Para além da comida, do que temos fome? Como encontrar o caminho de volta para o que alimenta nossa alma? Como lutar em tempos que nada faz sentido?
Essas são umas das perguntas que guiam "Nem só de pão", um original Audible apresentado pela Paola Carosella sobre o momento em que ela se sentiu perdida. Nada mais fazia sentido: nem a cozinha, nem a comida. O que fazer para resgatar uma paixão antiga em tempos de extrema-direita, caos político e pandemia? É nas palavras de M.F.K Fisher, "a melhor cronista de quem você nunca ouviu falar", que ela encontra as respostas e decide voltar à cozinha.
Traçando um paralelo entre sua jornada como cozinheira e pessoa política e os ensinamentos da Fisher, Paola conta histórias com muita sensibilidade sobre como a comida mudou a vida dela. Resgatando a história da avó, passando pela mãe, ela própria e até sua filha, a cozinheira reivindica o prazer da comida, a importância de comer bem e a necessidade de sermos seres conscientes das questões sociais que nos rodeiam. É emocionante, vulnerável. Paola chora em alguns momentos e a gente chora junto.
No eBook disponível na Amazon, que funciona como um roteiro da série, marquei diversos trechos que me tocaram profundamente. Destaco alguns abaixo. Vale muito a pena ouvir essa história!
"Como eu te digo quem eu sou se eu não puder falar de comida? Como eu luto por um mundo melhor se me tiram o que usei pra melhorar o meu próprio mundo? Eu não sou nada sem isso. Nada. A cozinha é o meu país. A minha casa. O meu refúgio. Sem isso, não existe mais nada. Não tem nada pra fazer. Nada pra dizer. Foi como se o meu vocabulário tivesse acabado."
"Quando a gente tem comida e quando a gente sabe saborear essa comida, não é só o estômago que fica cheio. Não são só proteínas, carboidratos e vitaminas que vão pros lugares certos, e aí o nosso corpo funciona. Não é só isso. Da mesma forma que, quando falta comida, não é só a nutrição que é abalada."
"E eu espero que você encontre o seu próprio caminho até a cozinha. O seu conhecimento culinário é só seu. E pode ser completamente diferente do meu, mas é muito importante que ele envolva algumas coisas. Respeito, primeiro de tudo, pela terra, a conexão com a terra. Com o mundo, com a história, com esse tempo em que você vive, com a sua cultura, com as pessoas que passaram por esse mundo antes de você, com quem te trouxe até aqui, com aquilo que te move. Com aquilo que te dá fome."