Textões, poemas e aforismos da maior voz da cena indie Letícia Novaes, a Letrux
"Aos goles, salgados, doces, etílicos e brandos, as três seções de Tudo que já nadei nos vão entrando pela cabeça, revirando ou se assentando nos nossos estômagos, mas chegam, certamente, ao coração." – RITA VON HUNTY
"Letícia flutua e mergulha, superficial e profunda, como pop music Escrever é uma coisa, fazer querer ler é outra inteiramente diversa Flutue, mergulhe, os textos são suas boias de braço, e nade. De nada." – LULU SANTOS
"Este livro contém 855 aparições da vigésima letra do alfabeto "T". Aqui dentro, Letrux diz que [...] De tesão ou de tédio, "T" é uma letra perigosa. [...], talvez porque sua poética seja a da travessia – cruzar uma porção de água entre superfícies terrestres –, da voz que, vestida do manto atmosférico, faz vibrar cargueiros e botes (...). Tua, toda, tão. Tá, tanto, tudo que Letrux já nadou tange a palavra sons, ângulos, moradas, poemas." – BRUNA BEBER
"Já nas primeiras páginas lendo Letícia Letrux, é como tomar um caldo e se divertir com isso. Rir de si mesma. É puro mar, mas ainda assim eu rio. Pororoca. Me fez lembrar de quando aprendi a nadar. Me fez pensar em quanto o mar me atrai e apavora. Ler Tudo que já nadei me deu vontade de boiar e, mais uma vez, me sentir acolhida no mar como no útero. Não que eu me lembre. Do mar sim, do útero nem tanto. Mas sei que tem água também." – LINN DA QUEBRADA
Nessa coletânea de textões (ressaca), poemas (quebra-mar) e aforismos (marolinhas), mergulhe na voz potente e afetiva de Letrux.
Letícia Novaes, a Letrux, é um dos nomes de maior destaque no cenário da música independente contemporânea. Seu primeiro disco como Letrux, Em noite de climão, foi lançado em 2017 e a fez conhecida em todo o país. Em 2020, lançou o segundo álbum de seu projeto musical, Letrux aos prantos, com participações especiais de Liniker e Lovefoxxx. Esse álbum foi finalista do Grammy Latino de 2020, na categoria Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa.
Cantora, compositora, atriz, escritora e poeta, Letícia publicou o livro Zaralha – abri minha pasta em 2015. Ainda em seus percursos literários, apresentou o show Línguas e Poesias, declamando poetas a quem sempre teve devoção.
Foi colunista de O Globo, no “Segundo Caderno”, e atualmente assina uma coluna mensal no revista Gama (Nexo). Alerta e sensível às questões de nosso tempo, Letícia acompanha e apoia causas como o feminismo e as lutas pela igualdade de gêneros e contra o racismo e a homofobia, entre outros temas, sobretudo os ligados aos direitos humanos.
vamos lá. a divisão do texto é genial, genial (só funciono quando repito).
a dedicatória em seguida com o primeiro texto sobre a marina segue o mesmo passo do sumário e prevê algo genioso, MAS isso não é entregue.
talvez monotemático - e eu amo ler sobre o mar - demais porque não há nuance, há escancaro. nesse sentido, parece a letrux cantando/declamando no meu ouvido.
por fim, acho que a primeira parte (ressaca) é muito superior que as demais.
Fiquei em dúvida se colocava 2 ou 3 estrelas, acho que no final das contas são 2 e meia. Eu amo a Letrux, a música dela embalou um dos momentos mais cruciais da minha vida, eu também amo o mar - tanto que mal consigo falar ou escrever sobre -, e foi por isso que durante boa parte da leitura não entendi bem o porquê de estar fluindo tão pouco pra mim. Me senti especialmente comovida com os relatos sobre a prima, eu sempre consigo me conectar com o luto por ser tão marcada por ele, e fiquei deslumbrada em algumas partes de Ressaca e Quebra-mar, mas foi só. Acho que a minha devoção pelo mar é diferente, cresci longe dele e não o visito com a frequência que gostaria, sempre que entro é como se fosse a 1ª vez. O meu repertório de referências e emoções me faz pensar primeiro em um farol obscuro - como no conto do Allan Poe que ele não terminou porque a morte chegou primeiro -, um faroleiro solitário, as histórias de pirata e as ilhas de tesouros, as embarcações que afundaram e estão lá no fundo perdidas para sempre formando cidades fantasmas, as tempestades marítimas, as sereias enigmáticas, os animais marinhos que a humanidade nunca conhecerá, as guerras que aconteceram por via aquática, os maremotos e os escafandristas. Depois que minha mente faz toda essa travessia umbralina é que vou lembrar da água de côco, dos mergulhos, dos caldos… Talvez eu seja notívaga demais para fluir com Letícia.
Tem seus altos e baixos. A escrita de Letrux te bota dentro de uma conversa meio psicodélica com sua tia meio estranha, descolada (sem culpa, como ela mesma fala). É super interessante como o mar é um tema recorrente desde o título ao conteúdo dos textos. Uma graça. Acho que peguei mania de escrever meio pontuado assim. Graças ao livro, claro.
- sexo das coisas “nunca soube explicar para os gringos e nunca mais me apaixonei por gente estrangeira, o estreitamento com a língua portuguesa me enlaçou de tal forma que uma pessoa que não pode me ler não vai poder me amar.”
O livro é daqueles você lê na dúvida se é da Letícia ou seu. Ela escreve o que sentimos por aí, ao sair de casa para tomar café na padaria ou pegarmos o ônibus no para ir dar um mergulho. E escreve esses momentos com uma sinceridade irônica encantadora.
Além disso ela ainda compartilha comigo especialmente a Tijuca, Rio Comprido, infância em Guarapari e o que mais... foi ler se sentindo em casa.
O último trecho - marolinhas - é de fato menos forte, menos profundo, mas tem vezes que o mar é assim mesmo.
É a moça contando da vida dela... Não traz nenhuma reflexão lá muito interessante... Tem um clima "Sou famosa, leia sobre mim que é o suficiente".
Não gostei da maneira como ela misturou o inglês com o português... só passou uma vibe de burguesa metida... (Não é culpa do idioma, mas é culpa da maneira como foi trabalhado.) Foi bem chatinho mesmo.
Aproveitando o lançamento de "Letrux como mulher girafa", um álbum que não paro de ouvir, decidi pegar "Tudo o que já nadei". Já tinha começado uma vez, não tava vibe, larguei. Mas agora fluiu que foi uma beleza.
Letrux é apaixonada por praia, por mar. Vai toda semana. Tem várias histórias para contar dos momentos à beira-mar. De dia, à noite, na água quente, na água gelada, feliz, triste... Qualquer momento vale o nado ou a contemplação do mar.
O livro reúne textões, poemas e reflexões da autora dentro do tema. Inclusive, um que viralizou recentemente e do qual gosto muito:
"me adoro de um jeito que não sou
me adoro distraída
me adoro relaxada
me adoro depois da praia
mas eu não sou todo dia depois da praia
mas me adoro desse jeito que não sou
como faz para se tornar todo dia
de um jeito depois da praia?"
Os textos me fizeram pensar nos momentos especiais que tive no mar esse ano. Tomei duas grandes (e difíceis) decisões com ajuda da água. Como a Letrux, chorei quando sabia que ninguém mais estava vendo. Fiquei com vontade de morar perto da praia também.
Não é revolucionário, mas foi gostoso passar essas horinhas com a Letrux narrando seus textos para mim na versão em áudio desse livro.
No “Climão”, seu primeiro álbum solo, Letrux termina a primeira música do álbum dizendo que não vai passar batida na festinha. E não passa mesmo.
Letícia é uma multiartista que causa sentimentos extremos: ou você fica curioso com a estranheza e como ela abraça isso ou tu se repele e não gosta de como ela se expressa. Não posso dizer que gostei de Letrux em todos os momentos, que amei Climão de primeira mas quando eu vi o seu show pela primeira vez ano passado, imediatamente me lembrei porque passei final da minha adolescência vidrada em seu primeiro álbum, sentindo que ela falava diretamente comigo e toda a curiosidade voltou.
Gosto do compromisso da Letícia, de ser tão intensa em sua arte que você sente como deve escutar ou ler a sua obra. Climão é a delícia da noite carioca, a descoberta, o flerte, o desejo. Ele pinga tesão na pista de dança, o início do amor e ainda tem espaço para a introspecção de tudo isso. Te faz sentir jovem, livre, parte de um grupo. “Tudo que já nadei” é sereno e íntimo, te dá paz, te faz querer ler de frente para o mar (o que eu não fiz mas quis muito). Letícia dá um jeito de te fazer sorrir - as vezes até num pensamento: “que absurdo ri disso” (mesmo rindo) mas também te faz pensar “como nunca pensei nisso antes?”; sempre te convidando para o mar, como uma espécie de sereia tijucana um pouco estranha.
Enfim, livro muito bacana de uma artista que eu claramente curto muito. Bem dividido, leitura gostosinha.
Me toquei com os relatos sobre a prima, me vi nos desabafos sobre a pandemia e ri das histórias da infância da Letrux. Adorei a escrita, o formato, os recortes, os casos...
"combinei lisergia com amigues na natureza óbvio mas isso se eu não tiver um sonho ruim segunda tomo o avião rivotrilizada mas combinei um reike e água de coco assim que chegar e de noite tem três garrafas de vinho com as meninas certamente já fui melhor em termos de vida já bati no peito mais forte e gritei que forever young i wanna be forever young mas aí a própria música me perguntou do you really want to live forever?"
Eu amo todas as facetas da Letrux / Letícia, como cantora, compositora, poeta, escritora, atriz, performer. Esse livro tem um lugar especial no meu coração, adoro mergulhar nele. Recomendo ler no verão, na praia ou numa rede. ❣️
por vezes consegui sentir uma brisa de praia, ou como se eu estivesse mergulhando na água. ou em uma conversa de bar. ou ainda voltando a ser criança. para a experiência ser completa só faltou ter lido perto do mar. mas eu quase cheguei lá
sou suspeita pra falar porque sou fã irredutível da letícia mas esse livro é uma delícia. o primeiro texto faz chorar, mas depois vem a paz, a calma, a sensação gostosa de estar lendo uma amiga, uma pessoa com muito ar no mapa, uma pessoa que seguiu caminhos parecidos com o seu pensamento e chegou em algum lugar. ou não. gosto demais da escrita despretensiosa, do estilo, de algumas coisinhas que só quem é mais "próximo" vai perceber, gosto da invasão de emoções que vem logo depois de uma historinha sobre o dia que ela não encontrou vaga no estacionamento, ou algo assim. leticia escritora também tem um lugar especial no meu afeto, na minha estética, na minha percepção literária e aqui seguimos esperando por mais, quem sabe até um romance <3
Muito bom!!! Esse livro é tipo estar dentro da cabeça da letrux e entender como ela imagina isso... (parafraseando ela) uma intensidade que só, amei!
Me identifiquei com um tanto de coisa, tipo essa: "as vésperas me consomem tanto que devo ir ao banheiro umas sete vezes" Ou hoje que eu "acordei como se quisesse morrer fui dormir como se quisesse acordar seria tão bom o botão desligar seria tão bom poder desacoplar o braço do corpo poder dormir poder rolar poder encaixar na cama em você ..."
na primeira parte eu tava pensando nossa que livro maravilhoso hilário queridíssimo envolvente relatable e tals, aí cheguei na secunda parte e falei pqp poema (não gosto de poema), tem uns que são bons tem gente que sabe fazer mas eu achei que os desse livro era só prosa escrito de um jeito diferente. na última parte eu achei uns trechos bens legais, outros meio cafona meio brega, mas tudo bem, todo mundo é meio cafona meio brega