Na ponta da língua não busca ser um mero guia de etimologia. Mais do que ensinar ao leitor a origem das palavras, Caetano W. Galindo -- autor de Latim em pó, êxito de crítica e público -- nos dá as ferramentas para que possamos, também, ser investigadores do nosso português.
Tendo o corpo humano como base, numa jornada que vai da cabeça aos pés, Caetano W. Galindo nos ensina os processos históricos que explicam por que nosso pescoço deixou de ser "poscoço" e a ligação inusitada entre o joelho e uma almofada. Enquanto nos divertimos com o humor constante de sua prosa, que corre quase como uma performance cômica, mal notamos que estamos aprendendo os complexos mecanismos que regem as mudanças da língua ao longo dos séculos e os processos ocultos por trás da formação das palavras. Ao final da leitura, nunca mais olharemos um diminutivo "inho" da mesma forma. Uma aula magistral de etimologia sem a menor dor de cabeça -- que, aliás, vem do latim capitia e tem a mesma origem de "chefe".
CAETANO W. GALINDO nasceu em Curitiba, em 1973, é professor, pesquisador, tradutor e escritor. Sua tradução de Ulysses recebeu os mais importantes prêmios literários do país.
É autor de Sim, eu digo sim: Uma visita guiada ao Ulysses de James Joyce (2016), finalista do prêmio Rio de Literatura, e do livro de contos Sobre os canibais (2019). Ensaio sobre o entendimento humano, livro não comercial, com tiragem limitada, recebeu o prêmio Paraná de Literatura em 2013.
Caetano Waldrigues Galindo, nascido em 1973 na cidade de Curitiba é professor, pesquisador, tradutor e escritor. Neste bom livro – “Na ponta da língua: o nosso português da cabeça aos pés” – Caetano Galindo, numa verdadeira “epopeia” que muitas vezes surpreende, outras vezes diverte mas sempre informa, nos conta a história de palavras da língua portuguesa que usamos de forma constante e contínua usando o corpo humano como fio condutor da narrativa eivada de recursos oriundos da etimologia que é a ciência que estuda a origem, a formação e a evolução das palavras, explicando seu significado a partir dos elementos que as compõem, geralmente derivados de idiomas “estrangeiros” como o grego e o latim. A essência dessa obra o próprio autor destaca ao escrever o seguinte no capítulo intitulado “Demonstração de princípios”:
“Cada palavra que o habitante do planeta Terra emprega no dia a dia é a ponta de uma espécie de cordão umbilical que o liga a um ponto distante, além até mesmo do horizonte determinado pelo alcance dos nossos métodos de reconstituição. Cada palavra que você usa toda vez que abre a boca é uma caixa de Pandora, um livro fechado, um frasco com rolha bem firme, que depois de aberto vai inundar o ambiente com o perfume guardado ali dentro por séculos e séculos e séculos”.
Veja por exemplo o longo caminho percorrido por uma palavra como sutiã de acordo com as pesquisas do autor:
“Veja de novo o tamanho do caminho e suas voltas: o radical indo-europeu chega ao grego, vai ao latim, onde muda de sentido, passa ao francês, onde forma um novo substantivo dentro de uma indústria bem específica, e viaja para o inglês, onde batiza uma peça do vestuário feminino. Do adjetivo geral para a anatomia, a metalurgia medieval e, hoje, rendas e tecidos sintéticos”.
Esse é o “espírito” do livro de Galindo que procura a cada página nos mostrar o quão fascinantes são os caminhos e descaminhos que levaram e continuam levando à formação das palavras numa jornada sem fim pois os idiomas são quase que “seres vivos” que sofrem constantes mutações. As partes do livro que mostram a origem de alguns dos “palavrões” mais falados no Brasil pode divertir quem se interessar pela etimologia deles. “Na ponta da língua” é muito interessante mas em minha avaliação não é tão interessante quanto “Latim em pó”, lançado em 2023 em que o autor esmiúça de forma muito consistente as origens do português. “Na ponta da língua” é muito voltado para quem realmente se interessa pela origem etimológica das palavras e para quem não se interessa tanto assim a leitura fica em alguns momentos um tanto cansativa. Creio que o autor percebeu isso e tentou “compensar” usando (e abusando) de uma irreverência que muitas vezes me pareceu algo forçada. No entanto essas ressalvas não desmerecem a obra que realmente entrega aquilo que alardeia: muita informação e muitas curiosidades interessantes acerca da origem de muitas palavras da língua portuguesa. Boa pedida!
Acredito que eu teria aproveitado mais se tivesse lido o livro, ao invés de escutar o audiolivro.
O material é muito interessante e curioso. me assustei de saber ao final que era uma tese de doutorado voltada pra divulgação científica.
Como divulgador científico que fui em alguns portais e auxiliando diversos canais brasileiros do YouTube nessa temática, fiquei muito feliz de ver um trabalho com essa pretensão na área de linguística.
As brincadeiras com as palavras se tornam uma marca registrada do autor nesse livro. Gregorio Duvivier também tem aspectos similares - vai ver o pessoal das Letras é tudo assim mesmo.
De qualquer forma, me divertir e aprendi coisas interessantíssimas. Não acho que merece um 5 pois alguns pontos e palavras poderiam ter sido explorados de maneira menos confusa ou mais delongada, mas também esse livro passa longe de um 3.
Eu amei muito Latim em pó e virei fã do Caetano Galindo. Este aqui, infelizmente, não funcionou tão bem para mim. Eu acho que ele é muito hábil em tornar um assunto que pode ser árido num texto leve, interessante e engraçado. E achei esperta a escolha da estrutura da exposição. Mas etimologia não é minha pira, então, mesmo ele fazendo o possível, acabou sendo um amontoado enorme de informações, que é difícil reter. Algumas coisas interessantes acabamos absorvendo pela repetição, como a convivência de formas eruditas e populares do latim, o fato de que muitas palavras vêm de diminutivos ou de casos diferentes do nominativo e determinados processos fonológicos. Mas acabou sendo uma leitura que arrastei por muito tempo. Pra quem gosta muito de etimologia, porém, é o livro perfeito.
Foi um encontro repentino e de efeito imediato. Na livraria, uma estante com centenas de volumes, um pequenininho, discreto, me chamou a atenção e desde a primeira página senti que era um livro escrito não pensando em mim, mas feito pra mim. A facilidade com que Caetano consegue descrever acontecimentos estratosféricos em nossa língua; a trilha de curiosidades infinitas e como coisas até então desconexas se fazem perceber quase idênticas; a maneira de escrever como se estivesse falando (e a sensação de estar ouvindo mais do que lendo) são pontos que tornam este livro uma aula, uma conversa, uma viagem e um encontro condensados em algumas poucas páginas. Brilhante!
Um deleite (do latim delectare) para os apreciadores de etimologia, Na ponta da língua é o segundo livro de uma série de desbravações da língua portuguesa escrito por Caetano Galindo, começando com 'Latim em pó', publicado em 2022 também pela Companhia das Letras. Nessa continuação, Galindo propõe um passeio pela etimologia usando de ponto de partida o corpo humano: da cabeça aos pés, as palavras que vieram de todos os cantos do mundo e que desaguaram na formação das nossas cutículas, unhas do pé e dos nomes mais difíceis dos nossos órgãos internos (alguns dos quais a gente até mesmo desconhece).
Leia se e somente se você curte etimologia. Sério. Se você não gostar de etimologia não perca seu tempo, ao contrário do que acontece com Latim em Pó que é um livro menos específico e que a meu ver pode interessar um público maior.
No geral, eu gostei, não amei o Na Ponta da Língua. Foi um livro gostoso de ler porque acho divertido saber sobre origem e caminho das palavras, mas gostei mais de Latim em Pó.
O autor escreve de uma forma agradável, não é uma leitura difícil, embora cheia de informação. Fiquei curioso para ler seu romance, inclusive.
No geral, um livro interessante de ler, mas pode ser chato se a pessoa não se interessar minimamente pelo tema.
é empolgante aprender como viajar na história pela etimologia das palavras, mas o livro acaba um pouco repetitivo lá pro final por causa da estrutura de explicar tudo a partir das etimologias do corpo humano. mas a ideia de limitar a um campo é muito boa, dá robustez para o projeto. sempre divertido ler o Galindo
Este livro abriu meus olhos para uma dimensão da realidade que, embora eu não duvidasse da sua existência, eu não fazia ideia do quão vasta e rica seria.
Lê-lo foi uma delícia. Cada página foi pontuada por uma gargalhada, por uma sobrancelha arqueada, por uma sensação reconfortante de novo entendimento.
Sensacional. Esse livrinho, que se diminutivo só tem o seu lindo tamanhinho, já tem lugar garantido na minha mesa de trabalho, para consultas a qualquer hora. O Galindo, mais uma vez, jogando luzes sobre e abrindo perspectivas para essa dimensão tão figadal da nossa existência que é a linguagem.