Após a Revolução de 25 de Abril de 1974 e durante o processo de descolonização, cerca de um milhão de pessoas foram deslocadas subitamente para Portugal. Mas o que pensam hoje os jovens de então ao passarem por aquela transição abrupta, após a independência?
Explorando as suas narrativas, a autora dá voz a uma população única — as crianças e os jovens que constituem a segunda geração de Deslocados — os filhos dos «retornados» de Moçambique. Ao partilharem as suas histórias, proporcionam uma visão vívida de quem passou por aquela mudança drástica e poderão contribuir para um legado para as gerações futuras. Porque a História “oficial”, em constante construção, emerge dos documentos, dos registos, dos ofícios, mas também dos testemunhos.
As memórias, as histórias factuais, as palavras, emoções e reflexões ressaltam dos diálogos das pessoas, em busca de quem as guarde e as coloque na cronologia do tempo. Esta obra mergulha profundamente na experiência humana de quem se viu arrancado à sua terra e forçado a enfrentar uma sociedade em ebulição, nos tempos tumultuosos do período pós 25 de Abril de 1974, em Portugal.
Os «retornados» — ou melhor, os «deslocados» — foram a consequência de uma descolonização feita à pressa e sem visão das consequências. Nesta obra, a autora, Dina Gaspar, dá voz, através de entrevistas (quase jornalísticas), ao sentimento das pessoas nascidas em Moçambique que se viram obrigadas a deixar tudo o que tinham para ir viver para Portugal — uma terra que poucos conheciam. Ser deslocado sem meios financeiros, com ajudas duvidosas e inserido num meio diferente, do clima aos costumes, foi uma experiência que cada um viveu e à qual reagiu conforme a sorte que teve. A capacidade de resiliência foi maior para uns do que para outros. E a vida segue… A leitura aproximou-se mais das minhas expectativas a partir da página 66, que é quando começam as entrevistas e as reflexões. Esta obra é uma referência para saber o que pensavam tantos jovens que foram forçados a viver num país que lhes era alheio. Para além das entrevistas, o livro está amplamente documentado, e a sua leitura enriqueceu a minha perceção da história da descolonização.