Conto de terror de Gabriel Réquiem, elogiado autor com um texto visceral que participou de “Terra relatos de sobrevivência a um apocalipse zumbi”. Um menino encontra um cachimbo mágico no sótão de sua casa. Ao investigar o objeto, ele descobre a verdade aterrorizante por trás de uma das mais famosas lendas do folclore brasileiro.
Um conto bem escrito, original e que traz autenticidade e brilho à cultura brasileira. A criatividade e prosa de Gabriel surpreendem. Contudo, lá vamos nós: Tenho uma ressalva que não pode ser ignorada e que realmente estragou a experiência para mim. Precisamos falar sobre racismo.
O único personsagem indígena da história, que inclusive luta há anos no exército brasileiro tendo contato diário com a língua, tem fala infantilizada e fala um português todo errado, sendo que todos os outros personagens 'brancos' são soldados sem estudo.
As feras/criaturas descobertas no conto de terror, são todas de pele negra, e também falam português quebrado. Se são criaturas com uma sabedoria milenar e que se comunicam por telepatia, deveriam ter uma linguagem mítica ou no mínimo correta, certo? Problemático...
No ano que estamos, esses simplismos, esses 'índio fazer barulho' e preconceitos não devem ser tolerados, tão mais na literatura.
Então eu fui ler esse conto curtinho que a Emily falou e eu tive PROBLEMAS????
No caso no começo admirei a escrita do Gabriel que é muito bacana mesmo -- ele usa boas palavras pra descrever as coisas, ficou bem atsmosférico e bacana. E apesar de eu entender as raízes eu fiquei bem frustrada com algumas coisas.
Exemplo Um: o único personagem indígena fala errado/esquisito. Porra, estamos em 1800 e tanto, não é como se o Brasil não falasse português por uns 250 anos. Da onde vocês tira um índio lutando no exército brasileiro QUE NÃO SABE FALAR PORTUGUÊS? Seria mais realista se ninguém soubesse falar direito fora o cara que era professor, mas no caso era só o índio mesmo. Até aí tudo bem, mas daí o cara também é o ~mágico das coisas, que entende da mata, O HOMEM BRANCO NÃO ENTENDE DA MATA. Gente, esse conto tem 22 páginas e conseguiu me deixar bem irritada com isso. Nem tinha tempo pra adicionar essas baboseiras, mas estamos aí.
O exemplo dois é mais ou menos a mesma coisa: no caso os Senhores do Ventos como um todo. Massa essas criaturas doidas BR da floresta, achei bem top mesmo, só que AÍ são todos negros e adivinhem? TAMBÉM FALAM UM PORTUGUÊS QUEBRADO. Sei lá, meu, não sou a melhor pessoa pra falar disso, mas achei beeeeeeeeeem esquisito isso aí.
Só achei que o autor podia ter trabalhado isso melhor sem deixar uns estereótipos bem toscos jogados no livro. Estamos em 2017, dá pra gente se conscientizar na literatura o quanto isso é prejudicial, etc etc. Tô dando duas estrelas porque a escrita do Gabriel é muito bonita mesmo e as descrições são legais. fora isso: WE HAVE A PROBLEM.
A escrita é boa, mas no século XXI tem coisas que é difícil de tolerar. Embora Monteiro Lobato tenha sido uma figura única para disseminação de certas versões de contos folclóricos brasileiros para boa parte da população; ele também é uma figura difícil de idealizar hoje em dia. Mimetizar suas idéias e exaltar seu tipo de texto é datado e no mínimo racista. Pensamentos que pertencem ao passado e devem ficar por lá.
Talvez por isso o autor ambientou seu conto também no passado. Mas a ambientação não dá passe livre para preconceitos e racismos. Não colou. Um dos maiores motivos de ambientação de histórias no passado é dar voz a personagens que faziam parte de grupos que talvez não tivessem sido postos em evidência na época. O autor faz o contrário e se baseia em estereótipos racistas para tal.
Olha como eu amo perder meu tempo. Esse foi um conto de terror que apresenta uma ""origem sombria"" de uma lenda do folclore brasileiro.
Na real, foi bem morno. Não sou do tipo que vou achar que algo é assustador só porque tem sangue/fala "ah ele foi morto de forma x e y". Além disso, esse conto consegue ser racista pra caralho em poucas páginas, com uns estereótipos bem idiotas que deviam ter sido deixados pra traz faz tempo. A escrita é interessante, eu acho, mas se isso é a única coisa positiva que eu consigo falar de uma história, então não é uma boa história.
Eu estou chocado. De verdade, não tenho outra palavra para descrever o meu estado no momento, pois de fato estou aparvalhado com a genialidade que Gabriel Requiém demonstrou em um conto. E que conto!
Sabe quando você termina uma narrativa breve e queria que ela fosse um livro longo, só para poder saber mais da história? Então, este é o meu desejo. Eu queria que O Senhor do Vento fosse um livro, pois ele valeria cada página.
De fato, a trama apresentada aqui é bem mais extensa do que a de outros volumes da coleção Contos do Dragão que já li... Mas mesmo assim não estou satisfeito. Eu queria mais!
Com uma sacada brilhante, Gabriel Requiém não só recria uma das lendas mais conhecidas do nosso folclore, como também nos dá a sua versão sobre como um dos maiores clássicos infantis do Brasil surgiu. Perceber cada nuance e cada referência presente no texto me conquistou por completo. Mas não foi só isto. É claro que não.
Aqui, o autor molda a nossa cultura não só ao ponto de deixá - lá original para sua história, mas também para mostrar que nossas lendas também conseguem produzir histórias incríveis... Exatamente como esta.
O Senhor do Vento foi assustador, divertido e extremamente refrescante. Estou tão desnorteado pelas invencionices da trama que acho até que não estou fazendo jus ao texto. No ápice, não tenho vergonha em dizer que realmente me pelei de medo. E esta era uma criatura que, confesso, nunca temi - nem mesmo quando pequeno.
Mas agora, graças ao autor, estou reconsiderando minhas lembranças infantis.
O livro "O Senhor do Vento" de Gabriel Réquiem e um conto que explora a temática lendária das tribos brasileiras e dos monstros que habitavam algures nas florestas perdidas. Incidindo sobre a memória de diários, lidas pelo neto-sobrinho de um homem que tinha estado na guerra, a obra reflecte para um episódio no qual monstros matam o grupo militar que pertencia o seu tio-avô e como ele foi poupado pela sua cobardia (já nas tribos brasileiras antigas, os índios só se alimentavam daqueles que eram corajosos, para adquirir as suas forças e tornarem-se mais forte). Esses senhores dos ventos, figuras míticas, dão um cachimbo, e dizem para ele informar a todos que não deveriam aproximar-se dessas bancas. Trata-se de uma história interessante!
Conto MA RA VI LHO SO! O final então, nem esperava ele. Indicaria super pra quem quer ler contos de ficção sobre folclore brasileiro.
[ALERTA DE SPOILERS DAQUI EM DIANTE!]
O único problema que tive com a narrativa do autor é do estereótipo de que quem é da floresta fala um português errado. Não precisava, sabe? Mas a narrativa e a história de longe foi incrível.
Na narrativa temos um menino que ao brincar na casa de seus avós encontra um quarto que normalmente fica trancado. Ao entrar lá, ele encontra um baú (que ele julga ter tesouros) onde tem um cachimbo que parece ser mágico e um diário contendo as histórias de um soldado. Ele e seus companheiros estiveram envolvidos na Guerra do Paraguai e ao retornar de uma batalha difícil tiveram que passar por uma floresta onde uma força sombria parece estar atacando a todos. Um por um.
A escrito do Gabriel Requiem é muito boa. Bem acima da média mesmo. Ele consegue entregar uma história que, a princípio, julgamos ser normal e não sabemos muito para onde ele pretende levar. Quando as coisas começam a acontecer, é tudo rápido demais. Não há tempo de pegar fôlego. É uma sucessão de eventos. A narrativa em primeira pessoa, na forma de diário, é perfeita porque consegue passar para o leitor o terror daquilo que estava acontecendo com o protagonista. É como se estivéssemos vivenciando junto com ele toda a experiência. Os diálogos são bons, a descrição também cumpre seu papel, nada é muito exagerado. Gostei que o autor conseguiu um bom equilíbrio entre a exposição do que acontecia e os personagens conversando entre si.
Não tenho como não mencionar o bom emprego de um elemento folclórico brasileiro em uma história de terror. Nos últimos anos temos visto como os autores tem se voltado para as origens das lendas e não para aquilo que foi interpretado a posteriori. Assim como nos contos de fadas dos irmãos Grimm que sofreram uma suavização pela Disney. Os contos originais eram macabros e voltados para alertar os camponeses sobre o que eles não deveriam fazer. O mesmo é feito aqui e com bastante sucesso. E também não há um grande exagero da parte do autor. Ele acertou bem a mão com como ele interpretou e passou para o papel a lenda. E no final ainda tem um pequeno easter egg. Que vai trabalhar justamente isso que eu comentei sobre como as histórias foram reinterpretadas e suavizadas posteriormente.
Raso, e alguns aspectos sociais me incomodaram. Achei o conto bem fraquinho - sim, ele é muito curto, então seria um desafio conseguir fazer mais com tão pouco espaço disponível, mas ainda assim fiquei um pouco desapontada. Mas o que me incomodou mais foram alguns pontos que achei que soaram um tanto preconceituosos: alguns têm a ver com o tema que permeia o conto e que é bem óbvio para quem conhece o mínimo de literatura brasileira, mas deixo marcado como spoiler: . Esse tema em si já é meio problemático, por causa da questão racista e machista da obra original, e toda a ambientação acaba indo um pouco nessa direção. Aparecem então uma menina que é tratada de forma machista, um índio subordinado bem estereotipado que é o único que não fala português corretamente, e alguns momentos de uso da linguagem com "negro" e "preto" com conotações negativas. Também não gostei do contexto da guerra do Paraguai, ainda que não mencione a chacina causada pelo Brasil. Esse conto me chamou a atenção pelo folclore brasileiro, mas poderia ter sido escrito com mais sensibilidade, mesmo sendo um conto de terror. Me deixou desconfortável, e isso de nada tem a ver com a parte "assustadora", que também achei fraca.
Até o final tava tudo muito legal, mas a parte em que as "criaturas" deixam pro branco dar nome a eles??? Homem branco já saiu nomeando e renomeando tudo no mundo de acordo com a visão deles, é só lembrar do caso dos innuit. Deixar o homem branco dar o nome, pra mim, soa como dar poder e soberania sobre essas "criaturas". O autor escreve bem mas não consigo tirar a sensação que a gente tá vendo a visão de um homem branco sobre uma mitologia negra/indígena, tratando o saci como criatura monstruosa, e sem ter consultado uma pessoa pra fazer leitura sensível. Piora tudo que a criança é o Monteiro Lobato. É tipo "olha essa visão estranha (não vou nem chamar de racista ainda) que eu fiz sobre o saci! vou botar o carinha que criou o personagem todo com base em racismo no final, uma cereja no topo!" É só procurar como o Monteiro chegou na ideia de Saci do Sítio, racista pra caramba. Enfim, ideiazinha deturpada mas o autor escreve bem.
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Peguei esse e-book sem pretensão alguma, só para passar o tempo mesmo.
E não gostei!
Apesar de ser muito bem escrito (com exceção de algumas passagens com o uso de palavras que quebram completamente o ritmo da narrativa), é uma história baseada em esteriótipos racistas para recriar a versão de uma história contada por outro racista (oi, Monteiro Lobato).
Acho que esses problemas poderiam ter sido facilmente corrigidos se, antes da publicação do e-book, a história tivesse sido passada por uma leitura de sensibilidade.
Conto bastante interessante! Um algo de horror diferente do costumeiro da literatura brasileira. Reimaginar como um escritor chegou a suas fantásticas personagens é um exercício interessante.
É claro que há problemas com estigmatizações levadas adiante pelo conto, mas se é um exercício de ler o que formou um autor notariamente racista e preconceituoso da nossa literatura não deveria ser uma surpresa.
Fiquei com um gostinho de quero mais, e que demais um conto sobre o folclore brasileiro, ainda mais porque eu amava ler sobre folclore quando criança. Um conto original e excepcionalmente bem escrito.
O racismo foi proposital pra satirizar o Medíocre Lobato? Não sei. A questão é que foi perceptível e desconfortável, não transmitindo uma sensação de possível "crítica" nos momentos que poderiam e/ou deveriam transmitir.
Aliás, frases bonitas e "postáveis" não compensam a leitura.