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Reflexos do Sol-Posto

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Logo nas primeiras páginas de Reflexos do sol-posto, Ivan Junqueira avisa que o leitor está diante de sua última coletânea de ensaios. Com uma longa trajetória como crítico e ensaísta (seus primeiros textos do gênero foram escritos na década de 1960), o poeta e acadêmico Junqueira reúne nesse livro críticas e análises feitas depois do ano 2000, refletindo sobre o cenário nacional das letras. Machado de Assis, Augusto dos Anjos, João Cabral de Melo Neto estão entre os autores cuja obra o poeta e ensaísta se detém em reflexões profundas.

Em um dos ensaios, ele foca nos cem anos de “Eu”, obra de Augusto dos Anjos. O poeta inclassificável, cujo único livro, apesar de muito popular, não se enquadra em nenhum movimento do período. Junqueira analisa a importância do poeta diante de diferentes aspectos: sua obra, trajetória e todo o cenário literário do período em que viveu. Uma existência pobre e uma vida sem grandes atrativos, mas um livro que resistiu ao tempo e até hoje encanta os leitores brasileiros. “Completa agora cem anos. E insiste em não morrer” (Junqueira, 2014, p. 35), afirma em seu texto.

Em “Gonçalves Dias e o romantismo”, o crítico reflete como o poeta contribuiu para a instauração do movimento romântico no Brasil. Analisa poemas marcantes do autor, como “I-Juca Pirama”, segundo ele, “o maior poema de todo o Romantismo brasileiro e um dos maiores de nossa literatura” (idem, p. 47). A partir da obra de Gonçalves Dias, o crítico pensa sobre todo o clima da época, o que Machado de Assis classificou como “instinto de nacionalidade”, uma espécie de reflexo, na literatura, da onda de nacionalismo despertada pela independência do país, no século XIX.

O autor escreve ainda sobre a obra de outros escritores, como Machado de Assis, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto. Seus ensaios dão especial atenção à poesia, a obra de autores específicos, à escrita nas últimas décadas do século XX, aos textos críticos que se preocuparam em tratar o tema, como os de José Guilherme Merquior e de Eduardo Portella. E lamenta: “De uns tempos pra cá, vêm escasseando entre nós os autênticos pensadores da poesia (...)” (idem, p.132).

Cada um dos textos de Ivan Junqueira funciona como uma aula de literatura, que cobre boa parte da história da poesia brasileira – do Romantismo à contemporaneidade. Cada um abre uma série de questões e importantes reflexões, mesmo para os que já estão familiarizados com as obras expostas. Uma coletânea para ser constantemente consultada.

304 pages, Paperback

First published August 1, 2014

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About the author

Ivan Junqueira

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Nasceu e realizou seus primeiros estudos no Rio de Janeiro, no Colégio Notre Dame Ipanema, posteriormente tendo ingressado nas faculdades de Medicina e Filosofia da Universidade do Brasil, não chegando a concluí-las. Em 1963 tornou-se jornalista, atuando como redator da Tribuna da Imprensa. Atuou depois no Correio da Manhã, Jornal do Brasil e O Globo, nos quais foi redator e sub-editor até 1987. Foi assessor de imprensa e depois diretor do Centro de Informações das Nações Unidas no Rio de Janeiro entre 1970 e 1977, tornou-se mais tarde supervisor editorial da Editora Expressão e Cultura e diretor do Núcleo Editorial da UERJ, além de colaborador da Enciclopédia Barsa, Encyclopædia Britannica, Enciclopédia Delta Larousse, Enciclopédia do Século XX, Enciclopédia Mirador Internacional e Dicionário histórico-biográfico brasileiro, este último editado pelo CPDOC, da Fundação Getúlio Vargas. Foi também assessor de Rubem Fonseca na Fundação Rio.

Como crítico literário e ensaísta, colabora com jornais e revistas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, e também com publicações especializadas nacionais e estrangeiras, entre elas: Colóquio Letras, Revista do Brasil, Senhor, Leitura e Iberomania. Em 1984 foi escolhido como a “Personalidade do Ano” pela UBE. Foi assessor da Fundação Nacional de Artes Cênicas (Fundacen) de 1987 a 1990. Em 1991 transferiu-se para a Fundação Nacional de Arte (Funarte), onde foi editor da revista Piracema e chefe da Divisão de Texto da Coordenação de Edições até 1997, quando se aposentou do serviço público. Foi ainda editor adjunto e depois editor executivo da revista Poesia Sempre, da Fundação Biblioteca Nacional. Como poeta, já teve seus livros traduzidos para o alemão, chinês, dinamarques, espanhol, francês, inglês, italiano e russo.

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