Ler Inês Meneses é sempre um convite a olharmos para dentro e para os dias que se querem novos, aqueles que se fazem de perguntas e de pequenos prazeres, da solidão povoada de silêncios e do tempo, do nosso e o dos outros.
Em Linhas de Valor Acrescentado a vida acontece com os amores por cumprir - e com aqueles que se cumpriram em pleno e que nunca se conjugam no pretérito perfeito -, com as paixões que fazem os anos parecer instantes e com os amigos que nos resgatam da «claustrofobia quotidiana».
Para a autora «escrever é, muitas vezes, aprender a falar de novo», um exercício que a nós, leitores, nos salva do desânimo, da desesperança e da angústia, ao encerrar nestas páginas o espanto de quem continua a acreditar que a vida é o lugar mais bonito para se habitar.
Inês Meneses (Lisboa, 1971) é uma comunicadora, jornalista e radialista portuguesa. Com mais de 30 anos de carreira, ela é conhecida por seu programa de entrevistas "Fala com Ela", no ar desde 2005.
Um livro de crónicas escrito como uma crónica continua, feito de prosa poética e de observações sobre a vida, os afetos e o amor. Tenho a sorte de ser da geração da Inês e de me rever na maioria das reflexões que faz como filha, mãe, amiga e mulher, e tenho a sorte acrescida de partilhar a sua paixão pela música e pelo cinema. Este livro lê-se como se conversássemos com um amigo, e deixa vontade de voltar a ele mais vezes.
Os livros da Inês Meneses são sempre curtinhos mas cheios de sabedoria de vida. Este livro versa sobre o amor e a amizade e tem pensamentos que revelam maturidade, experiência, bondade e empatia.
Adoro ler um livro e sentir-me abraçada por ele. E é precisamente isso que acontece quando leio Inês Meneses. Por vezes é tudo o que precisamos: identificarmo-nos com o que foi escrito, emocionarmo-nos com certas palavras, refletirmos sobre as linhas de valor acrescentado que partilham connosco. Gosto de como brinca com as palavras; de como as trata por tu e de como destaca a sua beleza na simplicidade. Leitores e escritores estão unidos por algo inquebrável: somos humanos. E, enquanto humanos, partilhámos dores, paixões e reflexões. Nas dicotomias que a vida nos oferece, Inês Meneses encontra um equilíbrio verbal que nos conforta e nos sussurra: vai ficar tudo bem. Como sempre, um livro maravilhoso!
Há dias, numa feira do livro, uma cliente estava indecisa entre este livro da Inês Meneses, e outro de uma outra escritora. A dúvida ía e vinha. Saltitava de banca em banca, talvez para tentar perceber que livro lhe chamava a atenção, ou aquele que de momento ela mais precisava. Regressou e perguntou-me: “Qual destes eu vou levar?” Não acatei a pergunta como a passagem da batata quente para as minhas mãos. Respondi: “O da Inês é certeiro no coração.” A dúvida esfumou-se-lhe da face, dando lugar ao esgar de um sorriso de clareza e leveza. Pergunto-me se o livro terá sido o que ela procurava. Como terá lido as palavras da Inês? Que acrescentos?
Colhi evidências de que estas linhas da Inês Meneses são acrescentos. Mas também creio que o coração deverá estar no sítio certo para lhe acertarmos. O que pode ser isto de ter o coração no sítio certo? Como sabemos que está no sítio certo? E se estiver mais ao lado? Talvez não importe.
Talvez estes textos nos ajudem a encontrar o sítio certo para o coração, olhar para ele e até libertá-lo.
Sentir esse lugar, sem utopia, aqui mesmo a acontecer, é sentirmo-nos em cada linha que vamos lendo, em cada respiração, ajeitando-nos na vida, como um funâmbulo, aprendendo a equilibrarmo-nos nos nossos desequilíbrios. Encontrar esse lugar na vida é um passo nessa corda da autenticidade. Uma imersão em nós próprios, com coragem, enfrentando a pergunta “Quem sou eu?”, e, ainda em apneia, dar um jeito ao coração.
❝Quando hoje, décadas depois, as pessoas dizem, amarguradas, que o amor não lhes aconteceu, eu, na realidade, acho que aconteceu, mas não nos moldes gerados pelas expectativas dos outros ou pior: nas expectativas dos próprios. A maior lição, que nem sequer queríamos ter aprendido, é que o maior, o verdadeiro amor, nunca pode depender de expectativas. Ficamos sempre a perder se dependermos delas. E o amor costuma aparecer sem aviso para nos ganhar.❞
❝É preciso que, um dia, um de nós caia da cama para percebermos onde acaba o colchão.❞
❝A vida passou entretanto por nós, deixámos que ela nos acontecesse. Às vezes, não temos mão nela. Somos miúdos que acabam a ser engolidos pela estrutura medonha que é a vida.❞
❝A ferida deixada numa amizade interrompida é muito pior do que um coração partido. (…) O tempo mudou-nos a vontade. Tirou-nos o à-vontade. Cá está um sintoma de que as coisas não iam bem: começámos a ser estranhamente formais e silenciosos, quando antes éramos da pândega, até em horas tristes.❞
❝Está a ser veloz a transformação desta sociedade. Um manual escrito durante décadas (séculos?) pode ser derrubado num vídeo com três minutos.❞
❝Somos centenas de viagens. Dou valor a cada instante em que da janela do comboio vejo o meu mundo e os rostos das pessoas que nele já habitaram. Viajar também é pôr a nossa vida em perspetiva, e eu valorizo até os apeadeiros.❞
❝«Parimos a Humanidade. Como é que alguém pode subjugar um superpoder desses?!» A minha amiga fez com que agarrasse o dia com outra vontade. «Os homens têm muita sorte de só querermos igualdade e não vingança», rematava certeira.❞
❝Se uma mulher adia as suas escolhas, não poderá ser melhor mãe porque vive em défice. O amor não é maior porque abdicamos. O amor é grande porque pudemos continuar a tentar ser felizes. E a felicidade tem tantas escolhas!❞
❝É importante não adiarmos coisas pequenas ou grandes que queremos concretizar, mas cada um pressente o seu momento. Não entramos todos no mar ao mesmo tempo. A minha temperatura não é a tua. É crucial que o saibamos.❞
❝As coisas são boas quando o tempo passa por elas e elas se mantêm misteriosamente inalteradas e estranhamente atuais, apontando para a eternidade.❞
Inês convida-nos a olhar para dentro, refletindo sobre o passar do tempo, a maternidade, os amigos e os laços que valem a pena, a importância de ser grato, … Gostei muito. Lê-se de forma amena.