pai. Mas Maria Teresa nunca deixou de sonhar. Tinha luz própria, por muito que lhe quisessem fazer sombra. Nos livros viu encontrou a liberdade. No rio descobriu o amor e a emancipação.
Este é um livro bonito. Um livro onde em cada página se encontra poesia. Um livro pequeno mas profundo. Um livro desafiante. Um livro que marca quem o lê.
Um livro que me obrigou muitas vezes a parar só para saborear, para interiorizar, para sentir o que a Sara Duarte Brandão escreveu para cada leitor. Um livro que me fez pesquisar a história dos Santos do escultor Altino Maia e da Igreja de São Pedro da Afurada.
É impossível ficar indiferente à escrita desta jovem autora. A forma que encontrou para falar sobre o universo feminino, onde fez da mulher a dona do seu destino.
Um primeiro livro brilhante. Contado através de fragmentos de uma mulher obrigada a obedecer ás ordens do pai e do marido. Maria Teresa, com a sua alma de poeta e a sua vontade de fugir daquela vida que aprisiona os seus sonhos. Anos mais tarde será na sua amizade com a pequena Joana que voltará a encontrar a alegria perdida.
É um livro de palavras bonitas que nos toca no coração. Personagens que querem sair do papel. A história dos santos renegados, mas que voltaram a encontrar um lar.
Maravilhoso! Quis emoldurar centenas de frases. A autora presenteia-nos com uma obra de uma beleza magistral. Lindo, triste e profundo. Explora camadas humanas de amor e fé com uma delicadeza sem igual. Tem uma Portugalidade muito própria. Uma dose de crítica aguçada, mas bem trabalhada. Honestamente, já não me lembrava de me embevecer com um livro e que bom que foi voltar a senti-lo ❤️ Sara Duarte Brandão, um nome a guardar como referência.
Conheci a Sara, em 2019, num evento de liderança jovem feminina, onde ela era uma das líderes da nossa equipa, Llomantis. Todas as pessoas que conheci nesse evento eram profundamente inspiradoras e a Sara não era exceção. Lembro-me do seu super talento para o desenho e da sua enorme paixão pelo projeto que estava a criar para dar voz aos avós.
“Ler um livro é um assunto sério. Um livro é tanto um pedaço de tempo perdido como uma trama infinita. De qualquer das formas, as pessoas nunca saem as mesmas depois de se atreverem a entrar naquela porta.”, escreve a Sara neste livro. E ainda bem que eu tive a oportunidade de ler este livro, porque tempo perdido é que não foi! Já tinha ouvido falar e andava curiosa. O título, a capa, tudo aguçava a minha curiosidade. Estava na lista “para comprar”. Sem contar, deu-se a feliz coincidência de ter ido à FLPorto no dia em que a Sara estava lá numa sessão de autógrafos, e soube que tinha de o comprar. Mais ainda, soube que tinha de o ler depois de uma conversa tão animada com a simpática Sara! E, como “Ler um livro é um assunto sério”, este entrou para a lista dos meus preferidos, sem dúvida nenhuma! Foi lido de lápis na mão, pois claro, está muito sublinhado, porque quando leio um livro com uma escrita tão poética tenho sempre frases que tenho de sublinhar – e são muitas! É tão bom descobrir jovens autores com um talento e uma sensibilidade tão grandes! A autora inspira-se no desastre que destruiu a capela original de S. Pedro da Afurada e a construção da nova capela, com toda a polémica dos santos do escultor Altino Maia. Esse é o ponto de partida, mas a protagonista, Maria Teresa, vive num local que podia ser qualquer vila ou cidade do país. Maria Teresa é uma personagem de sombra e de luz, uma mulher que representa, simultaneamente, a rebeldia e a resignação. Desde muito pequena desafiou as convenções ( e eu revi-me tanto nesta Maria Teresa, porque também eu perguntei uma vez a um Padre se ele era casado 😉). No entanto, como tantas mulheres, acaba por abdicar dos seus sonhos em nome de um casamento selado por interesses familiares, em nome da honra e da tradição. Já mais velha, Maria Teresa vive sozinha, numa casa escura, rodeada pelos seus Santos e pelas memórias. Na vila todos acham que é uma mulher estranha, e a sua indiferença aos olhares dos outros contribui para a crença generalizada das crianças de que Maria Teresa é uma bruxa, com exceção da pequena Joana, menina curiosa que a visita. Gostei muito da forma peculiar como a autora estrutura a narrativa, através de pequenos capítulos que acabam por ser como fragmentos das memórias da protagonista, uma espécie de janela aberta para o mundo interior desta mulher tão humanamente rica. Esta estrutura, aliada a uma escrita tão bela e a uma construção de personagens tão cuidada permite uma experiência de leitura muito introspetiva. A escrita é poética e muito delicada, sem dúvida. Mas há também lugar para uma crítica às normas sociais e religiosas, num ambiente denso, até repressivo e marcado por superstições, onde o quotidiano e o simbólico caminham a par. O título fez-me muito mais sentido enquanto lia. A ligação entre o imaginário infantil (“Quem tem medo do lobo mau?”) com a expressão popular( “Santos da casa…”) e toda a história que inspirou a obra tem, afinal, mais camadas do que imaginava. Com muita subtiliza e ironia, a autora inverte a lógica: afinal os santos da casa é que são o símbolo de opressão, de moralismo, afinal o perigo vem de “dentro de casa”, da família, da comunidade, das tradições impostas e inquestionáveis. Por isso, Maria Teresa fecha-se em casa com os Santos que foram excluídos por serem diferentes, porque o medo não deve estar no que é desconhecido, mas sim no que conhecemos e é fonte de repressão e de limites à liberdade. Um livro profundo, escrito com muita delicadeza e que narra uma história cativante. Uma experiência de leitura envolvente, reflexiva e profundamente humana. Um livro que me emocionou, em alguns momentos, porque também eu sei que “Há pessoas que nos fazem falta a vida toda.” Terminei e comentei “Esta miúda escreve tão bem!” A Sara é uma escritora cheia de talento, e eu espero ansiosamente por mais livros dela.
Quem Tem Medo dos Santos da Casa, de Sara Duarte, foi uma descoberta daquelas que sabem ainda melhor por serem inesperadas. Cheguei ao livro através do Kobo Plus, sem grandes expectativas, e saí completamente conquistada.
A escrita é, para mim, o grande destaque. Apesar de ser prosa, há ali qualquer coisa de poesia: uma musicalidade constante, frases que pedem para ser lidas devagar, quase saboreadas. É aquele tipo de escrita que não precisa de excessos para ser bonita.
A história é envolvente e tem uma intimidade muito própria, quase como se estivéssemos a espreitar pela fresta de uma porta. Gostei muito do tom, da atmosfera, do que é dito… e também do que fica por dizer. Houve momentos em que senti que algumas partes podiam ter sido mais exploradas, que certas emoções ou situações mereciam mais tempo em cena. Mas, curiosamente, isso não me afastou do livro.
Há um espaço consciente deixado ao leitor, um convite silencioso para preencher os vazios, e fazer o seu próprio caminho entre as linhas. E isso, quando bem feito (como aqui), é uma escolha corajosa e eficaz.
Uma excelente descoberta, delicada, melódica e cheia de identidade.
{DNF at 70%} Não me cativou o suficiente para continuar, como disse anteriormente é difícil estruturar um livro com capítulos tão pequenos e cativar o leitor. Tem partes interessantes, frases bonitas contudo está constantemente a fazer saltos temporais que não fazem sentido. A Maria Teresa foi a razão porque tentei acabar o livro, contudo a segunda parte para mim não fez sentido... A história em si não me prendeu minimamente e após algumas tentativas de leitora dei por mim a ler sem vontade e como se fosse um castigo.
Li no kobo plus mas vou comprar o livro, faço questão de o ter na minha estante. A escrita da Sara é muito poética, muito envolvente e a construção das personagens é incrível. Adorei a Maria Teresa e sei que me vou lembrar dela durante muito tempo. 🙂 Nos dias que correm, é muito bom ler mulheres escritoras tão inteligentes, com uma escrita tão madura que não são produto de redes sociais. A Sara é uma verdadeira escritora e eu espero ansiosamente por mais livros dela.
Já tinha lido (e adorado) a poesia de Sara Duarte Brandão. Agora tive o prazer de ler a sua prosa (tão!) poética.
Mais um livro maravilhoso, peculiar e que vive muito do seu próprio universo e da sua própria linguagem.
É raro encontrar um(a) autor(a) tão jovem com uma voz tão preenchida e com tanta qualidade literária. Sem dúvida uma autora que recomendo muito. Tenciono ler tudo o que escrever.
“O belo é a única semente que quem planta não rega, mas que espera por quem venha alimentar-se dela. Sem preconceito, toda a beleza cresce pelo que dá, e não pelo que herda.”
“Hoje acende cigarros à janela para simular com os dedos os abraços que ficaram por dar. Há pessoas que nos fazem falta a vida toda.”
Poderá ser o primeiro de muitos e eu vou querer ler os que seguirem a vida de Maria Teresa. Gosto destes retratos de aldeias que reconhecemos logo de pessoas e personagens com quem já cruzamos de certeza pelo menos uma vez...
Um livro cheio de ritmo e leveza na fluidez mas certeiro nas palavras e estereótipos. Que bom!
Quem Tem Medo dos Santos da Casa é um romance da autoria de Sara Duarte Brandão que tem como inspiração a história dos santos do escultor Altino Maia, que foram retirados da Igreja de São Pedro da Afurada em 1999. Mas, na verdade, este livro conta a história de Maria Teresa, uma mulher que cresceu numa pequena vila piscatória dividida entre a austeridade familiar que a condenava a viver à sombra do que o pai e o marido esperavam dela e a liberdade que encontrava nos livros e numa paixão clandestina. Ao folhearmos o livro, encontramo-la já numa idade um pouco mais avançada, de volta do tear, numa casa escura que ninguém na aldeia sabe o que esconde e que contribui para a crença generalizada das crianças de que Maria Teresa é uma bruxa, só lhe faltando a verruga que talvez até já tenham procurado. O ano ainda não vai a meio, mas algo me diz que este livro vai ser uma das maiores surpresas deste ano e que vai ser parte dos favoritos do mesmo. Sem nunca ter lido nada escrito pela Sara, a surpresa não podia ser maior quando encontrei neste livro uma das escritas mais poéticas com que já tive o privilégio de me encontrar acompanhada, ainda por cima, de uma história verdadeiramente cativante e da qual não conseguia desvendar o fim. Cada página virada era uma surpresa, era um pensamento formulado de forma bonita, era uma constatação na qual nunca tinha pensado, mas que me fazia todo o sentido. Se quiserem saber mais do enredo, vão ter de ler o livro. Porque o resto das minhas palavras quero usá-las para partilhar algumas das passagens que guardei comigo ao longo desta leitura.
"Maria Teresa não soube se percebeu, mas também não se preocupou. Deixou-se levar pela voz que tanta falta fazia ao escritório onde, naquele dia, reinava o silêncio pesado dos livros por abrir. Hoje acende cigarros à janela para simular com os dedos os abraços que ficaram por dar. Há pessoas que nos fazem falta a vida toda."
“Morrer é o ato inconsciente de continuar a vida na cabeça de quem nos ama.”
“Fica muito de um amor que acaba, mas é muito pouco o que nos permitimos recordar. Cada paixão é um icebergue no nosso peito. A ponta fica à vista - um nome, um lugar, uma característica que nos deixa com um sorriso na cara, embora saibamos que, ao primeiro mergulho, é tanto mais aquilo que se descobre. Ficam debaixo de água os momentos ardentes de afeto ou raiva, dados insignificantes como um sinal no olho ou um pelo com uma cor diferente na floresta da barba. Esses lembramos apenas nas noites mais tristes, em que a solidão é o principal adereço do nosso corpo, e sabemos que só o passado nos salva de nós próprios. Saber evocar que já te amei para aprender a nunca mais te amar.”
“Trazia um sorriso a cair dos lábios quando regressou a casa naquele início de outono. Sabia o que o amor não era e isso bastava-lhe. Às vezes só precisamos de encontrar em nós o que não queremos dos outros para sermos felizes.”
“É aí que jaz a beleza das árvores - por mais semelhante e belo que seja o seu exterior, é no interior que encontramos as mais extraordinárias peculiaridades. Como nas pessoas, é só escavar.”
"Quem Tem Medo dos Santos da Casa" é de uma prosa poética e de uma sensibilidade extraordinárias. Isso, sendo bom, é uma desvantagem para mim - eu não sou uma leitora que saboreia cada palavra, sou mais daquelas que valoriza o conteúdo do que a forma (desde que a forma cumpra mínimos e, idealmente, seja de leitura fácil). Dito isto, acho a história de Teresa e da sua cidade tocantes. Sara Duarte Brandão trouxe personagens sólidas e conseguiu descrever o preconceito e a cultura enraizada de uma cidade de forma exímia. Os capítulos são curtíssimos e, por isso, torna-se um livro fácil de ler - ainda que a narrativa ande sempre para trás e para a frente, o que nos obriga a preencher uma linha temporal de cada vez que mudamos de página. Bom livro, boa escrita - as quatro estrelas devem-se a não ser o tipo de leitura que mais me cative.
Há escritores que usam a língua portuguesa. E depois há aqueles que a moldam, que a torcem, e que a elevam. O que Sara Duarte Brandão consegue fazer com a nossa língua é algo que muito poucos alcançam. Li este livro após ter vencido o Prémio Novos Autores 2025 da Wook. Percebo agora que foi mais do que merecido.
Inspirado na história verídica do desaparecimento dos santos do escultor Altino Maia da Igreja de São Pedro da Afurada em 1999, o romance constrói uma narrativa onde memória, identidade e liberdade se entrelaçam de forma subtil e poderosa.
Acompanhamos a vida de Maria Teresa, uma mulher que cresce numa vila piscatória e que, desde a infância, percebe que não corresponde às expectativas que os outros projetam sobre si. Encontra nos livros o seu refúgio, o seu lugar de pertença. Ao longo da vida, vai sendo moldada, silenciada e aprisionada pelas expectativas sociais, pelo peso do patriarcado e pela austeridade familiar. Na tentativa de tomar as rédeas da própria vida (talvez tarde demais?), desafia normas, questiona a caixa onde todas as mulheres são colocadas e, por isso, é vista como estranha, desprezível, bruxa.
É verdadeiramente impressionante pensarmos que este é o primeiro livro de uma autora tão jovem. A maturidade, a sensibilidade e a densidade poética que imprime na escrita são raras e colocam-na ao lado dos grandes nomes da literatura portuguesa contemporânea, e digo isto sem qualquer problema.
A estrutura do livro é arriscada. Fragmentada, construída em capítulos muito curtos, com uma prosa marcadamente poética, a narrativa faz saltos temporais que facilmente poderiam ser comprometedores, mas que funcionam de forma brilhante. Quase todas as páginas acabaram sublinhadas. Em vários momentos, pensei em Adília Lopes, não fosse também a autora poeta. Há uma contenção precisa nas palavras: são poucas, mas são as necessárias. A Sara dá-nos espaço e tempo para descobrir Maria Teresa ao nosso ritmo, como quem desvenda algo delicado.
Este é, sem dúvida, um livro que figurará no meu top de leituras do ano. Descobri na Sara uma nova autora portuguesa favorita e cujas palavras irei certamente acompanhar no futuro.
Este é daqueles livros que, com capítulos curtos, consegue desenhar o retrato de alguém que todos nós já conhecemos, ou talvez até já tenhamos sido.
As descrições são breves, mas incrivelmente eficazes. Prova de que não é preciso escrever muito para dizer tudo. Com poucas palavras, a autora constrói cenários nítidos e emoções densas.
É um livro que não deve ser lido à pressa, apesar do ritmo visual dos capítulos sugerir o contrário. Cada frase parece pensada ao milímetro, colocada com intenção e significado. Há uma delicadeza quase cirúrgica na forma como a narrativa é construída.
Impressiona ainda mais saber que esta é a escrita de alguém tão jovem, mas com uma sensibilidade e maturidade literária raras. A forma como observa o mundo e traduz sentimentos em palavras revela uma alma antiga.
É difícil não encontrar ecos de grandes nomes da literatura portuguesa: a intensidade emocional de Camilo Castelo Branco, a introspeção de Fernando Pessoa e a nostalgia de Florbela Espanca. Ainda assim, Sara Duarte Brandão tem uma voz própria e sente-se. Há verdade ali. Há silêncio, há peso, há coisas que doem sem nunca precisarem de gritar.
Terminei o livro com aquela sensação estranha de proximidade, como se tivesse estado a espreitar pensamentos que não eram meus… mas podiam ser.
Lindo, profundo, sublime. Cada personagem é tecido com delicadeza, formando uma tapeçaria de vozes que se entrelaçam entre poesia e prosa. Uma leitura que não apenas conta, mas sente — sensível, reflexiva, e intensamente humana.
gostei imenso deste livro, é totalmente o meu género. tem frases maravilhosas, que reli várias vezes. um livro bonito, que me deixou a desejar que tivesse mais páginas para continuar a história da Maria Teresa e da Joana
Um livro brilhantemente bem escrito, cheio de passagens muito bonitas. A história é baseada em factos reais e fiquei muito curiosa para visitar Os Santos d'Afurada.
Fiquei muito impressionada com a prosa poética de Sara Duarte Brandão. Uma escritora a seguir certamente.
Ao lado deste livro, a minha review ficará sempre à quem da beleza do que aqui foi escrito.
Quem conhece já a poesia da Sara, saberá a partida que a sua prosa não lhe ficará atrás. Gostei imenso da forma como este livro está escrito e estruturado, um livro simples cheio de complexidade nas personagens e nas histórias que elas nos contam.
Para ler, oferecer e divulgar.
“Deixar uma cidade, uma casa ou uma pessoa não significa esquecê-la. Antes pelo contrário, muitas vezes significa que sabemos que as cidades, as casas e as pessoas têm um fim distinto do nosso (…)”
Muitíssimo bem escrito. Adorei a narrativa que é contada, conhecer Maria Teresa, e a fotografia de um época próxima, numa localidade piscatória. Excelente forma de narrar. Capítulos curtos, como tiras de história, misturadas com reflexões, as 3 partes, ora com saltos temporais ora sequenciais. Muito criativo. Belíssimo.