Pedro Paixão nasceu em Lisboa, em 1956, vive em Stº António do Estoril e tem um filho. É doutorado em Filosofia, que ensina na Universidade Nova de Lisboa. Com Miguel Esteves Cardoso fundou a agência de publicidade Massa Cinzenta, que mais tarde vendeu. Com o seu primeiro romance, "A Noiva Judia", inaugurou um estilo que tem vindo a marcar a cultura portuguesa desde o início dos anos 90. Tem somado sucessos atrás de sucessos, entre eles "Viver Todos os Dias Cansa", "Muito Meu Amor", "Nos Teus Braços Morreríamos", "Quase Gosto da Vida que Tenho" e "Amor Portátil".
Ter vindo a descobrir este livro foi um acaso. O Pedro Paixão, apesar de ter os seus seguidores, não é um escritor muito celebrado, tendo o seu pico de sucesso ficado para trás no tempo. Decidi que tinha de o ler assim que soube que tratava da amizade com o Miguel Esteves Cardoso, essa personagem intrigante e fascinante. Quando finalmente o comprei não foi para mim mas para oferecer a uma amiga, e na primeira página escrevi a lápis "porque a amizade é uma espécie de amor". Mas antes de lhe entregar devorei o livro - esse pecado belo de ler um livro antes de o oferecer a alguém, de fazer nossa a sua primeira leitura, de garantir que há algo mais que partilhamos com os amigos que importam e que merecem o nosso maior esforço na escolha de prendas.
O livro é inebriante. A personagem do Miguel Esteves Cardoso prende-nos os olhos às linhas: o mistério do monstro, o monstro genial. Nele descobrimos uma amizade intensa entre dois homens, dois homens que partilham uma paixão pelo espírito, pela literatura, pela filosofia. Nas páginas ouvimos falar de Beckett, Wittgenstein e outros génios do século XX, essenciais ao pensamento moderno. E sobre como as ideias podem ter um poder hipnotizador, capaz de unir dois homens numa espécie de amor, de intensidade tal que não poderia durar. Por vezes é isso que enfrentamos na vida, aquilo que mais intenso é desde o início planta as sementes da sua futura destruição e no entanto vale a pena, pouco mais vale a pena. A história tem partes fictícias (principalmente sobre o Pedro Paixão, mas também sobre o MEC), mas é brilhante. Um livro a ler, possivelmente antes de oferecer a um amigo.
Absolutamente genial e está completamente a borrifar-se para isso. Depois disto, vou reler A Noiva Judia.
“(…) foi contra a minha vontade que conheci o meu melhor amigo, num certo sentido o meu único amigo.” “A ‘Tabacaria’, que li, para meu mal, e por grave descuido dos meus educadores, aos treze anos, logo me contaminando de incurável niilismo” (…) “Quando estava a ler um ensaio do Ezra Pound (…) tinha a exorbitante sensação de ele o ter escrito para mim, ou, pelo menos, que eu era a única pessoa no universo inteiro que o estava a ler como ele o merecia (…)” “Amar e odiar ao mesmo tempo é uma dupla actividade de que toda a gente é capaz, julgo eu, e era o que eu sentia também pela minha mãe, que continuava, apesar das constantes ameaças de que ia morrer, vivíssima.”