Viver em sociedade é ser visto, julgado e condenado e, assim, pessoas por aí se vestem de algo que não são, se escondem atrás de portas abertas.
A dona da escola de balé é vista como culta e sensata; a dona de uma boate como sem classe e pudor; o respeitável supervisor de uma grande empresa, um homem de bem; e a moça negra em uma festa é confundida como a empregada do local.
Quando Alberto é atingido por um banho de tinta, conhece Júlia, uma professora de balé, negra, de sorriso frouxo e mãos habilidosas para pintura. Ele a julga um tanto irresponsável por abrir seu apartamento para que ele se limpasse do acidente. Ali, ele tem contato com um espelho, onde tem pintada a frase “A pessoa que estás vendo, vai te levar aonde quiseres!”.
Júlia, por sua vez, abre não só a porta do seu apartamento para consertar um acidente, ela mostra a ele que as luzes do palco ofuscam a visão, fazendo alguns dançarem como se ninguém pudesse ver, e quando ninguém vê Júlia, ela é livre entre pincéis, sapatilhas, sorrisos e lágrimas, tão transparente quanto as águas de Oxum.
Tendo o Guaíba como testemunha e o julgamento da sociedade, a vida de Júlia e Alberto não serão as mesmas.
QUANDO NADA ME VÊ , uma obra da autora Thaís Carolina que retrata temas super importantes como: preconceito racial, intolerância religiosa e homofobia.
O livro fala da história de Júlia, uma bailarina que apesar dos seus desafios diários se mantém sempre da melhor forma possível. Após a morte de seu pai, Júlia se muda para um novo apartamento e com isso conhece o Alberto, um homem reservado que após um acidente envolvendo tinta tudo muda.
Eu amei a história deles dois pois com o desenvolvimento vimos o quão mútuo é o amor entre eles.
O livro contém 367 páginas muito bem escritas por assim se dizer.
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Publicado em 2023, "Quando Nada Me Vê" é um romance contemporâneo que convida o leitor a olhar para além das aparências e julgamentos que permeiam a vida em sociedade.
Thais Carolina Silva é Indaiatubana de coração, mãe de três filhas, radialista de formação e atua com produção e marketing em rádio. Começou escrever aos 10 anos, inspirada no contos de fada e nos poemas de Vinicius de Morais e Manuel Bandeira, com pequenos poemas e alguns contos.
Na trama, acompanhamos personagens como Júlia, uma professora de balé e artista plástica, e Alberto, um homem que, após um incidente trivial, acaba confrontando percepções equivocadas sobre si e sobre outras pessoas. A história se desenrola em encontros e desencontros que questionam rótulos sociais, preconceitos implícitos e a rígida lente com que julgamos a vida do outro.
A obra explora como a visão distorcida que outros têm de nós pode afetar nossa noção de identidade, liberdade e verdade, entrelaçando personagens que lutam para serem vistos pelo que realmente são.
Tecnicamente, a narrativa é fluida e contemporânea, com uso de uma linguagem acessível e cativante. A autora demonstra domínio da coesão e coerência textuais, construindo cenas verossímeis em contextos urbanos plausíveis. O uso de diálogos e descrições equilibrados promove empatia e mantém o ritmo elegante da leitura.
A leitura perdeu um pouco o ritmo e a fluidez em certas passagens, quando a temática central da obra se estendia em reflexões que aparentavam ser redundantes para o contexto, o que pode desafiar leitores menos afeitos a reflexões sociais profundas.
Os arcos dos personagens, a interação entre os núcleos e autenticidade certamente pidem ser elencados como pontos fortes da obra.
A crítica social implícita sobre julgamentos e estereótipos, a maneira como a autora entrelaçou questões de aparência, identidade e preconceito trouxeram uma profundidade emocionante e reflexiva que marca a memória do leitor.
A leitura oferece ensinamentos valiosos sobre empatia, a importância de questionar olhares pré-concebidos e a necessidade de confrontar nossos próprios julgamentos. Valores como: autenticidade, autoconsciência e resiliência emocional emergem de forma natural ao longo da narrativa, convidando o leitor à reflexão sobre o modo como vivemos e observamos o mundo.
Em resumo, "Quando Nada Me Vê" é um livro que merece ser lido por quem busca uma narrativa sensível, crítica e tocante. Ele provoca o leitor a reconsiderar conceitos e olhar para si mesmo com mais verdade, apesar de alguns momentos mais reflexivos que podem não agradar a todos.
Se você aprecia romances contemporâneos que exploram a condição humana e desafiam percepções superficiais, este livro é uma excelente opção.
Poucas leituras me tocaram tão profundamente quanto Quando Nada Me Vê, da autora Thais Carolina Silva. Ao virar a última página, eu não apenas favoritei o livro — eu o senti. E senti muito. Essa é uma daquelas histórias que não se contentam em entreter: elas nos atravessam, nos transformam e nos fazem enxergar o mundo com outros olhos.
A protagonista, Júlia, é uma mulher negra, artista plástica e bailarina, que carrega em seu corpo e alma as marcas de uma sociedade que insiste em não vê-la. Após a morte do pai, ela se muda para um novo apartamento e, entre vizinhas acolhedoras e uma rotina silenciosa, tenta reconstruir sua vida. Mas tudo muda quando um acidente inusitado — uma lata de tinta que cai sobre um desconhecido — desencadeia uma série de encontros que desafiam sua solidão e suas certezas.
✨ Espiritualidade, identidade e afeto
O que mais me encantou foi a forma como Thais entrelaça ancestralidade, religiosidade e resistência com uma escrita poética e firme. Júlia é filha do Candomblé, e sua fé não é pano de fundo, mas parte essencial de sua identidade. A autora trata essa espiritualidade com respeito e profundidade, algo ainda raro na literatura contemporânea.
Além disso, o livro aborda com coragem temas como racismo, homofobia, intolerância religiosa e invisibilidade social. Mas faz isso sem perder a ternura. Cada personagem, cada diálogo, cada silêncio carrega uma carga emocional que nos convida à empatia e à escuta.
💬 “Quando nada me vê, eu me vejo inteira.”
Essa frase, que poderia muito bem estar nas páginas do livro, resume o que senti ao acompanhar a jornada de Júlia. Ela é uma mulher que aprende a se enxergar com mais amor, a se permitir sentir, criar, amar — mesmo quando o mundo insiste em apagá-la.
O romance que surge na trama é bonito, mas não é o centro da história. O verdadeiro foco está na reconexão de Júlia consigo mesma, com sua arte, sua fé e sua história. É sobre ocupar espaços, sobre dançar mesmo quando a música parece ter parado, sobre pintar o mundo com as próprias cores.
📖 Por que esse livro é um favorito
Porque ele me fez refletir, me emocionou, me representou e me ensinou. Porque ele fala de dor, mas também de cura. Porque ele mostra que, mesmo quando nada nos vê, ainda podemos ser luz.
Se você busca uma leitura que vá além do óbvio, que abrace causas e que te faça sentir — Quando Nada Me Vê é um convite à introspecção, à resistência e ao amor-próprio.
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Esta obra é como um conto vibrante ou um excelente prólogo para um romance, nos lança diretamente na vida de Júlia, uma protagonista inesquecível. Com um charme tipicamente gaúcho e uma fé inabalável (Axé ó!), a narrativa equilibra perfeitamente o humor leve de um encontro desastroso com a profundidade da jornada pessoal e da resiliência feminina.
O que Brilha na Trama:
• Júlia, a Força da Natureza: A protagonista é o coração da história. Bailarina, artista, devota de Oxum e Iemanjá, ela enfrenta as perdas e as contas a pagar com um sorriso constante. Sua calma e seu espírito livre, contrastados com a rotina de trabalho exaustiva (aulas de balé, projeto social, e o "bico" na Dani), a tornam imediatamente cativante.
• O Encontro Hilário e Inusitado: O acidente da lata de tinta preta sobre Alberto é um plot device genial. A reação indignada do estrangeiro, que mal consegue segurar a irritação em português ("Estoy todo sujo!"), versus o riso contido de Júlia, estabelece uma química cômico-romântica fantástica.
• Construção de Cenário e Cultura: A autora utiliza o cenário de Porto Alegre, especialmente o bairro Tristeza, o majestoso Guaíba e o famoso Parque Farroupilha (Redenção), como personagens. O regionalismo ("Bah", "guria", "chimarrão") e a menção à fé nos Orixás adicionam uma camada de autenticidade e beleza cultural.
• O Gancho Perfeito: A devolução da camisa suja (que pertencia ao pai de Júlia, gerando um momento de constrangimento para Alberto) culmina em um convite inusitado para um passeio de bike no domingo. O fato de Alberto ser avesso a sair e precisar, inclusive, pedir uma bicicleta emprestada, mostra o poder de atração de Júlia e a rendição dele à proposta.
• Temas de Fundo: Além do romance, o texto aborda, de forma sutil, a resiliência após a perda dos pais, a importância da ancestralidade ("viver é resistir"), e o contraste entre as raízes humildes de Júlia nas Ilhas e sua nova vida próxima ao Guaíba.
Veredito:
Com diálogos afiados, ritmo ágil e personagens que saltam da página (especialmente a vizinha Dona Clara e a amiga Geise, que dão suporte), a obra prende o leitor. É uma história que celebra o acaso, a leveza da vida e a certeza de que a fé e a arte são fontes inesgotáveis de força. Leitura altamente recomendada para quem busca um romance de aquecer o coração, ambientado em um cenário brasileiro rico e culturalmente expressivo.
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✍🏻📚"Eu faço tudo como se nada pudesse me ver. Quando nada me vê, eu posso fazer e ser o que eu quiser!"📚✍🏻
📚"Quando Nada Me Vê" apresenta Júlia, uma professora de balé e pintora que vive de forma leve e feliz consigo mesma. O enredo se desenvolve quando Alberto a conhece em um incidente, fazendo com que suas vidas tomem um novo rumo.🕵🏻♀️🤐😉
📚A obra aborda temas pertinentes como preconceito racial, homofobia e religião, além de destacar a importância da amizade verdadeira. Mesmo tratando de assuntos delicados, o livro proporciona uma leitura divertida e fluída, com uma escrita cativante.
📌 Recomendo para quem aprecia histórias com protagonismo feminino forte e uma narrativa envolvente. "Quando Nada Me Vê" está disponível na Amazon para Kindle e assinantes do Kindle Unlimited.