"A ideia é simples. Os caras só vão continuar fazendo essas coisas se a gente deixar. A gente não tem nada. Não tem Ox, não tem troca, não tem poder, não tem influência. Mas nós somos muitos mais do que os nobres. Se a gente se juntar, já era. Não vai ter Ox no mundo que esses nobres vão poder usar pra silenciar a gente."
Rato é motoboy, morador de comunidade e tem uma filha pequena para criar — por isso, faltam tempo e paciência para os nobres que governam o país e controlam o estoque de Ox, metal que substitui dinheiro, além de ser fonte de magia para as famílias de sangue azul.
No entanto, quando uma entrega dá muito errado e Rato se vê caçado pelas ruas, na mira das bolas de fogo de um barãozinho, as coisas mudam de figura. De repente, ele se descobre no epicentro da luta de classes que tomou a cidade — um herói involuntário, mas com a coragem de questionar as regras e botar tudo abaixo, se preciso, para mudar o status quo.
Em Moeda de troca, Lucas Mota, vencedor do Prêmio Jabuti de Entretenimento de 2022 com Olhos de pixel, constrói um Brasil fantástico, mas muito reconhecível, em que a magia é um privilégio de poucos, e a verdadeira moeda de troca daqueles na base da pirâmide é a força de sua união.
"Em tempos de existências e inteligências artificiais, o estilo do Lucas é um pulsar de vida. A fantasia aqui abraça a periferia, a correria e o leitor que não se fecha para o mundo." — Felipe Castilho, autor de Serpentário
"Magia, porradaria e alta octanagem. A escrita do Lucas ultrapassa todos os limites de velocidade e entrega ao leitor uma obra intensa e empolgante." — Ian Fraser, autor de A vida e as mortes de Severino Olho de Dendê
Lucas Mota é escritor, vencedor do Jabuti 2022 com "Olhos de Pixel" (Plutão Livros, 2021). Também escreveu "Boas meninas não fazem perguntas" (financiamento coletivo, 2018) e "Todos os mentirosos" (Amazon, 2016). Tem contos publicados na coletânea "Desencontros" (Elements, 2020) e na amazon. Nas horas vagas produz o podcast "Suposta Leitura".
Que livro BOM! Lucas mergulha fundo nos problemas socioeconômicos do Brasil e entrega uma trama que, ainda que cheia de elementos mágicos, não poderia ser mais real.
Comecei a leitura empolgada, a história tinha bastante potencial, mas, infelizmente achei que foi decaindo. Os últimos capítulos foram corridos e encontrei alguns furos na história. Também senti falta de explicações sobre como funciona o resto do mundo nessa realidade e se o Brasil tem algum tipo de relação/dependência/guerra com outros países.
É um típico livro de Jornada do Herói (mesmo com o finzinho semi feliz), há bastante cenas de ação, o que pra mim, atualmente, chega a ser um pouco entediante.
Adorei a menção a Carolina Maria de Jesus (porém com nome alterado e outro contexto) e o cenário paulista distópico. Gosto que não seja uma revolução feita pelos injustiçados que resolve os problemas. Tudo gera consequências e às vezes ainda piores do que o planejado.
De toda forma, acredito que os amantes de mocinho x bandido vão gostar.
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Depois do impacto deixado por Olhos de Pixel, meu entusiasmo ao começar Moeda de Troca foi imediato. Lucas Mota provou, em sua estreia, ser uma voz poderosa da literatura contemporânea brasileira, com crítica, plural e profundamente conectado com a realidade social do país. Por isso, é com um misto de admiração e frustração que escrevo esta resenha. Uma das maiores virtudes de Mota, publicado pela Editora Rocco, continua presente em Moeda de Troca: sua habilidade de retratar a diversidade com naturalidade e respeito. Os personagens são plurais, reais, livres de estereótipos rasos, e até mesmo quando flertam com caricaturas, o fazem com humor e leveza, nunca com desdém. Além disso, o autor continua firme em seu compromisso com temas políticos e sociais, tocando em feridas expostas do Brasil, um dos pontos mais fortes da obra! No entanto, se por um lado o conteúdo tem força, a forma com que a história se desenvolve deixa a desejar. O enredo de Moeda de Troca se apresenta apressadamente, por vezes confuso, e com algumas falhas de continuidade que dificultam a imersão. A narrativa, que deveria nos conduzir com segurança, frequentemente se mistura ao protagonista, Rato, de forma tão íntima que perdi a noção de quem contava a história. Em certos momentos, parece um livro narrado em segunda pessoa, tamanha a fusão entre narrador e personagem. Isso prejudicou minha conexão emocional com Rato, uma peça central da trama que, para mim, ficou opaca. Outro ponto que me incomodou foi a lógica do universo criado. A substância ?Ox?, elemento-chave da trama, parece estar restrita somente ao Brasil. Dado o cenário geopolítico do livro, é difícil crer que outras potências como EUA ou União Europeia não tenham entrado na disputa, comprometendo a verossimilhança. Além disso, o desfecho da história se revela muito cedo, tornando o final previsível e esvaziando boa parte da tensão narrativa. Com o avanço dos capítulos, percebi uma aceleração forçada do ritmo. O foco muda com frequência e a trama parece correr para um encerramento sem dar espaço ao desenvolvimento pleno dos arcos e personagens. Senti falta da adrenalina e do frescor do início do livro, especialmente na cena em que Rato descobre sua habilidade com a ?Troca?, uma passagem empolgante que, infelizmente, não encontra eco no restante da narrativa. Os diálogos, em várias passagens, carecem de emoção. Soam como vozes em uma sala branca: personagens parados, sem cenário, sem expressão. Isso torna a leitura fria, distante, diferente da vivacidade que encontrei em Olhos de Pixel. Talvez parte da minha decepção se deva à alta expectativa que carreguei, um erro comum entre leitores apaixonados. Ainda assim, não posso deixar de pensar se houve o acompanhamento editorial necessário. A trama tem potencial e méritos inegáveis, mas tropeça onde não deveria. No fim, Moeda de Troca é uma obra de temática rica e necessária, com uma proposta que merece aplausos, mas que falha em me arrebatar por completo. Continuo admirador do trabalho de Lucas Mota, e espero ansioso por seu próximo livro, com a certeza de que o talento está lá, esperando para desbravar em novas e emocionantes histórias. Nota: 4/5 Achou que eu fosse dar nota ruim, não é? Que nada! Uns tropeços não vão arranhar este livro.
Uma explosão criativa. Lucas Mota domina a tensão narrativa, o quarto foi um dos capítulos mais intensos que eu já li. Também me surpreendeu o peso de tudo nesta história fantástica, sem medo de puxá-la para a realidade mais dura. Só senti falta de menos economia na escrita. É tanta coisa acontecendo tão rápido que acaba perdendo o impacto que poderia ter. Também espero que ganhe uma segunda edição corrigindo os muitos erros editoriais.