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README: A Bookish History of Computing from Electronic Brains to Everything Machines

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The essential role that the oldest literary technology—books—played in making computers popular and pervasive.

In README, historian Patrick McCray argues that in order for computers to become ubiquitous, people first had to become interested in them, learn about them, and take the machines seriously. A powerful catalyst for this transformation was, ironically, one of the oldest information technologies we books. The author uses a carefully chosen selection of books, some iconic and others obscure, to describe this technological revolution as it unfolded in the half century after 1945. The book begins with a fundamental How does a new technology become well-known and widespread? McCray answers this by using books as a window into significant moments in the history of computing, books, publishing, and American culture.

README offers a literary history of computers and, more broadly, information technologies between World War II and the dot.com crash of the early twenty-first century. From the electronic brains and cybernetics craze of the 1940s to the birth of AI, the rise of the personal computer, and the Internet-driven financial frenzy of the 1990s, books have proven a durable and essential way for people to learn how to use and think about computers. By offering a readable half-century of bookish history, README explains how computers became popular and pervasive.

369 pages, Kindle Edition

Published December 2, 2025

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About the author

W. Patrick McCray

11 books7 followers
W. Patrick McCray, Professor in the History Department at the University of California, Santa Barbara, is the author of four other books, including the prize-winning The Visioneers.

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Profile Image for Artur Coelho.
2,643 reviews80 followers
June 7, 2026
Pode parecer contra-intuitivo, olhar para a história da computação sobre a perspetiva dos livros. Afinal, computação é tecnologia, intersectada com impactos sociais, e temos o hábito de pensar mais nos elementos tecnológicos do que na literatura. O que McCray demonstra é o oposto. O venerável livro, como objeto e como meio de arquivo e divulgação de informação, tem sido um companheiro fundamental da evolução da computação.

A grande razão é a nossa sede de conhecimento, e mesmo nos dias em que o livro como objeto físico se dissolve no digital, continua a ser o meio primordial e privilegiado para concentrar e sintetizar informação, mesmo em campos tecnológicos onde sabemos que o tempo que medeia entre escrever, editar e publicar um livro pode significar que quando chega aos leitores, já está desatualizado sobre a vanguarda da tecnologia que aborda. Mas há algo mais profundo em jogo - primeiro, o livro enquanto analista de grandes tendências. Da minha experiência a ler antigos livros de futurismo tecnológico, é muito interessante perceber que se as tecnologias mudam, a grande novidade futurista de hoje está amanhã obsoleta e esquecida, as tendências estruturais onde as melhores análises tecnológicas se inserem parecem estar continuamente presentes. Se antigamente se falava de computadores inteligentes com misto de deslumbre e preocupação, hoje fazemos exatamente o mesmo, trocando computadores por inteligência artificial, dando um exemplo muito óbvio de ideias estruturais que se mantém apesar da forma como a tecnologia evolui.

McCray constrói a sua análise bibliográfica de forma cronológica, olhando para as várias etapas da evolução da computação através de obras-charneira que lhes foram contemporâneas. As surpresas começam logo no princípio, no final dos anos 40, tempo do surgimento dos primeiros livros que procuravam explicar o que era o computador para o público em geral. McCray olha em particular para um livro que na ânsia de procurar uma metáfora acessível que facilitasse a compreensão rápida da essência do mundo da computação, nos legou uma ideia que se tornou perene. O livro foi o Giant Brains de Edmund Berkeley, e não é difícil fazer o salto conceptual de ter sido a obra que estabeleceu na consciência global uma metáfora tão pervasiva que se hoje pedirem a um qualquer gerador de imagens por IA que mostre como é a IA, sai de certeza uma imagem de uma espécie de andróide de cérebro digital.

Este livro leva-nos a redescobrir outros autores e pensadores fundamentais. Norbert Wiener, que na sua visão de cibernética teve a preocupação de temer o potencial desumanizador da sua visão tecnológica nas mãos de tecnocratas. Joseph Weizenbaum, talvez o primeiro grande crítico da tendência humana para confiar em excesso e atribuir uma falsa humanidade ao output dos computadores. Ted Nelson, o controverso ícone contra-cultural que viu no computador um extraordinário elemento capacitador e libertador do potencial humano.

Mergulha também na importância dos manuais técnicos, coligindo o conhecimento essencial sobre os novos campos da tecnologia, e tornando-se obras de charneira ao permitir disseminação e acesso ao conhecimento. Toca no desenvolvimento da tecnologia de representação textual em ecrãs com o desenvolvimento do LaTex.

Termina com uma nota algo amarga. Todo o livro foca-se em obras que descreveram ou alicerçaram a revolução computacional, quer entre a visão explicativa, crítica ou pedagógica. Termina com uma ideia de colapso ideológico, descrevendo na perfeição a bolha da internet nos anos 90, rodeada do hype de autores como George Gilder ou Esther Dyson, que propalaram uma visão de otimismo comercial que colapsou quando a realidade económica não correspondeu às visões de prosperidade digital imediata.

Se o livro termina aí, não deixa de se questionar sobre o corrente momento, com o impacto das tecnologias de Inteligência Artificial, com aquele sentimento de medo e deslumbre com algoritmos aparentemente capazes de simular consciência e sentido textual, recordando-nos que a história da construção automática de textos antecede a IA e das problemáticas de alucinações, plágio e fraude trazidas pela geração de texto.

Como bibliófilo que sou, não consigo terminar esta leitura sem a perceber como um elogio ao papel do vetusto, mas sempre eficaz, livro. Quer como meio de transmissão de conhecimento, mantendo-se relevante e essencial mesmo na nossa contemporaneidade onde há tantas outras formas de o fazer. Quer, também, como elemento de prestígio, inscrevendo a computação na profunda tradição simbólica do livro.
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