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O Fim Foi Visto

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A peça de teatro que dá origem a este livro tem estreia marcada para 25 de fevereiro (2025), no TBA, em Lisboa.

Se cabe às mulheres a escrita que venha restaurar a paz, em alternativa ao sistema bélico masculino que moldou a História da humanidade, O Fim Foi Visto incide sobre a possibilidade de evitar um desfecho trágico.

Neste texto dramático, Teresa Coutinho cruza pesquisa e ficção — da caça às bruxas ao mito de Cassandra — para descrever uma ditadura futura em que as mulheres voltam a ver os seus direitos brutalmente restringidos.

Uma homenagem à nossa intuição, tantas vezes menosprezada, esta é também uma fábula sobre o medo, a passividade e a repetição cíclica dos mecanismos de opressão.

112 pages, Paperback

Published March 1, 2025

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Teresa Coutinho

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Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for nore.
75 reviews
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March 18, 2025
"se, segundo aristóteles, somos um homem incompleto, um desvio, uma fraqueza, menos dotadas intelectualmente, menos dotadas fisicamente, o que configurará um capricho nosso? ousar existir para lá do segundo lugar a que nos votaram?"
Profile Image for Filipa.
33 reviews
May 22, 2026
“O meu lugar nessa longa fila de quem vê, a beleza desse anonimato, de estar na companhia de quem também tentou, enche-me de alegria.”

Obrigada à Rita por me ter oferecido esta peça maravilhosa. Acabei de lê-la deitada na praia, na minha condição de mulher livre. De desobediente, de feminista, de bruxa. Como as mulheres que continuam.
Profile Image for Jo ;).
33 reviews
March 18, 2025
“A saudade vem em ondas. Passam os anos, as ondas espaçam-se, mas não cessam. Dilata-se o tempo que as separa, mas quando vêm, vêm com força.”
Profile Image for Raquel Dias da Silva.
61 reviews3 followers
December 31, 2025
“É mais fácil aceitar, não é? A filósofa Hannah Arendt cunhou um conceito que se chama ‘Banalidade do Mal’, em que defende que o Mal é sempre político e histórico: é produzido por nós e manifesta-se onde encontra espaço institucional para isso, ao serviço de uma escolha política. A banalização da violência prolifera no vazio de pensamento.” - O fim foi visto, de Teresa Coutinho

Que murro no estômago, este livro!

Num tempo em que o autoritarismo ganha terreno, em que a desinformação se normaliza e o ódio se institucionaliza, Teresa Coutinho constrói uma peça que funciona como alerta, memorial do presente e projecção de um futuro tenebroso.

Porque razão a violência de género sobrevive há tantos séculos? Será esta uma das grandes questões levantadas pela peça de Coutinho, uma tragédia coral que juntou em palco 13 actrizes para nos mostrar como as tragédias se anunciam muito antes de acontecerem e como, apesar disso, vamos escolhendo ignorá-las, uma e outra vez. É tanto uma crítica como um apelo à consciência colectiva, na esperança de que, talvez, desta vez, ainda seja possível contrariar a História.

É que o “fim” de que o texto nos fala não é um evento súbito, mas um processo contínuo, que pode começar agora, que já começou, com pequenas concessões ao medo, ao preconceito, à apatia. E, claro, é precisamente pelo “fim” que se começa: pelo colapso de direitos, a repetição cíclica da opressão, a violência tornada norma. A partir daí, recuamos. Recuando, reencontramos o início – ou melhor, os muitos inícios –, dessa História (histórias?) que, tantas vezes, se quis (quer?) apagar.

Primeiro promove-se a deportação de todos os que, sem passaporte português, ousam fugir “à guerra, à fome, à incerteza” (soa-vos familiar, não soa?); depois fecham-se as fronteiras para que os de cá se sintam seguros e ninguém lhes “roube” o trabalho (e isto, também vos soa familiar?); a seguir vem a censura, na educação, nos museus, nos teatros, nos livros (o que é que acontece quando se subalterniza um ministério como o da Cultura?); e, de repente – nunca é de repente… –, começam a tirar-se direitos aos mais vulneráveis. Às mulheres, claro. Porque, em Portugal, só com a Constituição de 1976 se consagrou, pela primeira vez, a igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres. E, como se vê, continuamos longe de estar a salvo.

Coutinho não só denuncia a forma insidiosa como os discursos de extrema-direita se imiscuem na vida das pessoas comuns, como nos desafia a sermos críticos destes tempos cada vez mais distópicos. Para isso, procura recompor a memória da narrativa – da História –, uma memória que é violenta sobretudo por ser actual, mas que nos impede de continuar a fingir que não vemos, que não sabemos, que não somos cúmplices. Porque lembrar, aqui, também é resistir. E, talvez nem todos nos tenhamos dado conta, mas a idade mediana em Portugal é de 47,3 anos. Mais de metade da população nasceu depois de 1978. Ou seja, há hoje mais pessoas em Portugal que não viveram o Estado Novo nem o 25 de Abril do que pessoas que os viveram.

Como disse o ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo judeu-alemão Walter Benjamin, “também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer” (Benjamin, 1994). Mas quanto mais rareiam os testemunhos mais fácil se torna esquecer. Não basta ter memória (e tem-se cada vez menos); é preciso activá-la, dar-lhe forma, espaço, linguagem. É a única maneira que temos de nos libertar do eterno retorno das estruturas de dominação. E é por isso que é tão urgente ouvir, escrever, ler, encenar livros como este.

As perguntas que ficam e a que importa responder a cada dia, para que os dias continuem a ser inteiros e límpidos:

• Como é que a extrema-direita chega ao poder? É sempre “de repente”? Ou é um processo lento, que ninguém quer ver?

• Quais são os sinais de que a democracia está a ruir? Estamos a reconhecê-los? Ou já nos habituámos?

• O que significa “resistir” num regime autoritário?

• Temos responsabilidade por aquilo que acontece quando escolhemos não intervir?

• Em que momento o inaceitável se torna “normal”?

• Até onde estamos dispostos a ir para manter a ideia de segurança ou conforto?

• Ainda é possível imaginar um futuro diferente depois de tanto retrocesso?

• Como se recomeça depois do fim? O que pode nascer das ruínas?

• Qual é o papel da arte num contexto de opressão política?

• O teatro pode mudar alguma coisa? Ou é apenas uma forma de gritar no vazio?

• Fazer esta peça – ou ver ou lê-la – é um gesto político?

Interrogar o presente é talvez o modo mais lúcido de escrever outro futuro.
Profile Image for Raquel.
177 reviews8 followers
January 25, 2026
What a punch in the gut this book is.
At a time when authoritarianism is gaining ground, disinformation is becoming normalized, and hatred is being institutionalized, Teresa Coutinho constructs a work that functions simultaneously as a warning, a memorial of the present, and a projection of a bleak future.
Why does gender-based violence persist across centuries? This is one of the central questions raised by Coutinho’s piece—a choral tragedy that brought 13 actresses together on stage to show us how tragedies announce themselves long before they happen and how, despite this, we keep choosing to ignore them, again and again. It is both a critique and an appeal to collective conscience, in the hope that perhaps, this time, history can still be resisted.
Because the “end” the text speaks of is not a sudden event, but an ongoing process—one that can begin now, that may already have begun, through small concessions to fear, prejudice, and apathy. And, of course, it is precisely with the “end” that the story begins: with the collapse of rights, the cyclical repetition of oppression, violence turned into norm. From there, we move backward. And in moving backward, we rediscover the beginning—or rather, the many beginnings—of that History (those histories?) which so often has been (and still is?) erased.
First comes the deportation of all those who, without a Portuguese passport, dare flee “war, hunger, uncertainty” (does this sound familiar?); then borders are closed so that those inside may feel safe and no one can “steal” their jobs (does this sound familiar too?); next comes censorship—in education, in museums, in theaters, in books (what happens when a ministry like Culture is relegated to the margins?); and suddenly—though it is never sudden—rights begin to be stripped away from the most vulnerable. Women, of course. After all, in Portugal it was only with the 1976 Constitution that equality of rights and duties between men and women was first enshrined. And as we can see, we are still far from being safe.
Coutinho not only exposes the insidious ways in which far-right discourse infiltrates the lives of ordinary people, but also challenges us to remain critical in these increasingly dystopian times. To do so, she seeks to reassemble the memory of the narrative—of History—a memory that is violent precisely because it is current, but which prevents us from continuing to pretend that we do not see, that we do not know, that we are not complicit. Because remembering, here, is also an act of resistance.
And perhaps not everyone has realized this, but the median age in Portugal is 47.3 years. More than half the population was born after 1978. In other words, there are now more people in Portugal who did not experience the Estado Novo or the 25th of April than people who did.
As the Jewish-German essayist, literary critic, translator, philosopher, and sociologist Walter Benjamin wrote, “even the dead will not be safe from the enemy if he wins. And this enemy has not ceased to be victorious” (Benjamin, 1994). But the scarcer the testimonies become, the easier it is to forget. Memory alone is not enough (and we have less and less of it); it must be activated, given form, space, language. This is the only way we can free ourselves from the eternal return of structures of domination. And that is why it is so urgent to listen to, write, read, and stage books like this one.
The questions that remain—questions we must answer every day, if we want our days to remain whole and clear:
• How does the far right come to power? Is it always “sudden”? Or is it a slow process that no one wants to see?
• What are the signs that democracy is crumbling? Are we recognizing them? Or have we already grown accustomed to them?
• What does it mean to “resist” under an authoritarian regime?
• Are we responsible for what happens when we choose not to intervene?
• At what point does the unacceptable become “normal”?
• How far are we willing to go to preserve a sense of security or comfort?
• Is it still possible to imagine a different future after so much regression?
• How do we begin again after the end? What can be born from the ruins?
• What is the role of art in a context of political oppression?
• Can theater change anything? Or is it merely a way of screaming into the void?
• Is making this play—or watching it, or reading it—a political act?
To interrogate the present may be the clearest way to write another future.
Profile Image for Carlos Luís Ramalhão.
42 reviews3 followers
August 26, 2025
Tive o privilégio de participar numa oficina com a autora e de assistir a uma récita de "O Fim foi Visto", no Porto. Como faço habitualmente, deixei a leitura do livro para mais tarde. Sinto que ainda gostei mais do texto depois da leitura - sem desprimor para o trabalho das excelentes profissionais que estiveram em palco. A mensagem não podia ser mais atual, infelizmente. Continua a haver "caça às bruxas", manipulação do pensamento através do medo e o horizonte não parece animador. É preciso falar nisso, acordar consciências, e esta obra fá-lo muito bem.
Profile Image for íris.
26 reviews
May 8, 2025
Das minhas peças preferidas de sempre. Incrível
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