«Foi, até certa idade, a minha história: uma juventude fértil em paixões, sem Deus e sem pecado; a sensação de ser fêmea sempre presente; uma necessidade involuntária de seduzir; a volúpia de me ver sempre através de olhos diferentes. E o que hoje penso é que uma mulher pode fazer amor com quantos homens queira, contanto que não o faça por falta de amor-próprio.»
Nápoles e Lisboa. O fim da juventude e o começo da idade adulta. Uma mulher entre dois países e entre duas idades: assim é Ana, moderna nas liberdades do corpo e anacrónica no que lhe alimenta o espírito. Lavores de Ana, história de uma travessia, é também um divertimento: seduz o leitor com cenas entre amantes, passeios de motoreta no Verão meridional e vistas bucólicas para o Vesúvio; serve-se da mística da viagem, do louvor da feminilidade, da simplificação da liberdade; joga ardilosamente com a sobreposição dos nomes próprios de autora e narradora.
E, contudo, sabemos que autora e narradora não coincidem, que o delírio amoroso esbarra em famílias conservadoras ou na falta de dinheiro, que as festas pagãs não bastam para calar sermões de padres ou comentários de vizinhas. E sabemos que a liberdade, para as mulheres, tem o tempo contado. Não sabemos, no entanto, quem é Ana.
Auspiciosa estreia de Ana Cláudia Santos na ficção longa, Lavores de Ana equilibra-se magistralmente entre o clássico instantâneo e a condição volátil de um sonho inventado.
# isto só lá vai com “sal grosso metido até ao pescoço”
Cada um tem o seu calvário; o meu, pelos vistos, são as novidades publicadas em Portugal. Até há pouco tempo, não avaliava obras de autores portugueses pouco conhecidos caso não gostasse delas, pois não queria prejudicar eventuais vendas, mas essa bonomia está a passar-me porque, primeiro, os livros estão cada mais caros, todos os dias se publica lixo em forma de livro e as editoras estão a explorar até à exaustão o filão que são as novas autoras portuguesas, sem critério nenhum, à espera da próxima sensação. O texto que se segue é também produto desse meu cansaço e irritação, por isso, deve ser lido com uma pitada de sal. Fino. Basicamente, eu não sou o público-alvo, mas era suposto ser. Apesar do nome de Ana Cláudia Santos me ser familiar por ter traduzido grandes autoras de língua italiana (Fleur Jaeggy, Alba de Céspedes), lembrei-me quando vi o recém-editado “Os Lavores de Ana” que já tinha lido outra obra dela, “A Morsa: Contos de Inocência e Violência” de que gostei bastante, por ter uma escrita elaborada e uma voz distinta e algo retorcida. Logo… Logo, nada. Irreconhecivelmente mediano. “Os Lavores de Ana” é um livro levezinho e terra-a-terra (excepto o capítulo IV, mais duro) sobre uma tradutora de 35 anos, para quem a idade parece ser um bicho-de-sete-cabeças…
Se eu tivesse filhos, eles teriam uma mãe velha.
…“em boa forma física das corridas e do sexo”, com um bonzão italiano de 25 anos como namorado de verão, “apesar de não ser o meu tipo”, como afirma reiteradamente. Eu compreendo, em pleno século XXI ter um homem que anda comigo há umas semanas chamar um padre à praia para me interrogar por que não sou baptizada também não é o meu tipo. Aliás, nem sei de que buraco ficcional ele saiu. É em Nápoles que grande parte da acção se passa, pelo que a autora, qual guia de viagens, é exaustiva a enumerar ruas e a descrever locais, praias e festas, chegando inclusive a explicar as origens mitológicas de Nápoles.
Há 15 anos, quando vivi em Nápoles pela primeira vez, o mundo não fora ainda acometido da febre Ferrante; o primeiro volume da tetralogia napolitana ainda não tinha sido publicado. Passados 10 anos, graças ao êxito dos livros e da série televisiva, já havia visitas guiadas aos lugares do romance.
Nunca pensei dizer isto, mas esta tendência das memórias e da autoficção por bandas portuguesas já está a cansar-me. Toda a gente parece ter um livro biográfico dentro de si, cheio de banalidades que lhes parecem extraordinárias, sem perceberem que o extraordinário é o banal depurado, tornado literatura em vez de rascunho na gaveta, como tantos que há de certeza por aí. Deixem-nos lá estar sossegadinhos, por favor.
Marco perguntou-me então uma coisa extraordinária: quando é que eu me decidia a escrever o meu próprio livro. Respondi-lhe que só pessoas muito seguras de si acreditavam ter alguma coisa para dizer. Mas Marco sabia alguns dos meus segredos, e houve um tempo em que sonhei escrever tudo o que ouvia e sentia.
Por exemplo, há uma passagem em que Ana explica que aos 11 anos treinou a sua letra para passar a ser mais de imprensa. Mas isso não acontece a toda a gente quando sai da escola primária? Quando cheguei ao 7º ano, já ninguém escrevia em manuscrito. Noutra, que comprou um teste de gravidez “numa farmácia de Entrecampos”. São 120 páginas, não vejo a necessidade de preenchê-las com estes detalhes como se houvesse um número mínimo de palavras a cumprir.
«Está longe de ser um livro só sobre a maneira como os lugares impactam o nosso crescimento, já que é também um fragmento de história sobre o que é ser mulher, sobre envelhecer, sobre os diferentes lutos que vamos fazendo ao longo da vida. Pouco importa que seja autoficção ou pelo menos inspirado em factos verídicos, o que importa é que se nota que é escrito com verdade.»
Uma narradora com 35 anos e maturidade de 15 leva-nos pelos seus devaneios egocêntricos e aventuras amorosas de pouco interesse durante uma espécie de Erasmus extemporâneo em Nápoles: tardio mas vivido com a mesma tolice hormonal e pouca inteligência da juventude muito tenra. Páginas e páginas de banalidades e detalhes do quotidiano sem pertinência nenhuma. O que não tem pertinência às vezes pode ter poesia, mas nem uma coisa nem outra. Só trivialidades. É como passar 90 páginas dentro da cabeça de uma adolescente pouco curiosa e inculta, preocupada com futilidades - e o que custa escrever isto sobre uma personagem formada em letras. A certo ponto, no meio de muita folia idiota atrás de homens e em historietas sem interesse, com muito pouco trabalho, a narradora diz mesmo que se sente agradecida por ter tido oportunidade de receber uma bolsa de estudo do Estado para poder andar em aventuras de alcova coroadas por praias italianas e gelados de pistachio: o meu lado fuinha só pensava "e o contribuinte a pagar!". Lembrem-se desta passagem quando vos custar trabalhar para pagar os vossos impostos:)
Tenho um fastio enorme por mulheres adultas a portarem-se como crianças, tenho um cansaço enorme por narradores cujas vozes projetam demasiado o autor sem haver uma boa construção literária, sobretudo quando a sua voz é profundamente egocêntrica e narcísica, numa falta enorme de perspectiva realista, de pertinência, de motivo ulterior.
Eu não faço parte dos que acham que a auto ficção é batota, mas apelo solenemente a todas as mulheres nascidas entre os anos 70 e o presente que parem de querer ser Annie Ernaux e Natalia Ginzburg como atalho fácil para expiar as vossas neuroses e colherem admiração e leitores. Isso já foi feito: elas já o fizeram, melhor, de forma original, literária e pertinente. A vossa vida, ou os resquícios dela que deixam entrever nas "espécies de auto ficção", nas "misturas", nos géneros literários "ambíguos" e indefinidos, não é interessante, não é matéria literária. Essas 'espécies de' e 'hibridos' já foram feitos e refeitos, e tornaram-se, na era do ego e do querer aparecer, uma forma preguiçosa de vender livros e personalidade no mesmo pacote - e de caminho ter seguidores no instagram e filas de jovens de livrinho na mão nas feiras do livro. Estou muito cansada de pretensas Ernauxs que querem falar sobre si próprias sem qualidade nenhuma. Quando foi que a ficção passou de moda? As editoras estão a explorar até à exaustão o filão das autoras contemporâneas, que por sua vez estão a navegar a onda da apologia do ego, da elevação a arte das banalidades e da glorificação de todo o sentimento e neurose feminina como digno de interesse literário e político. Tudo isto eivado por leitores que querem muito ler mulheres e outros "grupos" identitários apenas pela sua identidade e independentemente da qualidade, e alimentado por autores sofridos de falta de leitura e de qualidade que acham que qualquer pensamento que lhes passe entre as orelhas é originalíssimo, brilhante e digno de levar à estampa.
Gostei de descobrir Ana Cláudia Santos enquanto escritora. Gostei deste toque autobiográfico num livro de ficção que nos leva por Nápoles e Lisboa; mas que também nos faz acompanhar o crescimento de uma mulher. Talvez sejam os registos de desabafos, quase pedaços de diários, que nos fazem associar à vida da autora. O uso do mesmo nome, as semelhanças de acontecimentos de vida, de estar (ou ter estado) naqueles sítios. Ao mesmo tempo, levanta questões pertinentes, familiares, como se nos víssemos a nós a ter essas mesmas questões ao longo do nosso crescimento. É um livro sobre autoconhecimento, amores e desamores, crescimento. E é um livro tão pequenino que se lê num sopro.
Li "Lavores de Ana" para o Clube de Leitura da Almedina Rato. Trata-se de um livro íntimo e frontal sobre o fim da juventude, a experiência de viver entre Nápoles e Lisboa e a descoberta, já aos 40 anos, de que talvez a maternidade não venha a acontecer.
Gostei especialmente da última parte, quando a narradora escreve quase em forma de diário sobre a infertilidade, o corpo que falha, a violência silenciosa dos exames e tratamentos e a forma como a sociedade olha para as mulheres sem filhos, como se fossem menos adultas, menos mulheres. Aí o livro deixa de lado as descrições das aventuras em Itália e concentra-se nos sentimentos: a dor, a dúvida, a culpa injusta, mas também o desejo de simplesmente viver bem a dois, sem que isso seja um prémio de consolação.
Gosto da maneira como a @_ana.claudia.santos_ escreve a clepsidra do corpo e a consciência de que “a vida é tão breve, o amor é tão raro”, mas ainda assim há um prazer teimoso em estar viva.
Fiquei com vontade de continuar a lê-la e estou muito curiosa para ler o novo livro "A Morsa", que volta a explorar memórias, inocência e violência em contos publicados pela @companhiadasletrasportugal
Durante grande parte da leitura, o ritmo pareceu-me lento e, por vezes, aborrecido. Apesar de ser um livro curto, tive dificuldade em envolver-me e em sentir a cidade de que tanto se fala, faltou-me uma imagem mais viva desse cenário. Ainda assim, a parte final fez-me fechar o livro com uma opinião mais positiva. No geral, gostei, mas não adorei.
Breve, belo, delicado. Um romance que é um viagem por Nápoles, aumentando o imaginário do leitor, numa cidade que é como uma personagem secundária, tal o apreço, o que leva Ana a regressar dez anos depois e a associar certas zonas pelos seus afetos numa liberdade sentimental enquanto jovem mulher. O regresso a Lisboa determina um balanço numa vida vivida em que, o tempo geracional de origens humildes deu um salto da servidão para a liberdade de escolha. Um amadurecimento que, tarda a constituir família.
Despretensioso faz interessantes paralelos sobre um equilíbrio conquistado. O final é inesperado mas banal se… não fosse difícil. “Eu não era essa mulher, e essa não era a minha história” mas é de tantas. Tomei nota. Ver, ouvir, sentir, não temer a incompreensão, não temer ser vista, não temer ser viva.
Estou um pouco cansada desta moda de livros autobiográficos que não têm nada a acrescentar face aos que já existem.
A autora passa mais tempo a falar de ruas de Itália e a dar pormenores em demasia sobre a sua estadia lá do que a dizer algo em concreto e que traga valor.
A escrita é interessante – daí as 2 estrelas – mas pouco profunda. Frases banais e tentativas poéticas.
O capítulo IV foi um pouco perturbador para mim, por isso esta opinião pode ser parcial, mas achei que o tema não foi abordado da melhor forma. É a experiência pessoal da autora e tem todo o direito em abordá-lo como melhor entende, mas ao mesmo tempo senti que foi insensível para com um grupo de pessoas.
A narrativa começa com um acontecimento fortuito, descrito com uma vivacidade tal que me vi transportada, entre sorrisos, para o centro da cena. Pensei então que, provavelmente, iria gostar do livro porque me faria passar um bom bocado, sem servir outros propósitos que não fosse a mera fruição. Enganei-me. A narrativa vai-se construindo, à medida que deambulamos por Nápoles e vamos descobrindo não só a cidade como Ana, uma jovem adulta, à espera que uma revelação determine o seu destino, uma mulher que sente que só acha atraentes homens inacessíveis, indisponíveis ou inadequados e, portanto, está sempre disponível para viagens e amantes. Uma mulher que aprende a pensar que “uma mulher pode fazer amor com quantos homens queira, contanto que não o faça por falta de amor-próprio”, dando aqui uma lição de que o amor-próprio dever ser a única bússola para a intimidade. Ana é o retrato da mulher contemporânea: inteligente, culta, viajada, mas sitiada pela pressão cronológica. Aos 35 anos, carrega o peso invisível da ausência de marido ou filhos, experimentando a "sensação funesta de ter saltado diretamente da juventude para a velhice". No regresso a Portugal, resta-lhe a melancolia de sentir que Nápoles foi o seu único acontecimento real, embora os seus diários, quase sacrificados por espelharem uma insegurança crua e o medo de crescer, digam o contrário. Ao atingir o marco dos 40 anos, Ana reconhece o trilho árduo que a tornou adulta. Mas a clepsidra não perdoa; o tempo continua a escorrer e urge escolher os caminhos a percorrer. Partilho estas notas finais, que nada revelam da história, mas, para mim, incontornáveis “ouvir, ver, sentir, compreender, não temer ser vista, não temer ser viva.” "Os Lavores de Ana" é um livro de frescura e leveza, mas desenganem-se os que procuram a superficialidade. Ana vira o olhar para dentro, para os seus próprios lavores, na tentativa de responder ao desiderato que nos une a todos: quem sou eu? Para quem, como eu, encontra prazer no diálogo entre artes, este livro é um banquete de referências literárias, musicais e cinematográficas que tornam a leitura uma experiência profundamente rica.
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Para quem já esteve em Nápoles, acho que o livro capta muito bem a sua essência e faz dela uma personagem menor. No fim, capta muito bem a urgência biológica das mulheres em relação à maternidade e aquilo que é a sua vida convencional.
“há coisas que se dizem com mais facilidade numa língua estrangeira”
“Poder morrer depois de se ter visto tanta beleza. Ou morrer de desgosto por a viagem ter terminado. Pensa-se que se ama um lugar pelo que este tem de singular, quando é possível que o que se ama seja a pessoa que se foi, a felicidade e o prazer que se experimentou então. Porém, não se ama menos um lugar por se ter sofrido nele”
“Por vezes penso que Nápoles foi a única coisa que me aconteceu. No entanto, o resto da minha vida é os meus diários desmentem-no”
“Quis destruir-me, acabar com as provas escritas de ter existido, de ter pensado o que pensei. Era, porém, uma forma de existência particular que eu queria destruir: a de uma rapariga insegura e demasiado sensível, com medo de crescer”
“Há dias em que ele é a única pessoa com quem falo. É bom ter com quem falar sobre quase tudo, deixar fluir livremente as palavras. Forço-me, no entanto, a guardar alguma coisa para mim, caso contrário, poderei desaparecer”
“Não fui nada do que quis ser, o que talvez demonstrasse que muitas vezes não queremos as coisas certas para nós “
“Ainda sou jovem, ainda estou aqui. Tomo nota com a mente: ouvir, sentir, compreender, não temer a incompreensão, não temer ser vista, não temer ser viva. A vida é tão breve, o amor tão raro, e nós tivemos tanta sorte”
Num primeiro momento devo confessar que este livro me passou despercebido, no entanto, após conversa cá em casa, fui intimado não só para adquirir este como também o livro de contos da autora. O motivo? Ótimas referências obtidas sobre ambos.
Chegados cá a casa, a sra. Ministra ficou com o livro de contos, e eu, confesso, tendo ficado muito curioso, agarrei nos “Lavores de Ana”. Assim, Ana Cláudia Santos foi leitura dupla no Ministério.
“Lavores de Ana”, faz jus às referências que nos tinham chegado. Sendo a primeira longa narrativa da autora, esta deixa transparecer uma enorme maturidade de escrita e uma grande capacidade de conduzir o leitor pela história. Fluida, cativante e bem escrita, a autora leva-nos pela história de Ana, entre angústias, pensamentos e vivências.
Uma leitura por vezes suave, outras vezes intensa, mas sempre muito prazerosa. Altamente recomendável.
"Poderia ser a minha história. Um texto que lembrasse o prazer de estar viva, o bem-estar delicado das horas boas. Um texto em que a tristeza fosse uma volúpia da espécie, uma extravagância necessária. Tomo nota com a mente: ouvir, ver, sentir, compreender, não temer a incompreensão, não temer ser vista, não temer ser viva. A vida é tão breve, o amor é tão raro, e nós tivemos tanta sorte."
A escrita de Ana Cláudia Santos é fenomenal tal como a sua capacidade de descrever o meio envolvente dos personagens. Contudo, em termos de história, sinto que devia ter aprofundado mais a personagem principal sem necessidade de usar os homens na vida dela como meio para tal
Este livro parece empenhado em sugerir uma profundidade que nunca chega a existir. Insere-se na corrente do romance autobiográfico pós-Annie Ernaux, repetindo procedimentos já gastos e sem risco formal. Beneficia claramente de um contexto editorial favorável a este tipo de narrativas, hoje valorizadas com notável indulgência, e de uma campanha publicitária desproporcionada ao que o livro efetivamente oferece. A leitura é fácil, excessivamente segura. Está, ainda assim, bem escrito (já tinha lido uma tradução desta autora e pareceu-me excelente). Como romancista, porém, não me convence.
É isto que temos: pseudo-literatura que nem ao estatuto de cordel pode aspirar, tal o plano chão em que se move. Mais um produto vomitado pela bem oleada máquina de produção de mais da mesma mesmice. Soma-se ao tropel de escritores/as de pacotilha um lavor que tão depressa veio como depressa se esfumará. A minha amiga ainda me convenceu de que valia a pena espreitar, mas...
2,5 ⭐️ Senti que li duas histórias diferentes, dentro de uma. Sendo que a segunda (a que menos gostei) era a que a autora queria mesmo contar. Começa bem até mas a caminho do fim perdeu-se. Já eu, perdi-me nas mil referências a Nápoles, que não me dizem nada e que também contribuíram para a leitura perder algum interesse. Tenho pena, queria ter gostado mais.
A escrita até é interessante, mas começa a saturar haver autoras, que surgem no mercado literário, a fazer uma espécie de Big Brother das suas vidas no que escrevem. É um caminho que pouco ou nada me seduz, mas parece que virou moda.
Como já disse, vale pela escrita porque de resto...
“As estrelas eram como eu as recordava: nítidas e abundantes, sempre presentes para os perdidos. O céu estrelado da aldeia, um céu perfeito, de planetário. Num firmamento onde não há véus, os astros não podem senão brilhar.”
A primeira metade do livro é uma carta de amor a Nápoles, e na segunda parte a história perde-se, ou melhor, transforma-se em algo mais. Esta segunda parte soube-me a pouco, uma vez que adorei a voz da protagonista e tê-la-ia acompanhado com muito prazer durante muitas mais páginas.