A partir de um caso clínico real (um jovem perturbado pelo suicídio daquela que ele nem pode sequer definir como namorada, tão fugaz foi o relacionamento dos dois), Daniel Sampaio surpreende-nos com esta espantosa quase-ficção. As emoções que este belíssimo livro provoca... O leitor terá o privilégio de as descobrir-sentir à medida que se deixar envolver por estas páginas preenchidas por dois percursos fascinantes, os de Nuno e Rita, protagonistas num universo que sabemos existir, mas que nem sempre temos a coragem de enfrentar.
Daniel Sampaio nasceu em Lisboa em 1946. Viveu em Sintra até aos 15 anos, passando a viver em Lisboa após esta data. Em 1970 casou com Maria José Cabeçadas Ataíde Ferreira. É pai de três filhos, e avô de sete netos. É também irmão do ex-Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio. Tem como hobbies ouvir música clássica, ler ficção, ver futebol e brincar com gatos.
Em 1970 formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, obtendo o doutoramento na especialidade de Psiquiatria em 1986. Em 1997 realizou Provas de Agregação na Faculdade de Medicina de Lisboa e desde 2008 é, por concurso, Professor Catedrático de Psiquiatria e Saúde Mental da mesma Faculdade.
É o coordenador do Núcleo de Estudos do Suicídio do Hospital de Santa Maria. Foi um dos introdutores, em Portugal, da Terapia Familiar, a partir da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar (fundada em 1979). Tem-se dedicado ao estudo dos problemas dos jovens e das suas famílias, através de trabalhos de investigação na área da Psiquiatria e da Adolescência. Tem organizado, no Hospital de Santa Maria, o atendimento de jovens com Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa.
Na Rádio Renascença, teve um programa denominado Sociedade do Conhecimento, em que também participaram Luís Osório e Paulo Sérgio. De 2008 a 2010, colaborou com o Rádio Clube Português com a rubrica "Visto Daqui". É ainda colaborador da revista dominical "Pública", do jornal Público.
É muito interessante tomar a perspectiva do terapeuta e não do paciente, ver quais os métodos utilizados para extrair informações da pessoa em causa e direccioná-la para uma cura. Como reagem os jovens à perda de alguém próximo, o impacto da morte no percurso do indivíduo, o que significa o suicídio e o que o motiva. O facto de apresentar duas perspectivas, esperemos que fiéis, de uma mesma história facilita e incentiva a leitura. Pode ser que sirva para os adultos pararem de olhar para os adolescentes como se fossem sacos maníacos e incontroláveis de hormonas excitadas, e vê-los como adultos em formação que precisam de orientação, não de controlo obsessivo e confinamento. Apesar de eu concluir com alguma certeza (tal como fiquei a pensar depois de ler A Lua de Joana) que os adolescentes das gerações passadas eram bastante mais conscientes do que os de hoje em dia.
"A autodestruição surge após múltiplas perdas, fragmentos de dias perdidos ao longo dos anos, rupturas, pequenos conflitos que se acumulam hora a hora, a tornar impossível olhar para si próprio. O suicídio é uma estratégia, às vezes uma táctica de sobrevivência quando o gesto falha, tudo se modifica em redor após a tentativa. E quando a mão, certeira, não se engana no número de comprimidos ou no tiro definitivo, a angústia intolerável cessa naquele momento e, quem sabe, uma paz duradoura preenche quem parte."
Sobre o impacto do suicídio no indivíduo e no coletivo. Como um evento pode recordar eventos passados que (afinal) não estão resolvidos. Sobre a importância do outro no luto, sobre a importância de comunicar sobre o luto. Ser adolescente e lidar com acontecimentos tão impactantes, querer fugir dos problemas mas reconhecer que isso não resolve nada.
Queria saber mais sobre a avó do Nuno, saber mais sobre o avô do Nuno, saber melhor a história da Rita e da sua família tal como conhecer melhor como é que as consultas ressonaram no psiquiatra/psicoterapeuta (penso?)
Sem dúvida o meu livro FAVORITO! Um dos maiores tesouros do meu baú! E se eu adoro e admiro Daniel Sampaio, Homem de convicções fortes e que tem sempre resposta para muitas das minhas dúvidas... Tudo O Que Temos Cá Dentro é um dos melhores livros que já li, faz parte dos livros que marcaram a minha vida. Uma obra que transmite, e muito bem, os sentimentos que às vezes passam pela cabeça de um adolescente. Há uma tão grande compreensão do autor em relação aos sentimentos do Nuno, o personagem principal, que quase parece irreal. É difícil para mim descrever todas as emoções que este livro me trouxe e ainda hoje trás… Fala-nos sobre o suicídio mas não só. É também sobre o amor ou a falta ou medo dele, sobre a família e a impossibilidade de comunicar, sobre a forma como as vivências de e com os nossos avós nos podem marcar a ferro e fogo, de como é vital ter sempre um amigo nem que seja um só – com quem possamos abrir o coração e a mente e partilhar tudo o que temos dentro de nós...
É dificil de encontrar palavras para este livro, uma recomendação de um amigo que me disse que era um dos livros da sua vida, percebo o porque. A escrita não é o seu forte, mas a mensagem e forma como é entregue, é especial. Uma profunda recomendação para uma leitura dura mas muito boa.
Daniel Sampaio mostly due to his job and also to his perception of the world has been allowed to an interesting position as spectator into others mind. Therefore he sees what a lot of people cannot. This book has a pretty clear message, it can reach your emotions if somehow it had happened that you were lost in the way. The most primary ones such as loneliness, despair, the absence of yourself. Not everyone will review himself on this book, so not everyone will understand how good Daniel got it, how close he gets to someone so lost. Though, it is his job but not everyone can do their job that good. I enjoy it, had a pleasant afternoon reading it.
Boring, didn't understand the characters,I was tired of the protagonist I just wanted to get over with.Not a bad book,I just didn't enjoy it at all.i couldn't identify with the writing and I was sick to her about how much she love him and how much he love her but was afraid and blah blah blah.Just not a good experience.
Um livro importante sobre a complexidade da morte, família e amor, num formato em que sabemos da história de duas pessoas que decidem terminar a sua vida em redor de um adolescente através das suas consultas com um psiquiatra. Tendo feito estágios na área, é engraçado ver um formato de consulta em que não existe pressa nem pressão para um diagnóstico. Só é difícil de ler passagens de um adolescente escrito por um adulto que está a tentar ser fixe, de resto recomendo.
Suicídio. Morte. Contradição. Família. Terapia. Gostei muito. Fez-me refletir muito. Mas não é um livro de verão :)
P.S. Encontrei este livro perdido no quarto do Guilherme, em São Pedro, e reconheci o nome do autor pelo podcast de que tanto gosto ‘O nosso olhar para ti’. Pela primeira vez li um livro narrado pela verdadeira voz do escritor, na minha cabeça.
Uma obra que toda a gente devia ler. O tema central é o suicídio e a forma como lidamos com essa questão tão sensível, principalmente quando toca a alguém que amamos
Gostei muito ❤️ “A morte no sistema familiar desencadeia sempre um conjunto de emoções, muitas vezes transmitidas de geração em geração e responsáveis por mudanças na família”
Um grande livro sobre paixões, sobre dor, sobre a morte, sobre a adolescência. No fundo, sobre a vida e sobre a sua ausência.
Perceptível para todos (médicos e não médicos), lembra-nos que a Medicina é uma arte e não só uma ciência, que trata pessoas e não doenças, que nos vê inteiros e não por sistemas. Solta a Psiquiatria do rótulo mais clássico de “especialidade dos malucos” e dá-lhe um novo olhar, como a “especialidade da compreensão”.
"Tudo o que Temos cá Dentro", a meio caminho entre o romance e a descrição de uma psicoterapia, que tem o suicídio como ponto de partida. Temos o relato ficcional que o terapeuta faz das sessões, um monólogo interior do paciente e uma espécie de carta pos-mortem do suicida, uma história envolvendo os vários pontos de vista dos seus protagonistas. Uma leitura fundamental para todos os que se interessam pela adolescência e pelos problemas que lhe vêm associados.
Este é um livro muito interessante por abordar temas como o suicídio, as emoções na adolescência, o processo de luto e as relações interpessoais e familiares. É uma história por vezes perturbadora e que nos deixa, inevitavelmente, a refletir.
Este livro permite-nos conhecer os pensamentos de todos os envolvidos e ajuda a compreender o que é tão difícil entender. A maneira como o escritor apresenta os factos acaba por conseguir, de alguma forma, despertar em cada um de nós memórias de algo que temos cá dentro.
Tudo o que temos cá dentro, consegue ser uma combinação entre um romance e um livro sobre psicoterapia. Daniel Sampaio, a partir da sua experiência profissional, narra-nos a história de um adolescente e das problemáticas que o rodeiam. Contudo, são-nos também reveladas as perspetivas de cada personagem. Acompanhamos o processo relacional entre o médico e o paciente. No início, a personagem principal recorda que "os psiquiatras não batem bem". Na conclusão do tratamento, é finalmente compreendida a essência da psicoterapia! "não compete ao psicoterapeuta aconselhar ou dirigir, apenas ajudar a ver melhor, potenciar alternativas (...). Acho que se aproxima o fim da nossa viagem, (...) tal como nas famílias é preciso dar suporte e ajudar a partir, a crescer e a ser autónomo". São tratados temas como o suicídio, luto, a forma como a nossa personalidade é moldada desde cedo, falta de amor, medo de amar, dificuldades de comunicação entre a família. A solução passa pelo diálogo e transparência, dizendo tudo o que temos cá dentro.
Para além da história que se vai desenvolvendo (do Nuno e da Rita), o que gostei mais foi de "ver" o pensamento do clínico e como lida com as situações. Sendo professora, reconheci a desatenção quando algo que ouvimos de outro nos leva a pensar na nossa própria vida e a conectar os pontos. Fiquem com vontade de ler mais do Daniel Sampaio.
podia explorar melhor os efeitos de um suicídio nos pares da vítima, mas acabou por ter elementos meio parvos de um romance, sem bases para tal, visto que se afirmava como um livro mais técnico. O psicólogo era meio troloró, distraia-se imenso, e sinto que podiam ter explorado isso com uma backstory e abordar dificuldades gerais da profissão
"Uma das formas mais simples e eficazes para detetar a disfunção familiar consiste em perguntar à família como lida com as rotinas diárias, como tem realizado os rituais familiares e qual a sua capacidade atual de resoluções de problemas."
Haver duas perspectivas da história sobre um suicídio fez todo o sentido. Muitos poucos livros adotam uma perspetiva do psicoterapeuta, o livro tinha potencial, pena ser um pouco aborrecido. Não me cativou como esperava.
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“Batem as portas, em tons de suicídio, como se fossem um corpo a cair do nono andar…” Uma prova de que a vida é tão fugaz quanto intensa, uma ilustração da vida e do amor, tão bonita quanto trágica. O peso de existir no que “podia ter sido”.