Revisitando as grandes etapas da história da economia e da sociedade, Daniel Cohen mistura, numa linguagem acessível, economia, história e antropologia, para compreendermos aquilo que move as economias desde o princípio dos tempos.
Um ensaio apaixonante, profundamente humanista, por um dos intelectuais mais influentes do século XXI, com prefácio de Esther Duflo, Prémio Nobel da Economia.
Um dos 100 livros do ano para a Lire Magazine
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Da charrua ao digital, passando pela derrocada ambiental e o novo capitalismo financeiro, o economista Daniel Cohen faz uma síntese das principais etapas da evolução da economia e apresenta uma leitura abrangente das dinâmicas que modelam o mundo em que vivemos.
Quais são as nossas verdadeiras necessidades? Até onde vai a nossa capacidade de adaptação às consequências do crescimento ilimitado que tão ativamente temos procurado? Sobreviveremos à inteligência artificial? Revisitando as diferentes revoluções económicas que forjaram o mundo em que vivemos hoje, das primeiras sociedades à Revolução Industrial, passando pelo capitalismo e, mais recentemente, a globalização e a explosão do digital, o autor expõe os grandes desafios para o as alterações climáticas, a crescente desigualdade e a urgência de um crescimento sustentável.
Uma reflexão lúcida sobre o presente e o futuro, onde Economia, Antropologia e História concorrem para nos guiar através desta viagem ao coração do desejo humano.
Os elogios da crí «Uma síntese extraordinária (…) Acha que não gosta de Economia? Então leia esta (muito) breve história…» Télérama
«Formidável. Daniel Cohen faz-nos muita falta.» Les Echos
«Um livro extraordinário, obrigatório para todos, em especial para aqueles que não se interessam por Economia.» Le Monde
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"Uma economia que não se preocupa com justiça social é uma economia que condena os povos a isso que está acontecendo no mundo: uma brutal concentração de renda e de riqueza, o desemprego e a miséria." - Maria da Conceição Tavares
Daniel Cohen escreve Uma (muito) breve história da economia como quem corre por séculos com a urgência de quem sabe que o tempo, e a paciência do leitor contemporâneo, é curto. O livro coloca uma pergunta desconfortável e absolutamente central: o que aconteceria se a promessa de crescimento indefinido se tornasse vã? Seríamos capazes de reinventar as nossas fontes de satisfação colectiva ou mergulharíamos no desespero, na violência e no ressentimento?
Ao longo do texto, Cohen convoca momentos-chave da história económica, da lei de Malthus ao pós-guerra, para mostrar que o medo do limite sempre acompanhou o capitalismo. Malthus surge não apenas como o profeta do colapso demográfico, mas como o primeiro a dizer que a escassez não é um acidente: é estrutural. A economia moderna nasceu, em grande medida, a tentar contrariar essa condenação.
Há ideias particularmente provocadoras, como a de Keynes, que defendia uma "general bonfire" das dívidas acumuladas pela Alemanha após a guerra, para permitir um recomeço em bases minimamente saudáveis. Hoje, uma proposta deste tipo seria rapidamente catalogada como extremismo de esquerda – o que diz muito menos sobre Keynes do que sobre o estreitamento do nosso imaginário político e económico.
Dito isto, confesso a minha resistência a livros excessivamente sintéticos. Tudo parece acontecer demasiado depressa. As ideias sucedem-se sem tempo suficiente para respirar, como se a própria forma do livro encarnasse a aceleração que ele descreve. Fica a sensação de que cada capítulo poderia, e talvez devesse, ser expandido, discutido, contradito.
Talvez por isso tenha sido impossível não pensar num dos dados mais perturbadores do nosso tempo: cerca de 60% do tempo dos investigadores universitários é hoje gasto em tarefas administrativas. Produz-se menos pensamento lento, menos reflexão crítica, mais gestão, mais relatórios, mais formulários. A economia do conhecimento parece cada vez menos interessada em conhecer.
No fim, este é um livro que não oferece conforto. Oferece antes um espelho: um sistema que prometeu crescimento infinito, mas que parece cada vez menos capaz de garantir justiça, sentido ou futuro. E talvez seja isso que mais o aproxima da frase de Maria da Conceição Tavares que abre esta leitura: sem justiça social, a economia deixa de ser ciência - torna-se condenação.