Tinha este livro meio perdido na estante e, tendo acabado de ler outro sobre o Afeganistão, chamou-me, enfim, à atenção. Agora já não se trata, obviamente, de notícias mas de História - uma pequena afronta que faço ao autor - mas com histórias.
O Carlos Fino faz parte do pano de fundo da minha infância e juventude, sobretudo os seus directos dos primeiros dias da Guerra no Iraque. Mas nunca pensei nas questões práticas de trazer aquela informação às nossas casas, da burocracia, da logística, dos perigos de vida, da hostilidade das diferentes fações envolvidas.
É a função mais nobre do jornalismo de guerra, a de verter luz, de fazer saber, de arrancar a guerra ao domínio da geopolítica e colocá-la, aos olhos do mundo, de onde não deveria sair, no domínio pessoal do sofrimento das pessoas reais cujas vidas as bombas vão tocar, por vezes, irreparavelmente. No livro não há falta de histórias destas, de sofrimento, de protesto, de grandes e pequenos perigos, mas também de contexto, de descrição, de aventuras, de desvendar dos momentos de descontração e convívio entre concorrentes.
O Carlos Fino faz ainda reflexões lúcidas sobre o papel do jornalista em teatro de guerra. Retendo algum idealismo, questiona-se se será realmente uma testemunha imparcial ou instrumento de propaganda, a sociedade em auto-reflexão genuína ou mera peça de uma máquina que tenta passar uma gigantesca narrativa. Uma reflexão que mantém esta leitura actual, hoje mais do que nunca.