Salvador pode ser uma cidade encantadora sob vários aspectos, mas se for narrada por quem vivencia o seu dia a dia, certamente a visão se amplia e se descortina, revelando que embora haja muita festividade e alegria na cidade, a violência contra os mais miseráveis estará sempre à espreita.
Tomando um casal que vive em um casarão abandonado e sobrevive pelos trabalhos informais diários, será por meio deles que o escritor demostrará a dualidade de uma cidade almejada pelo turismo, que é antes dos outros do que de seus habitantes, restando a eles a margem, as raríssimas idas à praia e só um ou outro momento de felicidade.
Mais que isso, o direito de existir nessa cidade, de ter um local para habitar, se reconhecer como sujeito de identidade e de consciência social é o impulsor que movimenta o romance, ainda que a violência deixe seu rastro. Ao final, é uma pena que algumas obras tão boas quanto essa tenha tão poucas páginas, mas uma felicidade ao imaginar novas obras do escritor.