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Jogo da Cabra Cega

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Assim que foi publicado, este romance foi apreendido pela Censura do Estado Novo, em resultado de críticas elevadas de um moralismo estreito.

"Jogo da Cabra Cega", o primeiro romance de José Régio, é um livro singular na obra regiana, um livro que assinala o início do chamado segundo Modernismo, dando assim continuidade ao movimento literário iniciado com Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.

José Régio reconhece neste livro «um romance com uma intensidade quase frenética e quase desarrumada», sublinhando ainda a influência que Dostoievski exerceu sobre a sua escrita, dizendo: «À parte o ele ser um génio de primeira grandeza, com ele reconhecia profundas afinidades: sobretudo no seu turvo e fascinante misticismo, e no seu sublime debate entre o Bem e o Mal na alma do homem».

Deste livro disse Jorge de Sena: “Jogo da Cabra Cega é um dos grandes romances portugueses deste século. Também Vergílio Ferreira se pronunciou, declarando: “Jogo da Cabra Cega — um dos três maiores livros de ficção deste século português (…), com Húmus e A Confissão de Lúcio.”

417 pages, Hardcover

First published January 1, 1934

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About the author

José Régio

68 books52 followers
Poeta, autor dramático e ficcionista, de seu nome verdadeiro José Maria dos Reis Pereira, nasceu em 1901, em Vila do Conde, onde faleceu em 1969. Formou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Coimbra, com uma tese de licenciatura subordinada ao título As Correntes e as Individualidades na Moderna Poesia Portuguesa, na qual ousa apresentar como nome cimeiro da poesia contemporânea Fernando Pessoa, autor que não possuía ainda nenhuma edição em livro. É em Coimbra que colabora com as publicações Bysancio e Tríptico, convivendo com o grupo de escritores que virão a reunir-se em torno da criação da revista Presença. No primeiro número da revista, fundada com João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca, publicará o texto "Literatura Viva", que pode ser entendido como manifesto programático do grupo, defendendo que "Em arte, é vivo tudo o que é original. É original tudo o que provém da parte mais virgem, mais verdadeira e mais íntima duma personalidade artística", pelo que, "A primeira condição duma obra viva é pois ter uma personalidade e obedecer-lhe". Definindo "literatura viva" como "aquela em que o artista insuflou a sua própria vida, e que por isso mesmo passa a viver de vida própria.", aí reclama, para a obra artística, o carácter de "documento humano" e os critérios de originalidade e sinceridade.
As linhas mestras da sua poética surgem claramente logo no seu primeiro livro de poesia (Poemas de Deus e do Diabo, 1925), no qual o culto da originalidade, entendida como autenticidade expressiva, se processa tematicamente entre os pólos do Bem e do Mal, do espírito e da carne, e, enfim, do divino e do humano. Neste contexto, os neo-realistas criticaram o psicologismo da sua poesia, que consideravam excessivamente voltada "para o umbigo".
Como autor dramático, José Régio coligiu, em 1940, no Primeiro Volume de Teatro, textos dramáticos (Três Máscaras, Jacob e o Anjo) publicados dispersamente desde os anos trinta, a que se seguiriam o drama realista Benilde ou a Virgem-Mãe (1947), uma peça que veio a ser adaptada ao cinema por Manoel de Oliveira, El-Rei Sebastião (1949), A Salvação do Mundo (1954), O Meu Caso ou Mário ou Eu-Próprio - O Outro (1957), peças que, em larga medida, estabelecem uma continuidade entre temas, problemáticas religiosas, humanas e metafísicas já abordadas na obra poética, transferindo o que esta possuía de forma latente em tensão dramática, patético e exibição emotiva para o registo teatral. É de destacar também O Jogo da Cabra-Cega (1934), um romance marcado pelo recurso à técnica do monólogo interior. Postumamente foram editadas as memórias Confissão de um Homem Religioso. Comparecendo ainda em publicações como Portucale, Cadernos de Poesia ou Távola Redonda, José Régio organizou vários florilégios de poetas diversos, redigiu estudos prefaciais para poetas da geração da Presença e preparou a primeira série das Líricas Portuguesas.

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Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for Luís.
2,395 reviews1,398 followers
March 5, 2021
Jogo da Cabra Cega is a singular book in the Regian work, a book that marks the beginning of the so-called second Modernism, thus continuing the literary movement started with Fernando Pessoa and Mário de Sá-Carneiro. José Régio recognizes in this book «a romance with an almost frantic and almost messy intensity».
Profile Image for Ana.
230 reviews94 followers
October 4, 2016

O homem é tão paradoxal que muitas vezes não perdoa aos outros o mal que lhes fez.
Jogo da Cabra Cega , primeiro romance de José Régio, foi publicado pela primeira vez em 1934 e imediatamente apreendido pela censura salazarista, menos por razões políticas do que por razões morais. Refere o relatório de censura que a obra contém "largas descrições de um realismo escabroso". A proibição foi levantada em 1963 sobretudo graças à notoriedade alcançada pelo autor no panorama da literatura portuguesa da época. A reedição foi permitida mas com várias condições restritivas.

cabra cega

Terminei a leitura há já alguns dias e tenho andado sem saber muito bem o que escrever sobre o livro. Provavelmente porque é difícil escrever sobre o que não entendemos muito bem. Não que eu não tenha entendido o romance; acredito tê-lo entendido não obstante a subjectividade, a ambiguidade e as subtilezas que o caracterizam. O que se me afigura mais custoso é o exercício de tentar entender o fundamento e a dimensão da “neura” que está presente do princípio ao fim.

A narrativa apresenta a forma de uma quase confissão em que o narrador-protagonista (Pedro Serra), numa demanda sofrida de auto-conhecimento, e não sei se de alguma forma de redenção, se confronta com um outro “eu” que lhe é exterior (representado pelo personagem Jaime Franco). É um romance profundamente psicológico, denso, pesado, apenas esporadicamente pontuado por alguns episódios ou excertos mais ligeiros e com algum humor que aliviam a carga dramática.

Este livro fez-me lembrar A Confissão de Lúcio , numa versão mais neurótica, (bastante) mais extensa e também mais difícil de "digerir". Os capítulos são longos, por vezes constituídos por longos monólogos ou divagações que obrigam a toda a atenção para que não nos percamos. Não dou por perdido o tempo empregue nesta leitura mas também não posso dizer que me tenha apaixonado. O estilo da prosa é forte e actual (até nos esquecemos tratar-se de uma obra escrita na década de 1930), mas há uma certa obsessividade e repetitividade de pensamentos e de estados de espírito que por vezes tornam a leitura algo cansativa. Até aqui, de José Régio só conhecia a sua poesia e, para já, continuo a preferi-la ao que fiquei a conhecer da sua obra em prosa.
Ele representava também a minha personalidade. Ele vivia a minha personalidade que ainda não pudera ser vivida, e por isso estrebuchava consigo própria. O que lutava com ele não era, talvez, senão a minha personalidade adquirida, – as convenções que em mim já se haviam tornado natureza… […] Ele e eu…, ele e eu…
(Cap. X, p. 126)

Eu?, não: O outro. Chamo Eu, agora, àquele que em mim se liberta assim do outro; e chamo outro ao que lá em baixo (se Eu me suponho pairando), lá à superfície (se Eu me suponho subterrâneo), lá à frente (se Eu me suponho afastada da boca de cena) contracena com outros de outrem.
(Cap. XII, p. 167)



Profile Image for gonçalo.
40 reviews2 followers
December 24, 2021
gostava de ter herdado o talento para escrever aqui do primo
Profile Image for Virgilio Machado.
235 reviews16 followers
November 17, 2011
O Jogo da Cabra Cega pode ser lido como um romance expressionista. Lembra pelo seu modo tenso ou estridente de representação o traço de Júlio, pintor irmão de Régio [...]. Expressionismo que pode ser lido também como um Raul Brandão sintonizado em registos de alta voltagem metafísica. Registos de que serão aqui exemplos o confessional do inconfessável, o religioso transgressivo, o patético negro e burlesco.

Fernando Cabral Martins, O Trabalho das Imagens.

Régio percorre neste romance, como Sá-Carneiro nas suas novelas, todo o ciclo que vai da fascinação por um objecto de desejo à exercida pelo mediador que o estimula, à identificação com este último, e finalmente ao narcisismo, ou interiorização do mediador amado; com derivantes como a do transfert de um mediador para outro, e manifestações especificamente freudianas de complexo de Édipo.

Óscar Lopes, Entre Fialho e Nemésio.

Por este reconhecimento da função do subconsciente na minha produção literária – me encontrei mais tarde com Freud e o admirei; e continuo a admirar como um daqueles génios que realmente impelem os homens a avançar mais um passo no conhecimento do homem. Ouso afirmar que ainda antes de o conhecer (pois as principais passagens do Jogo da Cabra Cega estavam escritas bem antes de ser o romance publicado) de certo modo me antecipei a tal conhecimento no Jogo da Cabra Cega.

José Régio, Confissão dum Homem Religioso.
http://cvc.instituto-camoes.pt/espelh...

[...] o primeiro romance do escritor, o Jogo da cabra cega, de 1934, que o rigor da censura oficial de então imediatamente apreendeu. O autor nunca lhe prestou grande interesse, convencido de que se tratava de um texto da juventude, sem o amadurecimento que revelou na série A velha casa. Convenceu-se que havia, nele, demasiada influência do génio de Dostoiévski, nas suas páginas frenéticas. [...] citando a opinião lapidar que, sobre ele, escreveu Mário Sacramento: «Jogo da cabra cega, um dos maiores romances portugueses de todos os tempos - obra em que José Régio centrou todos os seus dons de poeta, psicólogo, dramaturgo, pensador e crítico, conjugando-os com densidade excepcional.»

António Couto Viana, 2007
http://www.leitura.gulbenkian.pt/inde...

Eugénio Lisboa, 2006
http://www.incm.pt/site/anexos/100176...

O desdobramento do eu, a dicotomia sinceridade e artificialidade são vectores semânticos cruciais do romance Jogo da Cabra Cega (1934) de José Régio, o autor português mais visível do romance dito psicológico das primeiras décadas do século XX. A narrativa psicológica articula-se, neste autor, com o segundo modernismo português ligado à revista coimbrã Presença (1927-1940). Assim, o psicologismo regiano é presencista no sentido específico em que este «sócio-código» literário interpreta a complexidade da vida interior.

Eunice Cabral
http://www.edtl.com.pt/index.php?opti...

http://www.jayrus.art.br/Apostilas/Li...

http://alegriabreve47.blogspot.com/20...

http://calucalivros.forums-free.com/j...

http://coloquio.gulbenkian.pt/bib/sir...
Profile Image for Joao.
198 reviews4 followers
May 6, 2016
Um excelente livro de prosa do José Régio, o primeiro romance do escritor publicado em 1934, uma surpresa agradável! A história é hilariante tem discussões fantásticas sobre a humanidade, cenas de total deboche imoral para o Portugal dos Anos 30 onde a ditadura conservadora bacoca começava a imperar e a ser parte da normalidade! Excelente, não é de admirar que a censura tenha posto a obra fora do mercado! As cenas imorais da senhoria e do Empresário não colhem nada bem nos padrões da Época, a temática da desumanização é bastante interessantes os debates filosóficos da metafísica sobre o eu e Deus são excelentes! Obrigatório recomendo pena estar totalmente esquecido na Leitura actual
35 reviews1 follower
April 13, 2025
Belo romance. Intenso, por vezes, duro e muito realista. Reflexão sobre a vida, a sua complexidade e as suas contradições.
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