Jump to ratings and reviews
Rate this book

Estado Febril

Rate this book
Segundo Thaís, “é da desobediência que surgem a escrita, o pensamento crítico, a busca pelo conhecimento e o resgate da história das mulheres que vieram antes de nós”, temática cara à autora, que trabalha para a divulgação da escrita de mulheres por meio de diversas iniciativas culturais.

Além de ser uma entusiasta da poesia, Thaís se mune dos mais variados assuntos pelos quais se interessou ao longo de sua vida para a construção de poemas que vão desde memórias de família até a mais profunda ligação com as estrelas e a criação do universo. Tudo isso sem nunca deixar para trás as histórias das mulheres, sejam próximas a ela, como suas avós, sejam as grandes cientistas e escritoras que viram seus feitos esquecidos ou creditados a colegas homens.

Também vem da desobediência a sensação de não pertencimento desse eu-lírico feminino, marcado pelo desejo de descobrir tudo que puder, inclusive sobre si mesma. De maneira por vezes doce, outras bem-humorada, outras ainda insurgente, a poética de Thaís alinhava os mais ínfimos elementos à imensidão dos planetas e o remédio que ardia nos machucados das meninas desobedientes dos anos 90.

A memória se manifesta recorrentemente no livro, uma memória que se mistura à ficção para formar um universo ao mesmo tempo pessoal e universal. Thaís acredita que, de certa forma, é na infância que está a origem de tudo: nos laços e exemplos familiares. Estar diante das possibilidades que o mundo oferece e se perceber diferente de todos, inclusive daqueles que eram até então tudo que se conhecia é um assombro, assim como é se voltar para a casa e observar as idiossincrasias familiares como algo que também nos constitui.

Na quarta capa, Jeovanna Vieira afirma: “a poesia de Thaís Campolina não nos diagnostica dizendo que a febre é culpa da nossa índole de escritoras”. Com orelha de Carla Guerson e posfácio de Letícia Miranda, esse é um livro em constante estado febril. O coming age de uma menina desobediente que tenta, a todo custo, não se deixar ser domada. E consegue.

98 pages, Paperback

Published January 1, 2024

2 people want to read

About the author

Thaís Campolina

4 books6 followers

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
7 (63%)
4 stars
3 (27%)
3 stars
1 (9%)
2 stars
0 (0%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Carla Parreira .
2,095 reviews4 followers
Read
February 5, 2026
Esse é o quinto livro de poemas de Thaís Campolina, explora a infância e a curiosidade através de uma linguagem própria que reflete a experiência feminina. A autora, que cresceu na década de 1980, utiliza um léxico que evoca a imaginação infantil, abordando temas como a relação com suas antepassadas e a busca por liberdade em um contexto de restrições sociais. O livro é dividido em quatro partes, cada uma trazendo elementos que conectam a poesia à ciência e à crítica social, como a referência ao efeito Matilda e a exploração de recursos naturais, especialmente em relação a catástrofes ambientais. Campolina destaca a importância de ressignificar a experiência feminina e a criatividade, contrastando a cultura patriarcal com o desejo de expansão e liberdade das mulheres. Através de seus poemas, ela também reflete sobre a relação com a natureza e a necessidade de preservar a curiosidade e a capacidade de invenção que muitas vezes se perdem com o tempo. Campolina aborda assuntos femininos com uma linguagem que entrelaça imagens científicas, como o Mercúrio, tanto como planeta quanto como remédio, ressignificando esses elementos em sua poesia. Na parte final do livro, intitulada "A Composição das Estrelas", a autora faz referência a Cecília Pen Gaposkin, a primeira astrônoma a determinar a composição das estrelas, que também sofreu o efeito Matilda, onde suas descobertas foram creditadas a seu orientador. O poema "Big Bang" reflete sobre a relação entre ciência e poesia, destacando como a literatura permite um questionamento mais sutil e gradual em comparação com a ciência, que pode ser mais abrupta.

Em "Outros Tempos", Campolina evoca memórias da infância, utilizando o Mercúrio cromo como símbolo de cura e de experiências vividas, como quedas de bicicleta e a relação com remédios que ardiam. A autora menciona várias figuras femininas influentes, como Susan Sontag e Carolina Maria de Jesus, criando uma constelação de autoras que ela chama de "Mercurial", ressignificando o termo para representar mulheres interessantes que afirmam sua voz. O título "Estado Febril" é reinterpretado como uma metáfora para a criatividade e o desejo de expansão das mulheres, ligando a vulnerabilidade da infância à força criativa das artistas.

A capa do livro simboliza essa genealogia, conectando as antepassadas de Campolina e as artistas que a inspiraram. A autora combina temas de liberdade e imaginação feminina com um vocabulário infantil, criando uma obra que ressoa especialmente com a geração millennial. A originalidade da abordagem e a proximidade dos temas tornam a leitura envolvente e relevante, destacando a habilidade de Campolina em articular esses elementos de forma coesa e magnética.
Profile Image for camila.
Author 3 books5 followers
May 26, 2025
a Thaís é uma das minhas poetas favoritas e esse livro só reforça isso!
tive a sorte de encontrar nas páginas de “estado febril” dois poemas que agora fazem parte da minha caixinha de poemas que eu amo e adoro
Displaying 1 - 3 of 3 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.