Publicada inicialmente em 1963, esta Antologia Poética revela um precioso auto-retrato de Cecília Meireles, pois, sendo sua primeira coletânea, foi também a única em que a própria autora selecionou todos os poemas. A escritora, cujo centenário de nascimento se comemora em 2001, escolheu textos de 14 livros, a partir de Viagem (1939), premiado pela Academia Brasileira de Letras, a Solombra (1963). Numa linguagem extremamente musical e de grande comunicabilidade, faz desfilar frente ao leitor uma ampla diversidade de temas, desde o louvor às pequenas belezas do mundo até as indagações transcedentais sobre o destino humano, sem esquecer o registro histórico e libertário de seu consagrado Romanceiro da Inconfidência. Por todos esses motivos, a Antologia Poética, agora reeditada com o texto cuidadosamente revisto, é uma excelente introdução ao universo de Cecília Meireles, considerada por vários críticos como a maior poetisa da língua portuguesa. (Antonio Carlos Secchin)
Cecília Benevides de Carvalho Meireles was a Brazilian writer and educator, known principally as a poet. She is a canonical name of Brazilian Modernism, one of the great female poets in the Portuguese language, and is widely considered the best poetess from Brazil, though she rightly combatted the word "poetess" because of gender discrimination.
She traveled in the Americas in the 1940s, visiting the United States, Mexico, Argentina, Uruguay and Chile. In the summer of 1940 she gave lectures at the University of Texas, Austin. She wrote two poems about her time in the capital of Texas, and a long (800 lines) very socially-aware poem "USA 1940", which was published posthumously. As a journalist her columns (crônicas, or chronicles) focused most often on education, but also on her trips abroad in the western hemisphere, Portugal, other parts of Europe, Israel, and India (where she received an honorary doctorate).
As a poet, her style was mostly neo-symbolist and her themes included ephemeral time and the contemplative life. Even though she was not concerned with local color, native vernacular, or experiments in (popular) syntax, she is considered one of the most important poets of the second phase of the Brazilian Modernism, known for nationalistic vanguardism.
"Ando à procura de espaço para o desenho da vida. Em números me embaraço e perco sempre a medida. Se penso encontrar saída, em vez de abrir um compasso, protejo-me num abraço e gero uma despedida.
Se volto sobre meu passo, é distância perdida.
Meu coração, coisa de aço, começa a achar um cansaço esta procura de espaço para o desenho da vida. Já por exausta e descrida não me animo a um breve traço: – saudosa do que não faço, – do que faço, arrependida."
* Tenho fases, como a lua Fases de andar escondida, fases de vir para a rua... Perdição da minha vida! Perdição da vida minha! Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm, no secreto calendário que um astrólogo arbitrário inventou para meu uso.
E roda a melancolia seu interminável fuso! Não me encontro com ninguém (tenho fases como a lua...) No dia de alguém ser meu não é dia de eu ser sua... E, quando chega esse dia, o outro desapareceu... *
Os poemas de "Mar Absoluto" e "Romanceiro da Inconfidência" foram quase todos meus preferidos. Eu praticamente só conhecia a obra infantil dela, foi interessante conhecer esse outro lado.
Com uma linguagem fácil e moderna, Cecília Meirelles nos convida neste livro a passear pelas suas palavras, histórias e sentimentos. Com a curadoria dos poemas feita pela própria autora, essa Antologia é formada pelos diversos livros da poeta (como preferia - e deveria - ser chamada).
A única coisa que me incomodou um pouco é a repeticação de muitos temas em alguns livros, como a morte e a perda. Ainda assim, achei uma ótima forma de passear pelas suas publicações e conhecer sua trajetória. Fiquei com vontade de ler alguns dos livros inteiros!
Abaixo, o que achei da "degustação" de cada um dos livros que compõem essa Antologia: Viagem ★★★★ Vaga Música ★★★★ Mar Absoluto ★★★ Elegia 1933-1937 ★★ Retrato Natural ★★★★ Amor em Leonoreta ★★ Doze Noturnos da Holanda ★★★ O Aeronauta ★★★★ Romanceiro da Inconfidência ★★★★★ Pequeno Oratório de Santa Clara ★★★ Canções ★★★★ Metal Rosicler ★★★★ Poemas Escritos na Índia ★★★★★ Inéditos ★★★★
Gostei muito do início e da primeira metade do livro, talvez até mesmo dos dois primeiros terços. Entretanto, a parte final não me agradou tanto, questão de gosto.
“Por mim, e por vós, e por mais aquilo que está onde as outras coisas nunca estão, deixo o mar bravo e o céu tranquilo: quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens. E como o conheces? - me perguntarão. - Por não ter palavras, por não ter imagens. Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada. Viajo sozinha com o meu coração. Não ando perdida, mas desencontrada. Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte. Voou meu amor, minha imaginação… Talvez eu morra antes do horizonte. Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra. (Beijo-te, corpo meu, todo desilusão! Estandarte triste de uma estranha guerra...)
"Hoje acabou-se-me a palavra, e nenhuma lágrima vem. Ai, se a vida se me acabara também!" [Primeira estrofe do poema Amém] Amo esse livro muito, sem dúvidas um dos meus favoritos!
Maravilhosa! Decidi ler só um pouquinho por dia para apreciar bem os poemas, foi uma experiência incrível. Sempre que lia me pegava ansiosa por descobrir novos versos os quais iria me identificar - e foram muitos. Por ser uma antologia, nós temos um pouquinho de cada estudo da autora (selecionados pela própria), e é incrível ver como muda o conteúdo e o tom em cada livro.
favs: urnas e brisas motivo canção (TODAS) - canção excêntrica, canção da alta noite, canção póstuma, canção do amor perfeito epigrama n°5 irrealidade metal rosider - 5, 10, 11, 36 e 41 fantasma humildade transeunte vigílias emigrantes
partes favs: doze noturnos de holanda, o aeronauta, viagem e vaga música
Gosto muito de poesia. Li imensos poemas de Cecília Meireles aqui e ali, principalmente dirigidos às crianças, por isso foi refrescante ler estes poemas com um pendor mais adulto e maduro.
A imortal poesia de uma das maiores liricistas da língua portuguesa reunida em um volume por ela mesma organizado. Lamentável saber que a escritora só alcançou o Machado de Assis postumamente: prêmio mais do que merecido. Para ler Cecília, é preciso permitir-se um afundamento nas teias de sentido da melancolia, da solidão, da angústia, mas sobretudo do sonho e do mito. A beleza formal de seus poemas só é ultrapassada pela profusão de sentidos e pela linguagem muito franca que ela emprega em sua elaboração. Uma poeta autêntica, livre e exímia no manuseio dos mais diversos recursos estilísticos de que ela lança mão com muita naturalidade e sem dogmatismos. Deveria ser mais estudada e, acima de tudo, mais apreciada.
Esse livro é maravilhoso, que te leva numa viagem sobre o coração da Cecília Meireles. Vemos poemas sobre a sua infância, adolescência, na idade adulta e também o seu processo de amadurecimento após esses acontecimentos.