Uma ditadura, que durava há mais de quatro décadas, caiu em menos de 24 horas. Que revolução era esta onde não morria quase ninguém? Onde jovens capitães faziam causa comum com as classes populares e as ruas se enchiam de povo em festa? Derrotada a via autoritária de Spínola, a 28 de Setembro e a 11 de Março, e resolvida a questão colonial, duas legitimidades não tardaram a entrar em confronto: a das novas instituições democráticas e a revolucionária. A Assembleia Constituinte será cercada e o Governo sequestrado. Os soldados do Regimento de Artilharia de Lisboa farão um juramento de bandeira de punho erguido, declarando-se «ao lado do povo e ao serviço da classe operária», a embaixada de Espanha será saqueada e o Conselho da Revolução mandará detonar os emissores da Rádio Renascença. Isto enquanto uma direita não tão democrática como isso se empenhava na contra-revolução armada. Na espiral revolucionária de 1974 e 1975, Portugal parecia um manicómio em autogestão, mas, pelo menos transitoriamente, foi o povo quem fez a História. Breve História do PREC traça o retrato dessa época frenética e recorda a sua cronologia.
“As revoluções não terminam com o fim da ditadura. Às vezes, é aí que realmente começam.”
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Esta é uma obra fundamental para compreender o período de grande instabilidade política e social que se seguiu ao 25 de Abril de 1974, culminando nos acontecimentos decisivos de 25 de novembro de 1975. Rui Cardoso traça uma linha clara e concisa através dos principais acontecimentos do Processo Revolucionário em Curso (PREC), ajudando o leitor a perceber como Portugal quase enveredou por caminhos autoritários, mesmo depois de ter derrubado a ditadura.
A grande virtude do livro está na sua clareza e rigor factual. O autor evita interpretações ideológicas ou juízos simplistas, preferindo deixar que os factos falem por si. A narrativa é construída a partir de relatos da época, notícias, declarações públicas e documentos históricos, o que lhe confere grande credibilidade. É uma obra que não tenta reescrever a História, mas antes organizá-la e apresentá-la de forma acessível e objetiva.
Rui Cardoso acompanha cronologicamente os acontecimentos, desde o entusiasmo inicial da Revolução de Abril até à radicalização progressiva da sociedade portuguesa, com o surgimento de movimentos extremistas à direita e à esquerda, nacionalizações massivas e ocupações de terras. O autor detalha as diferentes forças políticas e militares em confronto, sem perder de vista o papel do povo português neste processo.
Ao longo da obra, é notório o cuidado em destacar os protagonistas políticos e militares que marcaram o período — desde Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves até Melo Antunes e Ramalho Eanes. O autor procura explicar as suas motivações e ações com base em factos concretos, contribuindo para uma compreensão mais profunda da complexidade do PREC e das tensões que se viveram nesse curto, mas intenso, período.
A importância do 25 de novembro de 1975 surge como ponto culminante do livro, sendo apresentado não como uma “contrarrevolução”, mas como um momento de viragem essencial para a consolidação da democracia. Rui Cardoso mostra como, sem esse episódio, o país poderia ter seguido por caminhos perigosamente autoritários ou até mesmo de guerra civil. É nesse sentido que o livro é essencial: ajuda a perceber que o 25 de Abril não foi um fim, mas sim o início de um processo conflituoso que só terminou (provisoriamente) com o restabelecimento da estabilidade democrática.
A linguagem utilizada é direta, sem floreados desnecessários, o que facilita a leitura mesmo para quem não tem grande conhecimento prévio da História contemporânea portuguesa. No entanto, essa mesma simplicidade pode deixar alguns leitores mais exigentes com vontade de aprofundar certos pontos, especialmente no que diz respeito à economia e aos bastidores políticos de algumas decisões mais polémicas.
Em suma, Breve História do PREC é uma obra de leitura obrigatória para quem quer entender os anos mais intensos da política portuguesa moderna. Rui Cardoso oferece uma visão abrangente, honesta e fundamentada de um período que continua a levantar paixões e polémicas. Tem esta avaliação pela sua clareza, objetividade e valor educativo, ainda que pudesse beneficiar de maior profundidade analítica.
Avaliação: 3.5/5
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EN THIS is an essential book for understanding the tumultuous period that followed Portugal’s Carnation Revolution in April 1974, culminating in the decisive events of November 25, 1975. Rui Cardoso offers a clear and accessible guide to the Processo Revolucionário em Curso (PREC), helping readers grasp how the country nearly veered into authoritarianism even after the dictatorship had ended.
The book’s greatest strength lies in its factual accuracy and clarity. Rui Cardoso avoids ideological commentary and instead presents events as they unfolded, relying on contemporary reports, public declarations, and documented facts. This lends the book a strong sense of credibility and transparency, making it an indispensable tool for both students and general readers.
Chronologically, the author guides us from the euphoric atmosphere following April 25 to the escalating radicalization that took hold of Portuguese society. From mass nationalizations to land occupations and the rise of extremist factions on both sides of the political spectrum, the author provides a coherent and concise account of the chaos that characterized this period.
Key political and military figures are well contextualized — from Otelo Saraiva de Carvalho and Vasco Gonçalves to Melo Antunes and Ramalho Eanes. Rather than demonizing or glorifying anyone, Cardoso outlines their motivations and decisions using concrete evidence. This balanced portrayal allows the reader to understand the complexity of the shifting alliances and power struggles of the time.
The climax of the book is the depiction of the November 25, 1975 counter-coup. Far from framing it as a betrayal of revolutionary ideals, Cardoso presents it as a turning point necessary to stabilize and consolidate Portugal’s nascent democracy. Without that intervention, the country might have descended into civil unrest or worse. This reframing makes the book vital for understanding why April 25 was not the end of the struggle, but just the beginning.
Cardoso writes in a simple, straightforward style that welcomes readers of all levels of historical knowledge. However, this simplicity may leave those with academic or political curiosity wanting more depth, especially regarding the economic and institutional impacts of the period. Still, for an introductory text, it does its job exceptionally well.
In conclusion, A Brief History of the PREC offers a valuable and balanced overview of a foundational chapter in Portuguese democracy. Rui Cardoso manages to make a complex and controversial era understandable without sacrificing nuance. My rating is for its educational merit, clarity, and factual grounding, despite wishing it had dug just a bit deeper.
Um bom livro para ter um glimpse do período do pós 25 de Abril/Prec/Verão quente. Dá uma explicação boa sobre o 28 de setembro, o 11 de Março e o 25 de Novembro e os seus significados e mistérios. Alguns episódios como o caso Renascença e as lutas dos jornais são explicados bastante bem. São também bem explicados as inovações das construções civis e de uma ou outra luta específica.
Mas no resto do livro muitas outras lutas e eventos são passados a olho apenas e deixam nos com mais perguntas que respostas. Muitas organizações são mencionadas e nunca explicadas a fundos, as interações política tornam se confusas e como é so vinhetas do tempo falta uma ligação entre as ações.
Assim é um boa porta de entrada para o estudo deste tempo mesmo sendo um entrada desequilibrada pois algumas coisas são vista ao limite e outras a nivel mais superficial mas não deixa de dar um contexto bom para futuras investigações.
Um bom resumo para quem não tiver muito tempo e quiser uma perspetiva narrativa do que foi o PREC. Achei demasiado opinativo e narrativo, e menos claro em algumas partes do que gostaria.