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Rainhas da noite

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Andrea de Mayo era a rainha-empresária. Proprietária de pelo menos doze imóveis na cidade de São Paulo, ela investia no aluguel para garotas trans de programa. Teve três boates, entre elas a lendária Prohibidu's, uma casa de travestis para travestis, além de ser agiota e "bombadeira", como chamavam as pessoas que injetavam silicone em mulheres trans. Jacqueline Welch, ou Jacqueline "Blábláblá", era a abelha-rainha. Construiu seu próprio "castelo", um bordel de luxo escondido atrás de um salão de beleza. Era violenta, mas glamurosa, com clientes importantes, entre políticos e artistas paulistanos. Seu castelo foi um dos primeiros pontos fixos de prostituição trans do centro de São Paulo, e do alto de sua "torre" Jacqueline comandava um mundo particular. Cris Negão era a rainha das ruas. Do alto dos seus dois metros, garantia às travestis a proteção que o Estado não dava. Mas para isso, cobrava um preço. Dizia ser imortal, e provava isso com as cicatrizes de seis balas que usava como joias no peito. Era a mais violenta das monarcas. A partir da década de 1970, uma cidade sóbria e conservadora começa a criar outros caminhos, cores e desejos. São Paulo se torna uma cidade de rainhas, dispostas a sair do anonimato e a lutar pela própria existência. Rainhas da noite é uma série inédita, escrita pelo autor de Mulher Maravilha e Ricardo & Vânia, Chico Felitti, e narrada pela atriz e diretora Renata Carvalho, que celebra a vida destas mulheres que criaram uma sociedade só delas e para elas, e reinaram durante trinta anos no centro da maior cidade do país. Foto de Acervo pessoal - Kaká di Polly Angelo Bottino

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Published March 19, 2025

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599 people want to read

About the author

Chico Felitti

21 books168 followers
Mestrando de escrita na Universidade Columbia, em Nova York. Trabalhou na Folha de S.Paulo, onde foi repórter, colunista e editor, por 10 anos. Colaborador da Piauí, da Galileu e da Revista Joyce Pascowitch, foi o autor do perfil de Ricardo Pereira, um artista de rua conhecido como Fofão da Augusta, publicado pelo Buzzfeed em 2017 e que deu origem ao livro “Ricardo e Vânia” (editora Todavia).

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4 stars
209 (32%)
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3 (<1%)
1 star
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Displaying 1 - 30 of 80 reviews
Profile Image for Ana M D Oliveira .
11 reviews7 followers
January 16, 2026
Poderia ser uma excelente fonte para conhecer as histórias obscuras da vida das travestis em São Paulo nas últimas décadas do século XX, não fosse a narrativa confusa, cheia de idas e vindas, agravada pela quantidade inaceitável de erros factuais.
Cito 3, que notei logo. Deve haver outros.
1. Logo no início, há a descrição da chegada a São Paulo de uma das personagens do livro, vinda de Paris, em 1974, desembarcando em Cumbica. O aeroporto foi inaugurado apenas em 1985.
2. Refere-se à Via Dutra, em 1981, como Via Leste, alegando que somente décadas depois ela passou a ter o nome pelo qual é conhecida. Na placa de inauguração da estrada, em janeiro de 1951, já está o nome de Rodovia Presidente Dutra.
3. Cita a morte de Tancredo Neves como tendo ocorrido no dia 15/03/85. Na verdade, esse foi o dia da internação do presidente eleito (de forma indireta pelo Congresso). A morte ocorreu no dia 21/04 do mesmo ano.
Profile Image for Vinícius Sgorla.
437 reviews17 followers
July 14, 2023
"Eu passei bem, viu? Podem falar que sou gorda e caolha. Que era mais difícil do que hoje, até porque era mesmo. Mas a gente se divertiu pra caralho..."

Por mais histórias de gays trambiqueiras, dando tiro, assalto, roubando carro etc.
Profile Image for João.
230 reviews50 followers
November 20, 2025
um beijo pra quem é DJ um beijo pra quem é MC um beijo pra quem é do bem um beijo pras travesti
Profile Image for helvinho.
66 reviews4 followers
March 28, 2024
4.5

Sou fascinado pelo realismo fantástico travesti. Esse gênero (foda que a palavra é essa mesmo) de histórias que vai de Cristina Veneno à Cristiane Jordan, de Camila Sosa Villada a Chico Felitti, de Pose à Almodóvar, Paris is Burning e São Paulo em Hi-Fi, verdadeiros mitos que correm de boca a boca mas infelizmente raramente são narrados por suas protagonistas. Como se essa realidade por si só já não fosse tão surreal: o absurdo intrínseco de ser incumbida com uma jornada, uma transição (não tô falando de quaisquer procedimentos). Parece que junto com isso vem outro nível de magia, como se fosse aceitar a balbúrdia da vida e fazer uma festa, chegar nela montada num elefante. Acho que isso tudo tá soando como uma romantização descabida de um observador e de fato não representa exatamente o que o livro quer passar (apesar dele também não buscar fugir disso). Tem aqui relatos de uma dúzia de travestis que passaram pelo centro de São Paulo desde a metade do século passado, dentre elas três proeminentes figuras. Seus sofrimentos são tão surreais quanto suas celebrações, a violência infligida por elas às suas parceiras também não é suavizada. Gosto do jeito que Chico escreve, como se ele estivesse lá (herança de um outro grande viado). Acho que um único ponto fraco do livro é que ele vai e volta demais entre as personagens e o tempo, acabei me perdendo nas biografias individuais. O negócio é ler mais como uma coletânea de anedotas mesmo — e uma excelente coletânea.
Profile Image for Anna .
52 reviews1 follower
July 18, 2023
Seria 3.5; acho que o autor ainda tem o tom da reportagem p/ podcast na cabeça, então algumas escolhas na linguagem e no ritmo não se sustentam por escrito. vai e volta demais, podia ter ordenado melhor os eventos. às vezes tb força muito a barra atrás de uma profundidade que aterrissa no piegas. mas a pesquisa foi show
Profile Image for Júlia Vilarim.
494 reviews12 followers
January 31, 2023
terceiro livro que leio do chico felitti e terceiro livro dele que favorito!!!

como eu amo a escrita e a sensibilidade desse autor!

acho que ricardo e vânia vai continuar sendo meu trabalho preferido dele porque me apeguei demais à história dos dois, mas aqui temos outro livro que vai nas profundezas das histórias esquecidas ou apagadas.

amei conhecer mais sobre as rainhas de são paulo, com todas as polêmicas e erros e surtos. foi incrível!
Profile Image for Maíra Pilão.
222 reviews1 follower
October 12, 2024
as vezes cometo o deslize de esquecer o quanto cada centímetro dessa cidade é histórico.
Profile Image for gi.
241 reviews4 followers
February 25, 2026
simplesmente espetacular!!!!!

é de mais livros como esse que precisamos para podermos valorizar e falar mais sobre a nossa cultura queer e como a cidade de são paulo principalmente o centro foi construída em cima de cada história dessas!

morar em são paulo depois de ler esse livro definitivamente vai abrir uma nova visão para mim porque cada canto tem algo para contar cada canto tem algo lindo mas também feio que criou nossa cultura e o que a cidade de são paulo representa para todos

às vezes o ritmo da história é um pouco confuso e eu perco a noção de tempo entre as três rainhas mas acho que não foi nada que prejudicou minha leitura porque acho que o felitti sempre escreve assim

viva as travestis!!!
Profile Image for Gabriela Brasil.
12 reviews
July 21, 2025
Adorei ter aprendido tudo que aprendi com esse livro. Leitura divertida e emocionante, essencial para LGBTs e aliados (e para moradores do centro de SP que quase sempre somos tudo isso). Viva as rainhas da noite, que seus nomes não sejam esquecidos.
Profile Image for Jaqueline Bianco.
38 reviews8 followers
December 9, 2024
Fazia muito tempo que estava querendo ler esse livro, pois adoro as histórias sobre a São Paulo dos anos 1970 e 1980. Chico tem uma narrativa fácil de acompanhar, que me prendeu do início ao fim. Adorei conhecer um pouco da história de Jacqueline, Andréa e Cris, suas versões e perversões, como disse Kaká di Polly.
Profile Image for luisa.
54 reviews
March 5, 2025
"as pessoas são tudo. ela é boa, ela é ruim, ela é feia, ela é gostosa, ela é ruim de cama. todo mundo tem dois lados, duas versões. e às vezes tem três, às vezes tem quatro. tem as versões escondidas, as perversões, porque não são só as versões, tem as perversões também."
Profile Image for Cristiani Granemann.
2 reviews
December 14, 2022
Maravilhoso! A história é tão bem contada que me senti na pista de dança da Prohibidus, nas ruas de São Paulo e também de Paris. Terminei o livro com um vazio aqui dentro, pensando em todas outras as Andreas, Jacquelines e anônimas que sofreram e sofrem o preconceito por serem trans e travestis.
Profile Image for Ízargos.
135 reviews6 followers
May 8, 2023
Achei a história bastante confusa, cheia de idas e vindas. Tirando esse ponto, eu gostei muito da forma nua e crua como o Chico narra as vidas da Andreia, da Cris e da Jaqueline.

Fico imaginando como essas mulheres foram fortes e quanto as mulheres trans continuam sofrendo e sendo marginalizadas.

Como diz a Kaka Di Polly, precisamos mostrar o mundo que existiu e existe vida trans para deixar o caminho menos árduo para quem chega agora e para homenagear quem abriu e lutou e luta bravamente no passado e no presente!
Profile Image for kaue.
48 reviews1 follower
February 2, 2024
MARAVILHOSO! Apesar dos pesares, foram grandes ícones da noite e da causa LGBTQ, principalmente na letra T que é marginalizada entre as marginalizadas. Adorei a escrita do Chico, apesar de alguns errinhos nas datas aqui e acolá.
Profile Image for Frejola.
268 reviews17 followers
July 27, 2023
Este livro é um resgate da história do mundo trans no Brasil no final do século XX. Já nasce um clássico. E é fascinante.
Profile Image for Guilherme Soares Zanella.
164 reviews2 followers
January 8, 2023
Nem vilãs, nem heroínas - as rainhas da noite representam um retrato das lutas da comunidade T da década de 1970 até meados dos anos 2000. Neste livro empolgante do jornalista Chico Felitti, acompanhamos a jornada intensa de travestis e transsexuais que dominaram a noite paulistana por mais de 30 anos. As personagens principais são Jacqueline Welch, Andréa de Mayo e Cristiane Jordan. Entre um capítulo e outro, apresentações artísticas muito bem descritas, que nos dão a sensação de estar naqueles locais. Felitti cruza narrativas, apresenta personagens complexas e fascinantes, conta boa parte da história do próprio centro de São Paulo e ensaia o que poderia muito bem ser um épico. Deixa muito claro, de início - toda história é contada por um lado e esta assume a posição da comunidade T. Uma história muito negligenciada e que, por muitos anos, foi escrita majoritariamente em documentos policiais. Vemos um registro completo da vida dessas e outras rainhas da noite. Suas lutas, suas resistências, suas vinganças, mentiras e mais. Esse é um livro inesquecível e que daria uma maravilhosa adaptação para a TV (ou streaming).
Profile Image for Andre.
53 reviews2 followers
October 27, 2023
E quem conseguiria imaginar o que foi o centro de São Paulo que essas pessoas T vivenciaram senão o Felitti? A paisagem que o livro mostra é realmente de um mundo anterior, e as coadjuvantes e protagonistas desta cena tem histórias mais memoráveis que muitas personalidades que vimos e ouvimos por aí.
Violência e acolhimento são opostos que convivem e disputam os espaços diários deste contexto, que só hoje encontra sua voz (graças!) e vem à tona mais de cinquenta anos depois, através de uma reparação histórica, por toda a marginalização e apagamento de tantas vidas.
Profile Image for Victhor.
20 reviews
February 25, 2026
Num país tão carente de História LGBTQ, um livro assim se mostra uma necessidade. Contar as histórias, das mais variadas personagens é um ato de resistência num país que quer nos apagar. Chico escreve com curiosidade e paixão, descrevendo sem julgamentos de valor sobre essas mulheres que lutaram para que hoje tenhamos um pouco mais de espaço e respeito na sociedade brasileira.
Profile Image for ju motter.
129 reviews17 followers
March 22, 2024
A narrativa se perde diante de tantos fatos. Não dá para entender se há a linearidade, se seguimos as sujeitas ou se a história - ou as histórias - precisa ser contada numa confusão semelhante àquela que pareceu compô-la. É um registro intenso, vale a leitura.
Profile Image for Vivian Marques.
322 reviews7 followers
November 24, 2023
O vai e volta me perdeu um pouco mas ainda assim gostei muuuito, o Chico é bom demais no que faz tem jeito n
Profile Image for Rebecca G. ⚓️.
87 reviews
January 5, 2024
Reconhecer as ruas, alguns dos nomes de boates e se sentir próximas das rainhas é muito interessante.
Chico faz isso de forma fácil de ler, empática e jornalística.
Profile Image for Carolina Soares.
6 reviews
May 25, 2024
Historias interessantes que ficam meio confusas na narrativa caótica. Talvez seja essa mesmo a intenção do autor, pautar um ritmo meio desestruturado - tal qual a vida das personagens. Gostei mas não amei.
Profile Image for pamella.
386 reviews3 followers
January 31, 2024
“No começo, queriam pôr a gente pra brigar, criar uma disputa. Mas nunca teve disso. Nós éramos irmãs.”

Ouvi esse livro pelo audiobook da Storytel e de primeira fiquei decepcionada quando vi que não era narrado pelo Chico Felitti, mas logo que comecei a ouvir vi que foi uma "boa decepção", porque a narração da Renata Carvalho é excepcional, traz ainda mais alma pro livro. Eu me senti uma burra sem cultura, como eu vivi quase 30 anos em São Paulo e não conhecia essas personalidades? O trabalho de pesquisa do Chico, como sempre, foi maravilhoso. Esse livro em certos momentos é divertido, as vezes brutal, mas o tempo todo é interessante. Comentário clichê, eu sei, mas são histórias que necessitavam ser contadas. A polícia, a sociedade, todos tentaram muito apagar não só a história, mas a existência, a própria vida, dessas travestis. Por mais obras que devolvam um pouco do que essas mulheres mereciam.
Profile Image for André Cavalcante Dos Santos.
1 review
February 7, 2024
Interessante história do underground de São Paulo dos anos 70, 80 e 90. História incrível sobre travestis que, na ausência do Estado, criaram suas própria leis pra se protegerem.
Profile Image for Ben Motta.
4 reviews
January 13, 2024
Chico felitti sendo Chico felitti - pouca profundidade, fatos históricos errados e alternância de tempos, épocas e personagem, bem como a narrativa, muito confusos.
Profile Image for Ofélia de Luna.
15 reviews
January 14, 2026
Rainhas da Noite é um livro triste. E essa tristeza não vem apenas das violências narradas, mas do reconhecimento de que elas não pertencem ao passado. O livro termina, mas a lógica que produziu aquelas vidas e aquelas mortes continua operando. Chico Felitti reconstrói a trajetória de travestis que dominaram a noite do centro de São Paulo e, ao fazê-lo, expõe um país que insiste em apagar, perseguir e destruir certas existências.

O conceito de violência arquival, apresentado nas primeiras páginas, é central para compreender o livro. Essas mulheres não foram apenas vítimas de violência física, policial ou social; foram também vítimas de um apagamento sistemático. Seus nomes, histórias e trajetórias não entraram no arquivo oficial. Quando aparecem, surgem distorcidas, reduzidas a notas policiais ou ao sensacionalismo. Rainhas da Noite atua nesse vazio, trabalhando com memória oral, relatos fragmentários e lembranças atravessadas pelo medo, pela violência e pelo esquecimento imposto.

Parte da recepção do livro acusa Felitti de “humanizar criminosas”. Essa crítica revela mais sobre quem lê do que sobre o texto. O livro não absolve nem embeleza suas personagens. Ele as apresenta como foram: violentas em muitos momentos, contraditórias, capazes tanto de gestos de brutalidade quanto de cuidado. Andrea de Mayo, por exemplo, exercia controle violento sobre outras travestis, explorava, agia com crueldade, mas também tinha momentos de ternura. Mostrar isso não é justificar; é recusar a caricatura. A ideia de que apresentar complexidade equivale a “humanizar demais” revela o quanto ainda se espera que corpos travestis sejam unidimensionais, legíveis apenas como vítimas ou monstros.

Essa exigência moral raramente recai com a mesma força sobre personagens históricos cis, brancos e de classe média. A literatura está repleta de figuras violentas e eticamente ambíguas tratadas como complexas, trágicas ou interessantes. O desconforto surge quando essa complexidade aparece em corpos que muitos prefeririam manter no lugar da desumanização. O livro expõe esse limite do leitor.

A violência atravessa a obra em múltiplas camadas. Violência familiar, que expulsa essas meninas de casa. Violência institucional, que as empurra para a prostituição. Violência policial, narrada sem eufemismo. Operações tratadas pela imprensa como “limpeza” revelam um projeto explícito de higienização social. A polícia aparece não como proteção falha, mas como agente ativo da violência.

Há também violência entre travestis, e o livro não a suaviza. Lê-la de forma moralizante, porém, é um erro. Essa violência não surge do nada. Ela é resposta, forma de sobrevivência num mundo que só oferece brutalidade. Essas mulheres devolvem ao mundo o que o mundo sempre lhes entregou. Quando a vida só oferece horror, não nasce virtude; nasce endurecimento.

Há violências mais silenciosas, igualmente devastadoras. O nome negado na vida e na morte. Andrea de Mayo enterrada sob o nome de registro, corrigido apenas depois. A dignidade recusada até o fim. A impossibilidade do amor, da família, da segurança. O corpo constantemente ameaçado pelo HIV, pelo silicone industrial, pelas drogas, pelos clientes, pela polícia. Para corpos trans, não há lugar seguro — nunca houve, e ainda não há.

Talvez uma das constatações mais cruéis do livro seja esta: até a bondade foi roubada dessas mulheres. Qualquer gesto de cuidado precisava coexistir com dureza extrema, porque a suavidade também era punida. Elas se endureceram para sobreviver e depois foram criminalizadas por isso.

Há quem aponte possíveis imprecisões factuais no livro. Essas observações não devem ser descartadas, mas precisam ser pensadas à luz do projeto da obra. Exigir precisão absoluta de um livro que denuncia a violência arquival pode, em certos casos, acabar reafirmando a ideia de que apenas os registros oficiais — produzidos por instituições que historicamente apagaram essas vidas — têm valor como verdade. Isso não significa que erros não importem, mas que seu peso precisa ser avaliado com critério.

Rainhas da Noite é um livro necessário porque essas histórias continuam acontecendo. O Brasil segue sendo, ano após ano, um dos países que mais mata pessoas trans no mundo. E, ainda assim, quantos nomes conhecemos? Quantas histórias chegam ao espaço público? O apagamento simbólico continua produzindo morte real.

Felitti não salva essas mulheres. Não tenta. O que ele faz é recusar traí-las mais uma vez. Ao lhes conceder dignidade narrativa, o livro realiza um reparo simbólico contra uma história que insistiu em negar a essas existências até mesmo o direito à memória. Não é consolo. É confronto.
10 reviews
July 9, 2024
esse seria um livro 5 estrelas se eu não houvesse pesquisado mais sobre o background de tais rainhas! o livro humaniza as mesmas trazendo aspectos de suas vidas que vão além de toda a violência cometida pela realeza, e de certa todas são humanizadas

o fato de mostrar o outro lado da história delas é legal e interessante, mas desenvolvi um sentimento de empatia que não gosto. isso é um ponto positivo pro autor que consegue “manipular” o leitor a acreditar que as figuras apresentadas são pessoas além da violência. mas a partir do momento em que os relatos apresentados são de pessoas afetuosas com as mesmas, excluindo completamente pessoas que poderiam complementar a história ao explicar a antipatia por tais, me senti meio manipulado a acreditar que as rainhas eram empáticas e muitas vezes solidárias, o que não é vdd!

acho que esse livro merece ser lido por toda a comunidade lgbt brasileira, porém com pesquisa além! entender a história das 3, vai além do que é documentado aqui, e se a personalidade “maldosa” não houvesse sido ofuscada, eu teria, com toda certeza, dado essas 5 estrelas
Displaying 1 - 30 of 80 reviews

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